quarta-feira, 28 de maio de 2008

WMOC: À CONVERSA COM CARLOS MONTEIRO


É o grande acontecimento da temporada nacional de Orientação Pedestre e o maior evento do género alguma vez realizado em Portugal. Concita o trabalho duma vasta equipa e destina-se a proporcionar uma semana de altíssima qualidade aos mais de 3.500 participantes que nos visitarão, oriundos dos quatro cantos do mundo. Trata-se dos Campeonatos Mundiais de Veteranos de Orientação Pedestre (WMOC), que irão decorrer entre os dias 28 de Junho e 5 de Julho na área do Pinhal de Leiria. Precisamente a um mês do grande evento, o Orientovar inicia hoje uma série de trabalhos que pretendem ser mais um contributo para o seu enquadramento e divulgação. E começa da melhor maneira, à conversa com o Director-Geral do WMOC, Carlos Monteiro.


JOAQUIM MARGARIDO (JM) – Após tanto trabalho “na sombra”, o WMOC ganha forma e surge agora em toda a sua plenitude. Quer tecer-nos um primeiro comentário?

CARLOS MONTEIRO (CM) - Independentemente daquilo que venha a acontecer nos Campeonatos Mundiais de Veteranos de Orientação Pedestre, sinto-me extraordinariamente satisfeito e orgulhoso pelo facto de termos conseguido que todas as pessoas, directa ou indirectamente envolvidos na Organização do evento, conseguissem despir a camisola dos respectivos clubes, assumissem o evento como de todos nós e envergassem a camisola do WMOC, da Federação Portuguesa de Orientação e do País. Todos, sem excepção, deixámos de olhar para o nosso umbigo e encarámos o evento duma forma global, partilhando conhecimentos, partilhando equipamentos, trocando ideias. Esse, para mim, é um dos grandes sucessos do WMOC.

JM – Independentemente de todo um trabalho que ficou para trás, há ainda muito por fazer?

CM - A maior parte, felizmente, está feita, mas há ainda pequenos detalhes que precisamos de acertar e contornar. Em termos de cartografia e de percursos estamos pendentes apenas da aprovação de um mapa. O Supervisor Nacional [José Carlos Pires] já esteve entretanto no terreno para o validar e aguardamos isso mesmo a qualquer momento. Todos os percursos estão na gráfica e a parte logística está orientada; falta-nos fazer umas voltas ao terreno com a GNR para fechos de caminhos e acertos de controlo de trânsito. Tudo o resto… Enfim, como eu costumo dizer, o meu trabalho está quase a acabar. Agora terão de ser os 50 membros do Comité Organizador e os cerca de 350 Voluntários a assumir a sua quota-parte do trabalho, porque da parte da Direcção do WMOC e daquilo que eram a planificação e a preparação do evento, está quase tudo feito.

JM - Como foi possível trazer um evento destes para Portugal?

CM - Primeiro que tudo, acreditando que éramos capazes de o fazer. Segundo, interagindo com vários clubes, com várias pessoas, com várias vontades. Depois, o Presidente da FPO [Augusto Almeida] acreditou no projecto e conseguiu abrir portas junto do Poder Central e junto de algumas entidades influentes que tiveram, efectivamente, muito peso. Enfim, conseguimos que a nossa candidatura reunisse um conjunto de condições interessantes, debateu-se com outras duas fortes candidaturas – a França e a Eslovénia – mas houve o reconhecimento da própria Federação Internacional de que em Portugal, nos últimos anos, se têm realizado bons eventos. O Portugal O’Meeting tem sido uma boa bandeira da modalidade e testemunho da nossa qualidade organizativa. Agora só temos mesmo que não deixar ficar mal quem acreditou em nós – a IOF, as autarquias, os “sponsors” – “vergar a mola” e, a trinta dias do final, retribuir a confiança que nos foi dada.

JM - A participação portuguesa é muito reduzida. Há alguma explicação para esta situação?

