sábado, 3 de maio de 2008

AINDA O POM 2008


ARRANQUE ENSOLARADO NO ALGARVE

O Portugal O'Meeting 2008 teve lugar nas ensolaradas costas do Algarve, contando com 4 competições em 4 dias e incluindo uma prova do "ranking" mundial da modalidade (WRE). Foram muitos os atletas de toda a Europa que tiveram a oportunidade de combinar a competição com campos de treino, explorando os mapas dos arredores de Faro. O evento contou com cerca de 1500 participantes, o que faz dele o maior realizado em Portugal, se excluirmos os Mundiais de Veteranos que terão lugar nos próximos meses de Junho e Julho.

As actividades de Orientação em Portugal têm sido levadas a cabo principalmente na costa ocidental, mas este ano os organizadores do clube de Lisboa CIMO (Clube Ibérico de Montanhismo e Orientação) e da JDF (Juventude Desportiva das Fontainhas) uniram esforços e levaram o POM para o sul. O Director do evento, Nuno Carvalho, fala com entusiasmo ao revelar que a divulgação da Orientação na região do Algarve foi um dos principais motivos de organizar aqui o POM. Numa explicação sumária, Carvalho refere: "Em primeiro lugar encontrámos bons terrenos para desenhar os mapas, depois estabelecemos acordos com as autoridades locais e, finalmente, começámos a ensinar Orientação!" As crianças das escolas locais foram os grandes visados por este esforço de promoção e divulgação da modalidade e os professores receberam formação com o objectivo de transmitir os ensinamentos aos seus alunos.

O POM é um evento que atrai a atenção dos meios de comunicação social locais e nacionais. Rádios locais e emissoras de televisão nacionais fizeram relatos do evento e Carvalho confessava-se orgulhoso ao afirmar que "um resumo dos 4 dias de prova será transmitido num importante bloco noticioso, em conjunto com outras grandes modalidades, como o basquetebol." O interesse demonstrado pelas escolas cresceu para lá do previsto e todo este esforço vê-se assim coroado de sucesso.

O programa do POM 2008 consistiu em duas provas de Distância Longa, no meio de duas provas de Distância Média. A abertura de Distância Média teve lugar numa área bastante acidentada, com alguma vegetação densa e terreno um pouco rochoso, o que não foi suficiente para afectar o ritmo dos melhores corredores. Em femininos, as norueguesas Anne Margrethe Hausken (Halden SK) e Elise Egseth (Wing OK) alcançaram a 1ª e 2ª posições à frente de Laura Hokka (SK Pohjantähti) da Finlândia. Hausken fez uma corrida sólida, podendo afirmar-se que não terá perdido mais de 20 segundos no conjunto da sua prova. Os noruegueses Anders Nordberg (Halden SK) e Olav Lundanes (Østmarka) assumiram as duas primeiras posições em masculinos, ao passo que o atleta britânico Oli Johnson (Västerås SOK) alcançou a 3ª posição.

A prova de Distância Longa do segundo dia contou para o "ranking" mundial da modalidade, tornando-a na prova mais importante para os corredores de elite. O terreno rochoso foi substituído por terreno arenoso mas firme e havia muito menos desníveis que na prova do dia anterior. Apesar de algumas zonas com arbustos espinhosos, as condições eram boas para correr abaixo dos 5 min / km para os homens. Uma vez mais, Nordberg foi o mais rápido, mas desta feita Johnson ficou apenas a 39 segundos, tornando a competição muito mais apertada do que no dia anterior. Nordberg falou sobre a sua prova e os treinos nos últimos meses: "Tenho treinado bem ultimamente, utilizando os fins-de-semana para fazer Orientação em Halden. Também estou a fazer excelentes treinos de força e vou continuar assim ao longo de todo o Inverno. Hoje encontrei um bom ritmo e senti que era capaz de mantê-lo sem grandes problemas." Nas senhoras, as norueguesas arrecadaram os três primeiros lugares, com Hausken de novo no topo.

A participação norueguesa fez parte dum programa mais vasto que incluiu campos de treino e os seus atletas ansiavam por um bom desempenho. Não eram os únicos corredores de elite presentes na competição portuguesa; estavam lá igualmente, entre outras, as formações nacionais da Polónia e da Alemanha. Um atleta muito jovem que teve uma excelente prestação foi o dinamarquês Soren Bobach (Halden SK). Apesar de ter somente 19 anos de idade, fez a prova de elite sénior e alcançou um brilhante 5º lugar em WRE, logo atrás dos fortíssimos Wojciech Kowalski e Emil Wingstedt. "Isto ultrapassou as minhas expectativas; não penso estar assim em tão boa forma", disse ele. Competir contra alguns dos melhores seniores foi divertido e, se tudo correr de acordo com o previsto, Bobach voltará a encontrá-los na Taça do Mundo em O-Ringen em finais de Julho.

Para os atletas portugueses, o segundo dia do POM é o primeiro de uma série de corridas de selecção que irão decidir a constituição da equipa nacional para os Campeonatos do Mundo, na República Checa. Com apenas 21 anos de idade e muitos anos ainda pela frente, Maria Sá é uma das grandes esperanças da Orientação portuguesa. "Estou muito motivada para treinar a sério e melhorar as minhas capacidades na Orientação, e não tenciono desistir de maneira nenhuma", diz ela. No entanto, há aspectos que constituem entraves às suas ambições: "Eu vivo no Porto e não existem bons mapas nas proximidades, o que significa que só posso treinar Orientação nos finais de semana. Outro problema é que a Federação Portuguesa de Orientação não tem muito dinheiro, o que impossibilita o envio dos melhores atletas para campos de treino com vista à participação nos Campeonatos do Mundo e outros eventos internacionais." Apesar das provas de selecção não terem começado particularmente bem para Sá, a atleta terá certamente outras hipóteses de mostrar as suas potencialidades ainda este Inverno.

Luis Sergio foi, durante muito tempo, um dos melhores orientistas portugueses e diz-nos que o desporto de Orientação tem vindo a desenvolver-se significativamente nos últimos 15 anos. O número de clubes, de mapas e de eventos organizados tem crescido rapidamente, e continua a crescer. No entanto, do seu ponto de vista, ainda teremos de esperar alguns anos até vermos algum atleta português bater-se de igual para igual com os melhores. "O grande desafio consiste em proporcionar condições aos nossos melhores atletas. Precisamos de patrocinadores para poder treinar e competir no estrangeiro e, assim, obter mais experiência", diz ele.

Tanto as observações de Sérgio como as de Maria Sá coincidem num aspecto: as restrições financeiras. Com a ajuda das autarquias locais, de patrocinadores e dos participantes estrangeiros nos eventos internacionais e nos campos de treino em Portugal, esperamos que as condições possam melhorar, a fim de aliviar alguns dos obstáculos práticos que actualmente os atletas portugueses de elite enfrentam.

Stig Alvestad

Recuando três meses, regressamos ao Algarve e ao POM 2008. O motivo deste "inesperado" reencontro tem a ver com o artigo que Stig Alvestad publicou nesse excelente magazine de Orientação que dá pelo nome de "Orienteering Today" . Com efeito, para além do 2º lugar na prova, Stig levou também para a Noruega uma série de apontamentos que lhe permitiram compilar este artigo.

Quando, no final de Fevereiro, Stig Alvestad me confiou as suas impressões, fê-lo com a condição de eu só as publicar após a saída do artigo na "Orienteering Today", o que acaba de acontecer. Assim, com um grande abraço ao Stig, aqui fica para todos nós.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: