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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Anton Foliforov, Atleta do Mês da Federação Internacional de Orientação



O atleta do mês de Setembro dispensa apresentações. Dois títulos de Campeão da Europa, dois títulos de Campeão do Mundo, a revalidação do triunfo na Taça da Europa e a manutenção da sólida liderança no Ranking Mundial da IOF fazem de Anton Foliforov o maior nome da Orientação em BTT da atualidade. Das primeiras pedaladas, sob o olhar atento e sabedor do pai, aos mais extraordinários momentos da sua carreira até ao momento, venha ouvir aquilo que Anton tem para nos dizer.


Nome: Anton Foliforov
País: Rússia
Data de Nascimento: 3 de Janeiro de 1987
Disciplina: Orientação em BTT
Melhores resultados: Campeão do Mundo de Orientação em BTT na Distância Longa (2010, 2014 e 2015), Distância Média (2015), Sprint (2011 and 2014) e Estafeta (2009 and 2010); Campeão da Europa de Orientação em BTT na Distância Longa (2015) e Distância Média (2015). Vencedor da Taça do Mundo em 2014 e 2015.
Classificação no Ranking Mundial da IOF: 1º lugar.


Texto e foto de Joaquim Margarido

Nascido em Kovrov, 250 km a leste da capital russa, Moscovo, Anton Foliforov parecia ter o destino traçado à partida. Desde cedo se habituou a acompanhar o pai, treinador de sucesso na área do Ciclismo de Estrada, e foi com naturalidade que recebeu a sua primeira bicicleta aos seis anos de idade. Pedalar “com os mais crescidos” está entre as suas gratas recordações de infância, bem como o grupo de jovens criado pelo clube e do qual Anton, com dez anos de idade, passou a fazer parte. “Eu era tão pequeno que tinha de me sentar no próprio quadro da bicicleta”, recorda a esse propósito.

Os anos foram passando até que, no início de 2003, um acontecimento veio marcar em definitivo a vida de Anton. A inesperada visita ao clube do treinador de Orientação em BTT trouxe com ela uma proposta. Fontainebleau recebera, no ano anterior, a primeira edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT e novas oportunidades pareciam surgir. Quem ousa experimentar? Sem nada a perder, Anton lançou-se à descoberta. “Gostar de mapas” poderá ter sido decisivo nesta sua aposta. Desde essa altura, a Orientação em BTT passou a ser o seu desporto e o misterioso visitante é, ainda hoje, o seu treinador.


As primeiras pedaladas

Em 2003, Kovrov recebeu os Campeonatos da Rússia de Orientação em BTT e Anton Foliforov teve a oportunidade de participar naquela que foi a sua primeira competição. Inscrito no escalão de Elite, a correr ao lado de nomes como Maxim Zhurkin, Viktor Korchagin ou Ruslan Gritsan, o jovem Anton alcançou a medalha de prata e, com ela, a motivação necessária para se dedicar ainda mais intensamente à Orientação em BTT. Ainda nesse ano, nos meses de Setembro e Outubro, teve a oportunidade de participar nas três últimas rondas da Taça do Mundo. A 32ª posição numa das etapas individuais foi o melhor resultado alcançado, mas a experiência de competir na Polónia, República Checa e Itália valeram pela aprendizagem de novos mapas e terrenos, pelos contactos com as figuras emergentes da Orientação em BTT mundial e pelas doses reforçadas de motivação.

Em 2005, Anton ruma a Banska Bystrica, na Eslováquia, onde integra pela primeira vez a seleção nacional da Rússia presente num Campeonato do Mundo de Orientação em BTT. O primeiro resultado de vulto surge no ano seguinte, em Joensuu, na Finlândia, com o 5º lugar na prova de Distância Média.Teremos de aguardar até 2009 para vermos Anton Foliforov conseguir a sua primeira subida ao lugar mais alto do pódio, naquele que o atleta recorda como o melhor momento da sua carreira até à data: “Foi em Ben Shemen, Israel, com a medalha de ouro na Estafeta. Corri o último percurso e recebi o testemunho com seis minutos de atraso em relação à liderança, mas no final fui capaz de chegar em primeiro. Foi algo de verdadeiramente inesperado”. Mas os episódios menos bons também existiram, o pior dos quais foi o seu afastamento da final de Distância Longa nos Campeonatos do Mundo em Itália, em 2011: “Tive um problema mecânico na fase de qualificação e não consegui terminar a prova. Fiquei afastado da Final A e, consequentemente, da possibilidade de defender o meu título mundial. Foi um episódio muito triste e não inteiramente correto, na minha opinião”, lembra.


Três perguntas, três respostas

- Tem preferência por algum tipo particular de terreno ou de distância?

“De momento, prefiro os terrenos desnivelados, independentemente da distância, qualquer que ela seja. Mas confesso que acho mais interessante e divertida a Estafeta Mista de Sprint. Em qualquer caso, procuro dar sempre o meu melhor em cada prova.”

- Do seu ponto de vista, que particulares características possui e que fazem de si o melhor orientista em BTT da atualidade?

“As características são únicas em cada atleta e variam de atleta para atleta. Honestamente, não consigo particularizar essas características no meu caso pessoal. Trabalho duramente a minha parte física e procuro manter a cabeça fria em cada momento ao longo da prova.”

- Tem alguns apoios ou patrocinadores que o possam colocar na situação de profissional da Orientação em BTT?

“Um dos grandes apoios está no próprio grupo de seleção. Sente-se uma enorme energia e vontade de trabalhar e procuramos treinos de qualidade a pensar nas grandes competições. Para além disso, há o apoio da Federação Russa de Orientação, mas também da Federação Regional e do Departamento Regional do Desporto, aos quais devo uma sincera palavra de agradecimento. Vistas bem as coisas, penso que sim, que posso considerar-me um profissional da Orientação em BTT.”


Sorte na Distância Média

Liberec, na República Checa, tornou-se um marco importante na carreira de Anton Foliforov. Aí, no passado mês de Agosto, o atleta conquistou dois dos seis títulos mundiais que ostenta no currículo, revalidando a medalha de ouro na prova de Distância Longa e alcançando, pela primeira vez, o ouro na Distância Média. Estas conquistas projetam-no para o lugar do atleta com maior número de títulos mundiais de sempre da Orientação em BTT masculina, a par do seu compatriota Ruslan Gritsan. Por isso, os momentos que marcam os recentes Campeonatos do Mundo são as subidas ao lugar mais alto do pódio e o cantar, juntamente com os seus colegas de equipa, o hino nacional russo.

Sobre as mais recentes conquistas, Anton realça um momento: “Penso que conquistar um título mundial é tudo menos fácil, mas devo reconhecer que tive muita sorte com a medalha de ouro ganha na prova de Distância Média. O Luca Dallavalle esteve no comando durante toda a prova, mas teve um problema com um pneu já no último ponto o que o impediu de vencer. Mas este é um desporto onde o binómio homem-máquina está sempre presente e ninguém está livre de ter um problema com a bicicleta.”


Se queremos integrar o programa olímpico, então teremos de fazer com que a modalidade seja mais espetacular”

Mas Liberec ofereceu também a oportunidade de refletir sobre o atual momento da Orientação em BTT. Ter Brian Porteous, o Presidente da Federação Internacional de Orientação, inscrito nos Mundiais de Veteranos que se realizaram em paralelo com a competição maior “foi muito positivo, mostra que ele está interessado nesta disciplina e que nos apoiará no futuro”, refere Anton. O atleta olha de forma muito positiva para as novas diretrizes de cartografia, as regras relativas à circulação fora dos caminhos e mesmo o sistema touch-free, entre outros, não tendo dúvidas em afirmar que “a Orientação em BTT está no bom caminho”. Mas adverte: “Se os organizadores permitem que se pedale fora dos trilhos, então os competidores devem mesmo pedalar e não carregar a bicicleta à mão; doutra forma, a circulação fora dos trilhos deve ser proibida.”. E ainda uma palavra acerca dos Jogos Olímpicos: “Se queremos integrar o programa olímpico, então teremos de fazer com que a modalidade seja mais espetacular.”

