Começou por ser “uma questão
familiar” e é hoje “uma questão muito séria”. A Orientação
entrou na vida de Isia Basset aos oito anos e veio revolucioná-la
por completo. Hoje, ela é uma das estrelas em ascensão da
Orientação francesa e mundial e a sua ambição encontra um
paralelismo perfeito no seu enorme talento. Venha conhecê-la um
pouco melhor.
Como é que conheceu a Orientação?
Isia Basset (I. B.) - Comecei a
fazer Orientação muito nova, com 8 anos, numa altura em que os meus
pais e o meu irmão mais velho se começaram a interessar pela
modalidade. Fui gostando, participei num grande número de provas de
nível nacional, mas foi só na idade de junior que comecei a treinar
mais a sério, com o meu irmão mais velho [Lucas Basset], em busca
dum lugar na Seleção Nacional de França.
E porquê a Orientação? Porque não
o Atletismo ou a Natação?
I. B. - Bem, de início foi
porque a Orientação era o desporto da família, era algo
particular, que nos unia, que nos levava até à floresta para fazer
algo que gostávamos. Só aprendi a correr mais tarde, mas
concentrada na Orientação. Nunca fiz Atletismo. E porque não? Não
sei. Sei que este é um desporto que me agrada imenso e que quando
somos invadidos pela Orientação já não conseguimos parar.
Que responsabilidade tem o seu irmão
em todo este processo?
I. B. - Tem uma responsabilidade
muito grande. Sobretudo, porque foi ele que nos arrastou para as
provas todos os fins de semana. Depois disso, também os meus dois
irmãos mais novos começaram a fazer Orientação. Enfim, somos
quatro irmãos e estamos todos metidos nisto duma forma muito séria.
Apesar de ser ainda muito nova,
tenho a certeza que haverá já um momento especial que a marca na
Orientação. Quer partilhá-lo?
I. B. - O primeiro momento
especial foi o meu primeiro Campeonato do Mundo de Juniores, em 2011.
Consegui ultrapassar as minhas próprias expectativas e apercebi-me
que, com treino, poderia conseguir resultados realmente muito
interessantes. Atualmente, a minha referência é o Campeonato do
Mundo de Juniores, em 2013, na República Checa, onde consegui o 4º
lugar na Distância Longa e o 5º lugar na Média. São bons
resultados e espero poder repeti-los nos próximos anos.
Esta não é a primeira vez que
participa no Portugal O' Meeting. Porquê o Portugal O' Meeting?
I. B. - Esta é a minha terceira
participação, depois de ter estado cá em 2010 [Figueira da Foz] e
em 2013 [Idanha-a-Nova]. O Portugal O' Meeting é uma competição
muito interessante, que atrai sempre um leque enorme de
participantes. Em França, por exemplo, não conseguimos ter um
evento com estas características e com uma concorrência tão forte,
sobretudo ao nível da Elite Feminina. E mesmo que eu habite numa
região de França onde a neve não é, normalmente, um problema, é
sempre um enorme prazer correr nestas condições. Portugal é
perfeito!
Como avalia esta organização do
Portugal O' Meeting 2015?
I. B. - Gostei muito. Não vi
qualquer falha na organização e as competições foram muito
interessantes, mesmo que os terrenos sejam tecnicamente acessíveis.
Mas é uma floresta muito bonita, muito limpa, onde é fácil correr.
Para mim é sobretudo importante porque sinto que há muito a fazer
em termos do trabalho físico. A forma ainda não é a melhor e
competições deste género permitem perceber aquilo que há para
fazer.
Está contente com os seus
resultados?
I. B. - Sim, muito contente.
Começo a explorar o meu potencial ao máximo e a conseguir
resultados que me deixam muito satisfeita.
Quais os grandes objetivos para esta
temporada?
I. B. - No ano passado estive
nos Campeonatos do Mundo, em Itália, e gostava muito de poder
repetir uma participação nos Mundiais deste ano, na Escócia. Não
consigo dizer, neste momento, qual ou quais as distâncias em que
poderei participar, uma vez que será necessário, forçosamente,
passar pelas provas de seleção que serão na Taça do Mundo.
Portanto, serão dois os eventos realmente importantes para mim esta
temporada e que encerram, cada qual, um objetivo preciso.
Motivada?
I. B. - Muito motivada.
Comparativamente ao ano passado, consegui perceber uma enorme
progressão ao longo desta última semana. Ainda irei ficar mais
alguns dias em Portugal, iremos fazer alguns treinos um pouco mais
técnicos, mas foi um bom começo de temporada e que abre excelentes
perspetivas.
Thierry Gueorgiou é uma das figuras
marcantes do Portugal O' Meeting e foi, este ano, uma das ausências
mais notas. Quer endereçar-lhe uma palavra?
I. B. - Thierry é o mentor da
equipa de França. Ele fez com que o nosso nível pudesse subir
enormemente e todos estamos muito gratos por isso. Neste momento, só
espero que ele se possa restabelecer rapidamente da sua lesão e que
possa estar ao mais alto nível nos Campeonatos do Mundo.
E ainda uma palavra a todos os
orientistas do mundo inteiro.
I. B. - Uma boa temporada para
todos e que continuem a amar este desporto.
Saudações orientistas.
Joaquim Margarido
