CM - O WMOC decorre em finais de Junho, princípios de Julho, numa altura em que muitos dos nossos jovens estão no período fulcral do ano lectivo, em plena época de exames. Não podendo contar com esses, acabámos por implicar na Organização do evento grande parte dos nossos atletas veteranos. Em boa hora o fizemos, já que sem esse envolvimento não era possível pôr de pé um evento desta envergadura. Efectivamente, a nossa população de praticantes de Orientação capazes de colocar pontos, de traçar percursos, de fazer cartografia, pertencem aos escalões de Veteranos e estão envolvidos na Organização. Logo, por força das circunstâncias, impossibilitados de competir.


JM – Que medidas estão previstas no sentido de promover o evento, dando-lhe a visibilidade que merece e contribuindo para a divulgação da modalidade no nosso País?

CM - Em termos de Orientação, este evento é deveras o mais importante até hoje realizado em Portugal. Não podíamos, de maneira alguma, deixar fugir uma oportunidade destas para mediatizar a modalidade, dando-a a conhecer ao público em geral. Temos o azar, entre aspas, de coincidir com o Europeu de Futebol, mas pronto!… Vamos tentar conviver com esse facto de alguma maneira, vamos procurar dar visibilidade ao evento e temos alguns meios previstos para procurarmos atingir os objectivos.


JM - Quer especificar?

CM - Vamos ter nas duas finais várias câmaras na floresta e um écran gigante na arena para que as pessoas possam acompanhar o evento; vamos ter diversos pontos de rádio que permitirão irmos fazendo o ponto da situação; na semana que antecede o evento e ao longo de quinze dias, numa parceria com a RTP, vamos ter um “spot” publicitário de 20 segundos a “bombardear” o público oito vezes ao dia; produzimos já cerca de 10.000 “flyers” que entregámos às várias autarquias envolvidas no WMOC – Leiria, Alcobaça, Marinha Grande e Nazaré –, para os fazerem chegar às colectividades, às associações, às escolas; vamos estar com cerca de 30 “muppi’s” nos quatro concelhos, também a partir do mês de Junho, espalhados em vários locais; tivemos na quarta-feira passada uma mesa-redonda com uma série de órgãos de comunicação social de âmbito local e regional, para dar a conhecer o evento, dar a conhecer a modalidade, e pedir a sua colaboração na divulgação do WMOC; temos embaixadores do evento, temos na Comissão de Honra algumas pessoas mediáticas no sentido de também nos ajudarem a catapultar a modalidade para as primeiras páginas; temos a ideia de trazer algumas figuras públicas a algumas arenas para que com eles venham mais alguns “media”… Penso que vai ter de ser por esse caminho e é esse caminho que estamos a trilhar.

JM – Agora que entramos na “recta final”, um apelo, um anseio, uma ambição?

CM - Serenidade, calma e paz de espírito, para que todos sejam capazes de levar a bom termo o evento. Temos mapas, temos florestas, temos percursos. Se fosse há três ou quatro anos atrás, talvez estivéssemos mais receosos. Evidentemente que não ter receios neste momento ou estar despreocupado seria uma irresponsabilidade de todo o tamanho. Claro que temos preocupações, que temos receios, mas controlados e comedidos. Temos adquirido muita experiência com a vinda de estrangeiros a Portugal, por alturas do POM, do NAOM ou de outros eventos WRE. Aqueles que nos visitam gostam dos nossos mapas, gostam dos nossos terrenos, da nossa cartografia. As coisas estão planificadas e estão preparadas. Só precisamos é que toda a gente implicada na Organização do evento arregace as mangas, deixe de olhar para o seu umbigo e centre as atenções apenas no emblema da Selecção Nacional e na bandeira do WMOC, porque vamos ser capazes de o fazer. Nós vamos ser capazes!

JOAQUIM MARGARIDO


1 comentário:

Unknown disse...

Olá Sr. Joaquim Margarido, em primeiro lugar quero dar-lhe os parabéns por este magnifico trabalho que muito tem ajudado na divulgação da modalidade, pois é sem dúvida um trabalho que merece todos os elogios. Em relação ao WMOC quero desejar toda a sorte a todos os que nele estarão envolvidos (eu gostaria de la estar mas os exames não o possibilitam), contudo vou acompanhar todo o trabalho desta grande família de orientistas.
Mais uma vez muitos parabéns pelo seu trabalho e muita sorte para o grande evento WMOC :-)

Diana Magalhães (TST)