A temporada caminha para o final e Anton recorda os longos períodos passados longe da família e dos amigos, “que me apoiam a tempo inteiro”. Agora é tempo para “uma ou duas semanas longe da bicicleta, a repousar na praia”. Mas o seu pensamento dirige-se já para os desafios que se avizinham: “Vou começar a preparar-me convenientemente para todas as competições de Orientação em BTT do próximo ano e quero fazer ainda melhor. O ano de 2005 foi o melhor até hoje na minha carreira, mas tentarei melhorar os resultados no futuro, embora saiba que isso não vai ser fácil.” E são sobre o futuro as suas últimas palavras: “Continuarei a fazer Orientação em BTT enquanto for capaz de competir com os melhores”.


[Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação. O artigo pode ser lido no original em http://orienteering.org/iof-athlete-of-the-month-anton-foliforov-russia/]

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Orientação em BTT: Rankings mundiais registam mexidas



Concluídos que estão os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2015, é agora tempo de olhar para os rankings mundiais e analisar o respetivo “sobe e desce”. Grande sensação dos Campeonatos, Martina Tichovska saltou para o primeiro lugar do ranking feminino. No ranking masculino, Anton Foliforov reforçou a liderança, posição que mantém desde o dia 16 de maio de 2014.


Liberec, na República Checa, foi palco da 13ª edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT. No rescaldo duma semana repleta de emoções, com um belo par de surpresas de permeio, é possível olhar agora para os rankings da Federação Internacional de Orientação devidamente actualizados e perceber os reflexos dos resultados alcançados pelos atletas na mais importante competição do Calendário internacional de Orientação em BTT.

Começando pelo sector masculino, o russo Anton Foliforov reforçou a sua posição de líder do ranking respectivo, depois das medalhas de ouro alcançadas em Liberec nas provas de Distância Média e de Distância Longa. Imediatamente atrás de si está agora o italiano Luca Dallavalle, campeão do mundo de Sprint e vice-campeão do mundo de Distância Média, que protagonizou uma espectacular subida de sete posições. Ascendendo um lugar, o finlandês Jussi Laurila, vice-campeão do mundo de Distância Longa, ocupa agora a quarta posição. Outras subidas importantes foram as protagonizadas pelo checo Marek Pospisek, subindo nove lugares e sendo o actual quinto classificado, pelo austríaco Kevin Haselsberger, que veio do 16º lugar para a 9ª posição e pelo checo Frantisek Bogar que subiu dezasseis (!) posições e é agora o 19º classificado. Ainda no top 20, o finlandês Samuli Saarela subiu seis posições, ocupando atualmente o 13º lugar do ranking, enquanto o checo Vojtech Stransky é o atual 14º classificado, após uma subida de três lugares.

Do lado das descidas, é significativo o lugar perdido pelo checo Jiri Hradil que é agora o 3º classificado do ranking. O russo Ruslan Gritsan caiu da 4ª para a 8ª posição enquanto o francês Baptiste Fuchs desceu para o 6º lugar, quando anteriormente aos Campeonatos ocupava uma brilhante 3ª posição. Outra queda importante foi a do norueguês Hans Jorgen Kvale, descendo três posições para se fixar no 10º lugar. O francês Yoann Garde também caiu na tabela de forma significativa, ocupando o 17º lugar atual quando anteriormente era 11º, tal como o lituano Jonas Maiselis que perdeu seis lugares para se fixar na 18ª posição. Do lado dos portugueses, Davide Machado desceu um lugar e ocupa agora a 30ª posição, enquanto Daniel Marques manteve o 50º posto da tabela. João Ferreira está na 56ª posição, tendo baixado quatro degraus, enquanto Carlos Simões subiu três lugares e é agora o 63º classificado. Portugal tem ainda dois atletas no top 100, mas também eles registaram perdas na tabela. Mário Guterres é o 71º classificado quando anteriormente ocupava a 64ª posição e Luís Barreiro é o 87º classificado do ranking, tendo descido cinco posições.


Tichovska salta para a liderança feminina

No sector feminino a grande proeza foi protagonizada pela checa Martina Tichovska, ao deixar a 4ª posição do ranking para passar a assumir a liderança. Para esta subida terão contribuído decisivamente os títulos mundiais de Sprint e de Distância Longa e ainda a medalha de prata na prova de Distância Média. Anterior líder do ranking mundial, a britânica Emily Benham ocupa agora a segunda posição enquanto a russa Svetlana Poverina desceu igualmente um lugar na tabela e é agora a 3ª classificada. A sueca Cecilia Thomasson e a francesa Gaëlle Barlet subiram um lugar cada e ocupam as 4ª e 5ª posições, respectivamente, enquanto a dinamarquesa Camilla Soegaard subiu três posições o ocupa agora o 6º lugar do ranking. A finlandesa Susanna Laurila, vice-campeã do mundo de Distância Longa, protagonizou a subida mais fulgurante, ao trepar dez lugares para se fixar na 9ª posição. Outra subida importante foi a da suiça Maja Rothweiler, da 17ª para a 12ª posição.

Do lado das descidas, a finlandesa Marika Hara teve uma descida acentuada de quatro degraus para ocupar agora a 7ª posição. Outra das grandes perdedoras foi a russa Tatiana Repina que desceu três posições para se fixar no 13º lugar. A francesa Hana Garde perdeu dois lugares e ocupa agora o 10º posto, a dinamarquesa Nina Hoffmann foi da 15ª para a 18ª posição e a finlandesa Antonia Haga é agora a 15ª classificada após ter perdido quatro posições na tabela. A checa Marie Brezinova fixou-se no 14º lugar após ter caído uma posição, tal como a austríaca Michaela Gigon que é a actual 17ª classificada. As três atletas portuguesas presentes em Liberec tiveram ganhos na tabela, à exceção de Susana Pontes que manteve a 45ª posição. Ana Filipa Silva ganhou um lugar e é agora a 64ª classificada, enquanto Tânia Covas Costa recuperou nove lugares passando para a 73ª posição.

Confira os rankings completos e atualizados em http://ranking.orienteering.org/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 15 de agosto de 2015

Daniel Hubmann, Ida Bobach e Maja Alm são os novos líderes dos rankings mundiais



No rescaldo dos Campeonatos do Mundo de Orientação WOC 2015, a Federação Internacional de Orientação atualizou os Rankings de floresta (Distância Média e Distância Longa) e de Sprint e a primeira nota vai para as grandes mexidas no topo das listas.

Depois do seu título mundial de Distância Média e da segunda posição na Distância Longa, o suiço Daniel Hubmann lidera o ranking de floresta masculino com 5894 pontos, à frente do norueguês Olav Lundanes e do francês Thierry Gueorgiou. É também ele o líder do ranking de Sprint com 5865 pontos, apenas 6 pontos à frente do Campeão do Mundo de Sprint, o sueco Jonas Leandersson. Nas senhoras, as líderes são dinamarquesas, com Ida Bobach a fazer valer o seu título mundial de Distância Longa para se guindar ao primeiro lugar com 5885 pontos, relegando para a segunda posição a anterior líder, a sueca Tove Alexandersson. A Campeã Mundial de Sprint, Maja Alm, lidera agora o respetivo ranking com 5850 pontos, por troca com a helvética Judith Wyder que é agora a segunda classificada.

Na “dança das posições”, destaque para o extraordinário avanço do sueco Olle Böstrom no ranking de floresta, do 42º para o 8º lugar, do francês Lucas Basset, do 33º para o 12º lugar, da britânica Catherine Taylor, do 18º para o 8º lugar e da norueguesa Anne Margrethe Hausken Nordberg, da 50ª para a 17ª posição. Embora menores, as mexidas no Sprint viram o britânico Kristian Jones subir 8 lugares, sendo agora o 11º da respetiva lista. O excelente Campeonato da ucraniana Nadiya Volynska fez com que ela ascendesse ao 11º lugar no ranking de floresta e ao 4º lugar no ranking de Sprint.

