sábado, 10 de maio de 2008

NO PRINCÍPIO ERA... A BÚSSOLA!


“Impressão de um assombro desse tipo experimentei eu, tendo uns três ou quatro anos, quando o meu pai me mostrou uma bússola. O facto de aquele ponteiro se comportar de maneira tão determinada não se enquadrava na natureza dos acontecimentos possíveis de se localizarem no mundo inconsciente dos conceitos. Lembro-me – ou, pelo menos, creio lembrar-me – que essa experiência produziu em mim uma impressão profunda e duradoura. Devia existir algo oculto por detrás das coisas.”

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Albert Einstein


Do nascimento em Ulm (14/03/1879), pequena cidade ao sul da Alemanha, à juventude em Zurique, Einstein, para usar um dito popular, “comeu o pão que o diabo amassou”. Entre mudanças de cidades e falências das empresas do pai, Einstein enfrentou o autoritarismo da escola alemã e os preconceitos raciais tão intensos naquela época. Desde cedo demonstrou uma enorme aptidão para actividades individuais. Ao invés de jogos infantis no jardim, com as outras crianças, preferia construir, sozinho, complicadas estruturas com cubos de madeira e grandes castelos de cartas de baralho, alguns com catorze andares. Aos sete anos, demonstrou o teorema de Pitágoras, para surpresa do seu tio Jakob, que poucos dias antes lhe ensinara os fundamentos da geometria.


Mas, se para a Matemática e para as Ciências Naturais, ele era mais do que dotado, já para as disciplinas que exigiam capacidade de memória era um fracasso! Geografia, História, Francês e, particularmente, o Grego, constituíam obstáculos quase intransponíveis. Em consequência das suas dificuldades para memorizações, desinteressou-se pelas aulas que exigem tais habilidades, provocando violentas reacções dos seus professores. Tanto que, certo dia, o director da escola, por coincidência o professor de Grego, convocou-o para uma reunião e declarou, entre outras coisas, que o seu desinteresse pelo Grego era uma falta de respeito para com o professor da disciplina e que sua presença na classe era um péssimo exemplo para os outros alunos. Encerrando a reunião, o professor disse que Einstein jamais chegaria a servir para alguma coisa.

A partir destes favtos, parece natural, à luz da psicanálise, o "esquecimento" que Einstein sempre demonstrou ter em relação à sua infância e à sua adolescência. Apenas três factos desse período lhe são relevantes: as lições de violino que a sua mãe lhe dava, as "aulas" de geometria do seu tio Jakob e a história da bússola. Nas suas notas autobiográficas ele define a sua reacção à bússola com a palavra alemã "wundern", que pode ser traduzida por "milagre".

Em Maio de 1905, com a idade de 26 anos, Albert Einstein enviou um artigo a um dos jornais científicos mais relevantes da época: “Annalen der Physik”, da Alemanha. No artigo, Einstein apresentava uma nova maneira de se entender e interpretar a luz. A ideia, até então universalmente aceite, era de que luz, como todo o espectro electromagnético, era constituída por oscilações do campo electromagnético. Einstein mostrou que a luz poderia ser interpretada como sendo formada por "partículas de energia", independentes, discretas, oscilantes, com energia proporcional à sua frequência de oscilação. Alguns anos antes, Max Plank havia sugerido que a energia era descontínua, formada por pequenos "pacotes", chamados “quantum”. Einstein designou os “quanta” de luz por fotões. A teoria proposta por Einstein era a única capaz de explicar o efeito fotoeléctrico, tal como era observado experimentalmente.

Na teoria da relatividade de Einstein, a força da gravidade tornou-se uma expressão da geometria do espaço e do tempo. As outras forças da natureza, como o electromagnetismo, não foram descritas nestes termos. Para Einstein, o electromagnetismo e a gravidade poderiam ser explicados numa estrutura matemática mais profunda e complexa. A busca desta explicação - por uma "teoria unificada" que uniria o electromagnetismo e gravidade, espaço e tempo - ocupou a maior parte da vida de Albert Einstein.

Por volta de 1935, a teoria dos “quantum” era mundialmente aceite. Esta teoria, que Einstein ajudou a criar, podia descrever todos os fenómenos físicos observados no quotidiano. As suas aplicações incluem o transístor, o laser e a química moderna, entre outros. Porém, Einstein não acreditava que esta era a teoria definitiva e passou o resto dos seus anos à procura de uma teoria mais completa e profunda. Viria a morrer a 16 de Abril de 1955, vítima de ataque cardíaco, sem o conseguir.

Saiba mais sobre Albert Einstein, aqui.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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