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quinta-feira, 5 de março de 2015

Isia Basset: "Quando somos invadidos pela Orientação já não conseguimos parar"



Começou por ser “uma questão familiar” e é hoje “uma questão muito séria”. A Orientação entrou na vida de Isia Basset aos oito anos e veio revolucioná-la por completo. Hoje, ela é uma das estrelas em ascensão da Orientação francesa e mundial e a sua ambição encontra um paralelismo perfeito no seu enorme talento. Venha conhecê-la um pouco melhor.


Como é que conheceu a Orientação?

Isia Basset (I. B.) - Comecei a fazer Orientação muito nova, com 8 anos, numa altura em que os meus pais e o meu irmão mais velho se começaram a interessar pela modalidade. Fui gostando, participei num grande número de provas de nível nacional, mas foi só na idade de junior que comecei a treinar mais a sério, com o meu irmão mais velho [Lucas Basset], em busca dum lugar na Seleção Nacional de França.

E porquê a Orientação? Porque não o Atletismo ou a Natação?

I. B. - Bem, de início foi porque a Orientação era o desporto da família, era algo particular, que nos unia, que nos levava até à floresta para fazer algo que gostávamos. Só aprendi a correr mais tarde, mas concentrada na Orientação. Nunca fiz Atletismo. E porque não? Não sei. Sei que este é um desporto que me agrada imenso e que quando somos invadidos pela Orientação já não conseguimos parar.

Que responsabilidade tem o seu irmão em todo este processo?

I. B. - Tem uma responsabilidade muito grande. Sobretudo, porque foi ele que nos arrastou para as provas todos os fins de semana. Depois disso, também os meus dois irmãos mais novos começaram a fazer Orientação. Enfim, somos quatro irmãos e estamos todos metidos nisto duma forma muito séria.

Apesar de ser ainda muito nova, tenho a certeza que haverá já um momento especial que a marca na Orientação. Quer partilhá-lo?

I. B. - O primeiro momento especial foi o meu primeiro Campeonato do Mundo de Juniores, em 2011. Consegui ultrapassar as minhas próprias expectativas e apercebi-me que, com treino, poderia conseguir resultados realmente muito interessantes. Atualmente, a minha referência é o Campeonato do Mundo de Juniores, em 2013, na República Checa, onde consegui o 4º lugar na Distância Longa e o 5º lugar na Média. São bons resultados e espero poder repeti-los nos próximos anos.

Esta não é a primeira vez que participa no Portugal O' Meeting. Porquê o Portugal O' Meeting?

I. B. - Esta é a minha terceira participação, depois de ter estado cá em 2010 [Figueira da Foz] e em 2013 [Idanha-a-Nova]. O Portugal O' Meeting é uma competição muito interessante, que atrai sempre um leque enorme de participantes. Em França, por exemplo, não conseguimos ter um evento com estas características e com uma concorrência tão forte, sobretudo ao nível da Elite Feminina. E mesmo que eu habite numa região de França onde a neve não é, normalmente, um problema, é sempre um enorme prazer correr nestas condições. Portugal é perfeito!

Como avalia esta organização do Portugal O' Meeting 2015?

I. B. - Gostei muito. Não vi qualquer falha na organização e as competições foram muito interessantes, mesmo que os terrenos sejam tecnicamente acessíveis. Mas é uma floresta muito bonita, muito limpa, onde é fácil correr. Para mim é sobretudo importante porque sinto que há muito a fazer em termos do trabalho físico. A forma ainda não é a melhor e competições deste género permitem perceber aquilo que há para fazer.

Está contente com os seus resultados?

I. B. - Sim, muito contente. Começo a explorar o meu potencial ao máximo e a conseguir resultados que me deixam muito satisfeita.

Quais os grandes objetivos para esta temporada?

I. B. - No ano passado estive nos Campeonatos do Mundo, em Itália, e gostava muito de poder repetir uma participação nos Mundiais deste ano, na Escócia. Não consigo dizer, neste momento, qual ou quais as distâncias em que poderei participar, uma vez que será necessário, forçosamente, passar pelas provas de seleção que serão na Taça do Mundo. Portanto, serão dois os eventos realmente importantes para mim esta temporada e que encerram, cada qual, um objetivo preciso.

Motivada?

I. B. - Muito motivada. Comparativamente ao ano passado, consegui perceber uma enorme progressão ao longo desta última semana. Ainda irei ficar mais alguns dias em Portugal, iremos fazer alguns treinos um pouco mais técnicos, mas foi um bom começo de temporada e que abre excelentes perspetivas.

Thierry Gueorgiou é uma das figuras marcantes do Portugal O' Meeting e foi, este ano, uma das ausências mais notas. Quer endereçar-lhe uma palavra?

I. B. - Thierry é o mentor da equipa de França. Ele fez com que o nosso nível pudesse subir enormemente e todos estamos muito gratos por isso. Neste momento, só espero que ele se possa restabelecer rapidamente da sua lesão e que possa estar ao mais alto nível nos Campeonatos do Mundo.

E ainda uma palavra a todos os orientistas do mundo inteiro.

I. B. - Uma boa temporada para todos e que continuem a amar este desporto.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Martin Hubmann: "O meu sonho é conquistar uma medalha numa prova individual"



Juntou ao sétimo lugar na prova mais importante do Portugal O' Meeting – a Distância Longa WRE do terceiro dia – um sétimo lugar final na competição. No seu regresso a Portugal, Martin Hubmann fala-nos da sua experiência e partilha connosco o seu grande sonho.


Como é que viu o Portugal O' Meeting 2015?

Martin Hubmann (M. H.) - Gostei muito. Como habitualmente, pudemos ver aqui uma excelente competição, bem organizada, bons terrenos e bons maps. Já tinha estado por duas vezes nesta zona de Portugal junto à costa, em terrenos de dunas e em mapas semelhantes, portanto já sabia o que esperar. Mas confesso que gosto mais dos terrenos de montanha, com todas aquelas pedras e o desafio das melhores opções, em vez de correr a direito, como aqui. De qualquer forma, foi bom como treino de base.

Está satisfeito com os resultados alcançados?

M. H. - O meu objetivo não era ganhar o Portugal O' Meeting. Tentei focar-me em duas etapas em particular – bem, não ganhei nenhuma delas, é verdade (risos) -, mas tudo bem. Não faço muita orientação durante o Inverno, portanto não é uma questão de forma. Estou a regressar aos mapas e penso que as coisas funcionaram muito bem. A temporada irá começar em Maio com algumas provas importantes, portanto há ainda muito tempo de treino pela frente. A seguir teremos outro Campo de Treino em Espanha, e por agora vai sendo isto, procurando afinar pormenores.

Qual é o seu grande objetivo esta temporada?

M. H. - O meu grande objetivo são os Campeonatos do Mundo, na Escócia. Mas para isso tenho de conseguir posicionar-me à altura de integrar o Grupo de Seleção e tenho de estar muito bem preparado quando tiver lugar a Taça do Mundo, em Junho, na Noruega e na Suécia, porque serão aí as nossas provas de seleção.

