sábado, 19 de dezembro de 2015

Augusto Almeida: "O presente é vivido com serenidade"



A Federação Portuguesa de Orientação completa hoje 25 anos de vida e o Orientovar assinala a efeméride com um convidado de honra. Augusto Almeida, Presidente da FPO, responde a um conjunto de questões numa longa Entrevista onde é escalpelizado o atual momento da Orientação em Portugal.


Numa altura em que a FPO comemora os seus 25 anos, fazemos um breve apanhado da história e percebemos que praticamente metade desse tempo contou com Augusto Almeida na qualidade de Presidente da FPO. Pessoalmente, e duma forma global, como avalia a experiência?

Augusto Almeida (A. A.) - 12 anos é muito tempo, sendo que a razão de ser do último segmento deste tempo é sobejamente conhecida! Um olhar retrospectivo, subjetivo e pessoal, só pode ser positivo pelo resultado alcançado. Muito trabalho e muita dedicação de dezenas de dirigentes, dos funcionários, de membros dos órgãos sociais e de milhares de atletas que na esmagadora maioria o fizeram voluntária e benevolamente. Obviamente que num tão largo período de tempo existiram “entorses” mas nada que tenha impedido que a Orientação se implantasse, se desenvolvesse, crescesse e se afirmasse. O mais importante, na minha opinião, é celebrar este caminho feito com dificuldades quase permanentes mas também de muita tenacidade, trabalho, dedicação e amizade que nos permite olhar o futuro com confiança.

Onde vai arranjar a energia (e a diplomacia) necessária para continuar à frente dos destinos da FPO, conseguindo transmitir confiança, ajudando a “apagar os fogos” que sempre surgem e apontando novas soluções, novos caminhos?

A. A. - O presente, bem como o passado recente, vive-se num ambiente externo complexo, onde os fatores sócio-económicos nos são fortemente adversos, e, felizmente, numa estabilidade interna onde os praticantes filiados são em número menor que os que todos gostaríamos que fossem e onde os participantes nos eventos são menos do que os que queremos mas em números aceitáveis, e onde o voluntariado disponível, a sustentabilidade e a viabilidade económica estão estabilizados em patamares credíveis. O presente é vivido com serenidade e a modalidade tem podido apoiar as atividades mais deficitárias em níveis nunca antes praticados. A energia, diplomacia, força, etc.? Surgem de duas fontes: a paixão pela Orientação e, fundamentalmente, da generosidade, da dedicação, da capacidade, da competência e do carácter dos meus amigos que guarnecem o órgão de gestão da FPO. É um privilégio estar na liderança dum grupo de seres humanos de excelência que assumem responsabilidades, tomam decisões, resolvem problemas e lutam diariamente pela Orientação. Assim é fácil ser Presidente!

Consegue eleger, durante os anos da sua presidência, dois ou três momentos que o marcaram pela positiva e que foram determinantes para a evolução da modalidade em Portugal? E pela negativa?

A. A. - Para mim, como já referi, o mais importante é o trabalho e dedicação de dirigentes, de voluntários e de atletas que na esmagadora maioria o fazem voluntária e benevolamente em prol da modalidade. É esse trabalho, durante estes 25 anos, que constitui o fator determinante da evolução da Orientação. Individualizar momentos que me marcaram pela positiva é complicado porque felizmente são muitos… mas entre eles estarão a democratização do uso do sistema SPORTident em 2003, o equipamento da Federação entre finais de 2006 e 2007, a medalha de ouro do Diogo Miguel no sprint do EYOC’07, o Campeonato do Mundo de Veteranos em 2008 (WMOC’08), os Campeonatos da Europa de Orientação Pedestre e de Orientação de Precisão em 2014 (EOC/ETOC’14) e os Campeonatos da Europa de Orientação em BTT em 2015 (MTBOC’15). Pela negativa, mas exclusivamente do foro pessoal embora ao serviço da modalidade, o acidente de viação que sofri no regresso dos MTBOC’15 de que resultou a perda total da minha viatura e um susto de vida enorme.

Muito se tem falado em crise, nos últimos anos, mas todos sabemos que “a necessidade aguça o engenho” e é nos momentos de crise que se encontram as mais engenhosas soluções para colmatar os problemas que vão surgindo. A verdade, porém, é que a crise continua a “roubar-nos” participantes e não estamos a saber como estancar esta “sangria”. Por outro lado, continuamos a não saber encontrar argumentos para, junto dos eventuais patrocinadores, vendermos a imagem da Orientação. Admite que a FPO tem falhado, nomeadamente nestes dois desígnios?

A. A. - Esta questão dava um livro… Obviamente que, consoante o ponto onde nos posicionemos, assim temos uma perspectiva… A minha é esta: a nossa realidade nacional, infelizmente bem prolongada, é da falência diária de cerca de 35 famílias, largas dezenas de novos desempregados e de muitas dezenas de pessoas a emigrar! Obviamente que as pessoas têm a sua pirâmide de interesses e vão lutando para conseguir garantir os que lhes são vitais e importantes e, quando obrigatório, deixando cair os secundários onde se inclui o desporto, o que é de todo compreensível do meu ponto de vista. Acresce, ainda, que por razões culturais somos um povo pouco dado ao associativismo. Não está nos nossos valores o fazer parte dos movimentos associativos com que nos identificamos. Esta postura da esmagadora maioria dos nossos concidadãos leva a que quase todos os movimentos tenham uma baixa adesão de filiados -que não de simpatizantes- e a Orientação não é excepção. Também o mercado da publicidade se retraiu muito e os recursos financeiros disponíveis para o desporto são disputados ferozmente, com todos os meios disponíveis, por uma multidão de atores com múltiplos interesses. Felizmente, e em resumo, como já referi antes, a sustentabilidade e a viabilidade económica da FPO estão estabilizados em patamares sólidos e credíveis para o nível de ambição estabelecido e estes são os factos. Mas admito, e aplaudirei, que no futuro os responsáveis federativos venham a elevar o nível de ambição e, para tal, garantam a consequente geração de recursos e espero que nesse objectivo apareçam envolvidos os “idealistas” e os “renovadores” que por estes dias mostram alguma insatisfação.

Na abertura do VIII Congresso de Orientação, em Dezembro de 2011, ouvimo-lo abrir o Congresso afirmando, e cito, “especial atenção devem merecer-nos as áreas onde tradicionalmente temos maiores dificuldades como sejam a mediatização (...)”. O Augusto sabe que esta é uma área à qual sou particularmente sensível e cujo balanço que faço, de 2011 até à data, não é realmente famoso. Porque é que, sendo a Comunicação um aspeto reconhecidamente de capital importância para o crescimento e desenvolvimento da modalidade, não tem merecido da parte da tutela um maior empenho?

A. A. - Institucionalmente esta questão melhorou imenso no último ano com a chegada de uma estagiária, tal como, pela mesma razão, melhorou a organização da formação e a sua creditação. No entanto, apesar de se reconhecer a sua importância, continua a ser uma das áreas com lacunas evidentes quer pela escassez dos recursos financeiros existentes quer pela existência e disponibilidade de recursos humanos habilitados. Eu diria que tal como é fácil de identificar a lacuna é difícil de a ultrapassar. O bloqueio cultural que nos afasta de integrar os movimentos associativos com que nos identificamos, que referi antes, revela-se também nesta área onde por exemplo nas redes sociais são muito escassas as partilhas das matérias e assuntos da modalidade quando não são do clube de cada um.

O ano de 2016 trará com ele alguns desafios deveras interessantes e eu pedia-lhe uma opinião sobre três deles, em particular. Comecemos pelo Ori-Trail / Rogaine, a grande novidade em termos competitivos nacionais na próxima temporada. Acredita que foi uma boa opção avançar de forma aparentemente prematura com um quadro nacional e já com seis etapas delineadas? Não teme o fracasso, sabendo que cada uma dessas provas terá, nos fins de semana em que se disputarão, a concorrência de provas de Trail por todo o País, essas sim já com uma implantação e uma aceitação indiscutíveis?

A. A. - O Ori-Trail / Rogaine já vinha sendo estudado internamente na federação e com alguns técnicos há cerca de dois anos e este ano realizaram-se três eventos de teste. Refira-se que em Espanha apresenta índices de participação muito interessantes. O lançamento da Taça de Portugal da disciplina visa disponibilizar mais um formato competitivo aos amantes da Orientação e dos desportos de natureza. Se vai ter muita ou pouca adesão serão os praticantes a decidir mas com o formato livre e aberto adotado, com a possibilidade de se fazer orientação em grupo e com a relativa longa duração dos eventos a que acresce o convívio no final, eu acredito que vai vingar.

Lisboa recebe em Abril uma ronda da Taça da Europa de Orientação de Precisão, sendo esta a disciplina que mais alegrias deu ao nosso país, em termos competitivos, no ano que agora está a chegar ao fim. Como tem acompanhado o fenómeno TrailO e que soluções apontaria para o seu crescimento e afirmação plenas?

A. A. - Felizmente o ano de 2015 foi generoso com a modalidade e deu-nos alegrias no Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão, no Campeonato da Europa de Juniores de Orientação em BTT e no Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre. Foi mais um ano feliz. A Orientação de Precisão em Portugal surgiu fulgurante graças ao trabalho e dedicação de um punhado de pessoas. Este excelente fenómeno não teve a natural companhia de formação inicial adequada e, por via disso, assenta ainda praticamente nesse núcleo duro. Chega agora o momento de sistematizar a formação de técnicos e, com ela, a capacitação dos nossos clubes para organizar eventos. Em paralelo com a formação é necessário desenvolver um trabalho de divulgação e desmistificação junto dos orientistas por forma a despertar-lhes a vontade de experimentar e praticar a Orientação de Precisão. O objectivo de médio prazo para a disciplina é a organização do Campeonato do Mundo de 2019 e para que o possamos concretizar com alguma tranquilidade e qualidade temos de, no curto prazo formar, organizar e capacitar clubes e técnicos.

Finalmente o Campeonato do Mundo de Orientação em BTT 2016, seis anos depois da memorável campanha de Montalegre. Que Campeonatos vão ser estes?

A. A. - Espero que os campeonatos decorram com normalidade. A equipa organizativa é basicamente a mesma que organizou os Campeonatos Europeus de 2015 e que já vem desde 2013, e nos oferece todas as garantias de qualidade. A FPO estabeleceu protocolos de cooperação com os municípios envolvidos -Águeda, Cantanhede e Mealhada- e com eles temos trabalhado no planeamento e preparação dos Campeonatos Mundiais, assim como com alguns parceiros locais já angariados. A FPO estabeleceu os habituais protocolos de cooperação com nove dos seus filiados colectivos para concretizar a organização e onde destaco o Clube de Aventura da Bairrada (CAB) que será o grande dinamizador da modalidade e da disciplina na região. Por agora o planeamento decorre com normalidade. No que se refere à mobilização da sociedade civil e em especial a dividendos para a Orientação em BTT além do CAB é um tema bem mais complexo porque, como nos outros eventos passados, a adesão a ideias e o abraçá-las não depende tanto do pregador mas depende fundamentalmente do destinatário. E aqui voltamos às questões de cidadania… a cada dia que passa são menos as pessoas disponíveis para se entregarem às causas colectivas, para dedicarem algum do seu tempo aos outros.

Pedia-lhe ainda que se pronunciasse sobre uma questão que abriu à discussão no seio dos orientistas: Quadros Competitivos Nacionais: reformular ou manter? Que soluções preconiza o Presidente da FPO? É desejável, por exemplo, o regresso dos circuitos regionais, na sua opinião? E quanto às restantes matérias?

A. A. - A FPO recebeu dezenas de contributos. Na ata da reunião da direção da FPO de 27 de novembro é referido que os contributos, versando as mais diversas situações, não convergem em linhas de ação. O único traço comum é a proposta de realização de mais eventos regionais ou locais pelo que a FPO deixa aos Clubes a possibilidade de implementarem circuitos regionais e fica disponível para estudar o apoio aos mesmos com os respectivos promotores. Em todo o caso o calendário de 2017 apresenta muitas datas livres o que pode permitir não só aos interessados em dinamizar actividades de âmbito local ou regional como aos futuros dirigentes da Federação tomar opções.

Mais recentemente, no acordo assinado com a FEDO sobre o Ori-Trail / Rogaine, li com entusiasmo a determinação em “liderar e aumentar a cooperação com os países Sul-Americanos e Africanos”. Isto diz respeito apenas ao Ori-Trail / Rogaine ou existe, estrategicamente, algo concertado entre a FEDO e a FPO, nesta matéria, para todas as disciplinas da Orientação?

A. A. - A FPO e a FEDO têm, desde o início da sua cooperação, o desenvolvimento da modalidade em África e na América do Sul como objectivo importante. Acontece que em Portugal, apesar das múltiplas tentativas, ainda não foi possível obter fundos destinados a essa cooperação.

Vamos ter, em 2016, Eleições para os Corpos Sociais da FPO para um novo quadriénio e já por mais de uma vez, ao longo desta nossa conversa, o ouvi falar em “futuros dirigentes”. Isto significa que não o vamos ver por mais quatro anos à frente dos destinos da FPO?

A. A. - O meu contributo como responsável chega ao fim em outubro próximo e os sócios estão cientes da minha decisão, tal como sabem das razões que motivaram este regresso em 2011. O órgão de gestão da FPO, quais sapadores bombeiros, resolveu a extremamente crítica situação existente no início de 2011 e devolveu a normalidade institucional, administrativa e financeira à Federação, investiu e investe em equipamentos ao mesmo nível de 2006 e 2007, apostou nas seleções nacionais como raramente se fez - excepto em 2010, quando existiam os proveitos do WMOC’08 -, apoiou as actividades e a participação de jovens em patamares nunca antes atingidos e, ainda, conseguiu consolidar um saldo de gerência que permite gerir sem angústias. Sejamos claros: somos voluntários mas com grande profissionalismo nas tarefas que desenvolvemos e temos orgulho no nosso trabalho.

Na preparação da substituição, nas últimas assembleias gerais tenho alertado para a conveniência de quem pretenda inteirar-se da vida federativa o fazer atempadamente, de se inteirar dos processos administrativos, dos ciclos organizativos, dos “picos” de trabalho, dos momentos de acrescida responsabilidade, por forma a não surgirem lapsos após a transição e que só prejudicam a modalidade. Afinal, se o passado e o presente foram construídos por homens, o futuro passará certamente pelos homens e na minha opinião o “segredo” está em eleger um Presidente que seja um gestor. Uma pessoa capaz de impor (atempadas) travagens sempre que necessárias, capaz de dinamizar vontades sempre que surjam as oportunidades e capaz de enfrentar e vencer os desafios que a sociedade lhe irá colocando. Capaz de identificar os diversos interesses, capaz de discernir o acaso do propositado e capaz de conviver com as vaidades. Obviamente, um “resistente”, porque durante o percurso terá de saber ultrapassar as desistências de alguns, substituir ou apoiar outros em muitos momentos e ter sempre uma palavra de estímulo e incentivo, esta muito necessária nas horas menos felizes. Para finalizar, uma certeza: quem chegar vai encontrar uma FPO, mais uma vez, sem dívidas, bem equipada, atualizada e com um fundo de maneio apreciável e que garante as despesas de funcionamento de um ano.