Entre os melhores portugueses, Mariana Moreira desceu dez lugares no Ranking de Sprint e é agora a 99ª classificada, enquanto no ranking de floresta passou do 152º para o 154º lugar. Nos homens, Tiago Romão passou do 87º para o 89º lugar no ranking de Sprint, enquanto no ranking de floresta ascendeu 37 (!) lugares, fixando-se agora na 178ª posição. Quanto aos restantes atletas que marcaram presença na Escócia, Tiago Gingão Leal é o 217º classificado no ranking de floresta e o 93º no ranking de Sprint, João Mega Figueiredo ocupa a 267ª posição no ranking de floresta e é o 97º no ranking de Sprint, Carolina Delgado é a 460ª classificada no ranking de floresta e a 225ª no ranking de Sprint e Patrícia Casalinho ocupa o 446º lugar no ranking de floresta e é a 349ª no ranking de Sprint.

Os rankings completos podem ser consultados na página da Federação Internacional de Orientação, em http://ranking.orienteering.org/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Orientação de Precisão: Portugal recebe Mundiais de TrailO em 2019



Com 24 votos a favor, nove contra e três abstenções, a Assembleia Geral Extraordinária da Federação Internacional de Orientação, realizada esta manhã na Escócia, decidiu-se pela alteração radical ao esquema de organização dos Campeonatos do Mundo de Orientação, dividindo-os em “urbano” e “floresta”. Mas da reunião magna saiu outra importante decisão que nos diz particularmente respeito: Portugal será o organizador do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2019!


É oficial: Portugal irá organizar o Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2019! Lançada com determinação e enorme sentido de responsabilidade, a candidatura apresentada pela Federação Portuguesa de Orientação, que acaba de ser eleita pelo organismo internacional, elege a região de Viseu como o local do evento. De inegável valor em termos da qualidade e complexidade dos terrenos, esta vasta zona do Centro do país oferece condições únicas para a prática desta disciplina, tudo apontando para um evento de altíssimo nível. À espera de todos estão quatro anos de enorme trabalho, na certeza de que a Orientação portuguesa sairá, uma vez mais, altamente prestigiada.

Mas o tema central da reunião magna da Federação Internacional de Orientação, convocada a título extraordinário, teve a ver com a proposta do Presidente e do Conselho da IOF no sentido da reorganização do programa dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre, dividindo-o em “urbano” e de “floresta”. Concretizando: a discussão, na generalidade, centrou-se na possibilidade de, a partir de 2019 (inclusive), os Campeonatos do Mundo se realizarem com alinhamentos diferentes em anos alternados. Nos anos ímpares, o Campeonato do Mundo de Floresta (designado por “WOC”), permitiria atribuir os títulos mundiais nas distâncias ditas de floresta, ou seja, de Distância Média, Distância Longa e Estafeta clássica. Nos anos pares, teria lugar o Campeonato do Mundo Urbano (designado por “Sprint WOC”), com os títulos de Sprint e Estafeta Mista de Sprint em disputa.


Discussão continua “na especialidade”

O reconhecimento da falta de capacidade generalizada para organizar um evento da dimensão dum Campeonato do Mundo dentro dos parâmetros de qualidade e visibilidade que a modalidade exige e merece – “apenas dez nações apresentam capacidade organizativa e todas elas são europeias”, assegurou Brian Porteous, o Presidente da IOF, durante a sua intervenção – esteve, certamente, na base duma decisão tomada no curto espaço de uma hora pela larga maioria de delegados presentes na reunião magna. As palavras do delegado dinamarquês, no período dedicado à discussão da proposta, são claras: “Não vale a pena adiar a decisão, precisamos de agir imediatamente.” Os 24 votos a favor, 9 contra e três abstenções parecem indicar, inequivocamente, um sentido claro de mudança, ainda que muitas dúvidas possam pairar no ar.

Do conjunto de intervenções na reunião desta manhã, destaque para a convicção de Brian Porteous, subjacente à proposta, de que o novo modelo irá aumentar largamente o número de potenciais organizadores, de que a redução do número de dias de prova reduzirá, concomitantemente, os custos associados de organização e de participação e de que será imperioso criar, no seio da IOF, um corpo técnico e uma equipa responsável pela Arena, no sentido de garantir um alto nível dos padrões de qualidade organizativa. Brian Porteous enumerou ainda um conjunto de cidades que, no novo formato, estarão em condições de receber um Sprint WOC, quase todas elas fora da Europa (Edmonton, Melbourne, Sochi, Singapura e Kuala Lumpur). Entre os delegados, destaque para o comentário da França (votou contra a proposta , admitindo que “a especialização conduzirá, necessariamente, à existência de duas diferentes selecções dentro de cada país”. Por seu lado, Hong Kong (votou a favor da proposta) exprimiu, pela voz do seu delegado, a ideia de que “se queremos que a Orientação se desenvolva como um desporto global, devemos dar a possibilidade aos países que não têm o privilégio de poder correr em floresta a possibilidade de competirem em terrenos iguais”. A proposta baixa agora à especialidade. Basicamente, foi tomada a decisão de reorganizar o programa dos Campeonatos do Mundo, mas não é sabido de que forma é que isso irá ser feito. Os pormenores só serão conhecidos na Assembleia Geral do próximo ano.

[Fonte da notícia: World of O, em http://news.worldofo.com/2015/08/06/liveblog-iof-ex-general-assembly/. O Orientovar agradece a Jan Kocbach o seu enorme esforço e empenho no sentido de trazer ao conhecimento de todos, em tempo real, os importantes desenvolvimentos produzidos pela Assembleia Geral Extraordinária da IOF]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Carta Aberta: Dividir o WOC?

A poucos dias da realização de mais um Campeonato do Mundo de Orientação, um conjunto de proeminentes individualidades ligadas à modalidade vem denunciar a intenção da Federação Internacional de Orientação em levar por diante a divisão dos Campeonatos do Mundo em “sprint” e “floresta”, a realizar em anos alternados. Uma carta aberta dirigida ao Conselho daquele organismo internacional e às Federações nacionais e que vale a pena esmiuçar.


“Estarão os países preparados para organizar um WOC de “floresta” sem a prova-espectáculo que é o Sprint? Estarão eles preparados para organizar e financiar um WOC de “floresta” com uma boa produção televisiva nas distâncias de floresta? Será possível encontrar patrocinadores para um WOC de floresta?” Estas são apenas algumas das questões levantadas por um conjunto de personalidades essencialmente ligadas à área do treino e alta competição de Orientação, patentes numa carta aberta enviada à Federação Internacional de Orientação. Per Forsberg, Simone Niggli, Brigitte Grüniger Huber, Radek Novotny, Daniel Hubmann, Bruno Nazário, Tom Quayle, Matthias Niggli e Janne Salmi são os signatários duma missiva que alerta, sobretudo, para o cuidado a ter quando se pretende alterar, de forma radical, “o mais importante evento internacional de Orientação”.

“Sendo o WOC o evento internacional de Orientação mais importante, qualquer alteração deve ser considerada de forma extremamente cuidadosa. Na nossa opinião, é preferível manter o actual estado de coisas do que promover alterações sem ter a absoluta certeza das suas consequências. As últimas alterações relativamente ao esquema de qualificação não abalaram o sistema do WOC no seu todo, mas dividir o WOC [em Sprint e floresta] trará importantes consequências para atletas, equipas, federações, organizadores, comunicação social e para a própria IOF, impossíveis de prever neste momento”, pode ler-se na Carta Aberta. Os signatários fazem ainda questão de lembrar o exemplo do WOC 2014, em Veneza e Lavarone: “Afinal é possível organizar um WOC completo em dois lugares diferentes”.


Conclusões e propostas

Após elencarem um conjunto de possíveis dificuldades e riscos ao assumir-se o novo modelo, Per Forsberg e seus pares colocam o dedo na ferida: “Se pretendemos aumentar o número de atletas e de países, necessitamos de transmitir conhecimento e experiência a esses países, seja em ambiente urbano ou na floresta. Seria necessário construir um grupo alargado que garantisse qualidade e justiça em todos os eventos internacionais, uma operação que iria custar muito dinheiro à IOF. Organizar um evento internacional de Orientação não é tarefa simples e requer muita experiência. De momento, porém, a necessária qualidade profissional dos eventos não está assegurada e a experiência e conhecimento não transitam para o futuro, visto haver sempre um novo país e um novo comité organizador”, notam.

Conclusões e algumas propostas encerram a missiva. “Não precisamos de encurtar ou separar o WOC para melhorarmos a atenção, visibilidade e espetacularidade da Orientação. Precisamos de fazer exactamente o contrário, estender o WOC ao longo de 8 ou 9 dias, incluindo dois fins de semana, para mostrar o fascínio deste desporto de forma alargada, adequada e com uma periodicidade anual. […] Em vez de dividirmos o WOC, devíamos antes (no caso de haver dificuldades em encontrar anualmente candidatos que acolham o evento) ver o WOC organizado de dois em dois anos e, simultaneamente, colocar um maior esforço na elevação do estatuto do Campeonato da Europa e da Taça do Mundo”, pode ler-se. “O risco de se vir a perder o fascínio dos nossos melhores eventos é demasiado elevado!”, concluem.



Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 12 de julho de 2015

Taça dos Países Latinos: 20 anos de História



A Espanha foi a grande vencedora da Taça dos Países Latinos 2015, evento integrado nos “3 Dias da Bélgica” e que teve lugar em Vlessart, no início de Maio. Pretexto para revisitarmos uma competição que fará 20 anos no próximo mês de Outubro, que conta até ao momento com 17 países membros e que se afirma como uma ponte, cada vez mais sólida, entre a Europa e a América.


Por Joaquim Margarido

Varna, Bulgária, 1994. O período de almoço marcava uma pausa nos trabalhos do Congresso da Federação Internacional de Orientação e o acaso juntava à mesma mesa, dum lado, Alexandrescu Constantin e Coman Ciprian, respetivamente Presidente e Secretário Geral da Federação Romena de Orientação e, do outro, Livio Guidolin, o então Secretário Geral da Federação Italiana de Orientação e a sua esposa. Do cruzamento de conversas à descoberta daquilo que ambas as Federações tinham em comum foi apenas um pequeno passo. A conversa anima-se e aquilo que tinha começado como uma simples troca de palavras de cortesia, agigantava-se entretanto com a proposta de Alexandrescu de se organizar uma competição de Orientação para os Países Latinos.

Recebida com entusiasmo por Guidolin e, de imediato, pelos representantes das Federações de Espanha, França e Portugal, igualmente presentes em Varna, a ideia teve no dia seguinte um efeito prático, com a realização duma reunião extraordinária tendente à formalização da fundação da Taça dos Países Latinos. Nome da competição, objetivos, periodicidade, composição das equipas, classes de competição, fórmula de cálculo de classificações, troféus, organização e participação nos gastos, tais foram os assuntos em cima da mesa. Redigido o projeto de estatutos, passou-se à fase de ratificação pelas cinco Federações fundadoras e à eleição, como primeiro Secretário Geral da Taça dos Países Latinos, do italiano Livio Guidolin. Em Buzau, na Roménia, entre os dias 12 e 15 de Outubro de 1995, tinha lugar a primeira edição da Taça do Países Latinos – Latinum Certamen, com a representação romena a levar de vencida o troféu.


Os anos da consolidação

Entre 1996 e 1999, Itália, França, Portugal e Espanha receberam, por esta ordem, as edições seguintes da Taça dos Países Latinos. Entretanto, Livio Guidolin cede o seu lugar de Secretário Geral ao belga Erick Hully, que se manterá no cargo entre 1997 e 2005. Serão estes os anos da consolidação. Cada vez mais a Taça dos Países Latinos se afirma como o ponto de encontro amigável entre orientistas latinos, proporcionando o intercâmbio de conhecimentos sobre o treino, a pedagogia e os métodos de aprendizagem, enfim, contribuindo para o desenvolvimento da Orientação nos países de origem latina.

A Bélgica é admitida no seio da Taça dos países Latinos no ano de 1997 e na edição de 1998, realizada em Portugal, assiste-se à participação do Brasil, o qual é aceite como sétimo membro efetivo, sendo o primeiro país latino-americano a aderir à Taça dos Países Latinos. No capítulo competitivo, Itália e França sucedem-se à Roménia no tocante a vitórias, mas os franceses são igualmente os grandes triunfadores em 1998 e 1999, alcançando três vitórias consecutivas e conquistando, assim, o direito a ficar em definitivo na posse do troféu.

Entre o ano 2000 e 2008, a Taça dos Países Latinos revisitará, rotativamente, a Bélgica e os cinco países fundadores. Em 2004, de novo em Portugal, Moçambique é o país convidado e aceite como membro efetivo da Taça dos Países Latinos no ano seguinte, juntamente com a Argentina, Colombia e Venezuela, numa edição realizada em Espanha. Também em 2004, a Espanha conquista o direito a guardar para si em definitivo o Troféu, depois da vitória na edição portuguesa, a terceira duma série que se havia iniciado em Itália e prosseguira em França. Na reunião anual de 2005, celebrada em Sevilha, o espanhol José Angel Nieto Poblete é eleito Secretário Geral da Taça do Países Latinos, lugar que ainda ocupa e que acaba de renovar até 2017. Em 2008, a Suiça é admitida como membro de pleno direito da Taça dos Países Latinos.


Uma ponte sobre o Atlântico

O ano de 2009 representou um passo em frente na história do certame, com a realização da 15ª edição pela primeira vez fora da Europa. Num processo iniciado dois anos antes por Itamar Torrezán e concluído por Otavio Dornelles, o Brasil organiza um evento ao qual aderem, igualmente, o Uruguai e o Chile, membros nº 13 e 14 dum “clube” que não pára de crescer. O Brasil viria a ser o grande vencedor dessa edição, antecedendo Portugal que obteve em 2010 o seu primeiro e único triunfo na história da competição. Em 2011, no regresso da competição a Espanha, Costa Rica, Perú e Paraguai são admitidos como membros de pleno direito, fixando em dezassete o número de membros efetivos da Taça dos Países Latinos.

Em 2014, a Taça dos Países Latinos atravessou o Atlântico pela segunda vez no seu historial, com a competição a ter lugar no Uruguai. A vitória nesta edição sorri à Espanha, repetindo-a já em 2015, na Bélgica, ante a forte oposição de Belgas e Italianos. Em 2016 teremos nova viagem transatlântica, desta feita até ao Chile, dando-se assim continuidade a um projecto que visa intercalar a Europa e a América Latina como anfitriões das sucessivas edições do certame. Os anos de 2017 e de 2019 têm já a Itália e Portugal como candidatos à organização do evento. E em 2018, quem será o país latino-americano a receber o evento?


Este artigo pode ser lido no original em http://orienteering.org/wp-content/uploads/2012/02/InsideOrient-2_15.pdf. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Inside Orienteering 02/2015: Na despedida de Anna Jacobson



Já se encontra publicado o mais recente número da Inside Orienteering, a newsletter da Federação Internacional de Orientação. Marcado pela despedida de Anna Jacobson do cargo de Assistente do Secretário-Geral daquele organismo e de Editora desta particular publicação, este é um número com um significado muito especial.


O convite apareceu de surpresa, sem se fazer anunciar. Anna Jacobson escrevia-me para me pedir colaboração na edição de 2012 da Orienteering World. Precisavam dum “especialista” em Orientação em BTT e o especialista... era eu! Da surpresa à dúvida foi o tempo dum segundo. Estaria à altura do que me pediam? Do lado de lá as condições eram simples: é trabalho voluntário. Pela minha parte, pedi que não me “censurassem” os artigos e que me deixassem escrever sobre a Orientação que vai acontecendo nos Países de língua latina. A Anna aceitou. Eu também. Quando vejo, neste último número, um artigo sobre a vida e obra do catalão Carles Llado e uma resenha histórica sobre a Taça dos Países Latinos, tenho a certeza que fiz bem em aceitar. Esta janela sempre aberta, da Itália a Moçambique, de Cuba a Portugal, foi a minha maior recompensa ao longo destes quase três anos de colaboração.

Mas esta colaboração não se resumiu à Orienteering World. Em Dezembro de 2012 assinava, com a entrevista ao suiço Matthias Kyburz, o meu primeiro artigo na Inside Orienteering e uma fotografia minha tinha honras de Capa. A colaboração estreitou-se e, nos dois anos e meio seguintes, foram 24 os artigos por mim assinados em 13 números. Juntem-se a isso 13 entrevistas para a rúbrica “Atleta do Mês” e consegue-se perceber em certa medida a dimensão deste trabalho. Voluntário, repito! E sempre, mas sempre, com o enorme apoio da Anna e a compreensão e paciência do Clive Allen, revisor oficial dos meus escritos em inglês.

É por isso que, a par dum sentimento de orgulho e de dever cumprido, não posso deixar de sentir alguma tristeza no preciso dia em que a Anna se despede duma casa que foi sua durante largos anos. A profunda remodelação na estrutura da IOF e a mudança das instalações da Finlândia para a Suécia acabam por ditar o fim duma história bonita, baseada na confiança e na amizade. Sei que a Anna, para onde quer que vá, faça o que fizer, será sempre bem sucedida. É uma mulher lutadora e a sua capacidade de trabalho são o garante dum futuro promissor. Quanto a mim, não sei. Oficialmente não recebi qualquer convite para manter a colaboração com a IOF, neste ou noutros moldes. E nesta incerteza, uma certeza eu tenho: Vou ter saudades da Anna!

[A Inside Orienteering 02/2015 pode ser lida em http://orienteering.org/wp-content/uploads/2012/02/InsideOrient-2_15.pdf]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Hanka Doležalová: “Penso que a única coisa que a Orientação em BTT e a Orientação de Precisão têm em comum são as rodas!”



A Atleta do Mês de Abril da Federação Internacional de Orientação representou o seu País, em Campeonatos do Mundo, em duas disciplinas: Orientação em BTT e Orientação de Precisão. Hanka Doležalová começou a sua carreira na Orientação em BTT, mas um brutal acidente nos Mundiais de 2010 impediu-a de voltar a pedalar e a andar. Mas não foi preciso muito tempo para que Hanka encontrasse uma nova disciplina: a orientação de Precisão. E rapidamente passou a fazer parte da seleção nacional. Mas é ela própria que confessa que os seus conhecimentos da Orientação em BTT de pouco serviram na Orientação de Precisão: “Penso que a única coisa que a Orientação em BTT e a Orientação de Precisão têm em comum são as rodas!”


Nome: Hanka Doležalová
País: República Checa
Disciplina: Orientação de Precisão
Momentos altos na carreira: Campeonato da Europa de PreO – 22º lugar; Campeonato da Europa de TempO 2014 – Qual. 42º lugar. Campeonato do Mundo de PreO 2014 – 28º lugar. Taça da Europa de Orientação de Precisão 2014 (não oficial) – 35º lugar.


Texto e foto de Joaquim Margarido

É um quente dia de Julho do já distante ano de 2010. Em redor da pequenina aldeia de Avelelas, no extremo Nordeste de Portugal, jogam-se as qualificatórias de Distância Longa do Campeonato do Mundo de Orientação em BTT. Para as participantes na prova feminina o objectivo resume-se a terminar a prova e não fazer “mp”. Mas eis que de repente tudo se precipita. Hanka Doležalová, atleta da República Checa, tem uma saída de estrada, a roda dianteira fica presa e a atleta passa por cima da bicicleta, caindo de costas numa vala. Um vôo que irá significar uma viragem de 180 graus naquilo que fora, até então, a vida e os sonhos da atleta. “Não consegui controlar este bloqueio súbito da roda e caí de costas na vala. De imediato, percebi que não sentia as pernas nem a parte inferior do tronco, não conseguia mexer-me e estava com dificuldade em respirar. Procurei gritar o mais alto que podia e esperar que alguém me ouvisse. Felizmente, a Anke [Danowski] e a Melanie surgiram de imediato, mas ainda esperei bastante tempo pela ambulância. Era um dia quente e senti uma sede insuportável.”

Hanka foi evacuada em ambulância, primeiramente para o Hospital de Chaves e depois para o Centro Hospitalar do Porto, onde foi intervencionada à coluna já na madrugada do dia seguinte. De manhã, os noticiários televisivos davam conta do acidente e avançavam com prognósticos. Quanto a esses, há muito que a atleta os percebera: “Compreendi imediatamente, no fundo daquela vala, que o destino estava traçado. Limitei-me a esperar para ver”, recorda.


Sempre mais, sempre melhor

A Orientação em BTT sempre foi algo deveras importante na vida de Hanka Doležalová. Em Portugal, a atleta disputava o seu segundo Campeonato do Mundo no seio da Elite e, para si, este era o desporto nº 1. Ainda Junior, treinava já com a selecção nacional sénior da República Checa e os resultados começavam a surgir. Enquanto Junior, aos três lugares no top 10 dos Mundiais 2008 (4º lugar no Sprint, 6º na Distância Média e 9º na Distância Longa), Hanka Doležalová juntou a medalha de ouro na Estafeta, ao lado de Michaela Maresova e de Hana Hancikova.

No ano seguinte, já no escalão de Elite, a atleta viria a conseguir o 11º lugar na Distância Média dos Campeonatos da Europa (North Zealand, Denmark) e o 13º lugar na mesma distância dos Campeonatos do Mundo (Ben Shemen, Israel). O objectivo era progredir, entrar no top 10, chegar às medalhas, mas sobretudo desfrutar. “Acima de tudo, eu gostava de fazer Orientação em BTT”, afirma. O seu melhor resultado acabaria por surgir já em Portugal, com o 10º lugar alcançado na final de Sprint, três dias antes do acidente fatídico.

Regressando às primeiras pedaladas de mapa na mão, Hanka Doležalová referencia-as como parte da evolução natural do seus gosto pela Orientação, mas também pela BTT. Praticando Orientação desde criança, a bicicleta esteve sempre presente nas suas correrias e brincadeiras. “Tinha 12 anos quando experimentei a Orientação em BTT pela primeira vez e gostei imenso. De forma regular, comecei a praticar esta disciplina a partir dos 16 anos.” Nos poucos anos que levou de Orientação em BTT, Hanka não consegue destacar um momento que possa considerar como o melhor. “Foi uma festa fantástica”, recorda.


Primeiros passos duma nova vida

- A partir do momento em que teve início o longo processo de reabilitação, decidiu apagar a bicicleta das suas memórias ou as coisas não se passaram exactamente assim?

“Nunca. Os meus colegas visitavam-me com muita frequência nessa altura e eu sentia-me muito satisfeita com tudo aquilo que me contavam. Bebia com avidez todas as notícias e partilhava com eles alegrias e frustrações. Acima de tudo, aquele tinha sido o meu mundo.”

- Nesse processo de reabilitação, de que forma é que a sua atitude positiva e ganhadora acaba por ser importante na conquista de autonomia?

“É um processo longo e demorado. Só deixei o Hospital e regressei a casa ao fim de oito meses. Mas penso que no meu caso os progressos alcançados na minha reabilitação não têm tanto a ver com uma atitude competitiva mas sim com a minha própria natureza, com a minha maneira de ser.”


Experiências radicais

A natureza e maneira de ser de Hanka impediram-na de colocar de parte o desporto. A variedade de oferta ao nível do Desporto Adaptado na República Checa levou-a a experimentar uma vasta gama de modalidades, umas deveras atractivas, outras nem tanto. “Sempre gostei de explorar novas actividades. Já numa fase mais aguda da minha convalescença, seis meses após a lesão, costumava deslocar-me até às Montanhas Krkonoše, durante os fins de semana e fazer monoski. Vi nisso uma coisa perfeitamente normal. As actividades menos tradicionais são o meu adorado esqui aquático ou conduzir uma moto 4.” Mas a atleta também faz Cross Country em Esqui, durante o Inverno e participa numa competição de sobrevivência, de carácter anual: “É uma prova em parelha, com um tempo limite de 24 horas e que inclui dezasseis diferentes actividades.”

Numa curta deslocação a Portugal, em Maio de 2012, Hanka Doležalová pode experimentar a Vela Adaptada. “Foi uma experiência incrível, sobretudo pela sensação de liberdade”, recorda, acrescentando em tom de lamento: “É uma pena que na República Checa não existam grandes condições para prática deste desporto.”


A vez da Orientação de Precisão

Hanka Doležalová conheceu a Orientação de Precisão pela via da organização dum evento. “Há 18 anos que o meu clube organiza uma prova de Orientação de Precisão, mobilizando algumas pessoas com deficiência e eu dava o meu apoio na qualidade de assistente e de organizadora”, explica. Foi nessa altura que conheceu o atleta paralímpico Bohuslav Hůlka, pessoa que, juntamente com Jana Kosťová e outros, viria a ser determinante na aproximação da atleta à Orientação de Precisão após a lesão, culminando no seu ingresso na selecção nacional da República Checa. “Imediatamente após o acidente, começaram a aliciar-me. Diziam-me que devia experimentar a Orientação de Precisão porque era uma bem sucedida orientista”, recorda.

Uma das suas primeiras incursões nesta disciplina teve lugar na cidade do Porto, em Portugal. Convidada do DAHP – Núcleo de Desporto Adaptado do Hospital da Prelada, a atleta foi a madrinha do II Open de Orientação, participando igualmente na competição: “Creio que ter decidido aceitar o convite do DAHP e ter participado no Open da Prelada acelerou todo o processo de aproximação à Orientação de Precisão”, reconhece.


Se eu mandasse...

Os primeiros tempos nesta disciplina foram tudo menos fáceis para a atleta. As enormes diferenças em relação às outras disciplinas são o motivo apontado por Hanka para justificar o seu desapontamento nesses primórdios. Mas afinal o que é que há de tão difícil assim na Orientação de Precisão? “Manter o sentido de orientação e conseguir evitar que ele se altere entre os vários exercícios de geodese que vão sendo efetuados”, explica a atleta.

Mas há outros aspectos sensíveis nesta disciplina, um dos quais Hanka Doležalová elegeria como aquele que, se tivesse poder para tal, mereceria a maior atenção e exigiria a definição duma regra própria: “Se eu mandasse, os percursos de Orientação de Precisão seriam obrigatoriamente traçados em caminhos asfaltados!” E explica porquê: “É a única maneira de conseguir manter-me focada no mapa e na minha orientação. De outra forma, acabo por gastar toda a minha energia na progressão, como vencer passagens estreitas, como transpor rochas, raízes e lama.”


Quatro questões breves

- Para muitos, treinar Orientação de Precisão permanece um mistério. Pode dizer-me algo acerca dos seus métodos de treino e quais os aspectos mais importantes na adequação a uma situação de competição?

Treinar Orientação de Precisão é, também para mim, um mistério. Não faço nenhum tipo de treino em especial. Tento adquirir experiência e progredir com a minha participação nas competições.

- De que forma é que os seus conhecimentos na Orientação em BTT foram importantes para a sua integração no seio desta nova disciplina?

Penso que a única coisa que a Orientação em BTT e a Orientação de Precisão têm em comum são as rodas!

- Quem são os atletas nesta disciplina que mais admira?

Os atletas de TempO, capazes de resolver uma estação em oito segundos.

- Qualquer pessoa pode praticar Orientação de Precisão?

Sim, qualquer pessoa pode fazê-lo. Só é necessário ser-se preciso.


Mundiais sim, mas...

Chamada em 2014 a representar pela primeira vez a selecção nacional checa, Hanka Doležalová teve prestações valorosas e, sobretudo, bastante auspiciosas, tanto nos Campeonatos da Europa, realizados em Portugal, como nos Campeonatos do Mundo, que tiveram lugar em Itália. Pese embora as boas recordações que guarda destas duas representações com a camisola da selecção, Hana elege como o melhor momento de 2014 a etapa da Taça da Europa de Orientação de Precisão (não oficial) 2014, disputada no seu país: “Foi uma prova limpa, sem erros, incluindo os pontos cronometrados”.

Já no tocante aos objectivos para 2015, a atleta mostra-se prudente e parca em palavras. Será este ano que vamos ver Hanka Doležalová pisar o pódio dum Campeonato do Mundo? “Primeiro que tudo, tenho de garantir a minha qualificação para os Mundiais”, diz.


Uma boa razão para continuar agarrada à Orientação de Precisão

Considerada como “uma excelente forma de ir a lugares que, doutra forma, não teríamos tanta facilidade em visitar estando numa cadeira de rodas”, a Orientação de Precisão tem, para a atleta, um valor acrescido, nesta particular altura da sua vida. A razão é simples: “Não tenho a certeza de estar agarrada à Orientação de Precisão mas tenho a certeza de me sentir definitivamente agarrada a um orientista de precisão”, diz, com um sorriso de orelha a orelha.

E deixa, a terminar, algumas palavras a todos aqueles que, devido a uma lesão do género que a vitimou, sentem o mundo desabar à sua volta: “Algumas portas fechar-se-ão, mas outras irão abrir-se.”


Perguntas e respostas

A questão colocada por Tove Alexandersson, a Atleta do Mês de Março, foi a seguinte: “Qual é o seu sítio preferido na República Checa e porquê?”

E a resposta de Hanka: “São muitos os meus locais preferidos na República Checa porque é um país muito variado. Mas o meu coração bate pelas Montanhas Krkonoše, onde vivo.”

Finalmente, a questão de Hanka Doležalová a Baptiste Fuchs, Atleta do próximo mês de Maio: Vai participar nos 5 Dias de Plzeň 2015? O que é que mais aprecia neste evento?


[Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação. O artigo pode ser lido no original em http://orienteering.org/i-think-that-the-only-thing-these-two-sports-have-in-common-is-wheels/]

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Norte Alentejano O' Meeting: Os cinco elementos!



Que mistério é este que leva a que, ano após ano, centenas de pessoas abandonem a sua “zona de conforto” e se dirijam a Portugal para participar no Norte Alentejano O’ Meeting? A resposta vem nos cinco dedos da mão: Água, Terra, Sol, Pedra e... Orientação!

Texto e foto: Joaquim Margarido


Foi em 2007 que o Norte Alentejano O' Meeting apresentou as suas credenciais pela primeira vez. Partindo duma aposta do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, logo nesse ano se percebeu que o potencial desta região do interior sul de Portugal para a prática da Orientação encontrava a correspondência perfeita na ambição do clube nortenho em avançar com a proposta dum projeto intermunicipal de grande envergadura e que colocasse o Norte Alentejano no mapa da Orientação mundial. Ao município de Nisa juntaram-se, sucessivamente, os de Castelo de Vide, Alter do Chão, Crato, Portalegre e Marvão, transformando o sonho inicial nessa realidade indesmentível: o Norte Alentejano O' Meeting é, nos dias de hoje, um evento reconhecido a nível mundial, tanto pela sua qualidade técnica como pela capacidade organizativa.

Ao longo de nove edições, o NAOM cresceu e consolidou-se. Recebeu os Campeonatos Nacionais de Sprint e de Distância Média em 2008 e em 2012, incluiu seis etapas pontuáveis para os Rankings Mundiais, integrou em 2011 o Portugal O' Meeting - prestigiada prova mundial do Calendário regular de Inverno -, foi palco assíduo da presença de todos os melhores atletas mundiais sem exceção e, por último mas não menos importante, tem contribuído de forma consistente para a promoção e afirmação do nosso País, e em particular da região Norte Alentejana, como destino turístico e desportivo por excelência no período de Inverno.


Campos de Treino completam oferta

Percorrer esta região de Portugal é ir ao encontro de tempos imemoriais, quando os primeiros homens aqui se estabeleceram, fazendo destas paragens o seu “porto de abrigo”. Da pré-história à civilização romana, do período árabe e medieval aos nossos dias, arte e cultura passeiam lado a lado com uma paisagem preservada de enorme beleza, num apelo aos sentidos e ao bom gosto de cada um. Motivos que levam Maria Gabriela Tsukamoto, ex-Presidente da Câmara Municipal de Nisa, a afirmar que “muito mais do que os itinerários traçados nos mapas, mais do que desporto, do que convívio saudável entre os grupos das provas e com as gentes das terras... os participantes no NAOM encontram aqui belezas infindáveis, distribuídas por um vastíssimo património natural e arquitetónico”.

Mas se os encantos do ponto de vista cultural e paisagístico, aliados a uma gastronomia única - onde o vinho, o azeite e as ervas aromáticas se impõe como complementos de excelência -, são os maiores atributos desta região, para o orientista “puro e duro” há, a par da grande competição, Campos de Treino de excelência. Fundada no final de 2011 por Fernando Costa, um homem com uma vasta experiência no associativismo desportivo e na organização de eventos, a Orievents [www.orievents.com] surgiu com o objetivo de organizar eventos, promover atividades de Orientação para escolas e empresas, trabalhar em articulação com entidades ligadas à problemática da deficiência, promover a formação de agentes desportivos e a comunicação e sponsorização de eventos e realizar mapas de Orientação. Mas é nos Campos de Treino que reside uma das suas maiores apostas, com uma oferta atual de 21 treinos em mapas de floresta e 7 em mapas de sprint, com muitos desses treinos desenhados por figuras conceituadas da Orientação mundial, casos de Eva Jurenikova, Philippe Adamski ou Oleksandr Kratov.


De 2007 a 2015

O romeno Ionut Zinca e a finlandesa Riina Kuuselo foram os primeiros atletas a inscrever os seus nomes no Quadro de Honra do evento, inaugurando em 2007 uma lista que vai crescendo a cada ano que passa e que inclui já, entre muitos outros, nomes como os da suiça Simone Niggli, do francês Thierry Gueorgiou, da checa Eva Jurenikova, do atual líder do ranking mundial, o norueguês Olav Lundanes, da sueca Helena Jansson e do português Tiago Romão. Em 2015, foi a vez dos ucranianos Oleksandr Kratov e Nadiya Volynska serem aclamados como os grandes vencedores do NAOM, após duas jornadas de grande nível que atraíram a Castelo de Vide e Marvão mais de 700 participantes de 15 diferentes nações.

Para Oleksandr Kratov, a edição deste ano do NAOM “foi, como sempre tem acontecido cada vez que me desloco a Portugal, uma bela experiência. Gostei muito, tanto das provas como dos terrenos, mas também destes mapas. É um prazer incrível poder correr e ler estes mapas”. Deixando elogios igualmente à organização do NAOM - “esta é uma organização à qual é difícil apontar um reparo” - o atleta terminou referindo ter sido este “um dos bons momentos no período de treino de Inverno”. Nadiya Volynska fez igualmente um resumo muito positivo desta sua participação na edição 2015 do NAOM e, em particular, da segunda etapa: “Gostei muito. Já adivinhava um terreno muito detalhado e também muito rico em termos de vegetação e procurei adequar a minha estratégia às condições. A colocação dos pontos foi algo que me agradou imenso, pela imensidão de opções que ofereceu em termos de progressão.” Em relação à vitória, propriamente dita, Volynska não esconde que “foi muito motivadora”, acrescentando que “era altura de fazer uma prova mais a sério, de puxar pela parte física; penso que este foi o momento certo e que fui bem sucedida.” E ainda uma palavra para a organização, “do melhor que há, ao nível das grandes organizações nos países escandinavos”, conclui.

Saiba tudo sobre o NAOM 2015 em http://www.gd4caminhos.com/naom2015.


Este artigo pode ser lido no original em http://orienteering.org/wp-content/uploads/2012/02/InsideOrient-1_15-3.pdf. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

WSOC 2015: Lars Moholdt conquista medalha histórica



A jogar em casa, a Noruega fez a festa no terceiro dia dos Campeonatos do Mundo de Orientação em Esqui WSOC 2015, graças ao triunfo de Lars Moholdt naquela que é a medalha de ouro nº 1000 da história da Orientação norueguesa. No sector feminino, o azul e amarelo da Suécia sobressaiu – por bons e menos bons motivos (!) - com Josefine Engstrom a ser a grande vencedora.


Chama-se Lars Moholdt e é o herói do dia na Noruega, país onde decorrem os Campeonatos do Mundo de Orientação em Esqui WSOC 2015. Numa exigente Distância Longa com 28 pontos de controlo e 20,8 km, o norueguês soube contrariar o favoritismo de nomes sonantes como os de Andrey Lamov, Erik Rost ou Peter Arnesson, registando no final o tempo de 1:31:20 e conquistando o primeiro título individual da sua carreira em Campeonatos do Mundo. Mas esta vitória tem ainda um outro cunho histórico, sendo a medalha de ouro nº 1000 da história da Orientação naquele País da Escandinávia desde que há registos, ou seja, desde 1870. Com o seu nome gravado a ouro nas duas etapas iniciais destes Campeonatos do Mundo, o russo Andrey Lamov teve de se contentar hoje com a medalha de prata, a 52 segundos do vencedor. Na terceira posição, com o tempo de 1:33:12, quedou-se o finlandês Staffan Tunis. Campeão Europeu de Distância Longa em título, o sueco Erik Rost não foi além do 9º lugar, a 3:43 de Moholdt.

No sector feminino, a sueca Tove Alexandersson foi a mais rápida, mas não conseguiu traduzir em ouro a sua superioridade sobre a concorrência, quedando-se desclassificada por ter atravessado uma área interdita. A vitória acabou por sorrir a outra representante da Suécia, Josefine Engstrom, que completou o seu percurso de 14,1 km e 18 pontos de controlo com um tempo de 1:12:00 e conquistou o título que faltava no seu currículo. Mira Kaskinen, da Finlândia, gastou mais 36 segundos e conclui no segundo lugar, enquanto a russa Kseniya Tretyakova foi terceira, a 2:04 da vencedora. Medalha de ouro na etapa de Distância Longa dos Europeus de Lenzerheide, a russa Tatyana Oborina terminou a sua prova no 5º lugar, com mais 2:36 que Engstrom.

No Campeonato do Mundo de Juniores JWSOC 2015, disputaram-se igualmente as finais de Distância Longa, com o finlandês Aleksi Karpinen a bater o grande vencedor da prova de Sprint disputada ontem, o russo Vladislav Kiselev, e a chegar ao ouro no sector masculino. No sector feminino, a sueca Isabel Salen concluiu na primeira posição. Também tiveram lugar na manhã de hoje as finais de Distância Longa do Europeu de Jovens EYSOC 2015, com vitórias do sueco Henning Sjökvist e da finlandesa Liisa Nenonen. Sjökvist “bisou”, depois de já ontem ter chegado ao ouro no Sprint, batendo desta feita o finlandês Tommi Härkönen pela margem de um breve segundo. Quanto a Nenonen, teve o mérito de bater uma verdadeira “armada russa” que colocou cinco atletas nas oito primeiras posições, com destaque para Alexandra Rusakova, segunda classificada.


Resultados

Elite Masculina
1. Lars Moholdt (Noruega) 1:31:20
2. Andrey Lamov (Rússia) 1:32:12 (+ 00:52)
3. Staffan Tunis (Finlândia) 1:33:12 (+ 01:52)
4. Peter Arnesson (Suécia) 1:33:20 (+ 02:00)
5. Andreas Holmberg (Suécia) 1:33:24 (+ 02:04)
6. Eduard Khrennikov (Rússia) 1:33:30 (+ 02:10)

Elite Feminina
1. Josefine Engström (Suécia) 1:12:00
2. Mira Kaskinen (Finlândia) 1:12:36 (+ 00:36)
3. Kseniya Tretyakova (Rússia) 1:14:04 (+ 02:04)
4. Iuliia Tarasenko (Rússia) 1:14:16 (+ 02:16)
5. Tatyana Oborina (Russia) 1:14:36 (+ 2:36)
6. Frida Sandberg (Suécia) 1:14:40 (+ 02:40)

[Foto: Thomas Winje Øijord / nrk.no]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

WSOC 2015: Sprint vitorioso de Lamov e Alexandersson



Andrey Lamov e Tove Alexandersson levaram de vencida o primeiro título individual em disputa nos Campeonatos do Mundo de Orientação em Esqui WSOC 2015. São eles, pelas melhores razões, as duas grandes figuras dos Campeonatos até ao momento.


Repartiram entre si os títulos individuais dos recentes Campeonatos da Europa e foram os grandes animadores da final de Sprint disputada ao início da tarde de hoje, em Budor, Noruega. Falamos do russo Andrey Lamov, do búlgaro Stanimir Belomazhev e do sueco Erik Rost, os três atletas que, por esta ordem, ocuparam o pódio masculino do WSOC 2015. Depois da medalha de ouro conquistada ontem na Estafeta Mista de Sprint, de parceria com Iuliia Tarasenko, o russo Andrey Lamov voltou a mostrar-se ao mais alto nível, levando de vencida todos os seus adversários. Lamov foi o mais rápido com o tempo de 16:04, deixando atrás de si, com uma diferença de quatro segundos apenas, o campeão da Europa de Sprint em título, Stanimir Belomazhev. Rost terminou na terceira posição com mais 15 segundos que o vencedor. Grande figura dos Mundiais de 2013, no Cazaquistão - onde conquistou os títulos mundiais de Sprint, Distância Média e Distância Longa -, o sueco Peter Arnesson viria a concluir no quarto lugar, ex-aequo com o russo Eduard Khrennikov.

Líder do ranking mundial feminino da Federação Internacional de Orientação, a sueca Tove Alexandersson esteve absolutamente demolidora, arrebatando pela terceira vez consecutiva o título mundial de Sprint e fazendo-o com a mais dilatada vantagem da história dos Campeonatos, desde que esta distância foi introduzida em 2002 (Borovetz, Bulgária). Alexandersson cumpriu o seu percurso em 13:51, batendo a norueguesa Audhild Bakken Rognstad, segunda classificada, pela expressiva margem de 48 segundos. A sueca Josefine Engstrom concluiu na terceira posição, com mais 53 segundos que Alexandersson. Campeã europeia de Sprint em título, a russa Iuliia Tarasenko esteve “ausente” desta final, concluindo na 19ª posição (!) a 4:57 da vencedora.

Nos Mundiais de Juniores que decorrem em paralelo com o WSOC 2015, vitórias do russo Vladislav Kiselev e da norueguesa Anine Ahlsand (Noruega). De resto, as juniores norueguesas jogaram uma cartada muito alta neste primeiro dia do seu Campeonato, preenchendo o pódio por completo. O mesmo aconteceu com as jovens russas, nos Europeus da categoria que tiveram igualmente hoje o seu início, que açambarcando os três lugares do pódio e vendo Anna Petrova subir ao lugar mais alto. No sector masculino, a vitória coube ao sueco Henning Sjökvist .


Resultados

Elite Masculina
1. Andrey Lamov (Russia) 16:04
2. Stanimir Belomazhev (Bulgária) 16:08 (+ 00:04)
3. Erik Rost (Suécia) 16:19 (+ 00:15)
4. Peter Arnesson (Suécia) 16:31 (+ 00:27)
4. Eduard Khrennikov (Rússia) 16:31 (+ 00:27)
6. Andreas Holmberg (Suécia) 16:44 (+ 00:40)

Elite Feminina
1. Tove Alexandersson (Suécia) 13:51
2. Audhild Bakken Rognstad (Noruega) 14:39 (+ 00:48)
3. Josefine Engstrom (Suécia) 14:44 (+ 00:53)
4. Tatyana Oborina (Russia) 14:51 (+ 01:00)
5. Mariya Kechkina (Russia) 15:01 (+ 01:10)
6. Milka Reponen (Finlândia) 15:16 (+ 01:25)


[Foto: Nordenmark Adventure / facebook.com/NordenmarkAdventure]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

WSOC 2015: Rússia abre com chave de ouro Mundiais de Orientação em Esqui



Andrey Lamov e Iuliia Tarasenko foram os grandes vencedores da Estafeta Mista de Sprint, oferecendo à Rússia a primeira grande conquista dos Campeonatos do Mundo de Orientação em Esqui WSOC 2015 que tiveram hoje início em Budor, na Noruega.


Dezanove anos volvidos, os Campeonatos do Mundo de Orientação em Esqui regressaram à Noruega para a realização da sua 21ª edição. Hamar e Løten são palco, até ao próximo domingo, da mais importante competição mundial desta disciplina, acolhendo 121 atletas de 23 países. Paralelamente, têm lugar os Campeonatos do Mundo de Júniores de Orientação em Esqui JWSOC 2015 e os Campeonatos da Europa de Jovens de Orientação em Esqui EYSOC 2015, no qual competem outros 167 atletas, em representação de 18 países.

A prova de Estafeta Mista de Sprint marcou o arranque dos Campeonatos, vendo a Russia recuperar o título mundial quatro anos depois. Com uma prova praticamente sem erros, Andrey Lamov e Iullia Tarasenko vingaram o desconsolador quinto lugar conquistado nos recentes europeus, chegando à vitória com o tempo de 48:51,9. Na segunda posição, com mais 45 segundos, classificou-se a Finlândia (Staffan Tunis parece ter ultrapassado a “maldição” dos Europeus, onde obteve quatro quartas posições), enquanto a Suécia, campeã da Europa e do Mundo em título, se quedou pela terceira posição, com o tempo de 50:25,7.


Resultados

1. Russia (Andrey Lamov e Iuliia Tarasenko) 48:51,9
2. Finlândia (Staffan Tunis e Mira Kaskinen) 49:37,0 (+ 00:45,1)
3. Suécia (Erik Rost e Josefine Engström) 50:25,7 (+ 01:33,8)
4. Cazaquistão (Mikhail Sorokin e Olga Novikova) 51:32,9 (+ 02:41,0)
5. Noruega (Hans Jørgen Kvale e Audhild Bakken Rognstad) 51:48,0 (+ 02:56,1)
6. República Checa (Jakub Skoda e Hana Hancikova) 52:18,3 (+ 03:26,4)

Os Campeonatos do Mundo WSOC 2015 prosseguem amanhã com a disputa das finais de Sprint. Também amanhã, arrancam os Mundiais de Juniores e os Europeus de Jovens, igualmente com a disputa dos títulos de Sprint. Saiba tudo em http://www.orientering.no/ski-o-vm2015/.

[Foto: Gro Ellegaard / plus.google.com]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido