quarta-feira, 14 de maio de 2008

I TROFÉU DE ORIENTAÇÃO "SENTIR PENAFIEL"


"Sentir Penafiel". Foi este o nome escolhido pelos responsáveis da Associação Desportiva de Cabroelo para a primeira edição dum Troféu que colocou, ao longo do passado fim-de-semana, Penafiel e o Vale do Sousa de novo no mapa da Orientação em Portugal.

Prova de Orientação Pedestre a contar para a Taça FPO Norte e Desporto Escolar, o I Troféu de Orientação "Sentir Penafiel" desenrolou-se ao longo de dois dias e contou com a participação total de 346 atletas de ambos os sexos e todos os escalões, dos OPT's à Elite.

O primeiro dia de provas estreou o mapa de Figueira, numa zona arborizada de pinheiro e eucalipto, pontuada de arredondados e imponentes blocos graníticos e com alguns desníveis. A forte afluência dos jovens participantes na prova de Desporto Escolar contrastou com as modestas presenças nos vários escalões do Desporto Federado.

Esta situação tornou-se ainda mais evidente no dia seguinte onde, no mapa revisto de Cabroelo, evoluíram escassos 100 atletas. Se pensarmos que, destes, apenas 19 pertenciam aos escalões de formação (16 masculinos e 3 femininos) e que na elite feminina a única concorrente – Paula Nóbrega (OriMarão) não terminou a sua prova no 1º dia e fez um “mp” no 2º dia, então devemos concordar que algo estará profundamente errado e a necessitar urgentemente de ser repensado.

Para fazer uma avaliação do que foi o I Troféu de Orientação “Sentir Penafiel”, o Director da Prova, Cesário Ferreira, dispôs-se amavelmente a responder às seguintes questões colocadas:

Joaquim Margarido (J.M.) - Que balanço se pode fazer deste I Troféu de Orientação "Sentir Penafiel"?

Cesário Ferreira (C.F.) -O balanço é positivo. Penso que, de uma forma geral – e exceptuando, obviamente, o número de participantes federados -, os objectivos foram alcançados. Os mapas e os percursos foram do agrado dos atletas e, no aspecto competitivo, mesmo com um baixo número de inscritos, houve muita luta. Por exemplo, na Elite Masculina, os primeiros ficaram separados por escassos minutos. Já a churrascada final foi a cereja em cima do bolo, com muita animação e, acima de tudo, muita confraternização entre os atletas. Penso que, no final, todos partiram para casa satisfeitos.

J.M. - Que apoios tiveram?

C.F. - A realização deste evento não seria possível sem o apoio da Câmara Municipal de Penafiel, da Junta de Freguesia de Figueira, da Junta de Freguesia de Capela e de algumas entidades privadas.


J.M. - O município de Penafiel ganha um novo mapa (Figueira) e vê outro ser actualizado (Cabroelo). Que aspectos realçaria nos mapas e que vão de encontro a esse tão apelativo "sentir Penafiel"?

C.F. - Os mapas situam-se na Serra do Mózinho que, quer pela sua variedade de vegetação, quer pelas áreas abertas com muitos afloramentos rochosos e pedras, tornam os mapas muito técnicos, com elementos novos a cada metro percorrido. Isto torna os percursos muito interessantes.

J.M. - A fraca afluência de atletas federados voltou a notar-se, aqui "mascarada" pela excelente presença de duas centenas e meia de jovens do desporto escolar. Como é que avalia uma situação que começa a ser recorrente, sobretudo no Norte?

C.F. - Penso que a fraca afluência se deveu a algum cansaço dos atletas. Na semana anterior tivemos quatro dias de provas em Estremoz, com os Campeonatos Nacionais de Estafetas e os Campeonatos Nacionais de Distância Longa, muito exigentes fisicamente. Outro dos motivos prende-se com a desmotivação dos atletas. Estamos quase no final da época e de “ranking” nada... Aliás, segundo algumas informações, parece que nem vai haver.

J.M. - Como é que a A.D. Cabroelo gere o dia-a-dia e ainda consegue tempo e coragem para levar por diante um projecto desta envergadura, com um belo programa social paralelamente à vertente competitiva?

C.F. - A A.D. Cabroelo situa-se numa aldeia com pouco mais de 300 habitantes, onde cerca de 30% da população já praticou Orientação. Apesar disso, da forte implantação da modalidade numa pequena povoação, só com muita dedicação e esforço dos dirigentes e atletas deste clube à Orientação, se torna possível levar por diante eventos desta natureza .

J.M. - Até onde vai a ambição da A.D. Cabroelo?

C.F. - Os objectivos deste clube passam por uma maior divulgação da Orientação no Vale do Sousa e pela cativação de mais praticantes. E - porque não? - a realização de um evento a contar para a Taça de Portugal.

Resta referir, a título de curiosidade, que Celso Moiteiro (COC) impôs-se nas duas etapas e venceu este I Troféu de Orientação “Sentir Penafiel”. O Ori-Estarreja foi o clube que mais títulos individuais alcançou, precisamente cinco. E que seis atletas dinamarqueses (três em H45A e outros três em H50A), em representação da turma OK HTF, da cidade de Jels, próximo da costa sudoeste do País, conferiram à prova um cunho “internacional”.

Consulte os resultados completos em
http://adcabroelo.no.sapo.pt/ITSP.htm .

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


[foto gentilmente cedida por Jorge Dias. Veja todas as fotos em
http://picasaweb.google.pt/JorgeCorreiaDias/20080510ITrofUOriSentirPenafiel]

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