Faz parte dos seus planos a vitória na prova de Estafeta Mista de Sprint dos Mundiais?

M. H. - Iria defender o título e seria muito bom regressar de novo ao pódio. Todavia, o meu grande sonho é conquistar uma medalha numa prova individual. Não sei se isso poderá acontecer já este ano, mas é claramente o meu objetivo.

Vai com certeza perdoar-me a pergunta, mas... Sente-se como se estivesse na sombra do seu irmão?

M. H. - Colocada a questão dessa forma, sinto (risos). Mas também é uma vantagem ter um irmão como o Daniel, porque aprendo imenso com ele. Ele foi o meu treinador quando eu era Junior, temos ainda imensas coisas em comum, falamos imenso e penso que ambos acabamos por beneficiar com a situação. Há muitas pessoas que me colocam essa questão, mas eu não tenho problemas nenhuns nisso. Tenho orgulho em ter um irmão assim.

Também sonha com vir a ser o nº 1?

M. H. - Na família? (risos)

Número 1 do Mundo, quero dizer. Afinal o que é que o seu irmão tem que o Martin não tem?

M. H. - Penso que há ainda uma grande diferença entre nós do ponto de vista físico, eu ainda não sou tão rápido. Mas é tudo uma questão de tempo e de treino. Ele tem muito mais segurança no mapa do que eu, claro. É sobretudo uma questão de experiência.

No início de mais uma temporada, pedia-lhe que formulasse um desejo dirigido a todos os orientistas.

M. H. - Para o pessoal que faz Orientação, que treina e que se diverte, procurem melhorar a vossa forma e não se magoem, porque isso é o mais importante. Doutra forma, é uma chatice. É bom estarmos bem, irmos até à floresta e fazer orientação.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

POM 2015: O balanço de Bruno Nazário



O Portugal O’ Meeting 2015 chega ao fim. À medida que a Arena se vai esvaziando, o Orientovar faz com Bruno Nazário, o Diretor do Evento, o balanço possível deste que foi o POM mais participado de sempre.


Parece-me perceber, em qualquer Diretor duma prova desta ordem de grandeza, um conflito interior que é recorrente quando se chega ao fim. Por um lado, o natural respirar de alívio, após dias intensos e desgastantes; por outro, já uma certa nostalgia dos momentos vividos e alguma tristeza por ver partir toda esta gente. É realmente assim, Bruno?

Bruno Nazário (B. N.) – Na verdade, julgo que o principal sentimento, neste momento, é o do dever cumprido, o de saber que uma vasta equipa de pessoas passou um ano a trabalhar para que o Portugal O’ Meeting conseguisse atingir este nível. Estou certo que todas as pessoas que por aqui passaram ficaram agradadas com o nível técnico, com a disponibilidade, com estas arenas… Houve um atleta finlandês que já vem ao POM há muitos anos e que fez questão de nos felicitar dizendo que realmente demos um passo em frente, que se sente agora o ambiente das grandes provas. Penso que realmente atingimos esse objectivo mas, como digo, isto não é trabalho meu, é trabalho duma vasta equipa da qual eu sou apenas uma parte e à qual estou agradecido, porque sem eles este Portugal O’ Meeting não seria aquilo que realmente foi. Mas há também um sentimento de alguma mágoa por não podermos desfrutar devidamente desta festa, não podermos estar mais tempo com todos aqueles que nos visitaram, de tão absorvidos que estamos com as mais variadas tarefas.

Pegando um pouco nestas suas últimas palavras, o que é que realmente tem pena de ter perdido?

B. N. – Bem, pela própria posição que ocupei ao longo destes dias, no papel de ‘speaker’, acabei por estar nos momentos mais importantes. Daí que as minhas palavras se dirijam menos a mim próprio e mais a outras pessoas, nomeadamente o António Aguiar, que é o responsável por toda a logística do evento e que, com a prova a decorrer em Mira, por exemplo, já estava em Vagos a montar toda a estrutura da Arena para os dias seguintes. Uma palavra muito especial para ele, para todas as pessoas que estiveram no no bar, as pessoas que estiveram na cozinha, nas partidas, nos estacionamentos, e que não tiveram a oportunidade nem o privilégio que eu tive de poder estar na Arena e acompanhar estes momentos altos das provas. Aproveito, portanto, para dar os parabéns a toda a equipa, que soube ser solidária, cumprindo de forma exímia as suas funções.

Qual foi para si o momento mais emocionante deste Portugal O’ Meeting?

B. N. – Acho que o mais emocionante é perceber a alegria e o contentamento espelhado no rosto de todos os atletas, ver que vão daqui contentes com esta organização, com todo o trabalho que o Ori-Estarreja preparou para eles ao longo deste último ano.

Pensei que me ia falar da vitória estrondosa da Minna Kauppi na etapa WRE… Mas como é que viu este POM dum ponto de vista da competição “pura e dura”?

B. N. – Este foi talvez o ano onde, no sector feminino, tivemos o grupo mais homogéneo de toda a história do Portugal O’ Meeting. Tivemos realmente atletas muito boas, a Mari Fasting, a Minna Kauppi – a Minna Kauppi tem mais de dez títulos mundiais, a seguir à Simone Niggli é a grande ‘superstar’ da Orientação mundial (!) -, a Riina Kuuselo, a Saila Kinni, a Sofia Haajanen… Atendendo a este leque valiosíssimo de atletas, a vitória da Minna Kauppi é realmente espectacular e um bom prenúncio para a Orientação, mostrando que ela está de volta. No sector masculino, temos obviamente muita pena de o Thierry Gueorgiou não ter estado connosco, mas a sua ausência abriu um pouco o leque e permitiu antever algumas estrelas para o futuro, como o Aaro Asikainen ou o Gernot Kerschbaumer. Foi igualmente uma pena o Gustav Bergman ter ficado doente, bem como a Annika Billstam, o Philippe Adamski, a Amélie Chataing e outros, mas mesmo assim o nível competitivo foi muito elevado.

O Portugal O’ Meeting desloca-se no próximo ano para a Beira Interior, para Penamacor, levando consigo uma responsabilidade maior ainda, depois do que pudemos assistir em Mira e em Vagos.

B. N. – Ao organizar um evento desta natureza, o Ori-Estarreja procura que as organizações a seguir tenham uma boa passagem de testemunho. O nosso desejo é que os atletas que saem daqui estejam já com os olhos postos em Penamacor, reconhecendo no POM um evento de grande nível e ficando desde logo com vontade de voltar no próximo ano. Estou certo que o Clube de Orientação do Centro irá fazer um trabalho fantástico. Os terrenos escolhidos para o POM 2016 são muito bons e estão reunidos todos os ingredientes para continuarmos com estes números elevados de participantes.

Vai perder aquele que foi o seu “entretimento” ao longo dum longo ano e também já não tem tarefas que o prendam às selecções nacionais. Como é que vai ser 2015, pessoalmente?

B. N. – Pessoalmente vai ser muito mais dedicado à família, com uma palavra muito especial à Cristina, que me soube apoiar durante este tempo todo.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

POM 2015: Nos bastidores



Um pouco à medida daquilo que acontece no dia a dia de cada um de nós, também a história da Orientação está pejada de grandes conquistas, algumas das quais, relativas às novas tecnologias, assumem um papel absolutamente primordial na dinâmica dos nossos eventos. Poderia a Orientação viver, hoje em dia, sem o fantástico suporte duma máquina informática cada vez mais afinada? Poderia, certamente, mas não seria a mesma coisa!


“É do senso comum que os informáticos são uns complicados, mas aqui a rapaziada no Portugal O' Meeting por vezes também complica um bocado”. Foi desta forma descontraída, no final de mais uma etapa – a terceira! - do POM 2015, que a conversa com Nuno Rebelo começou. Não se furtando ao desafio, Rebelo confessa: “Apesar das inscrições estarem fechadas, de todos os atletas terem supostamente a sua situação regularizada e previamente definida, a verdade é que cada novo dia é como começar uma nova prova. São as alterações de SI, novas inscrições, alterar tempos de partida, verificar se não falta ninguém...”, desabafa.

A verdade, verdadinha é uma e uma só: Um informático no POM é uma espécia duma mulher à beira dum ataque de nervos. É pelo menos isso que se retira das palavras de Nuno Rebelo: “Um dos principais motivos que podem arruinar uma prova é a falha do sistema informático. A confusão instala-se, as filas alongam-se interminavelmente, a paciência dos atletas esgota-se à medida que o tempo passa e, de repente, está o caos instalado.” Mas estará o pessoal da informática sempre no fio da navalha? “No fio da navalha, é o termo. As coisas podem falhar a qualquer momento por pequenas coisinhas e até percebermos o que se passa é muito complicado.”

Esta é uma equipa composta por seis elementos, todos eles perfeitamente conhecedores do seu papel, todas eles com uma enorme responsabilidade sobre si: “Pode parecer que não, que estamos por vezes em stress, mas está sempre tudo controlado. Há planos B para tudo e, por vezes, até temos planos C”. De resto, desde o fornecimento de informações vitais ao speaker, à receção, tratamento e divulgação de resultados, ao fornecimento de elementos para os rankings da Federação Internacional, garantir o bom funcionamento dos canais de mídia e alimentar as redes sociais, tudo isto (e muito mais) tem neste pequeno núcleo a sua origem. “São cinco dias intensos, de constante movimento, de noites mal dormidas”, confessa, e daí que o seu grande desejo, com o POM a caminhar para o fim, se resuma a uma palavra: Descanso. “Vai ser muito necessário”, conclui.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

POM 2015: Momentos



© Joaquim Margarido

POM 2015: Mapa, folha de soluções e resultados da Invacare PreO





Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

POM 2015: João Pedro Valente e Ricardo Pinto vencem Invacare PreO



João Pedro Valente e Ricardo Pinto foram os grandes vencedores da Invacare PreO, etapa de Orientação de Precisão integrada no programa competitivo do Portugal O’ Meeting 2015. Oferecendo desafios técnicos de elevada craveira e evidenciando uma enorme qualidade competitiva, a prova contou com a participação de 92 atletas, o mais elevado número registado até hoje em provas desta disciplina no nosso País.


Nas breves palavras proferidas durante a Cerimónia de Entrega de Prémios do Invacare PreO, Silvério Rodrigues Regalado, Presidente da Câmara Municipal de Vagos, fez questão de vincar a sua satisfação por receber no seu Concelho uma etapa de Orientação de Precisão, naquele que designou como “o dia da inclusão do Portugal O’ Meeting 2015”. E na verdade assim foi!

Competindo em rigorosa igualdade de circunstâncias, 83 atletas na Classe Aberta e 9 atletas na Classe Paralímpica, abraçaram com determinação os vinte desafios oferecidos ao longo de 1200 metros de magnífica floresta, com o “bónus” de uma estação cronometrada com três problemas a anteceder o percurso formal. Números que, no total, representam a maior participação de sempre em provas de Orientação de Precisão no nosso País e que premeiam a qualidade técnica e a capacidade organizativa do Clube de Orientação de Estarreja nesta que foi a segunda etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão Invacare 2015.


Vitória arrancada a ferros

Na Classe Aberta, a luta pela vitória esteve ao rubro, com João Pedro Valente (CPOC) e Jorge Baltazar (GDU Azoia) a chegarem ao final empatados em pontos, após um pleno de respostas certas. Valeu a João Pedro Valente a maior rapidez e acerto nos pontos cronometrados para levar de vencida o seu adversário direto. A terceira posição viria a pertencer a Mark Heikoop (Aligots), com 19 pontos, os mesmos que Luís Gonçalves (CPOC), mas com uma melhor performance nos pontos cronometrados. Portugal viria ainda a colocar três atletas nas cinco posições imediatas, com o italiano Remo Madella, vencedor da edição 2014 do Portugal O’ Meeting, a quedar-se no 10º lugar.

Para João Pedro Valente, “houve um momento em que senti que a vitória não estava segura, mas a motivação estava cá. Como quase todas, foi uma vitória arrancada a ferros. Aliás, se não for assim, não são boas vitórias.” Referindo-se à prova em si e ao desafio técnico que encerrou, Valente fez questão de afirmar que “tirando um ou dois pontos, tive imenso prazer em fazer a prova, o que não é normal porque sempre ficamos com dúvidas aqui e ali. Desta vez, senti-me confiante durante toda a prova e tive a noção de que estava a tomar as decisões corretas e gostei muito.” As últimas palavras são dirigidas à organização do Invacare PreO: “Já pude dar pessoalmente os parabéns ao traçador porque acho que foi das melhores provas em que tenho participado no sentido em que todos os pontos eram desafiantes, todos obrigavam a pensar”, concluiu.


Regresso vitorioso de Ricardo Pinto

Na Classe Paralímpica, Ricardo Pinto (DAHP) saldou a sua estreia na Taça de Portugal da presente temporada com uma vitória, completando o percurso com 12 respostas corretas, contra 11 pontos de Carlos Riu Noguerol (Individual), o campeão de Espanha de Orientação de Precisão em título na Classe Paralímpica. Vencedor da anterior edição do Portugal O’ Meeting, Júlio Guerra (DAHP) terminou o seu percurso na terceira posição com 9 pontos.

No final, o mais internacional de todos os atletas portugueses de Orientação de Precisão, Ricardo Pinto, referiu-se vitória desta forma: “Sinto esta vitória com particular satisfação, desde logo por ser a primeira vez que venço a etapa de Orientação de Precisão do Portugal O’ Meeting mas, sobretudo, porque foi a minha primeira participação esta época, após superar uma série de dificuldades e de não ter sido fácil reencontrar-me com os mapas depois duma ausência tão prolongada.” Quanto ao seu desempenho particular, o atleta admite: “Devo confessar que estou um bocado desiludido com o meu desempenho porque houve pontos que não poderia ter falhado. Enfim, acaba por ser melhor o resultado do que o desempenho, mas não deixa de ser uma motivação para continuar a abraçar este desporto que tanto gosto”, disse.


Resultados

Classe Aberta
1. João Pedro Valente (CPOC) 20 pontos (16 segundos)
2. Jorge Baltazar (GDU Azoia) 20 pontos (34 segundos)
3. Mark Heikoop (Aligots) 19 pontos (29 pontos)
4. Luís Gonçalves (CPOC) 19 pontos (37 segundos)
5. Cláudio Tereso (ATV) 18 pontos (25 segundos)
6. Héctor Lorenzo (El Imperdible) 18 pontos (33 segundos)
7. Tiago Martins Aires (GafanhOri) 18 pontos (91 segundos)
8. Antonio Hernández (Alcon Orientación) 18 pontos (101 segundos)
9. Inês Domingues (COC) 17 pontos (20 segundos)
10. Remo Madella (WIOMASI) 17 pontos (22 segundos)

Classe Paralímpica
1. Ricardo Pinto (DAHP) 12 pontos (177 segundos)
2. Carlos Riu Noguerol (Individual ESP) 11 pontos (208 segundos)
3. Júlio Guerra (DAHP) 9 pontos (147 segundos)
4. José Laiginha Leal (DAHP) 8 pontos (165 segundos)
5. Cristiana Caldeira (CMRRC – Rovisco Pais) 8 pontos (243 segundos)
6. António Amorim (DAHP) 8 pontos (250 segundos)
7. Arsénio Reis (CMRRC – Rovisco Pais) 7 pontos (330 segundos)
8. Ana Paula Marques (DAHP) 5 pontos (105 segundos)
9. Cláudio Poiares (DAHP) 5 pontos (183 segundos)

Resultados completos e demais informações em www.pom.pt/pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Aaro Asikainen: "Thierry ainda é o rei!"



"É claro, amanhã é um novo dia." Foram estas as palavras de Aaro Asikainen, quando confrontado com o facto de estar pronto para melhorar o segundo lugar ao final da terceira etapa e chegar à vitória no POM 2015. E foi, de facto, um novo dia. O finlandês assinou o seu nome pela primeira vez no Quadro de Honra do Portugal O' Meering e partilha as suas impressões acerca deste momento tão especial.


Foi uma luta dura até o fim. Apanhar Baptiste Rollier não era suficiente, era preciso tomar as devidas cautelas com todos aqueles que vinham atrás. E no mais profundo da floresta, é normal que a questão possa surgir: Alguém já passou por mim? Mas não, pelo menos no caso de Aaro Asikainen, no último dia do POM, o dia da consagração. Uma vitória que foi, acima de tudo, uma surpresa: “Cometi alguns pequenos erros no início e, a partir desse momento, fiquei com algum receio, pensando que estaria provavelmente muito atrás do Baptiste. E acabei por ficar surpreendido quando os meus companheiros começaram a puxar por mim, dizendo que eu estava na primeira posição. Uma surpresa muito agradável”, disse Asikainen.

Falando sobre a sua prova, Asikainen admite que as coisas não foram fáceis: “Eu diria que foi a etapa mais difícil do POM para mim, com uma orientação realmente complicado, mas, acima de tudo porque, após três corridas, o meu cérebro estava bastante cansado, bem como o meu corpo, e é por isso que considero que esta foi a etapa mais difícil.” Mas o balanço não podia ser mais positivo e a palavra natural como resultado da vitória é “motivação”. De acordo com as palavras de Asikainen, “a motivação é muito alta. É um começo de temporada excelente e vai ser muito bom voltar para casa e poder fazer também algum esqui novamente. E estou muito feliz com a organização, foi uma vez mais um excelente Meeting.”

Num momento de celebração, Asikainen não esquece Thierry Gueorgiou, o vencedor das três edições anteriores do POM e o grande ausente, por lesão: “Na verdade, Thierry enviou-me ontem um e-mail ontem, desejando-me boa sorte. Como disse anteriormente, foi uma grande surpresa para mim mas é sempre bom ganhar. Estou muito orgulhoso por suceder a Thierry, para mim isto é realmente algo muito importante porque eu tenho lutado muito com algumas lesões e acho que, finalmente, encontrei a minha própria maneira de trabalhar, de competir, de treinar, tudo. Acho que este é um prémio para um trabalho muito duro. No entanto, considero não ser ainda a minha vez de ser o rei. Thierry ainda é o rei!”


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

POM 2015: Nos bastidores



Não é fácil ter uma noção do trabalho que é exigido a essa vasta equipa que, no Portugal O' Meeting, se encarrega de alimentar tanta gente. Cozinheira de profissão, habituada às grandes cozinhas e a fornecer refeições a estudantes e professores na Universidade de Aveiro, Maria Silva é quem comanda esta grande nau. E que nos conta o peso dos dias, desde as seis da manhã até sabe-se lá que horas.


Passa das três da tarde, as fotos da praxe foram tiradas, a Arena começa a ser desmontada e o POM chega ao fim. Sempre solicita, Maria Silva não se furta a uma conversa, agora que o momento é já de descompressão. “Estamos aqui desde as seis da manhã e lá para as quatro da tarde é que conseguimos abrandar um pouco.” Abrandar, só para alguns, que Maria está, por essa hora, de roda com as contas e de abalada para o Supermercado. E que compras são essas? Uma questão à qual atira com “70 quilos de carne picada, 400 feveras, 100 hamburgueres, 100 cachorros, 35 kg de esparguete, 4 sacos de batata, 4 sacos de cenoura,...”. Tudo isto para um dia apenas, num rol de alimentos e condimentos que parece não ter fim, tal como a fila da refeição que se estende ao longo duma centena de metros em “hora de ponta”.

Maria Silva confessa ter ficado “dentro do esquema” no primeiro Portugal O' Meeting que fez, em S. Pedro do Sul, e agora já não há nada que a assuste: “Vamo-nos precavendo, vamos adiantando as coisas e quando chega o momento de pressão está tudo controlado. É só fazer aqueles truques de cozinha e está a andar”. Mas há uma coisa que não deixa de constituir um “doi”, algo que é irremediável para esta equipa de 13 elementos: “Não vemos nada do que se passa lá fora, mas temos orgulho naquilo que fazemos. A nossa recompensa é perceber que satisfazemos os atletas, de vermos que vão contentes, que fazem questão de nos dizer que a comida estava boa. E eu agradeço muito isso porque, depois do primeiro dia, já não consigo provar a comida, não consigo saber como é que está de sabor, de temperos.”

O tempo é de descanso agora e Maria Silva não quer ouvir falar em tachos por uns tempos. “A minha filha já ontem me perguntou a que horas chegava a casa e eu disse-lhe que nem pensasse que ía cozinhar para ela. Por acaso meti férias e vou estar até domingo sem tocar nos tachos!”


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

POM 2015: Momentos




© Joaquim Margarido

POM 2015: Mapas Dia 4 (M21SE, M21E e W21E)





Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

POM 2015: Aaro Asikainen e Minna Kauppi vencem edição nº 20



Quebrando uma longa sucessão de vitórias de Thierry Gueorgiou e Simone Niggli, os finlandeses Aaro Asikainen e Minna Kauppi foram os grandes vencedores do Portugal O' Meeting 2015, o mais participado de sempre. Nas belíssimas florestas de Mira e Vagos, ao longo de quatro dias, mais de 2000 atletas fizeram da competição uma enorme festa, saindo daqui com os olhos postos já na edição do próximo ano, nos desafiantes terrenos de Penamacor.


Pela sexta vez em vinte edições, o lugar mais alto do pódio do Portugal O' Meeting nos escalões de Elite foi partilhado por dois atletas da mesma nacionalidade. Mas esta foi a primeira vez que tal aconteceu com dois atletas finlandeses. Em boa verdade, os finlandeses nunca foram presença particularmente assídua nos pódios do POM e daí que só Laura Hokka tenha sido, até ontem, a única atleta finlandesa a triunfar num POM (em 2008, no Algarve). E dizemos até ontem, porque hoje tudo foi diferente e, duma assentada, Aaro Asikainen e Minna Kauppi viraram o rumo da história.

Terceira etapa de Distância Longa deste Portugal O' Meeting 2015, a prova deste último dia voltou a ter lugar nas Dunas de Vagos, embora desta feita numa zona mais ocidental do mapa - e bastante mais verde também –, colocando à prova as qualidades e capacidades de 1626 participantes. Com o desafio técnico a servir de complemento perfeito à exigência física inerente aos muitos quilómetros de cada percurso, foi de forma mais intensa ainda que os participantes, sem vacilar, enfrentaram com energia e ambição esta derradeira etapa do Portugal O' Meeting 2015, vendo compensado o seu esforço, independentemente da classificação de cada um. Um POM 2015 de grande nível, é imperioso dizê-lo, e que teve no Clube de Orientação de Estarreja uma âncora realmente à altura dos pergaminhos do evento e que abre as melhores perspetivas já para a próxima edição, a disputar em Penamacor, no Distrito de Castelo Branco, entre os dias 06 e 09 de Fevereiro de 2016.


Tiago Martins Aires vence etapa em Homens Elite

No escalão de Homens Super Elite, Baptiste Rollier (Swiss O-Team) foi o primeiro a partir, cabendo-lhe a tarefa de preservar a vantagem de 2:34 que o separava de Aaro Asikainen. O pecúlio viria a revelar-se magro, sobretudo depois dum erro ainda na parte inicial do percurso que lhe custou três minutos e que permitiu ao finlandês assumir o comando da prova. A partir daí Rollier nunca mais se encontrou com a sua orientação e Asikainen foi ganhando vantagem ao suiço. Mais para trás, contudo, desenhava-se outro particular duelo que, à semelhança do anterior, ía dando vantagem ao francês Frédéric Tranchand sobre o russo Valentin Novikov. Muito motivado e com uma navegação forte e consistente, Tranchand viria ainda a alcançar Rollier, cabendo-lhe a ele o melhor tempo nesta quarta e última etapa do POM. Mas Asikainen tinha a prova muito bem controlada e quando Tranchand surgiu ao longe, já no funil de meta, o nome gritado pelo speaker era o de Asikainen como o digno sucessor do seu companheiro de equipa e grande ausente neste POM 2015, o “Rei” Thierry Gueorgiou. No final, triunfo de Asikainen com um tempo total no conjunto das quatro etapas de 4:38:45 e uma vantagem de 13 segundos sobre Tranchand e de cinquenta segundos sobre Rollier.

No escalão de Damas Elite as coisas não se passaram exatamente da mesma forma e Minna Kauppi garantiu o pleno de vitórias em etapas de Distância Longa neste POM, acabando por ampliar ainda mais a sua vantagem em relação às diretas competidoras. No final, a finlandesa garantiu a vitória com um tempo total de 4:08:23, deixando Catherine Taylor (OK Linné) a 5:22 e Galina Vinogradova (Russia) a 14:24 de diferença. No escalão de Homens Elite, Alasdair McLeod (Clydeside Orien) fez desta prova um merecido passeio, “vivendo dos rendimentos” que os seus mais de quinze minutos de vantagem sobre o segundo classificado lhe permitiam. Mas a notícia do dia é a vitória do português Tiago Martins Aires (GafanhOri) nesta etapa, o que lhe possibilitou subir um lugar na tabela e cotar-se no sexto lugar da classificação final. Michal Olejnik (SNO) conservou o segundo lugar, ao passo que Richard Robinson (OK Ravinen) subiu um lugar, terminando na terceira posição, por troca com Jonas Egger (Swiss O-Team).


Resultados finais

Homens Super Elite
1. Aaro Asikainen (Kalevan Rasti) 4:38:45
2. Frédéric Tranchand (Paimion-Rasti) 4:38:58 (+ 00:13)
3. Baptiste Rollier (Swiss O-Team) 4:39:35 (+ 00:50)
4. Valentin Novikov (Russia) 4:43:05 (+ 04:20)
5. Gernot Kerschbaumer (OK Pan Kristianstad) 4:43:40 (+ 04:55)
6. Lucas Basset (Pôles France U) 4:43:49 (+ 05:04)
7. Martin Hubmann (Swiss O-Team) 4:44:29 (+ 05:44)
8. Kiril Nikolov (Kalevan Rasti) 4:48:36 (+ 09:51)
9. Bartosz Pawlak (SNO) 4:48:43 (+ 09:58)
10. Ralph Street (SNO) 4:52:20 (+ 13:35)

Damas Elite
1. Minna Kauppi (Individual FIN) 4:08:23
2. Catherine Taylor (OK Linné) 4:13:45 (+ 05:22)
3. Galina Vinogradova (Russia) 4:22:47 (+ 14:24)
4. Yulia Novikova (Russia) 4:23:24 (+ 15:01)
5. Saila Kinni (Tampereen Pyrintö) 4:24:32 (+ 16:09)
6. Eva Jurenikova (Halden SK) 4:25:34 (+ 17:11)
7. Sofia Haajanen (Individual FIN) 4:32:40 (+ 24:17)
8. Venla Niemi (Individual FIN) 4:35:13 (+ 26:50)
9. Emily Kemp (NOSE) 4:38:29 (+ 30:06)
10. Anastasia Denisova (Savedalens AIK) 4:38:42 (+ 30:19)

Homens Elite
1. Alasdair McLeod (Clydeside Orien) 4:53:23
2. Michal Olejnik (SNO) 5:06:03 (+ 12:40)
3. Richard Robinson (OK Ravinen) 5:13:45 (+ 20:22)
4. Jonas Egger (Swiss O-Team) 5:18:26 (+ 25:03)
5. Nils Spetz (Ulricehamns OK) 5:19:34 (+ 26:11)
6. Tiago Martins Aires (GafanhOri) 5:19:37 (+ 26:14)
7. Phillip Müller (Post SV Dresden) 5:25:09 (+ 31:46)
8. Severin Denzler (Swiss O-Team) 5:27:19 (+ 33:56)
9. Jukka-Pekka Sepönen (Individual FIN) 5:28:56 (+ 35:33)
10. Lauri Okarinen (Individual FIN) 5:29:52 (+ 36:29)

Resultados completos e demais informação em www.pom.pt/pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Minna Kauppi: "Tenho fome de Orientação"



Minna Kauppi está de regresso à boa forma. A “época miserável” é parte do passado e a grande atleta recupera, dia após dia, a alegria de fazer Orientação. Após uma estrondosa vitória na etapa WRE do Portugal O' Meeting 2015, disputada hoje, a atleta está motivada para levar de vencida esta edição do POM.


Que grande prova! Minna Kauppi foi exímia a gerir o seu percurso, contrariando as previsões da organização quanto ao tempo da vencedora em quase cinco minutos. E foi precisamente por aí que teve início uma tão breve quanto agradável e descontraída conversa, com Minna Kauppi a confessar que as coisas não estavam planeadas exatamente desta forma: “Na verdade, quando vim para o POM, não estava segura de que seria capaz de correr todas as quatro etapas, sobretudo porque estava sem correr longas distâncias há bastante tempo”. Importa recordar que a última etapa de Distãncia Longa que Minna havia corrido tinha sido nos distantes Mundiais de Vuokatti, em 2013, onde se lesionou com gravidade e, desde então, nunca mais tinha feito, sequer, um treino de longa distância. Mas decidiu arriscar, correu a etapa de Distância Longa do primeiro dia do POM e... ganhou: “Percebi então que estava tudo bem e que o meu corpo estava a responder na medida daquilo que era necessário; acima de tudo, estava a adorar a floresta”, disse.

Ontem, Minna kauppi decidiu levar a prova um pouco mais calmamente, no sentido de poupar forças, mas hoje o objetivo era mesmo a vitória: “Eu preciso de pontos de ranking porque no ano passado não consegui tantos assim, mas a minha prova foi realmente boa, embora me sentisse bastante cansada na parte final. É óbvio que a minha forma não é aquela que será no Verão mas, mesmo assim, estou muito satisfeita.” Falando especificamente da prova, Minna considerou-a “muito desafiante, a exigir muito cuidado e concentração durante toda a prova, e antecipar os pontos para poder fazer as melhores opções”.

Fisicamente, Minna admite que “a forma não é excelente, mas está a melhor, passo a passo, até porque não me posso esquecer que estes são, simultaneamente, os meus primeiros treinos e provas. Mas estou segura que as coisas vão melhorar e tenho ainda muito tempo para melhorar a minha condição física.” E ganhar é sempre uma motivação: “Sim, claro, quando aquilo que se teve foi uma temporada miserável é sempre bom regressar e tenho fome de Orientação. Aborreço-me facilmente e esta vitória é, claramente, um passo de gigante em frente. Quando te sentes traído pela Orientação, pelas pernas, pelas lesões, a motivação para dar a volta é muito maior do que se o sol brilhasse sempre.” As últimas palavras, Minna reserva-as para aquilo que falta do POM 2015. O objetico é vencer? “Tinha pensado que, caso não estivesse no top 3, provavelmente iria apenas rolar, mas agora o objetivo é mesmo vencer o POM. Vai ser um grande desafio, mas penso que o desafio é igual para todos, toda a gente está já muito cansada e aquilo que tens a fazer é, apenas, concentrar-te no mapa e dar o teu melhor.”


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Gernot Kerschbaumer: "O meu sonho é conquistar uma medalha nos Mundiais"



Faz do Portugal O' Meeting uma das suas habituais referências na preparação da temporada nesta altura do ano e foi rei na etapa rainha da edição 2015. Uma vitória que não estava, de todo, nas suas aspirações, como veremos já de seguida.


“Não, de todo. É claro que queria dar o meu melhor e conseguir um desempenho o melhor possível, mas era o 10º da lista de partidas e para ganhar as coisas teriam de correr muito bem, de estar num dia bom, e hoje correu realmente tudo muito bem.” Foi desta forma que Gernot Kerschbaumer explicou aquilo que, sugestivamente, pode ser entendido como o “segredo do sucesso”. Mas “um dia bom”, apenas, não é explicação para tudo: “Sim, claro, neste tipo de terrenos é necessário empenharmo-nos a fundo desde o início, ainda para mais porque hoje a prova era um pouco mais complicada do ponto de vista técnico, o que acabou por me favorecer. Levo sempre bastante tempo para entrar no mapa, perceber onde devem estar os pontos, mas hoje saiu tudo bem”, disse.

Numa prova praticamente limpa - “apenas alguns pequenos erros, aqui e ali, mas nada de grave” - a motivação está num bom momento, isto numa altura em que estamos ainda muito longe das grandes competições do Verão. Gernot admite que “após uma prova deste tipo, com tantos bons atletas à partida, a sensação de motivação é enorme e encaramos as próximas provas com mais determinação. Tal como referiu, a temporada não começou ainda, mas este é um resultado verdadeiramente motivador.”

E quando chega o Verão... chegam os Campeonatos do Mundo. “Sim, claro, se te sentes capaz, o teu objetivo é sempre melhorar. Neste momento, o meu melhor resultado de sempre em Campeonatos do Mundo é o 8º lugar, portanto quero melhorar e tentar bater esse resultado.” não haverá por aí uma medalha no horizonte? “O caminho a percorrer até chegar às medalhas é ainda longo, mas também ainda falta bastante para chegarmos aos Campeonatos do Mundo, mas esta é uma nova temporada e o meu sonho é conquistar uma medalha nos Mundiais, portanto veremos”.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

POM 2015: Momentos






© Joaquim Margarido

POM 2015: Mapas Dia 3 (M21SE e W21E)






Joaquim Margarido

POM 2015: Vitórias de Gernot Kerschbaumer e Minna Kauppi na etapa rainha



Gernot Kerschbaumer e Minna Kauppi foram os grandes vencedores da etapa-rainha do Portugal O' Meeting 2015. Triunfos indiscutíveis em ambos os casos, numa etapa de Distância Longa que foi, acima de tudo, uma grande festa para os perto de dois mil participantes que nela tomaram parte.


Numa manhã perfeita para a prática dos desportos de natureza, a Orientação foi rainha. Floresta mágica de verde pintada, as Dunas de Vagos receberam a etapa mais esperada do Portugal O' Meeting 2015, para uma prova de Distância Longa pontuável para o ranking mundial da Federação Internacional de Orientação. Foram em número de 1859 aqueles que esponderam à chamada, enfrentando uma prova de enorme exigência técnica e a implicar, igualmente, desempenhos físicos ao mais alto nível.

Com uma performance altamente consistente, aliando um elevado ritmo de corrida à quase ausência de erros, o austríaco Gernot Kerschbaumer (OK Pan Kristianstad) esteve em grande plano ao completar os 17,9 km e 32 pontos de controlo do seu percurso em 1:26:11, sendo o grande vencedor no escalão de Homens Super Elite. O sueco Albin Ridefelt (OK Linné) e o finlandês Aaro Asikainen (Kalevan Rasti) travaram intenso duelo pelas posições imediatas, com Ridefelt a chegar ao segundo lugar com o tempo de 1:27:18, contra 1:27:20 de Asikainen. Baptiste Rollier (Swiss O-Team) ainda chegou a ameçar os lugares do pódio, mas uma má prestação já na parte final da prova acabou por atirá-lo para o quinto lugar, cabendo o quarto posto ao russo Valentin Novikov.


Minna Kauppi, demolidora

Repetindo a vitória do primeiro dia do POM 2015, a finlandesa Minna Kauppi (Individual) esteve hoje absolutamente demolidora, vencendo por larga margem o escalão de Damas Elite. A atleta finlandesa precisou de 1:11:43 para cumprir os 12,7 km e 26 pontos de controlo do seu percurso, deixando a distantes 3:37 a sua compatriota Saila Kinni (Tampereen Pyrintö). Galina Vinogradova (Russia) foi a terceira classificada, com 1:16:10, à frente de Catherine Taylor (OK Linné) e de Yulia Novikova (Russia).

Alasdair McLeod (Clydeside Orien) voltou a ser o grande triunfador no escalão Homens Elite, desta feita por margem não tão dilatada. O britânico gastou 1:30:28 contra 1:30:37 do finlandês Aleksi Niemi (Tampereen Pyrintö), com o russo Evgeny Popov (Ural Russia) na terceira posição, a distantes 4:39 de McLeod. Quanto aos melhores atletas portugueses nos principais escalões, repetiu-se a história da etapa inaugural, com Manuel Horta a ter a primazia no escalão Homens Super Elite, quedando-se na 52ª posição com mais 17:50 que o vencedor. Nas Damas Elite, Raquel Costa concluiu no 60º lugar, a 25:19 de Kauppi e nos Homens Elite Tiago Aires foi o 13º classificado, a 16:06 de McLeod. Resta acrescentar que os três atletas portugueses representam, todos eles, o GafanhOri.


Resultados

Homens Super Elite
1. Gernot Kerschbaumer (OK Pan Pan Kristianstad) 1:26:11
2. Albin Ridefelt (OK Linné) 1:27:18 (+ 1:07)
3. Aaro Asikainen (Kalevan Rasti) 1:27:20 (+ 01:09)
4. Valentin Novikov (Russia) 1:28:19 (+ 02:08)
5. Baptiste Rollier (Swiss O-Team) 1:28:23 (+ 02:12)
6. Kiril Nikolov (Kalevan Rasti) 1:29:01 (+ 02:50)
7. Martin Hubmann (Swiss O-Team) 1:29:26 (+ 03:15)
8. Robert Merl (Austrian O-Team) 1:29:28 (+ 03:17)
9. Scott Fraser (Interlopers) 1:29:49 (+ 03:38)
10. Severi Kymäläinen (Tampereen Pyrintö) 1:30:11 (+ 04:00)

Damas Elite
1. Minna Kauppi (Individual FIN) 1:11:43
2. Saila Kinni (Tampereen Pyrintö) 1:15:20 (+ 03:37)
3. Galina Vinogradova (Russia) 1:16:10 (+ 04:27)
4. Catherine Taylor (OK Linné) 1:17:07 (+ 05:24)
5. Yulia Novikova (Russia) 1:17:10 (+ 05:27)
6. Ida Marie Næss Bjørgul (Halden SK) 1:17:29 (+ 05:46)
7. Eva Jurenikova (Halden SK) 1:17:42 (+ 05:59)
8. Riina Kuuselo (OK Linné) 1:18:22 (+ + 06:39)
9. Venla Niemi (Individual FIN) 1:19:41 (+ 07:58)
10. Sofia Haajanen (Individual FIN) 1:20:02 (+ 08:19)

Homens Elite
1. Alasdair McLeod (Clydeside Orien) 1:30:28
2. Aleksi Niemi (Tampereen Pyrintö) 1:30:57 (+ 00:29)
3. Evgeny Popov (Ural Russia) 1:35:07 (+ 04:39)
4. Ludwig Ljungqvist (IKHP) 1:35:38 (+ 05:10)
5. Michael Olejnik (SNO) 1:37:12 (+ 06:44)
6. Jonas Egger (Swiss O-Team) 1:37:15 (+ 06:47)
7. Tobias Henriksson (OK Trian) 1:38:10 (+ 07:42)
8. Johan Strand (GMOK) 1:40:15 (+ 09:47)
9. Philipp Müller (Post SV Dresden) 1:41:03 (+ 10:35)
10. Richard Robinson (OK Ravinen) 1:41:25 (+ 10:57)

O derradeiro dia do Portugal O' Meeting 2015, a disputar novamente nas Dunas de Vagos, irá consistir numa etapa de Distância Longa, mas desta vez no sistema de “chasing start”. O tempo acumulado dos três primeiros dias de prova permitiu elaborar uma lista de partidas que leva em conta a diferença real de tempos entre os atletas, pelo que os primeiros a chegar nos escalões de Homens Super Elite, Damas Elite e Homens Elite serão, efetivamente, os grandes vencedores da competição. Baptiste Rollier será o primeiro a partir em Homens Super Elite, tendo para gerir uma vantagem de 2:34 e de 3:51 para Aaro Asikainen e Valentin Novikov, respetivamente. Nas Damas Elite, a vantagem de Minna Kauppi é um pouco mais confortável, cifrando-se em 3:05 sobre Catherine Taylor e 7:46 sobre Galina Vinogradova. Finalmente, em Homens Elite, Alasdair McLeod partirá com uma gorda vantagem de 15:25 sobre Michal Olejnik e de 17:48 sobre Jonas Egger.

Tudo para conferir em www.pom.pt/pt/


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 15 de fevereiro de 2015

POM 2015: Lucas Basset e Catherine Taylor vencem Distância Média



O Portugal O' Meeting 2015 prosseguiu hoje com a realização da segunda etapa. Lucas Basset e Catherine Taylor foram os grandes vencedores, com Tiago Romão e Patrícia Casalinho a cotarem-se como os melhores portugueses.


O Portugal O' Meeting 2015 viu hoje cumprida a segunda etapa do seu programa de competição, naquele que constituiu o adeus ao concelho de Mira. A etapa de Distância Média – a única nesta distância do POM 2015 - voltou a estender-se pelos magníficos terrenos das Dunas de Mira, chamando à competição 1995 atletas. No escalão Homens Elite, o francês Lucas Basset (Pôles France U) foi o mais rápido com o tempo de 36:11, batendo os seus mais diretos adversários, o russo Valentin Novikov (Russia) e o suiço Baptiste Rollier (Swiss O-Team) pelas marges de 16 e 22 segundos, respetivamente. Gustav Bergman, vencedor da etapa de ontem e um dos grandes candidatos à vitória final, decidiu tirar hoje folga, abdicando assim pela vitória no POM 2015. Frédéric Tranchand segue para já na dianteira, mas as diferenças para Baptiste Rollier, Martin Hubmann, Aaro Asikainen, Lucas Basset e Valentin Novikov são escassas.

No setor feminino, a vencedora do dia foi a britânica Catherine Taylor (OK Linné), que fez um tempo de 33:08 e bateu de forma clara a finlandesa Saila Kinni (TP), segunda classificada com 34:51 e a sueca Kamilla Olaussen (Fredrikstad SK), que gastou 35:05, finalizando no terceiro lugar. Com estes resultados, Taylor parte para a prova de Distância Longa WRE de amanhã na liderança do POM 2015, embora a proximidade da finlandesa Minna Kauppi e da russa Galina Vinogradova não permitam grandes veleidades à britânica. No escalão Homens Elite não houve surpresas e o britânico Alasdair McLeod continua a passear a sua classe, tendo vencido hoje com o tempo de 37:05, menos 1:06 que o sueco Ludwig Ljungqvist (IKHP), segundo classificado. Michal Olejnik (SNO) repetiu o terceiro lugar alcançado ontem, desta feita com o tempo de 39:15.

Entre os portugueses, Tiago Romão (GafanhOri) foi hoje o mais rápido no escalão de Homens Elite, terminando no 32º lugar, com 40:37. No escalão Homens Elite, também do GafanhOri, Tiago Martins Aires (na foto) voltou a ser o melhor português, concluindo no 22º lugar a 6:42 de Alasdair McLeod. Finalmente, nas Damas Elites, a nossa melhor atleta foi hoje Patrícia Casalinho (COC), 62ª classificada com o tempo de 43:18.


Resultados

Homens Super Elite
1. Lucas Basset (Pôles France U) 36:11
2. Valentin Novikov (Russia) 36:27 (+ 00:16)
3. Baptiste Rollier (Swiss O-Team) 36:33 (+ 00:22)
4. Kiril Nikolov (Kalevan Rasti) 36:47 (+ 00:36)
5. Edgars Bertuks (TuMe) 36:48 (+ 00:37)
6. Aaro Asikainen (Kalevan Rasti) 36:58 (+ 00:47)
7. Frédéric Tranchand (Paimion-Rasti) 37:05 (+ 00:54)
8. Martin Hubmann (Swiss O-Team) 37:14 (+ 01:03)
9. Carl Godager Kaas (BSK) 37:25 (+ 01:14)
10. Murray Strain (Interlopers) 37:39 (+ 01:28)

Damas Elite
1. Catherine Taylor (OK Linné) 33:08
2. Saila Kinni (TP) 34:51 (+ 01:43)
3. Kamilla Olaussen (Fredrikstad SK) 35:08 (+ 02:00)
4. Galina Vinogradova (Russia) 35:12 (+ 02:04)
5. Anastasia Denisova (Sävedalens AIK) 35:43 (+ 02:35)
6. Mari Fasting (Halden SK) 35:49 (+ 02:41)
7. Minna Kauppi (Individual FIN) 36:07 (+ 02:59)
8. Charlotte Watson (Edinburgh University) 36:24 (+ 03:16)
9. Hollie Orr (Lakeland OC) 36:32 (+ 03:24)
10. Isia Basset (Pôles France U) 37:05 (+ 03:57)

Homens Elite
1. Alasdair McLeod (Clydeside Orien) 37:05
2. Ludwig Ljungqvist (IKHP) 38:11 (+ 01:06)
3. Michael Olejnik (SNO) 39:15 (+ 02:10)
4. Aleksi Niemi (TP) 39:33 (+ 02:28)
5. Richard Robinson (OK Ravinen) 39:49 (+ 02:44)
6. Tobias Henriksson (OK Trian) 39:54 (+ 02:49)
7. Erik Berzell (Järla Orientering) 40:09 (+ 03:04)
8. Luukas Valtonen (HS) 40:22 (+ 03:17)
9. Lauri Nenonen (Kalevan Rasti) 40:46 (+ 03:41)
10. Rinat Gabitov (Espoon Suunta) 40:52 (+ 03:47)

Saiba tudo sobre o POM 2015 em www.pom.pt/pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 14 de fevereiro de 2015

POM 2015: Nos bastidores



Numa breve passagem pelos bastidores do Portugal O' Meeting 2015, o Orientovar esteve logo ao início da manhã na área de Partidas. Grande responsável por um setor vital da organização, Jorge Saraiva diz-nos como é.


São 09h42 e, dentro de pouco mais de um quarto de hora, a pacata zona de floresta eleita para zona das partidas deste primeiro dia do Portugal O' Meeting começará a fervilhar. Enquanto quatro elementos se entregam à tarefa de pendurar entre dois pinheiros as listas devidamente protegidas por plástico, um pouco mais acima ultimam-se pormenores. No chão estão os cestos com os mapas embalados e as indicações correspondentes a cada escalão. Sob a tenda, um placard previamente preparado para o efeito comporta todas as sinaléticas adicionais. Os corredores estão montados e nem mesmo os atrasados merecem menor atenção. Testam-se as bases do “clear”, do “check” e do “start”. Sempre solicito, Carlos Monteiro, o Supervisor Nacional, garante que tudo está preparado. Agora é esperar pelas 10h00.

Parece tudo fácil, a equipa das partidas tem as listas, os atletas sabem as suas horas, é conferir e está a andar. Mas é apenas e só isto? “Vim ao terreno sete vezes e, em cinco delas, passei aqui seis horas de cada vez”, refere Jorge Saraiva, colocando a tónica no cuidado a ter, desde logo, na escolha do melhor local para as partidas. Aos “doze ou treze elementos” que compõem a equipa das partidas, é pedido “muita concentração”. Saraiva explica: “Hoje são cinco horas a executar uma tarefa muito repetitiva e aquilo que se pede é muita atenção, concentração ao mais alto nível”.

Uma prova desta envergadura provoca naturais receios. Saraiva não o nega: “O que tenho mais medo é que uma desatenção possa levar a que um atleta entre um minuto antes. Isso complica imediatamente toda a dinâmica da prova, implicando uma série de ajustes que, depois, não são fáceis.” Outro problema é a barreira linguística, nomeadamente quando é sabido que no POM 2015 estão presentes quase 2300 atletas de 26 nações distintas. Saraiva desdramatiza: “É engraçado porque temos, por vezes, dificuldade em comunicar e vamos pela linguagem gestual. Afinal, a linguagem da Orientação é universal”. Com o céu carregado e a ameaçar desfazer-se em água ao longo da tarde, o desejo de Jorge Saraiva para o resto do Portugal O' Meeting é claro: “Que o tempo se aguente e que possamos ter a presença do sol. Dá outro colorido à festa!”


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido