domingo, 25 de maio de 2008

TÍTULOS NACIONAIS ABSOLUTOS PARA TIAGO ROMÃO E RAQUEL COSTA



Foi há dez anos, na Serra da Cabreira. O gesto pioneiro que deu origem aos "4 Dias do Minho" comemorou com pompa e circunstância uma década dum dos melhores eventos de Orientação Pedestre que o país conhece. Entre conferências, serões musicais, suculentos repastos e excelente disposição, muita e boa Orientação fez as delícias dos amantes da modalidade. Bem no coração do Gerês, onde todas as pedras são belas!

Foi numa acolhedora arena, montada a uma escassa centena de metros do Miradouro da Pedra Bela, que teve lugar a Cerimónia de Encerramento destes "4 Dias do Minho" 2008. Organizado pelo Clube de Orientação do Minho, o evento incluíu uma prova de Distância Média (pontuável para a Taça de Portugal), uma prova de Sprint e ainda os Campeonatos Nacionais Absolutos (apuramento e finais). Marcados por impiedosa e incessante chuva – que apenas no último dia se “dignou” fazer uma ligeira trégua – os "4 Dias do Minho" nem por isso deixaram de constituir um grandíssimo momento de Orientação “pura e dura”, com mapas desafiantes e percursos muito exigentes, do ponto de vista técnico e físico.

Um total de 312 atletas participaram nas provas de apuramento (274 no sector competitivo + 38 OPT’s) e as grandes surpresas vêm dos escalões mais jovens, com o júnior David Sayanda (Ori-Estarreja) a impor-se com o melhor tempo nos homens, enquanto nas senhoras a juvenil Joana Costa (GD4C) alcançou o segundo melhor tempo, imediatamente atrás da sua colega de equipa, a Campeã Nacional de Sprint e Distância Média, Maria Sá.

Nove horas após a chegada do último concorrente e enquanto se aguarda a edição dos resultados deste último dia e a divulgação dos vencedores dos "4 Dias do Minho" - talvez mesmo o único reparo a apontar à Organização! -, podemos já adiantar que Tiago Romão (COC) e Raquel Costa (SRSP Gafanhoeira) são os Campeões Nacionais Absolutos 2008. Títulos bem saudados pelos detentores, como se depreende das suas palavras.


Para Raquel Costa, estes Campeonatos Nacionais Absolutos “foram um grande desafio. O mapa é muito exigente, tanto técnica como fisicamente. Estes são terrenos sem dúvida espectaculares, mas com os quais não estou particularmente familiarizada. É no Alentejo que encontro mapas mais adequados às minhas característica e lá consegue-se andar mais rápido, a progressão é muito mais fácil.” E quanto há excelente prestação de algumas atletas dos escalões de formação, Raquel Costa tem uma opinião seguramente abalizada: “As gerações mais jovens começam a aparecer com muita força, fruto do trabalho de formação nas escolas e nos clubes. Estamos, claramente, numa fase de evolução.”

Tiago Romão era a imagem da felicidade: “Não tenho palavras. Foi espectacular. As coisas não me tinham corrido nada bem nos últimos tempos e andava desmoralizado. Quando cheguei ao 13º ponto e vou a tirar o azimute para o 14º ponto, não tinha bússola. Só já cá estava o prato. Como entretanto tinha apanhado o Celso e o Pedro Nogueira, era complicado vir mais para a frente naquelas condições, sobretudo nas pernadas mais longas. Perdi algum tempo nesta segunda metade, mas os meus adversários mais directos também acabaram por perder. Estou muito contente. Para acabar a época e ganhar moral para o JMOC não podia correr melhor.”

Os 4 Dias do Minho foram, em boa verdade, a única grande prova antes dos Mundiais de Veteranos (WMOC) e uma boa oportunidade para afinar pormenores. Uma reunião na tarde de sábado congregou um bom lote de voluntários e nela foi possível concertar mais alguns aspectos a carecer de afinação; e durante as provas propriamente ditas, estiveram em acção elementos importantes num evento desta natureza, como nos conta José Fernandes, da Organização: “Tivemos aqui alguns meios técnicos que vão ser utilizados no WMOC, nomeadamente os emissores. Tivemos o cuidado de os colocar em locais de passagem comuns e isso permitiu um acompanhamento à distância daquilo que se passava lá dentro e possibilitou-nos saber exactamente qual é o posicionamento relativo dos atletas que lideravam as respectivas provas. A experiência correu muito bem e foi um bom ensaio para o WMOC.”

Mas José Fernandes foi, igualmente, o responsável pelo traçado do percurso da “prova-rainha”, a da final dos Nacionais Absolutos do último dia. A esse propósito, referiu: “Pessoalmente constituiu um grande desafio, já que foi a primeira vez que tracei um percurso para um Campeonato Nacional Absoluto, com particularidades e situações muito próprias relativamente aos outros Nacionais. Quando fui para o terreno, apesar de ter o ‘esqueleto’ definido já há algum tempo, fui fazendo algumas alterações no sentido de tornar a prova exigente física e tecnicamente, mas que fosse, ao mesmo tempo, agradável e que ninguém chegasse ao fim chateado e cansado. Foi estimulante. De facto as opiniões são positivas, o pessoal está satisfeito e essa é a minha maior recompensa", concluiu.

José Carlos Pires, o Director da Prova, também acedeu amavelmente a “dizer de sua justiça”: O balanço é positivo. Para o bem de todos e da Orientação, tivemos uma boa jornada. A provar isso mesmo, nada melhor que os sinais que os participantes dão, manifestando a sua satisfação e alegria, num ambiente muito agradável. Retomámos este projecto dos 4 Dias do Minho, um evento que já estamos a preparar há mais de um ano. Mas é com gosto, com carinho, que o fazemos. Temos uma extraordinária equipa de trabalho, composta por jovens, todos muito voluntariosos, e mesmo com esta adversidade do tempo conseguimos cumprir.”

A terminar, uma referência àqueles que, duma forma ou doutra, contribuíram para o êxito do evento: “Tivemos um excelente apoio da Câmara Municipal de Terras do Bouro e da própria Direcção do Parque Nacional da Peneda-Gerês, que facilitou a realização da prova numa área protegida. Tivemos o cuidado de traçar os percursos de forma a minimizar os riscos de impacto ambiental e julgo que o conseguimos. E também um agradecimento a duas unidades hoteleiras do Gerês que perceberam que a Orientação pode ser uma mais-valia, atraindo potenciais clientes.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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