Para concluir, no soprar destas 25 velas, um desejo.

A. A. - Que a vida da FPO siga com normalidade, isto é, sem sobressaltos nem sustos, e sucesso, já que quando esta malfadada crise se resolver e as pessoas voltarem a ter níveis de vida mais adequados, a modalidade vai crescer de forma natural pois é a mãe de todas as actividades de ar livre.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Orientovar



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Joaquim Margarido (J. M.) - Etapa. Porque a vida é feita de etapas, feita de sonhos, de objetivos, de conquistas. Umas mais curtas – quiçá mais intensas -, outras mais prolongadas no tempo. Acrescentaria que estes 25 anos, número redondo, marcam uma bela etapa na vida da FPO.

Qual a “dívida” que o Orientovar tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

J. M. - Diria que é uma dívida avultada. O sabor da descoberta da Orientação é algo que, em termos pessoais, não tem preço. E isso devo-o ao Fernando Costa, devendo estender o meu reconhecimento ao Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos. Mas no preciso momento em que me dou conta das singularidades desta modalidade e percebo a sua beleza, o seu fascínio, percebo também que há uma força aglutinadora por detrás destes homens e destas mulheres que, vestindo as cores dos seus clubes, vestem a camisola da Orientação. E essa força aglutinadora é a FPO, são aqueles que se dedicam a organizar, promover, formar, lutar. Seria simplista afirmar que a FPO somos todos nós e que, nessa medida, todos estamos em dívida com todos, já que a minha dívida para com a FPO vai mais longe. Tem a ver com o carinho que sempre dispensou ao projeto Orientovar, com a forma como o acolheu na sua página institucional, como o elegeu como porta-voz de muitas das suas iniciativas e como respondeu, em momentos muito significativos, aos desafios que o Orientovar sempre fez questão de colocar.

Como definiria o Orientovar neste momento?

J. M. - O Orientovar chega amanhã ao fim. Foram oito anos de vida intensa, com muitas alegrias e conquistas, mas tudo tem o seu tempo. A Entrevista com Augusto Almeida, Presidente da FPO, colocará um ponto final neste projeto. É também a minha forma de homenagear um homem que aprendi a admirar e a respeitar, um homem a quem a modalidade deve uma enormíssima fatia da sua estabilidade e credibilidade.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

J. M. - Com muita expectativa. A Orientação sofreu um forte abalo nos últimos anos e perdeu centenas de praticantes. Também a capacidade de atrair novos públicos se manteve aquém do necessário para, em certa medida, compensar essa queda. Mas de falta de iniciativa não se podem acusar os agentes da modalidade. Vamos acreditar que este ciclo menos positivo está à beira de se inverter.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

J. M. - Comunicação – Pela importância que assume, há muito que merecia uma reflexão séria.

Desporto Escolar – É aqui que se percebe, de forma particularmente gritante, a desvantagem das modalidades mais técnicas e que exigem conhecimentos, recursos e tempo e nas quais a Orientação se inclui. Cada vez são menos os professores que dinamizam grupos-equipa de Orientação e a motivação dos clubes em desenvolver parcerias entre o Escolar e o Federado esbarra na escassez de recursos financeiros e humanos.

Provas Locais – Serão uma excelente forma de captar novos praticantes, se articuladas de forma concertada e que leve em conta a regularidade e a proximidade geográfica das várias iniciativas. Promovidas de forma isolada, são uma perda de tempo e de recursos.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

J. M. - Que muitas mais velas se continuem a soprar e que a “chama” nunca se apague!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Clube de Orientação do Centro



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Leonel Vieito (L. V.) - Tristeza. Tristeza, porque quando cheguei ao mundo da Orientação as provas tinham mais participação de todo o tipo de pessoas que simplesmente vinham por lazer do que aquelas que estavam para competir, o que hoje em dia só raramente se vê.

Qual a “dívida” que o COC tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

L. V. - A dívida que o COC tem para com a Federação é o facto de nos ter proporcionado a possibilidade de organizarmos grandes eventos, os quais nos têm garantido alguma estabilidade económica para fazermos face aos desafios que nos são propostos permanentemente e que sabiamente têm sido geridos. Isto passa não só pelo apoio aos nossos atletas mas também pela resposta que vamos conseguindo dar aos inúmeros pedidos feitos por todo o tipo de instituições que encontram no COC um parceiro ideal para as suas iniciativas.

Como definiria o COC neste momento?

L. V. - O COC é dos poucos clubes que vai resistindo à decadência da modalidade nestes tempos de crise. Apesar de todos os contratempos, conseguimos aumentar o numero de sóciose de praticantes. É com dificuldade que vamos sobrevivendo pois sentimos na pele os problemas comuns aos movimentos associativos, onde a solidariedade por vezes não abunda, o que leva a que as instituições de carácter amador só consigam manter-se graças à carolice de meia dúzia de entusiastas. Contudo, conservamos íntegras as nossas ambições de manter o COC no topo das classificações competitivas nas quais participamos, conquistando títulos consecutivos, algo que sabemos ser cada vez mais difícil. A par disso, mantemos a aposta sempre forte nas nossas organizações, com o ano de 2016 a afigurar-se de extrema actividade organizativa e com o Portugal O' Meeting a revelar-se a prioridade das prioridades e a ocupar-nos todo o tempo disponível devido às enormes distâncias que separam a nossa casa da sede do evento, em Penamacor.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

L. V. - No meu ponto de vista, como simples observador pouco entendido na matéria, acho que atingimos um elevado nível organizacional que não foi acompanhado no ponto de vista desportivo. Estamos num ponto onde a margem para evoluirmos é muito curta derivado a todas as contingências sócio-económicas dos tempos difíceis que vivemos. Sou da opinião que, por vezes, para seguirmos em frente, é necessário dar alguns passos atrás.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

L. V. - Comunicação - É o motor essencial para a divulgação e desenvolvimento desta modalidade tão especifica.

Desporto Escolar e Provas Locais - São a base de expansão que levam o conhecimento e o gosto pela modalidade a um leque mais abrangente da população.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

L. V. - Desejo as maiores felicidades a todos aqueles que, determinadamente, insistem em manter viva esta modalidade que tanto nos apaixona.

[Foto gentilmente cedida por Leonel Vieito]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Associação dos Deficientes das Forças Armadas



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente? Porquê?

Jacinto Eleutério (J. E.) - Não darei uma, mas duas palavras: Estabilidade e credibilidade. Apesar da conjuntura económica difícil vivida pela grande maioria dos Portugueses, a FPO, nas comemorações do seu 25º aniversário, deveria ser um exemplo a seguir por muitas outras federações desportivas. Nota-se na FPO uma muito boa estabilidade a todos os níveis, que não será alheia à rigorosa gestão levada a cabo pelo presidente Augusto Almeida, que deu à modalidade e à FPO uma credibilidade exemplar e invejável.

Qual a “dívida” que a ADFA tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

J. E. - A Secção de Orientação da ADFA iniciou a sua atividade em setembro de 2001 após a extinção da Secção de Orientação do Lusitano Ginásio Clube. No início foi, e ainda é, muito importante o apoio recebido da FPO para o desenvolvimento da nossa atividade. Poderemos mesmo dizer que sem o apoio federativo, nós e muitos outros clubes não conseguíamos manter uma atividade regular. Apoio nas inscrições, nos seguros, nos transportes, na cedência de material, na disponibilidade dos serviços, etc., foram e são imprescindíveis para manter o nosso desenvolvimento. Ao longo da sua ainda curta existência, a Secção de Orientação da ADFA já alcançou mais de 200 títulos de campeão nacional nas várias distâncias em que se disputam ou disputaram Campeonatos (Sprint, Média, Longa, Ultra-Longa e Estafetas, tanto nas disciplinas de Orientação Pedestre como de Orientação em BTT. Na época prestes a findar tivemos 64 atletas inscritos na FPO, dos quais 45% são jovens.

Como definiria a ADFA neste momento?

J. E. - Ao longo dos últimos anos soubemos manter um bom rigor orçamental e organizativo (copiamos o exemplo da federação), que nos permite na atualidade viver sem grandes sobressaltos. Temos neste momento um excepcional grupo de colaboradores que se encarrega - melhor do que eu faria - da maior parte das tarefas organizativas e me deixa liberto para outras situações mais burocráticas. Temos conseguido manter ao longo dos últimos anos uma boa capacidade competitiva que nos levou a conseguir em 2015 dezassete títulos de campeão nacional na vertente Pedestre: 4 no sprint, 3 na Longa, 5 na Média, 4 nas Estafetas e recentemente renovamos o titulo coletivo de campeões nacionais absolutos masculinos. Para 2016 temos a responsabilidade da organização dos Campeonatos Nacionais de Distância Longa e Sprint, em Palmela, na Orientação Pedestre e do Campeonato Nacional Absoluto em BTT, em local ainda a definir.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

J. E. - Com algum otimismo, mas moderado. Penso que o pico da crise que nos assolou já passou, dado que já se nota alguma melhoria nas participações nas provas. Temos também um bom lote de jovens a despontar que nos dão garantia de continuidade para o futuro (espero que não se percam), tanto em Pedestre como em BTT. Temos a nova disciplina do Rogaine a dar os primeiros passos que me parecem animadores, sendo que a destoar temos as Corridas de Aventura que me parecem com um futuro muito complicado.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

J. E. - Comunicação - A comunicação não está a funcionar como seria desejável. Talvez fruto da reduzida participação nas provas, os clubes não querem/podem fazer investimento nesta área, salvo raras e honrosa exceções. Esta situação acaba por ser compreensível, pois uma organização com 100 inscritos ou menos não se pode dar ao luxo de investir no OTV. Depois nota-se pouca colaboração entre os clubes, não compartilhando nem ajudando na organização ou divulgação das provas dos outros, situação que na minha opinião é essencial. Temos a newsletter da FPO e um esforço notável e empenhado do amigo Fernando Costa, que sozinho não consegue fazer mais. Era bom que todos (clubes, atletas e dirigentes) se empenhassem na tarefa de fazer passar a imagem deste desporto que se quer para todos.

Desporto Escolar - O Desporto Escolar está muito bem e é suficiente para guarnecer a estrutura federativa. Poderá ser controversa esta afirmação, mas parece-me que o que faz falta é o aparecimento de mais clubes e dirigentes que possam acolher todos os jovens saídos do Desporto Escolar. Na ADFA, com muita pena minha, não conseguimos absorver todos os jovens que as Escolas do Pinhal Novo e Palmela tvão “fabricando” ano após ano. De vez em quando leio que houve um Ori-Escolas com cerca de 600 alunos e pergunto-me: Onde estão esses alunos? Quantos vieram para a estrutura federada? Daí que fazem falta clubes para dar seguimento ao que o Desporto Escolar muito bem faz. Salvo algumas honrosas exceções, a maioria desses alunos perde-se para a modalidade.

Provas Locais - As provas locais, como outras áreas da nossa modalidade, passaram por tempos conturbados, com reduzidas participações, o que levou as organizações a desistirem da sua organização (falo por mim). Esperamos que com o aliviar da crise voltemos a ter maiores índices participativos, dando um maior incentivo aos organizadores. Não tenho duvidas nenhumas que as provas locais são essenciais para a massificação da modalidade.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

J. E. - Estamos a chegar ao fim do mandato da atual direção da FPO. Já conheci tempos conturbados na Federação, que gostaria não se repetissem e para isso é preciso que apareçam pessoas com capacidade (e temos muitas) de continuar com a estabilidade que atualmente se vive, de maneira a podermos seguir em frente com rigor e honestidade para que possamos soprar outras 25 velas e, como dizia o saudoso Raul Solnado, FAÇAM O FAVOR DE SER FELIZES.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Luis Leite (L. L.) - Responsabilidade. Desde a sua criação, a Federação tem fomentado o desenvolvimento da modalidade ao regulamentar, apoiar e supervisionar a actividade dos seus agentes.

Qual a “dívida” que o GD4C tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

L. L. - Não acompanhei essa fase, a minha entrada para este clube foi posterior. Para responder tive de me socorrer da colaboração do Fernando Costa que foi fundador e fez parte dos Corpos Sociais da altura. Segundo ele, “a FPO sempre acreditou nas iniciativas e projetos idealizados pelo GD4C, sendo desta forma e principalmente no inicio do clube um suporte e uma motivação para a criação de um clube forte quer a nível de competição quer na organização de eventos de Orientação.”

Como definiria o GD4C neste momento?

L. L. - O GD4C é um clube com dinâmica, reputado e respeitado. Temos conseguido manter estável a estrutura do clube, com uma renovação natural de pessoas que vão passando e deixando o seu contributo. A nossa maior riqueza é o potencial humano de toda a equipa, dos pequenos de 10-12 anos ao nosso decano de 77 anos, uma família de entusiastas desta bela modalidade que a vêem como o seu desporto favorito e que sabem que no clube é preciso trabalhar para poder desfrutar.
É assim que conseguimos participar durante 2015 em 19 eventos (37 etapas, incluindo TODOS os eventos da Taça de Portugal) e ainda suportar inscrições, transportes, alimentação, equipamento, estágios, formação, etc. Nesta época obtivemos o 3º lugar no ranking de clubes e vários títulos individuais e colectivos nos Campeonatos Nacionais. Estivemos envolvidos na organização de vários eventos (Norte Alentejano O' Meeting, Desporto Escolar, Campeonato Nacional de TempO, Vila do Conde City Race, Taça de Portugal de Orientação Adaptada com 6 etapas, Troféu Sálvio Nora, Trail 4 Caminhos, Porto City Race). É "muita fruta", só possível com este grupo fantástico que arregaça mangas quando é preciso. Fazemos o possível para que esses momentos de trabalho sejam acompanhados de momentos de convívio, tornando tudo mais fácil. Também é importante realçar o lançamento do Portugal City Race, um circuito de provas abertas urbanas que foi um sucesso, com níveis de participação interessantes e a 1ª Taça de Orientação Adaptada. Para 2016 a receita será ligeiramente menor, e para 2017 a grande tarefa (digna de Hércules) é o POM.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

L. L. - Não sendo excelente, pois há muito espaço para evoluir, nos 19 anos que levo neste desporto acho que, no geral, a modalidade nunca esteve melhor do que agora. Realço alguns pontos:
  • Uma Federação a funcionar, com parcos meios é certo, mas a desenvolver trabalho positivo em prol da modalidade e dos seus agentes (clubes, técnicos, atletas);
  • Clubes dedicados à modalidade e que colaboram entre si, saliento mesmo o ambiente salutar inter-clubes e Federação;
  • Quadros competitivos regulares que abrangem uma grande parte do território nacional (Continente e Madeira, falta os Açores);
  • Oferta nas várias vertentes da Orientação (Pedestre, O-BTT, Trail-O);
  • Atletas de selecção dedicados e que treinam afincadamente para os seus objectivos;
  • Oferta regular de formação técnica (supervisão, cartografia, treino, traçadores);
  • Grande diversidade de mapas relativamente recentes em terrenos técnicos cartografados com altíssima qualidade;
  • Cartógrafos nacionais com um nível técnico muito elevado, muito requisitados para trabalhar no estrangeiro;
  • Traçadores de percursos de excelente qualidade, elogiados aqui e além fronteiras;
  • Eventos nacionais com um nível de organização geralmente alto;
  • Eventos internacionais organizados com muita qualidade (WRE, EOC, WMOC...);
  • Boa implantação da modalidade no Desporto Escolar, mas com margem para melhorar;
  • Magazine O-TV, veículo de informação que é um luxo (mas nem sempre bem aproveitado).
No entanto... o número global de praticantes regulares não tem crescido.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

L. L. - Comunicação: tem melhorado aos poucos. É uma prioridade a levar com critério de forma a que o custo seja um investimento em vez de um prejuízo.

Desporto Escolar: Melhor formação dos professores e, por consequência, melhor qualidade técnica dos alunos. Criar uma Fase Distrital (alunos em quantidade, deslocações curtas, envolvimento dos clubes locais) de apuramento para a Fase Regional (melhor qualidade das equipas, menos confusão).

Provas locais: Denominação atribuída às provas que não pontuam para o ranking nacional (ou regional), têm infelizmente o estigma (errado) de serem provas de baixa qualidade técnica e/ou organizativa quando nem sempre é assim. A liberdade que uma “prova local” oferece a quem organiza é a de poder testar novas fórmulas que numa prova da Taça de Portugal não podem ser aplicadas devido às especificidades técnicas inerentes. O termo mais correcto será talvez “prova aberta” pois toda ela está aberta à participação em qualquer escalão, por oposição às provas em que a competição está reservada aos federados (e depois há 3 ou 4 percursos abertos). Acho mesmo que a divulgação de uma boa oferta de provas abertas apelativas é uma excelente oportunidade para atrair novos praticantes (que eventualmente podem converter-se em federados ou não).

Um desejo neste soprar das 25 velas.

L. L. - Que o sopro seja forte para embalar a modalidade nos próximos 25 anos, à conquista de novos praticantes e do reconhecimento como um dos melhores desportos aventura de ar livre que há.


Saudações orientistas.


Joaquim Margarido

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Clube Português de Orientação e Corrida



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Luís Santos (L. S.) - Estive uns três minutos a olhar para a pergunta e a pensar nela, mas sinceramente a única palavra que me vem à mente é a própria modalidade: Orientação. Eu estou ligado à modalidade “apenas” há 17 anos - não vivi os primeiros oito anos -, mas nestes 17 anos a modalidade moldou fortemente a minha vida. Tenho feito de tudo um pouco: liderei a Secção de Orientação do CDCE de 2000 a 2002, fui Diretor de Prova pela primeira vez em 2000, fui Diretor-Executivo da FPO entre 2002 e 2004, fundei o CPOC com o grupo vindo do CDCE em 2002 e liderei o clube até 2009 e posteriormente de 2011 até hoje. Já fui responsável pelo Departamento de Cartografia da FPO, agora sou Vice-Presidente do Conselho de Arbitragem, sou Supervisor Internacional desde 2007, tenho o curso de traçador de percursos e traço muitas vezes, sou cartógrafo de nível 3 e crio alguns mapas urbanos, dou ações de formação, faço arranjos gráficos de mapas, e sei lá quantas coisas mais esqueci. Não menos importante, tenho 90% dos meus amigos ligados à modalidade. Por tudo isto, esta celebração da FPO é também muito especial para mim.

Qual a “dívida” que o CPOC tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

L. S. - Diria que, provavelmente, sem a FPO não existiria o CPOC. A génese do CPOC está no desafio que o Presidente Augusto Almeida me lançou quando trabalhávamos juntos na FPO. Na altura estava no CDCE, confidenciava alguns problemas que tinham a ver com o ritmo diferente da Secção de Orientação e do resto do Clube e com a falta de autonomia para gerir as verbas que gerávamos, e foi o Augusto que lançou na altura o desafio - que me pareceu uma loucura completa! - de criar um Clube novo. A ideia ficou a fervilhar e acabou por ser partilhada com os outros amigos do CDCE. O processo não correu como eu gostaria, pois gostaria que todo o grupo tivesse transitado para o CPOC, tal como tinha acontecido quando saímos do CM Arrábida em 2000 para ir para o CDCE. Mas em 2002, alguns dos elementos do grupo optaram por ficar no CDCE. Curiosamente, por vezes são as frases negativas que mais nos movem e foi “profetizado” por um dos elementos que ficou no CDCE que nem nos dava um ano. Ao fim de um ano estaríamos falidos. A história desportiva do CPOC foi-se encarregando de o desmentir... É também importante frizar que o apoio que o Presidente da FPO deu, tal como o Jorge Simões, sempre uma das pessoas mais marcantes da nossa modalidade, foram decisivos para que a fase mais embrionária da criação do CPOC fosse ultrapassada sem grandes turbulências. Ao segundo ano de vida (em 2003/2004) o CPOC já era o 4º clube na pedestre e o 6º na BTT em Portugal.

Como definiria o CPOC neste momento? (por favor, exemplifique com alguns feitos alcançados em 2015 e com iniciativas relevantes agendadas já para 2016 e 2017)

L. S. - O CPOC tem apenas 13 anos mas já foi obrigado a reinventar-se algumas vezes. Muitos sócios e praticantes com bastante peso no Clube e mesmo na modalidade (cito por exemplo os casos de Tiago Aires, Susana Pontes, Raquel Costa, António Aires, Tiago Fernandes, Alexandra Coelho, Rui Botão - os dois primeiros ainda são sócios), que constituem só por si um grupo que, se estivesse junto, daria para ter um dos clubes mais fortes e experientes da modalidade. O clube perdeu a mais valia destes e de outros elementos com muito valor e foi-se reinventando ao longo dos anos. 2015 tem sido um ano particularmente difícil pois o CPOC organizou possivelmente o evento mais contestado da sua existência (os Nacionais de Distância Longa e Sprint em Gouveia), o que levou a colocar dúvidas sobre a continuidade do projeto diretivo atual. Ainda assim, o projeto renovou-se, o Clube mantém uma presença razoavelmente boa nos vários eventos da modalidade (embora longe do nível atingido quando o CPOC lutava pela vitória na Taça de Portugal Pedestre entre 2005 e 2010).

Para 2016 temos três projetos ambiciosos em curso: (A) O LIOM - Provavelmente o terceiro maior evento da história do clube, puxando pelo potencial da cidade de Lisboa para benefício da Orientação, mas mantendo a perspetiva de escolher bons terrenos para a modalidade, o que nos levou a aliar-nos ao GDU Azoia e a fazer a Distância Longa do evento em Sesimbra. É a primeira vez que o CPOC tem um evento com 2 WRE's e temos grandes expectativas para o WRE de Sprint que vai decorrer em Alfama/Mouraria. (B) - O Ibérico de BTT - Mais uma parceria. Foi raro na história do clube recorrer a parcerias, mas foi também esta a forma que vimos para conseguir projetar um regresso às organizações de Orientação em BTT. Optámos por nos juntar ao ATV para juntos podermos oferecer um bom Campeonato Ibérico e tentar captar novos praticantes ou recuperar alguns dos que se afastaram desta vertente da Orientação. (C) - Os Campeonatos Nacionais de Orientação de Precisão, que serão também Taça da Europa em 2016. Será a primeira vez que os Nacionais não serão associados a uma prova âncora pedestre e esperamos ter uma boa participação de cada vez mais interessados na Orientação de Precisão, até porque o CPOC tem ótimos praticantes e alguns dos melhores organizadores de Portugal.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

L. S. - Com preocupação. Atualizo regularmente as estatísticas da FPO e da modalidade e sei do que falo. Os grandes sucessos de muitos dos nossos eventos internacionais tem mascarado um pouco a quebra de participantes regulares, com maior incidência ainda na vertente de Orientação em BTT. É certo que em 2015 os números parecem ter estabilizado, principalmente na Orientação Pedestre. Mas não podemos estabilizar. Temos que voltar a crescer. Creio que por vezes é muito difícil conciliar a preocupação em criar as melhores condições possíveis para os nossos melhores atletas com a necessidade de eventos apelativos para quem queira vir experimentar a modalidade, mas penso que as fórmulas usadas entre 2004/2006 eram mais apelativas do que as atuais. É certo que a conjuntura é diferente, mas é nesta conjuntura atual que outras modalidades têm singrado e fortalecido, “canibalizando” as possibilidades de sucesso da Orientação. É certo que há na modalidade quem defenda que o Trail pode ajudar a trazer praticantes para a Orientação mas eu o que vejo é o enfraquecimento progressivo da Orientação à custa do Trail e de outras vertentes de corrida sem mapa, que nada têm a ver com a Orientação e que lhe roubam praticantes.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

L. S. - Comunicação - A maior lacuna da modalidade. A modalidade dá muito trabalho a organizar e os clubes têm dificuldade em organizar-se para conseguirem projetar os seus eventos com eficácia. Não estou a responsabilizar a FPO que tem lutado muito para conseguir dar visibilidade à modalidade, nomeadamente através do O'TV, mas cabe à FPO e a todos os que nela vamos trabalhando, conseguir criar soluções para o futuro de forma a enfrentar ameaças que identifiquei como a do Trail. Recordo que há 10 anos, quando começámos a criar condições de grande sucesso na modalidade, a maior ameaça aos nossos eventos internacionais eram os eventos em Espanha que colidiam com os nossos. Ganhámos essa batalha mas também temos de ganhar as batalhas às outras modalidades que nos roubam praticantes e, porque não, tentar conquistar aos “sofás” deste país, ainda com grande défice de prática desportiva, mais praticantes.

Desporto Escolar - A melhor “alavanca” da modalidade nos últimos anos. Enquanto cada vez perdemos mais recém-chegados adultos à modalidade, o Desporto Escolar tem crescido e sustentado um elevado número de jovens a vir para a modalidade. Creio que tem havido poucos a trabalhar pelo crescimento da modalidade no Desporto Escolar, mas têm trabalhado muito bem e feito muito pelo crescimento da Orientação. Alguns dos principais “pilares” da nossa modalidade são professores de Educação Física do Desporto Escolar. O CPOC é um clube moldado pela sua parceria com a Escola da Sarrazola. Os seus melhores atletas são - e têm sido quase sempre - da Sarrazola e atualmente estão na Direção do clube duas jovens que começaram a praticar Orientação na Sarrazola: a Ana Filipa Silva e a Mariana Moreira.

Provas Locais - O CPOC organiza anualmente perto de uma dezena delas. É uma carga organizativa pesada e com pouco impacto financeiro na vida do clube mas é decisivo para que a modalidade se mantenha dinâmica e para que muitos que nunca vão a Taças de Portugal vão mantendo contacto com a modalidade. Ainda por cima, o CPOC é atualmente o único clube da Orientação portuguesa com alguma dimensão e dinamismo na área da Grande Lisboa e seria criminoso para a modalidade se não mantivéssemos este dinamismo, quer através do projeto “Mexa-se Mais”, que temos em Oeiras, quer através do recém-criado “Ori Monsanto” que ainda no passado fim-de-semana teve mais uma etapa com 180 participantes, apesar do clima instável.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

L. S. - Ver a modalidade a crescer, em paz, com muitos e bons eventos e que eu possa continuar a sentir-me feliz no seu meio. Como ainda recentemente escrevi numa entrevista, e como muitos de nós dizemos muitas vezes, isto não é só uma modalidade desportiva: é uma forma de vida.

[Foto gentilmente cedida por Luís Santos]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 13 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Clube de Orientação de Estarreja



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Diogo Miguel (D. M.) - Voluntariado. Durante estes 25 anos, o desenvolvimento da Orientação fundamentou-se sobretudo na boa vontade e voluntariedade de um grupo de pessoas. Se por um lado este amadorismo acaba por preservar muito do que a Orientação tem de melhor, por outro lado acaba por, em algumas situações, ser um entrave ao desenvolvimento da modalidade.

Qual a “dívida” que o Ori-Estarreja tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

D. M. - O Ori-Estarreja tem já 23 anos de existência, tendo sido o primeiro clube dedicado exclusivamente à prática de Orientação a aparecer em Portugal. Antes disso já a modalidade tinha sido implementada em Estarreja, no seio do Clube Desportivo de Estarreja. Portanto, o Ori-Estarreja acaba por ter partilhado com a FPO uma boa parte destes 25 anos, e se a FPO foi importante para o crescimento do Ori-Estarreja, também o clube foi importante para o desenvolvimento da modalidade em Portugal. Assim sendo, não falaria em dívida, mas em simbiose. Só com uma colaboração entre a FPO e os clubes é que a modalidade poderá crescer.

Como definiria o Ori-Estarreja neste momento?

D. M. - A grande mais valia que o Ori-Estarreja tem neste momento são os seus recursos humanos. Não falo no número (na verdade já fomos mais), mas sim na sua qualidade técnica, pois neste momento temos pessoas que conseguem assegurar com um elevado nível as mais diversas tarefas. E é por isso que o Ori-Estarreja tem conseguido, ao longo dos anos, organizar eventos com um nível elevadíssimo, sendo o exemplo mais recente disso o Portugal O’ Meeting 2015. Na calha para 2016 está o Campeonato Ibérico, que levará de novo a caravana da Orientação a Aguiar da Beira, município que vê a Orientação como estratégica para o desenvolvimento da economia local. Outra área em que o clube tem também apostado de forma séria nos últimos dois anos é o Desporto Escolar. O Ori-Estarreja tem neste momento um protocolo de parceria com o Agrupamento de Escolas de Estarreja, organizando treinos semanais em que participam um número considerável de alunos. Além disso, o clube procura também apoiar em tudo a participação destes jovens atletas nas provas da Taça de Portugal. Como resultado disso, temos conseguido, de uma forma assídua, ter entre 15 a 20 jovens a participar em provas e treinos de floresta organizados por nós.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

D. M. - Infelizmente, não o vejo com muito optimismo. Nos últimos dois a três anos tem-se observado um declínio no número de participantes nas provas. Mas pior do que isso, parece-me que a desmotivação atingiu a globalidade dos agentes da modalidade em Portugal. E se há coisa que os quase 20 anos que já levo de Orientação me mostraram, é que sem motivação não é possível superarmo-nos e dar passos satisfatórios no sentido do desenvolvimento. Isto é sobretudo importante quando nos referimos a uma modalidade amadora e que vive da boa vontade dos seus agentes - sem motivação, não há boa vontade que resista!

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

D. M. - Comunicação - há que ser profissional nesta área. Acho que este é um exemplo paradigmático do amadorismo da nossa modalidade.
Desporto Escolar - acho sinceramente que o futuro da modalidade passa por aqui. E como tal, deve ser elaborada uma estratégia séria e bem estruturada que vise o desenvolvimento do Desporto Escolar e a sua articulação com os clubes - os clubes têm de ter condições para absorver os jovens que vêm do Desporto Escolar. E se não as têm, estas devem ser criadas, porque senão a modalidade acaba por perder estes jovens!
Provas Locais - numa altura em que os portugueses têm os bolsos vazios, só a proximidade permitirá que muitos continuem a praticar a modalidade.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

D. M. - Que quando cá estivermos para soprar as 50, o cenário da modalidade seja mais risonho. Muito mais!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 12 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Clube de Orientação do Minho



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente? (Porquê?)

Tânia Covas Costa (T. C. C.) - Evolução. Pela forma como a Orientação em Portugal tem evoluído ao longo destes 25 anos, a todos os níveis. Também é o que se pretende para o futuro: mais e melhor Orientação, em termos de resultados desportivos e do número de praticantes.

Qual a “dívida” que o .COM tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

T. C. C. - Relativamente à génese do clube, nasceu em 2002 com os atletas e técnicos que pertenciam à Secção de Orientação da ARCCa, Associação Recreativa e Cultural do Campo, Gerês, que por questões de dar uma maior dimensão às suas atividades, aproximá-las da maioria dos seus sócios e procurar uma melhor centralidade, decidiram criar um clube de raiz em Braga. Assim, num projeto de continuidade nasceu o .COM, um clube que de certa forma já nasceu adulto. Ao longo destes 13 anos de existência, o .COM tem recebido da Federação vários tipos de apoios, que foram fundamentais no seu crescimento, nomeadamente o apoio aos jovens, não só a nível financeiro como também a nível competitivo, através da organização de estágios e participação em provas no estrangeiro. Pode-se acrescentar o apoio a um dos melhores atletas de orientação português, o Davide Machado.

Como definiria o .COM neste momento?

T. C. C. - O .COM está direcionado para a formação de jovens. Pretendemos criar jovens capazes de dar continuidade ao trabalho do clube, jovens vencedores, campeões no desporto e na vida! Em 2015 o clube alcançou vários títulos nacionais, principalmente no Desporto Escolar e participou em provas internacionais, a representar a seleção nos escalões mais jovens.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

T. C. C. - Com alguma apreensão mas também com algum otimismo! Verifica-se uma diminuição do número de participantes nas provas e todas as consequências que daí advém (menor encaixe financeiro, diminuição do apoio dos clubes aos atletas, etc). No entanto, acredito que se trata de uma modalidade com grande potencial pois alia o desporto à natureza e à inteligência do praticante e por isso ainda tem uma margem muito grande de desenvolvimento.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

T. C. C. - Comunicação - Os clubes e atletas de Orientação devem investir mais na divulgação de todas as atividades de Orientação, no passar a palavra, no aliciar e apoiar a participação de novos praticantes.

Desporto Escolar - Aumento do número de grupos/ equipa e número de praticantes, melhor formação por parte dos professores e incremento do apoio e acompanhamento dos clubes a estes grupos.

Provas Locais - Proliferação deste tipo de provas por todo o país, dando a conhecer a modalidade, chamando novos praticantes e ainda permitindo apoiar a atividade dos grupos equipa do Desporto Escolar e dos clubes.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

T. C. C. - Que a Orientação "dê o salto"! Se torne mais conhecida por todos, "mais apetecível" de experimentar e mais aliciante nos desafios que coloca em cada percurso.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Associação Desportiva do Mondego



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Rui Mora (R. M.) - Satisfação. Por fazer parte desta modalidade e por dar os parabéns a quem, ao longo destes 25 anos, conseguiu conduzir e dinamizar a Orientação a um nível Alto de projecção internacional. Satisfação por ver que, apesar da crise nacional, continuamos com um sorriso no rosto.

Qual a “dívida” que ADM tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

R. M. - A dívida da ADM - Ori-Mondego é grande e nunca será esquecido todo o apoio que a FPO tem dado a esta recente Associação que fez no dia 18 de Novembro um ano de idade. Desde o primeiro momento em que informamos a FPO da nossa pretensão em criar a ADM, obtivemos todo o apoio e encorajamento. Só dessa forma tivemos força para avançar com o projeto. Audaciosos, elevamos a fasquia. A FPO mostrou ter confiança em nós e por esse facto temos uma enorme divida de gratidão.

Como definiria o ADM neste momento?

R. M. - Somos uma associação Jovem mas já com provas dadas no seio da Orientação proveniente de um projecto anterior. O passado fica registado na Historia, nele obtivemos a experiencia e o “know-how” que nos permite levar todos os projetos a que nos propomos com profissionalismo. Embora sejamos todos voluntários, não somos de forma alguma amadores. O futuro faz-se caminhando e começámos 2015 com um objetivo ambicioso: Trazer a Orientação para o Desporto Escolar na Figueira da Foz. Tal só foi conseguido com o apoio da FPO e com a parceria do Agrupamento de Escolas Figueira Mar que nos abriu as portas mal tomou conhecimento do nosso propósito. Realizámos algumas Ações de Formação a docentes e a alunos, inclusive de Orientação Adaptada, dando a conhecer a modalidade e despertando o gosto pela mesma. O Desporto Escolar é, desde então, a nossa grande aposta. Acreditamos que o futuro da Orientação passa pela formação e pelas Escolas, aumentando assim o número de atletas, permitindo a subsistência da modalidade.

Ainda em 2015, a convite da FPO, integrámos o comité organizador do Europeu de Orientação em BTT. Foi uma experiência bastante engrandecedora para os elementos da ADM que marcaram presença nos dias de provas. Realizámos o Campeonato Nacional Absoluto 2015 e uma etapa de Pre-O, em 7 e 8 novembro, e pensamos que o balanço terá sido positivo. Para nós ficou, em termos de balanço, o sentimento de dever cumprido. O sentimento de que o grupo continua unido e agora ainda mais motivado para a realização de grandes feitos. O nosso curto percurso só é possível graças aos nossos atletas que nesta época somaram vários triunfos de referência, aos nossos sócios, e dirigentes. Todos eles são os alicerces da ADM e neles reside a razão da nossa existência.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

R. M. - O estado actual da Orientação parece que se tem mantido nestes últimos dois, três anos. Houve uma diminuição de atletas, mas agora, creio, manteve-se. Acredito que os quadros competitivos tenham de ser revistos, tornados mais motivadores para os atletas. O aparecimento de novas vertentes desportivas, como o Trail, retirou alguns atletas à Orientação, mas com uma reestruturação de quadros competitivos, que não desgaste tanto os atletas, que não obrigue a organizações muito complicadas, penso que poderemos de futuro aumentar de novo o número de participantes. Acredito igualmente que se deva investir na Formação e investir muito na divulgação da Orientação em todas as suas vertentes, como desporto de inclusão e multidisciplinar que é.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

R. M. - Comunicação - A Comunicação da modalidade tem de ser melhorada. Os clubes em parceria com a FPO têm de investir mais na divulgação da Orientação. Com ações de formação, ações de divulgação em eventos locais, participação em exposições de cariz nacional desportivo, feiras desportivas, parcerias com empresas e outras modalidades desportivas. Acredito que ainda muito pode ser feito a fim de dar a conhecer a Orientação para que num futuro breve, quando falamos de Orientação, toda a gente reconheça a modalidade e sinta vontade de a experimentar. Sonho que vai ser possível ver a Orientação como o desporto de eleição da maioria, e quando o homem sonha…
Desporto Escolar – O Desporto Escolar será o futuro da modalidade. Se começarmos a construir na base, o objectivo final será forte.
Provas Locais -As Provas Locais são importantes na divulgação mas tem de ser em parceria com todos. Um evento local com 30 ou 40 atletas não parece relevante, mas se voltarmos aos rankings regionais, por exemplo, muito provavelmente juntamos três ou quatro clubes e já temos 150 atletas ou mais e já motiva todos, atletas, organizadores e os apoios necessários para a desenvolver a modalidade

Um desejo neste soprar das 25 velas.

R. M. - Para a FPO, que faça muitos mais anos, que consiga continuar a fazer o trabalho que tem feito, lute por feitos internacionais, continuando a trazer ao nosso pais grandes organizações de cariz internacional. Que consiga dar uma maior apoio aos nossos atletas de selecção; acho que tem de haver mais apoio para esses atletas, tanto financeiro, com formativo.Para a ADM, que chegue aos 25 anos com saúde e dever comprido no Associativismo e na Modalidade.

[Foto gentilmente cedida por Rui Mora]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Clube de Orientação da Gafanhoeira - Arraiolos



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Raquel Costa (R. C.)
- Renovação. A Orientação pedestre evoluiu ao longo dos anos, desde a fundação da FPO. Quer em número de praticantes, quer em termos organizativos e regulamentares, também na criação de diferentes quadros competitivos e aperfeiçoamento das condições para a prática. Ultimamente essa evolução não é tão notória naquilo que, ao aumento de participantes diz respeito, mas também às estratégias de desenvolvimento para o futuro. Assim, diria que, uma renovação das políticas e das ideias no seio da FPO seria um fator a considerar, para bem da evolução que a modalidade merece.

Qual a “dívida” que o GafanhOri tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

R. C.
- O Gafanhori (em 2007 designado por SRSPG) surgiu de um enquadramento e contexto propícios, no qual a FPO não teve praticamente nenhuma interferência. Explicando de forma simples, este projeto surgiu assim: a professora Mariana Valério de São Pedro da Gafanhoeira, que tinha a seu cargo um grupo de jovens com o qual desenvolvia o projeto de Escolas e Escolinhas em São Pedro da Gafanhoeira, levou esse grupo a duas atividades de Orientação que se realizaram em Montemor-o-Novo e em Vendas Novas, nos anos de 2004 e 2005. Essas atividades foram organizadas para os jovens do distrito de Évora, pelo clube CPOC. Depois disso, a professora levou esse grupo de jovens a participar em algumas provas pontuais perto de casa, ao 2º, 4º e 5º estágio Ori-Jovem em 2005 e 2006 e no circuito Ori-Alentejo (chamado Ori-Évora nas duas primeiras edições) que se iniciou em Dezembro de 2006. Nessa altura, a professora Mariana, junto da Câmara de Arraiolos, criou condições para se iniciar um projeto de “escola de modalidade” de Orientação tendo anteriormente convidado o Tiago Aires para ser o treinador dos jovens neste projeto. Assim em 7 de Março de 2007 teve inicio o projeto com o primeiro treino. A partir daí, o clube que começou com 12 jovens com menos de 15 anos em 2007, tinha em 2010 cerca de 100 associados de várias idades. Hoje há uma inversão dessa realidade, já que os associados ativos são maioritariamente seniores e veteranos e em menor número do que em 2010.

Como definiria o GafanhOri neste momento?

R. C.
- Neste momento o Gafanhori define-se pela continuidade, está ativo na organização de eventos e na participação em provas do calendário FPO e outros. É um clube com muita experiência acumulada de organização de provas, com muitos materiais e equipamentos da modalidade e com atletas bastante experientes. Em 2015 o clube propôs-se a reativar o Circuito Ori-Alentejo (que estava inativo desde 2011) e organizou já 5, de 6 etapas. Estreou-se a organizar um evento de Trail Running, com o evento “Trail dos Gafanhotos” em Outubro deste ano. Teve ainda outras iniciativas e pequenas organizações no concelho. Os próximos eventos a organizar pelo Gafanhori são: o Estágio de Orientação After Christmas entre o Natal e o Ano Novo e, em Junho de 2016, os Campeonatos Nacionais de distância Média e Estafetas.
Este ano o Gafanhori foi campeão nacional de estafetas em Seniores Masculinos (equipa: Tiago Aires, Manuel Horta e Tiago Romão). Nos escalões de Elite, em termos individuais o atleta Tiago Romão foi campeão nacional absoluto, campeão nacional de distância média, vice-campeão nos nacionais de sprint e distância longa. Tiago Aires foi vice-campeão absoluto, assim como Raquel Costa em seniores femininos. Rita Rodrigues obteve a 3ª posição nos nacionais de sprint em seniores femininos.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

R. C.
- A Orientação em Portugal tem potencial para crescer e são necessárias políticas que visem esse objetivo. Nos últimos anos tem havido um decréscimo da participação nos eventos nacionais e locais e nas várias disciplinas da modalidade. O momento atual necessita de um olhar estratégico e de convergência de esforços e de ação.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

R. C.
- Faria sentido enumerar ideais para estes tópicos, tendo como base um plano estratégico conhecido da FPO. Com a ausência de perceção dessa estratégia, vou considerar que ela tem em vista o aumento do numero de participantes e/ou clubes nos tópicos enunciados.

Comunicação - É um dos pontos mais fracos desde sempre da FPO. Nos dias de hoje, na era da comunicação, mais se denota esta insuficiência. É uma área que deve ser estabelecida como prioridade. Há que melhorar a forma (possivelmente recorrendo a um profissional da área), mas também a própria mensagem (estando esta de acordo com a estratégia da FPO).

Deporto Escolar - A FPO ter capacidade de resposta na formação de professores e promover iniciativas por regiões do país.

Provas Locais - Fazem sentido se associadas com a criação/existência de vários clubes na região onde essas provas têm lugar.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

R. C.
- Que do passado se possa construir o futuro.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Grupo Desportivo União da Azoia



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Noel Cabeça (N. C.) - Esperança. Em que a mesma possa crescer de forma sustentada e possa atrair novos atletas e agentes para a modalidade.

Qual a “dívida” que o GDU Azoia tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

N. C. - O GDU Azoia, pessoa coletiva com o Estatuto de Utilidade Pública sediado no Parque Natural da Arrábida e localizado a grande proximidade do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, reúne condições únicas para a prática de desportos de natureza, sendo o único clube do concelho de Sesimbra a desenvolver a modalidade de orientação nas suas diferentes disciplinas (Pedestre, BTT, Corridas de Aventura e Trail). Desde 2006 pela mão do professor Jorge Baltazar, o Clube tem promovido a formação e treino de jovens e adultos desde então e organizado provas importantes a nível nacional e internacional, contribuindo, assim, para a promoção do património natural e construído do concelho, bem como das instituições e do ecoturismo locais. Os seus atletas têm representado excelentemente o Concelho de Sesimbra e o Clube em relevantes provas nacionais e ibéricas, destacando-se a obtenção de vários títulos ibéricos e nacionais nas disciplinas de Orientação Pedestre e Orientação em BTT e Corridas de Aventura. A postura da actual Secção de Orientação é de fazer com que este projecto dê um salto quantitativo e qualificativo.

Como definiria o GDU Azoia neste momento?

N. C. - Pequeno clube em número de atletas, mas enorme em termos de motivação e comprometimento com o futuro da Orientação. Esforço enorme com os mais jovens, com destaque para os resultados alcançados em H14 campeões nacionais na distância longa e média por equipas e campeão nacional o atleta Vasco Mendes nas três distâncias.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

N. C. - A precisar urgentemente de mais atletas e agentes, mas que permita o crescimento de forma sustentada.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

N. C. - Comunicação - fundamental para que a modalidade possa chegar a novos públicos.

Desporto Escolar - A FPO deve arranjar uma forma de ajudar as equipas mais pequenas que fazem um trabalho de continuidade com estes jovens.

Provas Locais - Poderão ser o fator-chave do futuro da Orientação. Mais do que levar a Orientação a diversas latitudes, interessa implementar a Orientação a nível regional, de forma mais vincada. Só assim será possível passar para uma amplitude maior.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

N. C. - Que a modalidade conheça o crescimento que merece.

[Foto gentilmente cedida por Noel Cabeça]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido