terça-feira, 20 de maio de 2008

A ESTREIA DO ORIENT'SHOW EM PORTUGAL




Carrega na memória dramas de outros tempos, dos inúmeros naufrágios provocados pelos traiçoeiros leixões ao desembarque das tropas liberais em 1832 ou aos recentes episódios de derrame de crude. Mas hoje queremos falar da Praia de Leça da Palmeira pelas melhores razões. É que ali teve lugar, ao final da manhã e início da tarde do passado sábado, o primeiro evento de Orient’Show em Portugal. Orientação alegre e descomplexada, com sabor a sol e a sal, salpicada de vento e mar.


Surgiu na Rússia em 2002, pela mão de Maxim Ryabkin e teve como objectivo principal a promoção da modalidade. Com o Orient’Show, pretendeu-se tornar a Orientação mais acessível aos espectadores e ainda mais espectacular. Aliando simplicidade e eficácia, o Orient’Show necessita apenas dum terreno delimitado (pavilhão, campo de futebol, etc.), com condições que permitam ao espectador seguir a prova do princípio ao fim, acompanhar os comentários e ser parte integrante do ambiente de grande festa e animação. Para além disto, a distância (de 100 a 900 metros) e o tempo de duração da prova (entre 20 e 360 segundos) constituem os aspectos distintivos em relação às clássicas provas de Orientação.

O Parque Matosinhos Tour serviu de pretexto à introdução do conceito no nosso País. E se o evento constituiu, no seu todo, uma bela jornada de propaganda da modalidade, esta 2ª etapa na praia foi-o ainda mais: não apenas pelo espaço de enorme beleza, como pela grande animação e entusiasmo no seio de todos quantos partilharam o “histórico momento”. Mas, acima de tudo, porque permitiu constatar esta enorme virtude de chegar a qualquer lado e poder-se dizer: “Olá, chamo-me Orientação e estou aqui para que possas passar um bocado bem divertido e mostrar o que vales. Tu, os teus filhos, os teus amigos, os amigos dos teus amigos…”


Os responsáveis do Grupo Desportivo 4 Caminhos quiseram puxar ao máximo pelas potencialidades do Orient’Show, única forma de fazer um balanço adequado da iniciativa. Muniram-se dos indispensáveis mapas e, no extenso areal da Praia de Leça, delimitaram um terreno com 150 x 100 metros. Buracos na areia ou pequenos montes representaram os desníveis onde se instalaram alguns pontos. Vistosos insufláveis, grades a formar labirintos, toldos de praia e mesmo mesas, constituíram as estruturas fixas. E, claro, não faltou sequer o ponto falso… Enquanto isso, através da instalação sonora, música, entrevistas e muita animação eram ajuda preciosa na criação de “ambiente”.

Imagina-se o tremendo gozo que terá dado aos elementos da Organização a montagem do “cenário”. Todavia, os grandes beneficiários foram mesmo os participantes que, sem excepção, aproveitaram ao máximo os momentos de puro prazer ali proporcionados. Que apenas pecaram por – qual areia entre os dedos - se esgotarem tão velozmente. Andreia Silva (COC) foi a mais rápida em prova e exprimia assim a ideia com que ficou: “Foi a primeira vez que fiz uma prova de Orient’Show e gostei. Acho que estava muito bem montada. Aqueles obstáculos, os insufláveis e tudo isso, deram uma dificuldade muito fixe à prova.” Quanto ao vencedor do Parque Matosinhos Tour, Diogo Miguel (OriEstarreja), começou por elogiar a Organização: “Para uma prova local, este evento teve mais qualidade do que muitas provas de âmbito nacional.” Referindo-se, em concreto, à 2ª etapa, Diogo Miguel foi taxativo ao afirmar que “fizeram muito bem em montar aqui esta etapa, num local excelente para o público poder assistir à prova. Só faltavam umas bancadas, para se poder ter melhor visibilidade e acompanhar a prova com outras condições.”

Numa análise fria e desapaixonada, poderíamos ir mais longe e dizer que faltou ali tudo aquilo que possa caber na imaginação de quem monta uma prova desta natureza. A criação dum cenário espectacular tem sobretudo a ver com a variedade e facilidade de recursos - humanos e logísticos –, embora as possibilidades sejam inesgotáveis. Mas Fernando Costa, da Organização, lança um aviso: “É fundamental fugir aos esquemas que utilizem demasiados materiais, dificultando a montagem do cenário e impossibilitando a realização do evento.” Para o Director da Prova o balanço não podia ser mais positivo: “A experiência da montagem deste Orient’Show leva a pensar que poderá estar aqui o futuro da divulgação da modalidade em Portugal. Falei mais de Orientação nestes dois ou três dias do que em vários anos de organizações na floresta.” E volta a reafirmar, em jeito de conclusão, que “esta actividade pode ser mesmo a rampa de lançamento para uma divulgação da modalidade em larga escala. O assunto merece a reflexão de todos os clubes e dos atletas mais experientes a nível nacional, no sentido de concertar estratégias que possam por em prática estas actividades duma forma realmente eficaz.”

Agora que se avizinha a época balnear, urge o tempo de arregaçar as mangas e aproveitar as enormes potencialidades do Orient’Show. Os programas de animação de praias levados a cabo pelas inúmeras autarquias que partilham as costas do nosso País enquadram perfeitamente actividades deste género e só é necessário vontade e disponibilidade para andar com as coisas para a frente. A Orientação agradece.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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