Da BTT, através da Orientação,
para a Orientação em BTT – desta forma Baptiste Fuchs, o nosso
atleta de Maio de 2015, descobriu o seu desporto. “Apreciei desde
logo o lado lúdico, divertido, da Orientação em BTT e sentia que
podia passar horas e horas na floresta à procura dos pontos sem dar
pelo tempo passar”, afirma. No passado domingo, foi ele o vencedor,
juntamente com a equipa da França, da Estafeta Mista que encerrou a
ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2015. E
muito mais há a esperar dele no futuro próximo...
Nome: Baptiste Fuchs
País: França
Data de Nascimento: 31 de
Janeiro de 1987
Disciplina: Orientação em BTT
Melhores resultados: Campeonatos
do Mundo de Orientação em BTT – Distância Longa 2º (2014),
Distância Média 10º (2014), Sprint 14º (2014), Estafeta 3º
(2014). Campeonatos da Europa de Orientação em BTT -
Distância Longa 11º (2013), Distância Média 34º (2014), Sprint
19º (2014), Estafeta 4º (2014). Taça do Mundo – 8º
(2014).
Classificação no Ranking Mundial:
5º lugar
Texto e foto de Joaquim Margarido
Baptiste Fuchs nasceu no último dia de
Janeiro de 1987, em Ambilly e aí viveu os primeiros 20 anos da sua
vida em plena natureza, ante o olhar majestático dos Alpes do Norte.
Juntamente com as três irmãs, foi desde muito cedo estimulado pelos
pais a praticar desportos de natureza e, das caminhadas e passeios de
bicicleta, aos mais “radicais” alpinismo, escalada e parapente,
de tudo fez - e continua a fazer! - a família Fuchs.
No percurso de vida de Baptiste,
todavia, há um acontecimento que terá sido determinante nas opções
pessoais e desportivas tomadas a partir de então. Mas deixemos que
seja ele a contar: “Quando tinha 10 anos, fui de bicicleta até ao
Mediterrâneo com o meu pai. Fazíamos uma média de 100 km
diariamente, comprávamos a comida à beira da estrada e dormíamos
em abrigos ou na tenda que levávamos. Para mim era como fazer a
Volta à França e passei a alimentar o sonho de poder vir a ser
ciclista!” Baptiste Fuchs começou a fazer Ciclismo aos 12 anos e,
com 19 anos de idade, chegava à Elite nacional de França. Dividido
entre o Ciclismo e a necessidade de prosseguir os seus estudos,
porém, acabou por se dedicar ao Curso de Educação Física, sendo
hoje professor. Colocado na região de Paris, foi aí que descobriu a
Orientação: Nos bosques de Fontainbleau.
Uma bela noite…
Tudo começou com um convite: Fazer
parte duma equipa numa prova noturna de Orientação Pedestre era o
desafio. Os mais familiarizados com a Orientação conseguem
compreender quais os ingredientes reunidos: a camaradagem, o jogo de
equipa, a competição, o desafio de encontrar os pontos, tudo isto
num cenário de sombras e penumbra. E quando o líder da equipa
passou o mapa para as mãos de Baptiste, fez-se luz: “Tinha deixado
o Ciclismo de competição há algum tempo e sentia a necessidade de
encontrar um desporto que encaixasse nos meus gostos e na minha
disponibilidade.” A Orientação assumia-se agora como “o tal
desporto”.
Para Baptiste, foi uma surpresa tomar
conhecimento que a Orientação também se praticava sobre rodas.
Todo o terreno. “Como vinha do Ciclismo de estrada, a Orientação
em BTT era uma evidência do ponto de vista pessoal”, refere, a
propósito desta inesperada descoberta. Desde que deixara as “suas”
montanhas e se mudara para Paris, o contacto com a natureza tinha-se
reduzido praticamente a zero e surgia agora a oportunidade de ser
recuperado. Mas havia mais: “Apreciei desde logo o lado lúdico,
divertido, da Orientação em BTT e sentia que podia passar horas e
horas na floresta à procura dos pontos sem dar pelo tempo passar.”
Possuidor das qualidades físicas e domínio da bicicleta necessários
a um bom desempenho, faltava a Baptiste a técnica de orientação.
Mas isso aprende-se e aperfeiçoa-se com o treino e as provas.
Motivado, passa a ser presença habitual em todas as competições.
Adora o ambiente saudável entre os corredores. Sobretudo, aprecia
esse facto indesmentível: “O mais forte fisicamente não é,
necessariamente, aquele que vence!”
Começar… aos 24 anos
As primeiras pedaladas a sério, com
mapa e bússola, datam de 2011. Baptiste tem nessa altura 24 anos (!)
e a questão não pode deixar de se colocar: Não é demasiado tarde
para começar? O atleta desfaz as dúvidas: “Na verdade, comecei a
fazer Orientação em BTT aos 24 anos e não esperava progredir de
forma tão rápida! Mas comecei com um bom nível físico, embora
isso constituisse inicialmente uma desvantagem porque a tendência
para andar demasiado rápido era enorme e acabava por me perder.
Procurava recuperar o tempo perdido andando mais depressa ainda e…
perdia-me de novo. Realmente, as minhas primeiras provas não foram
muito bem conseguidas”, confessa.
À medida que foi aperfeiçoando a
técnica de orientação, porém, Baptiste acabou por retirar o maior
partido das suas qualidades físicas, tornando-se naquilo que é
hoje. E ambição para chegar cada vez mais longe não lhe falta:
“Alguns defendem que são necessários 10 anos para formar um
campeão. Quando vejo o que o Ruslan Gritsan é ainda capaz de fazer
aos 37 anos, digo a mim mesmo que tenho ainda muito tempo à minha
frente para progredir”, assegura.
Uma medalha inesperada
Do 11º lugar alcançado em 22 de
Outubro de 2011, na Distância Longa dos Campeonatos de França –
naquela que foi a sua primeira prova pontuável para o Ranking
Mundial -, até ao 2º lugar nos Campeonatos do Mundo, na Polónia,
em 29 de Agosto de 2014, vai todo um caminho ascensional de enorme
sucesso. Com Baptiste Fuchs mergulhamos nessa “jornada de prata”,
afinal o momento alto da sua carreira até ao momento.
- Que memórias guarda desse dia?
“Foi um dia bastante especial.
Contrariamente ao sucedido nos dias anteriores, com as provas de
Sprint e de Distância Média, acordei com uma sensação de enorme
confiança, de que este era o meu dia. Já na véspera ficara
admirado com o 10º lugar conseguido na prova de Distância Média,
sobretudo porque tinha cometido demasiados erros. Sabia que se
fizesse uma prova limpa, não havia razão nenhuma para falhar o meu
objectivo inicial e que era um lugar no top 10. Apresentei-me na
partida com essa vontade de fazer as coisas bem, de realizar uma
prova sem erros, de acordo com o meu plano de corrida e sem pensar no
resultado, apenas pelo prazer de sentir o momento. E foi uma aposta
ganha: agarrar a prova com esse desejo de dar o melhor de mim, de
fazer uma prova plenamente conseguida e sem objectivos de ganhar a
quem quer que fosse. A medalha de prata não é mais do que um bónus.
Prefiro terminar uma prova no 20º lugar mas contente comigo mesmo,
em vez de chegar ao pódio sem a satisfação de ter feito uma boa
prova.”
- Esperava conseguir a medalha de
prata?
“Não, de maneira nenhuma. O meu
melhor resultado até essa altura tinha sido o 7º lugar numa etapa
da Taça do Mundo! Penso que a dificuldade desta prova, em
particular, não esteve na escolha de itinerários, mas sim no número
de pontos de controlo (37): Era necessário manter a lucidez e a
concentração do princípio ao fim. E isso percebe-se perfeitamente
quando analisamos a prova do Jiri Hradil, o melhor à passagem pelo
ponto de espectadores mas que deita tudo a perder no ponto 31. Talvez
eu tenha conseguido fazer menos erros que os meus adversários,
mantendo-me concentrado até ao fim e levando à letra o meu plano de
corrida: optar sempre pelo caminho mais curto, antecipar,
alimentar-me e hidratar-me.”
- Uma dos reflexos dessa medalha tem
a ver com a sua posição no ranking. Qual o significado de ser o nº
5 do Mundo, atualmente?
“Isso é também uma surpresa. Mas é
sobretudo demonstrativo da minha regularidade ao longo da temporada e
vem provar que a minha medalha de prata não aconteceu por acaso.
Quando entrei nas primeiras competições internacionais, via os
atletas do Red Group de tal maneira fortes que estava longe de
imaginar que um dia viria a integrá-lo. Isso vai permitir-me,
sobretudo, estar em contacto este ano com os melhores do Mundo e
beneficiar dessa motivação suplementar.
Treino-tipo
Baptiste Fuchs não tem treinador
pessoal e é ele mesmo quem traça os seus próprios planos de
treino. Mas não deixa de admitir que ter alguém que o questionasse,
o aconselhasse e, sobretudo, que o obrigasse a treinar quando a
vontade escasseia, pudesse ser importante. Confessa-se um apaixonado
por tudo o que concerne a preparação física, nutrição,
recuperação, preparação mental. Os seus estudos na Universidade
de Desporto de Lyon permitiram-lhe adquirir um determinado número de
conhecimentos que procura agora aprofundar e complementar com o tempo
e a experiência. “É apaixonante percebermos como funciona o nosso
corpo e medir nele os efeitos do treino”, refere, ao mesmo tempo
que elege o Power Meter como “essencial” no seu processo de
preparação física.
O esquema de treino de Baptiste leva em
conta o treino de outra grande atleta francesa, Gaëlle Barlet, e
reparte-se por ciclos de quatro semanas cada, com três semanas de
preparação física progressiva e uma semana de recuperação. Em
geral, uma semana-tipo não se afasta muito do seguinte esquema:
Segunda feira – Recuperação, reforço muscular e análise de
provas. Terça feira de manhã – Treino individual; terça feira à
noite – Treino com Gaëlle. Quarta feira de manhã – Reforço
muscular; quarta feira à tarde – Treino com Gaëlle. Quinta feira
de manhã – Treino individual; quinta feira à noite – Treino com
Gaëlle. Sexta feira – Recuperação, reforço muscular e simulação
de prova. Sábado e Domingo – Competição.
“O maior inimigo do atleta é ele
próprio, a sua mente”
No processo de treino, a parte mental
desempenha um papel fundamental e Baptiste consegue identificar
perfeitamente os seus vectores mais importantes: “Nem sempre é
fácil ter a necessária motivação para seguir à risca o plano de
treino, sobretudo quando chove, neva ou as condições são difíceis.
É nessa altura que vemos o quão importante é a parte mental”,
diz. Todavia, o seu passado no Ciclismo ensinou-o a “gostar de
sofrer” em cima duma bicicleta e isso revela-se nestas alturas
particularmente útil. Dirigir as atenções sobre momentos
agradáveis, provas bem conseguidas, imagens da competição, são
estratégias que ajudam o contornar os momentos difíceis, às quais
acrescenta o facto de saber que os seus adversários se treinam
igualmente no duro. Resultado: “A motivação aparece num
instante”, vinca.
Mas não é apenas por questões
motivacionais que Baptiste faz incidir uma atenção muito especial
sobre a preparação mental do desportista. Na sua opinião, ela
condiciona extraordinariamente a performance durante a competição:
“Todos nós temos, dum modo geral, o mesmo nível físico e técnico
à partida para um Campeonato do Mundo. Aquilo que marca a diferença
tem a ver com a capacidade de permanecer concentrado durante toda a
competição, não se deixar perturbar por um erro cometido, um
adversário com quem se cruza, uma falha mecânica. O maior inimigo
do atleta é ele próprio, a sua mente”, diz. É aqui que Baptiste
encontra as causas da sua progressão, sobretudo na temporada
passada: “A confiança adquirida permitiu-me avançar sempre com a
certeza da melhor opção e não voltar a perder 15 segundos a
analisar o mapa sempre que percebia que aquele não seria o caminho a
tomar”, conclui.
Nem só de Orientação em BTT vive
o homem
A actividade física e a prática
desportiva levam Baptiste Fuchs a não limitar à Orientação em BTT
as suas atenções. Esqui de fundo e Orientação em Esqui são duas
disciplinas que fazem parte das preferências do atleta no Inverno,
fazendo questão de salientar que “a técnica de orientação,
tanto no Esqui como na BTT, é a mesma e o exemplo está no Hans
Jorgen Kvale, um atleta brilhante em ambas as disciplinas.” Provas
pedestres, passeios em esqui e alguns raids – “para desenvolver a
endurance e a resistência mental” -, no Inverno e bicicleta na
Primavera são actividades complementares, tais como o parapente e a
escalada, estas duas condicionadas pelo tempo que não é elástico e
não dá para tudo. Sobretudo, ressalta o facto de Baptiste Fuchs não
suportar estar fechado: “Gosto de qualquer desporto, a partir do
momento em que saia de casa e mergulhe na natureza, de preferência
sem ter de pegar no carro”, remata.
- O que pensa da BTT “pura e
dura”? Considera-a essencial como parte do treino do orientista em
BTT com ambições?
“Eu não faço BTT. Treino-me
exclusivamente em bicicleta de estrada e penso que está aqui a prova
de que se pode ser bem sucedido na Orientação em BTT sem praticar
BTT!!! Tenho consciência dos meus pontos fracos em termos de domínio
da máquina: não tenho a mesma agilidade do Kristof Bogar nas
descidas, por exemplo. Mas não creio que isso seja determinante na
Orientação em BTT. São tantos os aspectos que devo trabalhar para
conseguir ganhar alguns segundos que não tenho qualquer problema em
colocar de parte este assunto.”
BTT e Orientação em BTT: Duas
realidades bem distintas
Para além da necessidade de
prosseguir os estudos, na decisão de Baptiste em deixar o Ciclismo
pesou o mau ambiente reinante, por vezes, entre os corredores.
“Talvez uma certa mentalidade seja consequência do dinheiro e dos
prémios em jogo nas provas”, alvitra. Isto leva-o a reflectir
sobre o ambiente no seio da Orientação em BTT: “É fantástico
que se mantenha preservado um bom ambiente na nossa modalidade.
Ganhar uma caneca e um frontal quando se é o 2º classificado do
Campeonato do Mundo pode parecer inacreditável para qualquer
ciclista habituado a receber os prémios em dinheiro, mas eu penso
que é precisamente aqui que reside um dos encantos da Orientação
em BTT. Não se pode viver dela, gasta-se imenso dinheiro em
deslocações para os quatro cantos do mundo onde as provas têm
lugar, mas quem está disposto a fazer sacrifícios financeiros desta
envergadura, fá-lo forçosamento por prazer, por paixão.” E
conclui: “Enquanto as coisas continuarem assim e o doping e outros
derivados se mantiverem afastados do nosso desporto, tanto melhor.”
O tema de conversa continua a ser a BTT
e não podemos deixar de abordar o fenómeno de massas que ela
constitui, enquanto a Orientação em BTT continua a atrair um número
de praticantes deveras reduzido. Baptiste encontra a explicação no
facto de a BTT ser “uma disciplina largamente mediatizada, que
soube adaptar-se de forma a tornar as provas mais dinâmicas, mais
sensacionais. Os circuitos são mais curtos, o que permite a
transmissão televisiva em direto das provas.” E acrescenta: “Os
jovens podem facilmente identificar-se com os seus campeões,
inscrevendo-se nos clubes e procurando imitá-los.” Em
contrapartida, “a Orientação em BTT não é facilmente
retransmitida, visto nunca sabermos as opções de cada concorrente.
Temos de admitir que colocar uma câmera junto a um ponto de controlo
para ver um plano fixo durante dois minutos não é propriamente
apaixonante. Penso que é este o grande travão ao desenvolvimento da
sua prática”, conclui.
O risco faz parte do jogo
Quando vemos um atleta a progredir por
um single track, filmado pela sua própria GoPro, sente-se uma
espécia de vertigem, tal a velocidade a que as coisas se desenrolam.
Velocidade é sinónimo de risco e o risco faz parte do jogo, todos o
sabemos, mas que risco é necessário correr para se ser Campeão do
Mundo? Baptiste elege a anterior Atleta do Mês da Federação
Internacional de Orientação, Hanka Doležalová, “vítima dum
acidente dramático em Portugal”, como exemplo do risco sempre
presente. Para ele, “conduzir uma BTT não é tarefa fácil, mas
conduzir e ler um mapa ao mesmo tempo torna tudo ainda mais difícil.
Perguntem a Julien Absalon se é capaz de ler um jornal e resumi-lo
no final durante um Campeonato do Mundo. Não tenho a certeza que ele
chegue inteiro ao fim e ganhe a prova!”
A sua experiência leva, naturalmente,
o fator risco em conta: “Quando parto para uma prova, é sempre com
alguma apreensão que o faço. A partir do momento em que olho o
mapa, porém, acabo por esquecer alguns preceitos de segurança e por
correr riscos escusados. Uma das coisas que procuro fazer é
memorizar o máximo de informação possível para não ser obrigado
a olhar para o mapa durante as descidas, por exemplo. Mas
infelizmente isto nem sempre basta”, conclui.
França, uma equipa
forte
O trabalho de endurance no
Inverno repartiu-se entre o Esqui de Fundo, a corrida e a bicicleta.
O atleta procurou participar no máximo de provas de Orientação
Pedestre possível, sobretudo provas de Sprint urbano, aquelas que
mais se assemelham à Orientação em BTT no que à tomada de opções
e rapidez de decisão diz respeito. Com a chegada da Primavera,
arrumam-se os esquis e Baptiste concentra-se exclusivamente na
bicicleta.
Os últimos tempos
reparte-os entre Espanha e Portugal, juntamente com todos os seus
colegas de seleção. É dessa equipa francesa que fala: “É uma
equipa forte, recheada de jovens que estão a progredir muito
depressa e que fazem frente aos mais antigos. Teremos este ano,
seguramente, uma equipa de Estafetas muito homogénea.” Percebe-se,
contudo, que o que torna esta equipa tão particular é a sua
capacidade de entreajuda. Baptiste confirma: “O ambiente é
excelente e não hesitamos em organizarmo-nos e avançarmos para
estágio em grupo, independentemente dos encontros organizados pela
nossa Federação. Temos também esse hábito de nos reunirmos fora
das competições. A criação da equipa Elite MTBO é um sonho
tornado realidade e só espero que esta dinâmica positiva seja para
durar”, observa.
“Tenho pressa
de fazer a minha primeira prova WRE”
- Como avalia a sua
forma física atual?
“Sinto-me bastante bem. Tenho a
felicidade de nunca adoecer e de muito raramente me magoar, pelo que
consegui seguir à risca o meu plano de treino até ao momento. Estou
com alguns quilos a menos em relação à época passada, por esta
altura e atrevo-me a acreditar que a minha preparação está também
mais adiantada comparativamente à última temporada. Tenho pressa de
fazer a minha primeira prova WRE para poder comparar-me à
concorrência internacional.”
- A julgar pelos resultados,
parece-me que será nas provas de Distância Longa que se sente mais
confortável. É verdade?
“Sim, é um facto que, no plano dos
resultados, sou melhor nas provas de Distância Longa. Penso que
quando começamos na Orientação é importante simplificarmos as
coisas ao máximo e as provas de Distância Longa são aquelas onde
mais facilmente podemos exprimir o nosso potencial físico, em
detrimento da parte técnica. Mas à medida que vou progredindo,
retiro cada vez maior prazer duma prova de Sprint urbano que duma
prova de Distância Longa, por exemplo, pelo seu lado lúdico.
Importa dizer que as opções de itinerário não tiveram uma
importância decisiva nos últimos anos em relação às provas de
Distãncia Longa. Na Polónia, o número de pontos de controlo e o
fraco desnível faziam com que as opções nas pernadas longas não
tivessem um caráter decisivo. Neste contexto, é mais fácil para um
“não-orientista” ser bem sucedido. Mas as coisas irão ser
diferentes em Portugal. Olho para exemplos de mapas de Distância
Longa e, tranquilamente sentado no meu escritório com o mapa à
minha frente, não consigo desenhar uma opção para o primeiro ponto
que seja claramente a melhor. Por outro lado, penso que Portugal é
um país que se adapta bem às minhas características. Quando fazia
Ciclismo, era sobretudo um bom trepador. Gosto quando estamos perante
subidas a sério, quando há bastante desnível. Vivo nos Alpes e os
colos à minha volta são o meu terreno de treino.”
Triângulo de emoções
Num ano em que Portugal forma, com a
Hungria e a República Checa, um triângulo de competições de alto
nível que dominam a temporada 2015, tempo agora para abordar os
grandes objetivos. Já se percebeu que Baptiste nutre alguma
preferência por Portugal e que haja uma aposta forte nos Campeonatos
da Europa que aí terão lugar no mês de Junho. Para o atleta,
“estão reunidas todas as condições para que eu possa apreciar
estes Campeonatos da Europa, mas tenhi igualmente boas recordações
da Hungra, onde disputei o meu primeiro campeonato do Mundo, em 2012.
Fiz o primeiro percurso da prova de Estafeta e garanti a liderança,
sendo o primeiro a entregar o testemunho e depois fui o segundo
classificado nas qualificatórias de Distância Longa, ante a
surpresa geral”, recorda. Mas por muitas e boas expectativas que
Baptiste possa ter relativamente às competições portuguesa e
húngara, é na República Checa que se centram as suas maiores
atenções: “A República Checa é o país da Orientação em BTT.
Estão habituados a organizar eventos de grande categoria
(nomeadamente os 5 Dias de Plzeň) e não irei ficar desiludido com a
forma como os Campeonatos do Mundo se desenrolarão”,
assegura.
“Divertir-me, sobretudo, já que os resultados
serão a consequência lógica de provas bem conseguidas”, a tanto
se resumem os objetivos de Baptiste Fuchs para a temporada em curso.
O mais difícil, reserva-se para si próprio: “Confirmar que o meu
pódio nos últimos Campeonatos do Mundo não foi fruto do acaso!”
Para que tal aconteça, Baptiste sabe que não pode descurar a forte
concorrência, admitindo que “os 20 primeiros classificados do
ranking mundial são todos eles capazes de subir ao pódio dos
Campeonatos”. Uma vez mais, “o meu principal adversário serei eu
próprio”. Mas se Baptiste apresentar o mesmo estado de espírito
de 2014, então ele sabe – todos sabemos! - que uma medalha é bem
possível. E ficamos com a expressão do seu maior desejo: “Realizar a prova perfeita! Mas será que isso existe?”
Perguntas & Respostas
Hanka Doležalová, Atleta do Mês de
Abril, colocou as seguintes questões a Baptiste Fuchs: “Está a
pensar em participar nos 5 Dias de Plzeň em 2015? O que é que
aprecia mais neste evento?” O
atleta responde: “Com efeito, tenho prevista a minha participação
nos 5 dias de Plzeň como
forma de preparação para os Campeonatos do Mundo que irão decorrer
na República Checa, em Agosto. A primeira vez que participei nesta
competição foi em 2013 e achei o ambiente excelente. Os atletas são
todos alojados no mesmo sítio e tomam as refeições em conjunto, as
crianças a partir dos 4 anos participam em pequenas bicicletas sem
pedais, no meio dos outros concorrentes. Percebe-se que a Orientação
em BTT é bastante mais popular na República Checa que em França.
Gostei igualmente das “originalidades” propostas pelos
organizadores, nomeadamente a classificação do melhor tempo no
corredor de chegada, o chasing start do último dia, a Estafeta de
triatlo ou o formato de ordem semi livre, que me colocou enormes
problemas.”
Finalmente, as questões de Baptiste
Fuchs a Emily Kemp, a atleta do Mês de Junho: “Sei que viveu em
França e que, de momento, habita na Finlândia. O sonho dos
orientistas franceses é precisamente poderem rumar à Finlândia ou
à Suécia para continuarem a progredir. Há diferenças na forma
como os atletas franceses e os atletas finlandeses se treinam? As
condições de treino para desportistas de alto nível são as mesmas
nos dois países? Quais são os pontos positivos (ou negativos) da
Finlândia em relação à França em termos de progressão na
Orientação?