O atleta do mês de Setembro
dispensa apresentações. Dois títulos de Campeão da Europa, dois
títulos de Campeão do Mundo, a revalidação do triunfo na Taça da
Europa e a manutenção da sólida liderança no Ranking Mundial da
IOF fazem de Anton Foliforov o maior nome da Orientação em BTT da
atualidade. Das primeiras pedaladas, sob o olhar atento e sabedor do
pai, aos mais extraordinários momentos da sua carreira até ao
momento, venha ouvir aquilo que Anton tem para nos dizer.
Nome: Anton Foliforov
País: Rússia
Data de Nascimento: 3 de Janeiro
de 1987
Disciplina: Orientação em BTT
Melhores resultados: Campeão do
Mundo de Orientação em BTT na Distância Longa (2010, 2014 e 2015),
Distância Média (2015), Sprint (2011 and 2014) e Estafeta (2009 and
2010); Campeão da Europa de Orientação em BTT na Distância Longa
(2015) e Distância Média (2015). Vencedor da Taça do Mundo em 2014
e 2015.
Classificação no Ranking Mundial
da IOF: 1º lugar.
Texto e foto de Joaquim Margarido
Nascido em Kovrov, 250 km a leste da
capital russa, Moscovo, Anton Foliforov parecia ter o destino traçado
à partida. Desde cedo se habituou a acompanhar o pai, treinador de
sucesso na área do Ciclismo de Estrada, e foi com naturalidade que
recebeu a sua primeira bicicleta aos seis anos de idade. Pedalar “com
os mais crescidos” está entre as suas gratas recordações de
infância, bem como o grupo de jovens criado pelo clube e do qual
Anton, com dez anos de idade, passou a fazer parte. “Eu era tão
pequeno que tinha de me sentar no próprio quadro da bicicleta”,
recorda a esse propósito.
Os anos foram passando até que, no
início de 2003, um acontecimento veio marcar em definitivo a vida de
Anton. A inesperada visita ao clube do treinador de Orientação em
BTT trouxe com ela uma proposta. Fontainebleau recebera, no ano
anterior, a primeira edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação
em BTT e novas oportunidades pareciam surgir. Quem ousa experimentar?
Sem nada a perder, Anton lançou-se à descoberta. “Gostar de
mapas” poderá ter sido decisivo nesta sua aposta. Desde essa
altura, a Orientação em BTT passou a ser o seu desporto e o
misterioso visitante é, ainda hoje, o seu treinador.
As primeiras pedaladas
Em 2003, Kovrov recebeu os Campeonatos
da Rússia de Orientação em BTT e Anton Foliforov teve a
oportunidade de participar naquela que foi a sua primeira competição.
Inscrito no escalão de Elite, a correr ao lado de nomes como Maxim
Zhurkin, Viktor Korchagin ou Ruslan Gritsan, o jovem Anton alcançou
a medalha de prata e, com ela, a motivação necessária para se
dedicar ainda mais intensamente à Orientação em BTT. Ainda nesse
ano, nos meses de Setembro e Outubro, teve a oportunidade de
participar nas três últimas rondas da Taça do Mundo. A 32ª
posição numa das etapas individuais foi o melhor resultado
alcançado, mas a experiência de competir na Polónia, República
Checa e Itália valeram pela aprendizagem de novos mapas e terrenos,
pelos contactos com as figuras emergentes da Orientação em BTT
mundial e pelas doses reforçadas de motivação.
Em 2005, Anton ruma a Banska Bystrica,
na Eslováquia, onde integra pela primeira vez a seleção nacional
da Rússia presente num Campeonato do Mundo de Orientação em BTT. O
primeiro resultado de vulto surge no ano seguinte, em Joensuu, na
Finlândia, com o 5º lugar na prova de Distância Média.Teremos de
aguardar até 2009 para vermos Anton Foliforov conseguir a sua
primeira subida ao lugar mais alto do pódio, naquele que o atleta
recorda como o melhor momento da sua carreira até à data: “Foi em
Ben Shemen, Israel, com a medalha de ouro na Estafeta. Corri o último
percurso e recebi o testemunho com seis minutos de atraso em relação
à liderança, mas no final fui capaz de chegar em primeiro. Foi algo
de verdadeiramente inesperado”. Mas os episódios menos bons também
existiram, o pior dos quais foi o seu afastamento da final de
Distância Longa nos Campeonatos do Mundo em Itália, em 2011: “Tive
um problema mecânico na fase de qualificação e não consegui
terminar a prova. Fiquei afastado da Final A e, consequentemente, da
possibilidade de defender o meu título mundial. Foi um episódio
muito triste e não inteiramente correto, na minha opinião”,
lembra.
Três perguntas, três respostas
- Tem preferência por algum tipo
particular de terreno ou de distância?
“De momento, prefiro os terrenos
desnivelados, independentemente da distância, qualquer que ela seja.
Mas confesso que acho mais interessante e divertida a Estafeta Mista
de Sprint. Em qualquer caso, procuro dar sempre o meu melhor em cada
prova.”
- Do seu ponto de vista, que
particulares características possui e que fazem de si o melhor
orientista em BTT da atualidade?
“As características são únicas em
cada atleta e variam de atleta para atleta. Honestamente, não
consigo particularizar essas características no meu caso pessoal.
Trabalho duramente a minha parte física e procuro manter a cabeça
fria em cada momento ao longo da prova.”
- Tem alguns apoios ou
patrocinadores que o possam colocar na situação de profissional da
Orientação em BTT?
“Um dos grandes apoios está no
próprio grupo de seleção. Sente-se uma enorme energia e vontade de
trabalhar e procuramos treinos de qualidade a pensar nas grandes
competições. Para além disso, há o apoio da Federação Russa de
Orientação, mas também da Federação Regional e do Departamento
Regional do Desporto, aos quais devo uma sincera palavra de
agradecimento. Vistas bem as coisas, penso que sim, que posso
considerar-me um profissional da Orientação em BTT.”
Sorte na Distância Média
Liberec, na República Checa, tornou-se
um marco importante na carreira de Anton Foliforov. Aí, no passado
mês de Agosto, o atleta conquistou dois dos seis títulos mundiais
que ostenta no currículo, revalidando a medalha de ouro na prova de
Distância Longa e alcançando, pela primeira vez, o ouro na
Distância Média. Estas conquistas projetam-no para o lugar do
atleta com maior número de títulos mundiais de sempre da Orientação
em BTT masculina, a par do seu compatriota Ruslan Gritsan. Por isso,
os momentos que marcam os recentes Campeonatos do Mundo são as
subidas ao lugar mais alto do pódio e o cantar, juntamente com os
seus colegas de equipa, o hino nacional russo.
Sobre as mais recentes conquistas,
Anton realça um momento: “Penso que conquistar um título mundial
é tudo menos fácil, mas devo reconhecer que tive muita sorte com a
medalha de ouro ganha na prova de Distância Média. O Luca
Dallavalle esteve no comando durante toda a prova, mas teve um
problema com um pneu já no último ponto o que o impediu de vencer.
Mas este é um desporto onde o binómio homem-máquina está sempre
presente e ninguém está livre de ter um problema com a bicicleta.”
“Se queremos integrar o programa
olímpico, então teremos de fazer com que a modalidade seja mais
espetacular”
Mas Liberec ofereceu também a
oportunidade de refletir sobre o atual momento da Orientação em
BTT. Ter Brian Porteous, o Presidente da Federação Internacional de
Orientação, inscrito nos Mundiais de Veteranos que se realizaram em
paralelo com a competição maior “foi muito positivo, mostra que
ele está interessado nesta disciplina e que nos apoiará no futuro”,
refere Anton. O atleta olha de forma muito positiva para as novas
diretrizes de cartografia, as regras relativas à circulação fora
dos caminhos e mesmo o sistema touch-free, entre outros, não tendo
dúvidas em afirmar que “a Orientação em BTT está no bom
caminho”. Mas adverte: “Se os organizadores permitem que se
pedale fora dos trilhos, então os competidores devem mesmo pedalar e
não carregar a bicicleta à mão; doutra forma, a circulação fora
dos trilhos deve ser proibida.”. E ainda uma palavra acerca dos
Jogos Olímpicos: “Se queremos integrar o programa olímpico, então
teremos de fazer com que a modalidade seja mais espetacular.”
A temporada caminha para o final e
Anton recorda os longos períodos passados longe da família e dos
amigos, “que me apoiam a tempo inteiro”. Agora é tempo para “uma
ou duas semanas longe da bicicleta, a repousar na praia”. Mas o seu
pensamento dirige-se já para os desafios que se avizinham: “Vou
começar a preparar-me convenientemente para todas as competições
de Orientação em BTT do próximo ano e quero fazer ainda melhor. O
ano de 2005 foi o melhor até hoje na minha carreira, mas tentarei
melhorar os resultados no futuro, embora saiba que isso não vai ser
fácil.” E são sobre o futuro as suas últimas palavras:
“Continuarei a fazer Orientação em BTT enquanto for capaz de
competir com os melhores”.
[Publicação devidamente autorizada
pela Federação Internacional de Orientação. O artigo pode ser
lido no original em
http://orienteering.org/iof-athlete-of-the-month-anton-foliforov-russia/]












