sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Duas ou três coisas que eu sei dela...



1. Regularidade e consistência foram as fórmulas de sucesso adotadas pelo russo Anton Foliforov e pela britânica Emily Benham para a conquista da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2015. Virtuais vencedores à entrada para a derradeira etapa disputada em Liberec, República Checa, aquando dos Campeonatos do Mundo, ambos os atletas lograram renovar o título alcançado em 2014. Anton Foliforov triunfou em masculinos com um total de 290 pontos, a que corresponderam quatro vitórias e um segundo lugar. As duas outras grandes figuras da temporada masculina, o finlandês Jussi Laurila e o italiano Luca Dallavalle, terminaram nas posições imediatas, com mais 44 e 68 pontos, respectivamente, que o vencedor. Davide Machado foi o melhor português, arrecadando um total de 60 pontos e concluindo na 32ª posição. Três vitórias, um segundo lugar e uma terceira posição valeram a Emily Benham um total de 275 pontos e a vitória na Taça do Mundo feminina com uma vantagem de cinco pontos sobre a grande revelação da temporada, a checa Martina Tichovska. A francesa Gaëlle Barlet concluiu na terceira posição com 246 pontos. Consulte os resultados completos em http://ranking.orienteering.org/WorldCup.


2. Decorreram no passado fim de semana os Campeonatos de TrailO da Finlândia. Com mapas e desenho de percursos de Lauri Kontkanen e supervisão de Antti Rusanen, a competição atraiu a Selsien Siku cerca de seis dezenas de atletas para a disputa dos títulos nacionais de TempO e de PreO 2015. Tomando conta do primeiro dia de provas, a competição de TempO teve em Risto Vainio o grande vencedor, com 515 segundos. Mais rápido que o vencedor mas menos certeiro, Martti Inkinen foi o segundo classificado, a 28 segundos de Vainio. Com um tempo médio de 5,77 segundos/ponto, Jari Turto foi o mais rápido de todos os atletas em prova, mas as 11 respostas erradas das 44 que compunham o concurso ditaram a terceira posição final, com um total de 584 segundos. Jari Turto voltou a estar em evidência no segundo dia, ao levar de vencida a competição de PreO. Numa prova muito disputada – os quatro primeiros terminaram empatados em pontos, servindo como fator de desempate o tempo gasto nos pontos cronometrados – Turto falhou apenas o último dos 44 pontos do percurso, valendo-lhe os 14 segundos nos cronometrados para levar de vencida o título nacional, batendo Jani Leppäniemi por um escasso segundo. O finlandês Ari Tertsunen conclui na terceira posição com 23 segundos nos cronometrados. Resultados completos e demais informação em http://www.trailo.fi/sm-kisat-2015/.


3. No fim de semana de 15 e 16 de Agosto, a Taça da Europa de Orientação de Precisão 2015 (não oficial) viu disputada em Bollnäs, na Suécia, a sua quarta ronda. Com percursos desenhados por Lennart Wahlgren, as etapas constituíram, em ambos os dias, um desafio aliciante para os 49 participantes de 6 diferentes nações que marcaram presença na “floresta profunda” do condado de Hälsingland. No primeiro dia de provas, foram quatro os atletas que terminaram empatados no topo da tabela, com 19 pontos em 20 possíveis. Valeu ao norueguês Lars Jakob Waaler uma fantástica prestação nos pontos cronometrados, para se impor ao sueco Ola Jansson, segundo classificado, e ao finlandês Ari Tertsunen e ao sueco Robert Jakobsson, terceiro e quarto classificados, respectivamente. A segunda etapa viu o norueguês Sigurd Dæhli repartir com o sueco Erik Stålnacke o primeiro lugar, ambos com 22 pontos em 23 possíveis e 16 segundos gastos nos pontos cronometrados. O finlandês Ari Tertsunen repetiu a terceira posição com menos um ponto que os vencedores, apesar de ter sido o mais rápido nos pontos cronometrados, com 9 segundos apenas. Quando falta disputar apenas uma ronda para o final da Taça da Europa 2015, Martin Jullum continua a liderar a classificação geral, mas as fracas prestações nesta quarta ronda colocaram em causa a revalidação do título por parte do norueguês, permitindo aos seus mais diretos opositores encurtar distâncias e colocarem-se, também eles, em posição privilegiada para chegarem à vitória final. Jullum tem encaixados 159 pontos até ao momento, mais 8 que o letão Janis Rukšans e mais 25 que o norueguês Lars Jakob Waaler. A sueca Marit Wiksell esteve igualmente nesta ronda uns furos abaixo daquilo que seria de esperar, descendo um lugar na tabela e sendo agora a 4ª classificada com 131 pontos. Mais informações em http://orienteering.org/events/?event_id=439.


4. Com um total de 3520 pontos, a turma finlandesa do Kuntokeskus Huippu, composta pela dupla Petteri Muukkonen e Hannu-Pekka Pukema, conquistou o título mundial de Rogaine 2015. Disputada pela primeira vez acima do Círculo Polar Ártico, nas deslumbrantes paisagens do Park Nacional de Urho Kekkonen, na região finlandesa de Saariselkä, a 13ª edição dos Campeonatos Mundiais de Rogaine WRC 2015 foi disputada por 374 equipas de 21 países. Na segunda posição, a 30 pontos dos vencedores, classificaram-se os estonianos da Estonian ACE Adventure Team (Silver Eensaar e Rain Eensaar), enquanto a terceira posição coube a outra turma da Estónia, a Salomon, composta por Timmo Tammemäe e Rait Pallo. A vitória no escalão sénior feminino coube às russas Ann Shavlakova e Natalya Abramova, da equipa Squirrels, enquanto os russos Konstantin Ivanov e Natalia Zimina, da Blondie/KAT, levaram de vencida o escalão sénior misto. Uma nota de destaque para a turma espanhola da Fuby Sport, composta por Albert Herrero e Jaume Folguera, que concluiu na 9ª posição, com menos 570 pontos que os vencedores. Para mais informações e resultados completos, consulte a página do WRC 2015 em http://wrc2015.rogaining.fi/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

City Race Euro Tour 2015: Pontapé de saída em Antuérpia



É já nos próximos dias 5 e 6 de Setembro que arranca a segunda edição do City Race Euro Tour. A cidade belga de Antuérpia recebe a ronda inaugural dum certame que se estende por seis localidades de cinco diferentes países e que irá terminar em Sevilha, Espanha, no dia 15 de Novembro.


Está aí o City Race Euro Tour 2015, um circuito que tem como marcas identitárias a aposta no turismo desportivo e na promoção da Orientação junto das populações de grandes centros urbanos. Depois de ter envolvido as cidades de Londres, Edimburgo, Porto e Barcelona na edição inaugural, levada a cabo em 2014, o certame cresce este ano em dimensão e ambição. Edimburgo - com a emblemática “Race the Castles” - não fará parte da presente edição, mas entram para o seu lugar as cidades de Cracóvia (Polónia), Sevilha e Antuérpia, permitindo estender a seis o conjunto de eventos, distribuídos por cinco nações distintas. Atingir a soma global de 5.000 participantes parece plausível para um circuito que chegou aos três milhares em 2014, dos quais 1447 pontuaram para os rankings em 12 escalões de competição.

Será em Antuérpia que o City Race European Tour 2015 dará o “pontapé de saída”, integrando a primeira edição do ASOM 2015 – Antwerp Sprint Orienteering Meeting. Três provas urbanas em dois dias de competição – 5 e 6 de Setembro – constituem a proposta da organização belga, com duas etapas de Sprint (tempo previsto para o vencedor de 15 minutos) na tarde do primeiro dia e uma etapa mais “robusta” a preencher o último dia de competição, com tempos para os vencedores a situarem-se entre os 35 e os 45 minutos. Esta será uma boa forma de explorar a cidade de Antuérpia, aproveitando para conhecer ou aperfeiçoar a prática duma modalidade excitante e cujo desafio foi até ao momento aceite por mais de 300 atletas, alguns dos quais de craveira mundial. Estão neste caso a russa Galina Vinogradova, medalha de bronze na final de Sprint dos recentes Campeonatos do Mundo, o belga Yannick Michiels, quinto classificado na final de Sprint da mesma competição, o britânico Christopher Smithard, o espanhol Antonio Martinez e os noruegueses Øystein Kvaal Østerbø e Elise Egseth, entre outros. Mais informações sobre este evento podem ser consultadas na página oficial, em http://www.asom.be/en/home.

Depois de Antuérpia, Londres receberá a 12 e 13 de Setembro a segunda etapa do circuito, seguindo-se o Porto (25/27 Setembro), Cracóvia (10/11 Outubro) e Barcelona (31 Outubro e 01 Novembro). Tudo irá terminar em Sevilha, nos dias 14 e 15 de Novembro, com a realização do Sevilla O-Meeting. Para mais informações, consulte a página do City Race Euro Tour, em http://cityracetour.org/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Orientação em BTT: Rankings mundiais registam mexidas



Concluídos que estão os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2015, é agora tempo de olhar para os rankings mundiais e analisar o respetivo “sobe e desce”. Grande sensação dos Campeonatos, Martina Tichovska saltou para o primeiro lugar do ranking feminino. No ranking masculino, Anton Foliforov reforçou a liderança, posição que mantém desde o dia 16 de maio de 2014.


Liberec, na República Checa, foi palco da 13ª edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT. No rescaldo duma semana repleta de emoções, com um belo par de surpresas de permeio, é possível olhar agora para os rankings da Federação Internacional de Orientação devidamente actualizados e perceber os reflexos dos resultados alcançados pelos atletas na mais importante competição do Calendário internacional de Orientação em BTT.

Começando pelo sector masculino, o russo Anton Foliforov reforçou a sua posição de líder do ranking respectivo, depois das medalhas de ouro alcançadas em Liberec nas provas de Distância Média e de Distância Longa. Imediatamente atrás de si está agora o italiano Luca Dallavalle, campeão do mundo de Sprint e vice-campeão do mundo de Distância Média, que protagonizou uma espectacular subida de sete posições. Ascendendo um lugar, o finlandês Jussi Laurila, vice-campeão do mundo de Distância Longa, ocupa agora a quarta posição. Outras subidas importantes foram as protagonizadas pelo checo Marek Pospisek, subindo nove lugares e sendo o actual quinto classificado, pelo austríaco Kevin Haselsberger, que veio do 16º lugar para a 9ª posição e pelo checo Frantisek Bogar que subiu dezasseis (!) posições e é agora o 19º classificado. Ainda no top 20, o finlandês Samuli Saarela subiu seis posições, ocupando atualmente o 13º lugar do ranking, enquanto o checo Vojtech Stransky é o atual 14º classificado, após uma subida de três lugares.

Do lado das descidas, é significativo o lugar perdido pelo checo Jiri Hradil que é agora o 3º classificado do ranking. O russo Ruslan Gritsan caiu da 4ª para a 8ª posição enquanto o francês Baptiste Fuchs desceu para o 6º lugar, quando anteriormente aos Campeonatos ocupava uma brilhante 3ª posição. Outra queda importante foi a do norueguês Hans Jorgen Kvale, descendo três posições para se fixar no 10º lugar. O francês Yoann Garde também caiu na tabela de forma significativa, ocupando o 17º lugar atual quando anteriormente era 11º, tal como o lituano Jonas Maiselis que perdeu seis lugares para se fixar na 18ª posição. Do lado dos portugueses, Davide Machado desceu um lugar e ocupa agora a 30ª posição, enquanto Daniel Marques manteve o 50º posto da tabela. João Ferreira está na 56ª posição, tendo baixado quatro degraus, enquanto Carlos Simões subiu três lugares e é agora o 63º classificado. Portugal tem ainda dois atletas no top 100, mas também eles registaram perdas na tabela. Mário Guterres é o 71º classificado quando anteriormente ocupava a 64ª posição e Luís Barreiro é o 87º classificado do ranking, tendo descido cinco posições.


Tichovska salta para a liderança feminina

No sector feminino a grande proeza foi protagonizada pela checa Martina Tichovska, ao deixar a 4ª posição do ranking para passar a assumir a liderança. Para esta subida terão contribuído decisivamente os títulos mundiais de Sprint e de Distância Longa e ainda a medalha de prata na prova de Distância Média. Anterior líder do ranking mundial, a britânica Emily Benham ocupa agora a segunda posição enquanto a russa Svetlana Poverina desceu igualmente um lugar na tabela e é agora a 3ª classificada. A sueca Cecilia Thomasson e a francesa Gaëlle Barlet subiram um lugar cada e ocupam as 4ª e 5ª posições, respectivamente, enquanto a dinamarquesa Camilla Soegaard subiu três posições o ocupa agora o 6º lugar do ranking. A finlandesa Susanna Laurila, vice-campeã do mundo de Distância Longa, protagonizou a subida mais fulgurante, ao trepar dez lugares para se fixar na 9ª posição. Outra subida importante foi a da suiça Maja Rothweiler, da 17ª para a 12ª posição.

Do lado das descidas, a finlandesa Marika Hara teve uma descida acentuada de quatro degraus para ocupar agora a 7ª posição. Outra das grandes perdedoras foi a russa Tatiana Repina que desceu três posições para se fixar no 13º lugar. A francesa Hana Garde perdeu dois lugares e ocupa agora o 10º posto, a dinamarquesa Nina Hoffmann foi da 15ª para a 18ª posição e a finlandesa Antonia Haga é agora a 15ª classificada após ter perdido quatro posições na tabela. A checa Marie Brezinova fixou-se no 14º lugar após ter caído uma posição, tal como a austríaca Michaela Gigon que é a actual 17ª classificada. As três atletas portuguesas presentes em Liberec tiveram ganhos na tabela, à exceção de Susana Pontes que manteve a 45ª posição. Ana Filipa Silva ganhou um lugar e é agora a 64ª classificada, enquanto Tânia Covas Costa recuperou nove lugares passando para a 73ª posição.

Confira os rankings completos e atualizados em http://ranking.orienteering.org/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

WMTBOC 2015: O dia seguinte

1. Chegaram ao fim os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT e é tempo de balanço. Nove países repartiram entre si as 24 medalhas em disputa na Elite. Com duas medalhas de ouro e três de prata, a Rússia liderou o medalheiro dos Campeonatos. A República Checa ocupou a segunda posição, alcançando duas medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze e garantindo, assim, a parcela mais robusta dos Campeonatos. Finlândia, Itália, França e Áustria alcançaram uma medalha de ouro cada, com o medalheiro finlandês a tirar partido do extra de duas medalhas de prata e uma de bronze para se cotar na terceira posição. Com uma medalha de prata e uma de bronze mais, a Itália ocupou a quarta posição, cabendo a quinta posição, ex-aequo, a franceses e austríacos. Segiu-se a Suécia, na sétima posição, com duas medalhas de bronze. Estónia e Grã-Bretanha completam esta lista, com uma medalha de bronze cada.


2. Se quisermos estender aos seis primeiros classificados a lista de atletas distinguidos com diplomas nestes Campeonatos do Mundo, começaremos por dizer que foram em número de 41 os atletas nestas condições, representando 11 nações diferentes. Com 4 medalhas alcançadas, a checa Martina Tichovska foi a “diplomada” mais valiosa dos Campeonatos. O finlandês Jussi Laurila e a francesa Gaëlle Barlet regressaram a casa igualmente com quatro diplomas, mas no caso de Laurila dois deles corresponderam a dois quintos lugares, enquanto Barlet teve um diploma devido a um quinto lugar e dois diplomas correspondentes à quarta posição. O russo Anton Foliforov, o italiano Luca Dallavalle, o checo Marek Pospisek, a britânica Emily Benham, as finlandesas Susanna Laurila e Marika Hara e a dinamarquesa Camilla Soegaard alcançaram três diplomas cada, importando dizer que os diplomas de Foliforov e Dallavalle corresponderam a outras tantas medalhas.


3. Individualmente, é forçoso reconhecer na pessoa da checa Martina Tichovska a “rainha” dos Campeonatos. As suas duas medalhas de ouro (Sprint e Distância Longa), uma de prata (Distância Média) e uma de bronze (Estafeta) falam demasiado alto se comparadas com as medalhas alcançadas pela concorrência. A vitória de Gaëlle Barlet na prova de Distância Média e das finlandesas Ingrid Stengard, Susanna Laurila e Marika Hara na estafeta, merecem igualmente nota de destaque. Ao ouro na Estafeta, junta Laurila a prata no Sprint, o que a transforma na segunda figura feminina dos Campeonatos.


4. Por seu lado, se Tichovska é a “rainha”, Anton Foliforov é o “rei” dos Campeonatos. Duas medalhas de ouro (Distância Média e Distância Longa) e uma de prata (Estefeta) são argumentos de peso a creditar na conta do russo. Ao conseguir o histórico título de Sprint para a Itália, aos quais acrescenta uma medalha de prata (Distância Média) e uma medalha de Bronze (Distância Longa), Luca Dallavalle é outra das figuras incontornáveis dos Mundiais, a par dos austríacos Kevin Haselsberger, Bernard Schachinger e Andreas Waldmann, surpreendentes vencedores da prova de Estafeta. Também as finlandesas Susanna Laurila, Ingrid Stengard e Marika Hara merecem figurar na lista de notáveis destes Campeonatos, pela recuperação do título mundial de Estafeta.


5. Na segunda linha das personalidades que marcaram estes Campeonatos, referência especial para as duas subidas ao pódio da sueca Cecilia Thomasson, medalha de bronze nas provas de Sprint e de Distância Longa. As medalhas de prata do checo Vojtech Stransky (Sprint), do finlandês Jussi Laurila (Distância Longa) e da russa Svetlana Poverina (Distância Longa e Estafeta) tornam obrigatória a sua inclusão nesta “segunda linha” das figuras dos Campeonatos.


6. Do lado das desilusões - não tanto pelo que fizeram mas sobretudo por aquilo que não fizeram, face ao muito que deles se esperava – estão o norueguês Hans Jorgen Kvale, “apenas” quarto na prova de Sprint e ausente dos restantes pódios, e sobretudo os franceses Baptiste Fuchs, Yoann Garde e Cédric Beill. Do russo Valeriy Glohov, do lituano Jonas Maiselis, do finlandês Pekka Niemi, do estoniano Tõnis Erm e do austríaco Tobias Breitschadel seria de esperar algo mais. Quanto às senhoras, a britânica Emily Benham é, apesar dum terceiro e dois quartos lugares, uma das perdedoras destes Campeonatos, a par da finlandesa Marika Hara, cuja medalha de ouro na Estafeta não consegue apagar as suas prestações descoloridas nas provas individuais. Da francesa Hana Garde, da finlandesa Antonia Haga e da dinamarquesa Caecilie Christoffersen esperava-se um pouco mais.


7. Nos Mundiais de Juniores, a França liderou o medalheiro, arrecadando seis das 24 medalhas distribuídas, sendo duas de ouro, três de prata e uma de bronze. Também com seis medalhas (duas de ouro, duas de prata e duas de bronze), a Rússia ocupou o segundo lugar da tabela, enquanto a Suécia, com duas medalhas de ouro e três de bronze, ocupou a terceira posição. Seguiram-se a República Checa (uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze) e a Austrália (uma medalha de ouro). As restantes medalhas couberam à Eslováquia e à Suiça, com uma medalha de prata cada, e à Finlândia, com uma medalha de bronze.


8. Individualmente, o sueco Oskar Sandberg foi a grande figura masculina, com duas medalhas de ouro (Distância Média e Distância Longa) e uma de bronze (Sprint). Angus Robinson, ao conquistar para a Austrália a sua primeira medalha de sempre em Mundiais de Juniores – e logo de ouro (Sprint)! -, é igualmente digno duma menção muito especial. Por sua vez, a francesa Lou Denaix merece o título de figura feminina, com uma medalha de ouro (Estafeta) e três medalhas de prata conquistadas. Uma referência especial para Darya Mikryukova, não apenas pela sua extraordinária juventude, mas sobretudo pelas conquistas de ouro (Distância Longa), prata (Estafeta) e bronze (Distância Média e Sprint) com que regressa à Rússia.


9. Finalmente falamos da participação portuguesa nestes Campeonatos, a qual teve como nota muito positiva o sétimo lugar na Estafeta masculina, naquele que é o melhor resultado de sempre da nossa seleção em Campeonatos do Mundo. O 16º lugar de Davide Machado na Distância Longa é igualmente digno de nota. Os resultados dos “veteranos” Daniel Marques e Carlos Simões merecem igualmente uma referência elogiosa. Ao lado dos Campeonatos passaram as seleções de Elite feminina e de Juniores masculinos, cujos resultados nunca conseguiram afastar-se significativamente da cauda das respetivas tabelas.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 22 de agosto de 2015

WMTBOC 2015: Áustria e Finlândia vencem Estafeta



A grande surpresa estava guardada para o último dia dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2015. Com uma prestação a todos os títulos brilhante, a Áustria conquistou o título mundial de Estafeta masculina, naquela que foi a mais disputada final de sempre. No setor feminino a vitória coube à Finlândia, enquanto nos Mundiais de Juniores a França foi a grande vencedora em ambos as categorias.


Conferindo aos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2015 a grande nota de sensação, a Áustria foi a grande vencedora da prova de Estafeta masculina, que teve lugar esta manhã. Começaram melhor os checos, por intermédio de Frantisek Bogar, ante a forte oposição de russos, finlandeses, austríacos e... portugueses. Com efeito, Davide Machado teve uma prestação brilhante neste primeiro percurso, passando o testemunho a Daniel Marques na segunda posição, a escassos 36 segundos da liderança. No lote dos cinco primeiros, só Marques soçobrou no segundo percurso, pelo que a decisiva manga oferecia a perspetiva duma intensa luta pelo ouro entre finlandeses, checos e russos, com a Áustria a ser a grande outsider nesta emocionante Estafeta. Portugal ocupava então a sexta posição, com uma vantagem de 3:59 sobre a Estónia, campeã do mundo em título e agora sétima classificada.

Mas foi precisamente a Áustria a dar a nota de sensação e a cotar-se como a grande surpresa dos Campeonatos. Andreas Waldmann - agora a cumprir a sua primeira época no seio da Elite, depois de em 2014 se ter sagrado Campeão do Mundo Junior de Distância Longa - soube aguentar a pressão de ter atrás de si nomes como os do checo Vojtech Stransky, do finlandês Jussi Laurila e do russo Anton Foliforov, correndo o derradeiro percurso sempre no limite e concluindo com uma mais que saudada vitória em 2:32:15, contra 2:32:23 da Rússia e 2:32:26 da Finlândia. Onze segundos apenas a separar os três primeiros classificados, naquela que se torna na mais disputada final de Estafeta masculina em treze edições dos Campeonatos do Mundo, dão à Áustria um título saboroso e particularmente merecido. Portugal conlcuiu no 7º lugar, a 15:38 da Áustria, alcançando desta forma o seu melhor resultado de sempre na Estafeta em Campeonatos do Mundo.


Finlândia recupera título mundial feminino

No setor feminino, a Suécia jogou a sua maior cartada no primeiro percurso, com Cecilia Thomasson a ser a mais rápida entre as 19 atletas que alinharam à partida. Todavia, Sanna Wallenborg rapidamente se deixou ultrapassar pelas suas adversárias mais diretas, com a Rússia e a República Checa a anularem a desvantagem superior a um minuto que tinham à partida para o segundo percurso. À russa Anastasiya Bolshova e à checa Marie Brezinova viria a junatr-se pouco depois a finlandesa Marika Hara, mercê duma prestação exímia, a ganhar quase três minutos às suas adversárias e a lançar Susanna Laurila na liderança da prova à partida para o decisivo percurso. Grandes figuras da final de Distância Longa, onde arrecadaram as duas primeiras posições, a checa Martina Tichovska e a russa Svetlana Poverina não foram capazes, no derradeiro percurso, de anular a diferença que as separava da finlandesa, restando-lhes a discussão da medalha de prata, com Poverina a levar a melhor após vigoroso sprint. No final, vitória da Finlândia em 2:08:19, que recupera assim o título que lhe fugira em 2014, precisamente para a Rússia.

O Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação em BTT JWMTBOC 2015 teve na França o denominador comum no tocante ao vencedor das categorias masculina e feminina. Vitórias por margens confortáveis, em ambos os casos sobre a Rússia, com Finlândia em masculinos e Suécia em femininos a ocuparem o terceiro lugar das respetivas tabelas. Muito disputada no início, a prova masculina teve no francês Samson Deriaz a grande figura, ao afastar-se significativamente da concorrência no segundo percurso, abrindo a vitória a um Florian Pinsard que não se fez rogado. Nas senhoras, o segundo percurso de Constance Devillers também foi decisivo, mas Lou Denaix, com um começo fulgurante, fui igualmente importante na vitória das francesas, que Lou Garcin se encarregou de confirmar.


Resultados

M21
1. Áustria (Kevin Haselsberger, Bernhard Schachinger e Andreas Waldmann) 2:32:15 (+ 00:00)
2. Rússia (Ruslan Gritsan, Valerii Glukhov e Anton Foliforov) 2:32:23 (+ 00:08)
3. Finlândia (Pekka Niemi, Samuli Saarela e Jussi Laurila) 2:32:26 (+ 00:11)
4. República Checa (Frantisek Bogar, Marek Pospisek e Vojtech Stransky) 2:35:06 (+ 02:51)
5. França (Yoann Garde, Clement Souvray e Baptiste Fuchs) 2:35:58 (+ 03:43)
6. Estónia (Tõnis Erm, Margus Hallik e Lauri Malsroos) 2:42:00 (+ 09:45)
7. Portugal (Davide Machado, Daniel Marques e Carlos Simões) 1:47:53 (+ 15:38)

W21
1. Finlândia (Ingrid Stengard, Marika Hara e Susanna Laurila) 2:08:19 (+ 00:00)
2. Russia (Tatiana Repina, Anastasiya Bolshova e Svetlana Poverina) 2:09:45 (+ 01:26)
3. República Checa ( Renata Paulickova, Marie Brezinova e Martina Tichovska) 2:09:51 (+ 01:32)
4. França (Nicole Hueber, Hana Garde e Gaëlle Barlet) 2:15:17 (+ 06:58)
5. Dinamarca (Nina Hoffman, Caecilie Christoffersen e Camilla Soegaard) 2:20:48 (+ 12:29)
6. Lituânia (Asta Simkoniene, Ramune Arlauskiene e Algirda Zaliauskaite) 2:24:23 (+ 16:04)
(…)
14. Portugal (Susana Pontes, Ana Filipa Silva, Tânia Covas Costa) 2:58:20 (+ 50:01)

M20
1. França (Antoine Vercauteren, Samson Deriaz e Florian Pinsard) 2:33:38 (+ 00:00)
2. Rússia (Leonid Tsvetkov, Alexander Kulgaviy e Vyacheslav Chernykh) 2:36:16 (+ 02:38)
3. Finlândia (Sakari Puolakanaho, Miska Tervala e Sauli Pietikainen) 2:36:50 (+ 03:12)
4. República Checa (Vaclav Snuparek, Matyas Ludvik e Michael Nemet) 2:41:48 (+ 08:10)
5. Eslováquia (Matej Muller, Teodor Takac e Andrej Cully) 2:48:10 (+ 14:32)
6. Suécia (Filip Bergstrom, Oskar Sandberg e Pontus Kullin) 2:50:26 (+ 16:48)
(…)
Portugal (Paul Roothans, Duarte Lourenço e Diogo Barradas) mp

W20
1. França (Lou Denaix, Constance Devillers e Lou Garcin) 2:31:46 (+ 00:00)
2. Russia (Olga Mikhaylova, Alena Fedoseeva e Darya Mikryukova) 2:32:38 (+ 00:52)
3. Suécia (Rebecka Hylander, Elvira Larsson e Kajsa Engstrom) 2:39:29 (+ 07:04)
4. Finlândia (Jutta Nurminen, Helena Hakala e Essi Hakala) 2:41:09 (+ 09:23)
5. República Checa (Andrea Kamenikova, Barbora Kohoutova e Veronika Kubinova) 2:48:21 (+ 16:35)
6. Áustria (Lea Hnilica, Julia Ritter e Antonella Fantoni) 2:53:38 (+ 21:52)

Resultados completos e demais informações em www.wmtboc2015.cz/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

WMTBOC 2015: O "bis" dourado de Anton Foliforov e Martina Tichovska

Prestes ao chegarem ao fim, os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2015 viram hoje cumprida a última prova individual do programa de competição. Anton Foliforov e Martina Tichovska foram os grandes vencedores da final de Distância Longa, a eles cabendo os títulos de “rei” e “rainha” destes Mundiais. Oskar Sandberg e Darya Mikryukova conquistaram o ouro nos mundiais de Juniores.


O terceiro e penúltimo dia do programa competitivo dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2015 foi preenchido pelas finais de Distância Longa, dando a conhecer os últimos Campeões do Mundo individuais da temporada. Abrangendo uma vasta área dos concelhos de Liberec e Jablonec nad Nisou, na República Checa, a prova apresentou níveis de exigência física e técnica muito elevados, numa zona particularmente desnivelada e com uma densa rede de caminhos. Na prova masculina, o russo Anton Foliforov renovou o título de Campeão do Mundo, ao concluir a sua prova em 1:42:11. Foliforov dá por finda uma época plena de sucesso, juntando a este título mundial de Distância Longa conquistado hoje, o título mundial de Distância Média alcançado na passada terça-feira e ainda os títulos europeus de Distância Média e de Distância Longa trazidos de Idanha-a-Nova (Portugal), no passado mês de Junho. Corolário daquela que é a sua melhor temporada de sempre, o atleta viu reforçada a sua liderança do ranking mundial, ao mesmo tempo que conquistou a Taça do Mundo masculina de Orientação em BTT 2015. A luta pelo segundo lugar foi empolgante, com o finlandês Jussi Laurila a ser o mais forte, terminando a 1:30 de Foliforov. Na terceira posição quedou-se outra das grandes sensações dos Campeonatos, o italiano Luca Dallavalle, que gastou mais seis segundos que Laurila. Davide Machado foi, uma vez mais, o melhor português em prova, conseguindo um honroso 16º lugar, a 10:12 do vencedor.

Na prova feminina, a checa Martina Tichovska foi uma muito aclamada vencedora, completando o seu percurso em 1:31:07 e batendo desta forma uma forte concorrência. Depois do segundo lugar na prova de Distância Média e do ouro alcançado no Sprint, Tichovska fecha da melhor maneira a sua participação nestes Campeonatos onde, “a jogar em casa”, soube dar enormes alegrias aos muitos aficionados que vêm acompanhando de perto a competição. Pelo segundo ano consecutivo, a russa Svetlana Poverina chegou à medalha de prata na Distância Longa, concluindo a sua prova com mais 1:06 que a vencedora. A sueca Cecilia Thomasson completou a sua prova em 1:34:04 e foi a terceira classificada, repetindo assim o bronze alcançado na final de Sprint da passada quarta-feira. A melhor atleta portuguesa em prova foi Susana Pontes, concluindo com o tempo de 2:21:11 a que correspondeu o 44º lugar.

A última referência vai para os Mundiais de Juniores, que viram também serem atribuídos os títulos de Distância Longa. Sucedendo ao austríaco Andreas Waldmann, o sueco Oskar Sandberg sagrou-se Campeão do Mundo ao completar o seu percurso em 1:26:48. É ele, incontornavelmente, a grande figura destes Mundiais de Juniores 2015, depois de ter chegado ao ouro na final de Distância Média que abriu os Campeonatos e de ter sido medalha de bronze na final de Sprint. O checo Vaclav Snuparek foi – tal como sucedera nos Europeus - o segundo classificado, a 56 segundos do sueco, enquanto a terceira posição coube ao francês Antoine Vercauteren, com mais 1:25 que o vencedor. No setor feminino, a russa Darya Mikryukova chegou finalmente ao ouro, depois dos terceiros lugares alcançados nas finais anteriores. Campeã da Europa nesta distância mas no escalão de juvenis (!), a muito jovem russa deu uma lição à forte concorrência, vencendo com o tempo de 1:26:22. A francesa Lou Denaix completou a sua prova em 1:32:20, arrecadando a sua terceira medalha de prata em outras tantas provas disputadas até ao momento nestes Campeonatos do Mundo. Na terceira posição classificou-se a sueca Elvira Larsson, a escassos três segundos da francesa. Uma nota de curiosidade apenas para o facto de Darya Mikryukova ter estabelecido hoje um novo record, fixando em 5:58 a maior diferença de tempos entre o vencedor e o segundo classificado em oito edições dos Mundiais de Juniores femininos.


Resultados

M21

1. Anton Foliforov (Rússia) 1:42:11 (+ 00:00)
2. Jussi Laurila (Finlândia) 1:43:41 (+ 01:30)
3. Luca Dallavalle (Itália) 1:43:47 (+ 01:36)
4. Samuli Saarela (Finlândia) 1:44:16 (+ 02:05)
5. Jiri Hradil (República Checa) 1:46:10 (+ 03:59)
6. Marek Pospisek (República Checa) 1:46:37 (+ 04:26)
(...)

16. Davide Machado (Portugal) 1:52:23 (+ 10:12)
34. Daniel Marques (Portugal) 2:02:05 (+ 19:54)
45. Carlos Simões (Portugal) 2:10:21 (+ 28:10)

W21
1. Martina Tichovska (República Checa) 1:31:07 (+ 00:00)
2. Svetlana Poverina (Rússia) 1:32:13 (+ 01:06)
3. Cecilia Thomasson (Suécia) 1:34:04 (+ 02:57)
4. Gaelle Barlet (França) 1:37:06 (+ 05:59)

4. Emily Benham (Grã-Bretanha) 1:37:06 (+ 05:59)

6. Camilla Soegaard (Dinamarca) 1:37:18 (+ 06:11)
(...)

44. Susana Pontes (Portugal) 2:21:11 (+ 50:04)
49. Ana Filipa Silva (Portugal) 2:30:30 (+ 59:23)
51. Tânia Covas Costa (Portugal) 2:39:42 (+ 1:08:35)

M20

1. Oskar Sandberg (Suécia) 1:26:48 (+ 00:00)
2. Vaclav Snuparek (República Checa) 1:22:44 (+ 00:56)
3. Antoine Vercauteren (França) 1:28:13 (+ 01:25)
4. Alexander Kulgaviy (Rússia) 1:28:51 (+ 02:03)
5. Sauli Pietikainen (Finlândia) 1:29:30 (+ 02:42)

6. Florian Pinsard (França) 1:30:27 (+ 03:39)
(...)

38. Paul Roothans (Portugal) 1:55:57 (+ 29:09)
43. Duarte Lourenço (Portugal) 2:03:53 (+ 37:05)
45. Diogo Barradas (Portugal) 2:05:09 (+ 38:21)
48. André Ramalho (Portugal) 2:12:04 (+ 45:16)
Afonso Barreiros (Portugal) mp

W20

1. Darya Mikryukova (Rússia) 1:26:22 (+ 00:00)
2. Lou Denaix (França) 1:32:20 (+ 05:58)
3. Elvira Larsson (Suécia) 1:32:23 (+ 06:01)
4. Sandrine Muller (Suiça) 1:34:55 (+ 08:33)
5. Doris Kudre (Estónia) 1:37:04 (+ 10:42)
5. Anna Semenova (Rússia) 1:38:37 (+ 12:15)

Resultados completos e demais informações em http://www.wmtboc2015.cz/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Jonas Leandersson: "Quero apenas saborear o momento"


Depois dos títulos europeus de Sprint conquistados em 2012 e 2014, Jonas Leandersson chega finalmente ao ouro mundial. Apogeu duma carreira de sucesso, aqui contada detalhadamente pelo grande campeão sueco.


Como é que decorreu a sua preparação com vista aos Campeonatos do Mundo? Quais os objetivos à partida para a Escócia?

Jonas Leandersson (J. L.) - A minha temporada de Inverno correu realmente muito bem, sem adoecer ou ter ficado lesionado. À medida que a temporada ia avançando, sentia que a minha forma ia ficando cada vez melhor. Mas também sei por experiência própria que não é apenas a forma física que importa estar no máximo por altura dos Campeonatos do Mundo. Este ano direcionei as minhas atenções para a prova de Sprint, em Forres. Após a final do ano passado, em Veneza, saí com a sensação de que poderia ter tido um desempenho ainda melhor nesse dia. O meu objetivo, pois, era chegar à Escócia e lutar por uma medalha, querendo com isto dizer que a grande ambição estava em correr a prova perfeita.

Quer falar-nos dessa prova e da extraordinária vitória alcançada? Que significado tem esta medalha de ouro?

J. L. - Eu sabia que estava em boa forma e que tinha aqui uma oportunidade excelente para conseguir um grande resultado. Mas sabia igualmente que havia um conjunto de atletas de enorme valor nesta final e que tinham a mesma ambição, portanto tudo podia acontecer. Fiz uma prova quase perfeita e preocupei-me inicialmente em garantir um começo seguro. Depois puxei imenso na fase intermédia da corrida para acabar a dar o tudo por tudo. Esta medalha de ouro tem um enorme significado para mim. É o concretizar do grande objetivo da temporada e é a medalha que me fugiu nas anteriores edições dos Campeonatos do Mundo. Parece inacreditável – mas é mesmo muito bom – que a minha prova tenha sido suficientemente conseguida para chegar ao ouro.

E quanto à Estafeta e à Estafeta Mista de Sprint? Está satisfeito com os seus desempenhos?

J. L. - A Estafeta Mista de Sprint correu bastante bem, tanto em relação à equipa como pessoalmente. Tinhamos como objetivo as medalhas e lutámos por isso durante toda a prova. As outras equipas revelaram-se mais fortes no final e acabámos no 5º lugar, a apenas alguns segundos das medalhas. Penso que devemos dar-nos por satisfeitos com os nossos desempenhos, apesar do objetivo ser bem mais ambicioso à partida.

Quanto à Estafeta de floresta, cometi um erro muito grande no ponto 6. Saí numa direção errada e decidi, mesmo assim, seguir por um caminho em volta do ponto. Voltei então a tomar de novo uma má opção, dirigindo-me àquilo que pensava ser outro caminho. Alguns segundos mais tarde percebi que se tratava apenas dum trilho deixado por atletas que ali tinham passado anteriormente e decidi prosseguir em direção ao ponto através duma área de floresta. Acabei, infelizmente, por perder ainda mais tempo ao não perceber que a clareira onde estava era a mais próxima do ponto. Um grande erro que fez com que me sentisse praticamente sozinho na floresta. A partir desse momento procurei dar o máximo, mas o terreno também não ajudava. Senti-me no final muito desapontado comigo mesmo e pelo facto de não ter podido dar ao Olle [Boström] e ao Gustav [Bergman] uma classificação melhor.

Que motivação é que estes resultados acarretam em termos de futuro?

J. L. - Não consigo ter ainda a certeza. No presente, quero apenas saborear o momento e depois retomarei os treinos com vista aos Campeonatos do Mundo do próximo ano, na Suécia. Espero que isso me traga energia em termos de futuro e que me permita alcançar novos feitos.

E quanto ao selecionado da Suécia? Globalmente, que resultados gostaria de destacar?

J. L. - Penso que tivemos um conjunto de excelentes prestações na Escócia. O objetivo era alcançar seis medalhas, das quais duas de ouro, e foi precisamente isso que conseguimos arrecadar. Todas as medalhas foram, à sua medida, excelentes. Annika [Billstam] defendeu o ouro do ano passado. Jerker [Lysell], apesar dos inúmeros problemas que teve este ano, chegou lá e mostrou o grande 'sprinter' que é. Olle, com tantos anos a lutar com as lesões, regressou ao topo, o lugar onde pertence. Soube muito bem tê-lo de volta à equipa e ele merece, realmente, esta medalha. Emma [Johansson], com uma grande época, mostrou-se neste WOC na melhor forma, fez duas grandes provas e conquistou duas medalhas.

Como classifica o WOC 2015, quer do ponto de vista técnico, quer em termos organizativos?

J. L. - O terreno e os percursos foram este ano excelentes, com diferentes tipologias e, consequentemente, diferentes desafios. O Sprint em Forres poderia ter sido mais desafiante, se tivessem sido usadas mais cercas artificiais. Mas mesmo durante o Sprint em Forres, o desempenho técnico foi a chave para chegar às medalhas.

Se lhe pedisse para eleger um momento – o grande feito do WOC 2015 – sobre quem recairia a sua escolha?

J. L. - Annika Billstam atacando o percurso, tendo sido a última atleta a partir para a prova de Distância Média, e defendendo denodadamente a sua medalha de ouro. Foi enorme! Também as equipas da Dinamarca em ambas as Estafetas tiveram um desempenho impressionante. Velocidade no limite do início ao fim das provas, algo que nenhuma seleção conseguiu acompanhar.

Com a temporada a chegar ao fim, quais os objetivos que tem ainda traçados?

J. L. - O objetivo é terminar a época da melhor maneira, primeiro na Suécia e depois na Taça do Mundo.

[Foto: Svensk Orientering / facebook.com/svenskorientering]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Svetlana Mironova: "A Orientação é a minha vida e eu quero continuar, melhorar"



A sua presença nos Campeonatos do Mundo esteve em dúvida quase até ao limite, mas Svetlana Mironova nunca deixou de acreditar. No final, uma medalha de bronze com laivos dourados e um par de belos momentos, aqui recordados com intensidade e paixão.


Como é que decorreu a sua preparação para os Campeonatos do Mundo?

Svetlana Mironova (S. M.) – Este foi um ano complicado. Tinha planeado um conjunto de Campos de Treino na Escócia mas lesionei-me mesmo antes do início e acabei por passar esses primeiros momentos a caminhar apenas. A lesão acabou por se prolongar por muito tempo e tanto eu como o meu treinador chegámos a ponderar a minha não participação nos Campeonatos do Mundo. Mas decidimos que deveríamos tentar. Tivemos que introduzir alterações nos treinos de maneira a que o meu joelho tivesse tempo para recuperar mas, ao mesmo tempo, procurámos seguir o plano de treinos o mais à risca possível. Foi necessário planear muito cuidadosamente cada treino! Algumas semanas antes do WOC a dúvida permanecia sobre se seria capaz de competir ou não, mas o meu treinador voltou, de novo, a fazer com que eu acreditasse em mim.

Quer falar-me da sua medalha de bronze na prova de Distância Longa? Pelo que acabou de dizer, posso depreender que este era um resultado que não estava à espera.

S. M. – Sim, tal como referi antes, participar no WOC estava fora de questão a três meses do seu início. Mas eu queria tanto correr. Sinceramente, chegar ao bronze este ano foi muito mais difícil do que a conquista da medalha de ouro no ano passado. Não são muitas as pessoas que estão por dentro daquilo que eu passei, mas aquelas que me acompanharam de perto são unânimes em referir que esta medalha “está pintada a ouro”. Na verdade esta medalha de bronze é muito importante e representa uma vitória sobre mim mesma e sobre a minha lesão.

E quanto ao 13º lugar na Final de Sprint? Que recordações guarda dessa prova?

S. M. - Na realidade este é o meu melhor resultado de sempre numa final de Sprint em Campeonatos do Mundo! Apenas tenho um resultado melhor do que este e que foi o 7º lugar nos Europeus de 2012. Este ano fui seleccionada para todas as provas individuais e para a Estafeta de floresta, mas tive de pensar muito bem naquilo que mais queria: correr todas as provas ou correr boas provas. A minha lesão obrigou-me a optar. Em conjunto com o meu treinador, decidimos abdicar da Distância Média, tendo assim algum tempo mais de recuperação antes da Estafeta. Penso que foi uma boa decisão. Construímos o programa do WOC “em escada”, a aumentar de prova para prova em termos de exigência física, desde a Qualificatória de Sprint até à Distância Longa. Sabia que não tinha hipóteses de vencer a prova de Sprint e a minha intenção foi correr uma prova perfeita em termos de navegação, à maior velocidade possível em ambiente urbano. Mesmo tendo cometido um erro que me custou 12 segundos, estou bastante satisfeita porque o meu desempenho foi melhor do que o do ano passado, mesmo estando em pior forma física (em 2014 fiquei abaixo do top 20). Gosto das provas de Sprint, são dinâmicas e têm muita beleza. E estou certa que a Distância Média também está à minha espera.

Como sentiu o “mp” na Estafeta?

S. M. - Foi realmente uma má surpresa! A equipa feminina da Rússia nunca tinha sido desclassificada anteriormente na Estafeta. Tivemos um bom começo com a Natalia [Vinogradova], ela foi muito rápida e, mesmo com um erro muito grande, conseguiu passar o testemunho na segunda posição. Eu sabia que teria, acima de tudo, de correr uma prova limpa, sem erros. Mas entretanto aconteceu um problema – o meu SI “touch free” partiu-se após o primeiro ponto. No segundo ponto perdi alguns segundos a tentar perceber o que é que estava errado e a partir daí tive de validar cada passagem pelos pontos da forma convencional. Sabia que, por este motivo, estava a perder tempo e teria de ser ainda mais rápida. Finalmente consegui manter o segundo lugar e a diferença para a equipa terceira classificada (não falo nas dinamarquesas, elas foram extremamente rápidas). Algo aconteceu com a Tatiana [Ryabkina], não sei o quê, ela é a atleta mais experiente na equipa… Mas as coisas acontecem, isto é uma Estafeta e é sempre imprevisível. Ficámos em choque quando ela terminou a prova, mas interiorizei rapidamente que não havia nada a fazer e seria mais importante guardar essas energias e emoções para a prova de Distância Longa. Pura e simplesmente esqueci. Fiquei satisfeita com a minha prova no segundo percurso porque percebi que conseguia correr tão depressa como outras atletas bastante fortes e isso foi para mim o mais importante nesse dia.

Que motivação é que estes resultados acarretam em termos de futuro?

S. M. – Eu não colocaria a questão dessa forma. A Orientação é a minha vida e eu quero continuar, melhorar. Gosto de fazer isto da melhor forma. Precisamente porque gosto desta minha vida.

E quanto à seleção da Rússia? Que resultados destacaria?

S. M. – Foi um ano difícil para a nossa equipa, mas vejo que os meus colegas trabalham no duro. Estamos muito contentes com o desempenho na estafeta Mista de Sprint, onde alcançámos uma “impossível” medalha de bronze. Foi fantástico e estou muito orgulhosa da Galina [Vinogradova] que esteve espectacular no último percurso.

Como avalia o WOC 2015 dum ponto de vista técnico e organizativo?

S. M. - Bem… fantástico! Penso que foram os Campeonatos do Mundo com o maior destaque televisivo de sempre. Dum ponto de vista dos espectadores, foi muitíssimo bem organizado. Cada percurso foi traçado deixando a parte mais dura para o final, o que confere melhor visibilidade. Muitas cameras, operadores de camera à mão em corrida (mesmo em locais muito afastados da Arena na prova de Distância Longa!), penso que estas foram as mais interessantes transmissões televisivas de sempre. Outra situação foi o trajeto da Quarentena para a Pré-Partida na prova de Distância Longa. Uma das carrinhas caiu num buraco e foi impossível fazer deslocar outros autocarros, pelo que os atletas tiveram de enfrentar uma caminhada de 20 minutos. Mas o que é que se pode dizer acerca disto? Esta era a única forma de levar a cabo a prova naquele terreno verdadeiramente único. Portanto, nada a apontar!

Se lhe pedisse que referisse um momento – o melhor desempenho dos Campeonatos -, qual seria a sua escolha?

S. M. - O título do melhor desempenho dos Campeonatos, gostaria de o atribuir a um momento (um verdadeiro momento) de contemplação, quando atingi o ponto mais elevado do percurso na primeira pernada longa da prova de Distância Longa e pude apreciar a beleza da paisagem à minha volta – montanhas cobertas de florestas com pequenas manchas de neve não derretida apesar de estarmos em Agosto, um verde exuberante sob o brilho do sol. Apenas pude contemplar esta visão pelo espaço de um único segundo porque a minha prova não podia esperar, mas este pequenino segundo fez-me sentir a beleza natural do Norte da Escócia! (tenho pena dos atletas que tomaram a melhor opção nesta pernada, eles não puderam apreciar nada disto).

Sinceramente, gostaria de sublinhar que o terreno da prova de Distância Longa que nos foi oferecido este ano era realmente único. Desde logo, foi o terreno mais desafiante e exigente de todos quantos tivemos no WOC, um terreno sem trilhos, um piso extremamente duro. Foi realmente fantástico e mais fantástico ainda seria se tivéssemos a oportunidade de o correr para o tempo de uma hora e meia, tal como aconteceu na prova masculina. Portanto, gostaria de anunciar Glen Affric como o grande acontecimento deste WOC 2015!

A temporada aproxima-se do fim, pelo que lhe pedia que nos falasse dos seus próximos objectivos.

S. M. – Gostaria de dedicar este tempo à minha preparação para os Campeonatos Mundiais Militares do CISM, nos quais participarei este ano. Será uma viagem excitante e, assim o espero, também uma grande experiência.

[Foto: Team Russia Orienteering / facebook.com/TeamRussiaO]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

WMTBOC 2015: Depois da prata, o ouro para Luca Dallavalle e Martina Tichovska



Melhor do que a prata, só mesmo o ouro! Vinte e quatro horas após a conquista do segundo lugar na prova de Distância Média dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2015, Luca Dallavalle e Martina Tichovska correram hoje para a vitória na prova Sprint, disputada em Turnov. Nos Mundiais de Juniores, Angus Robinson e Veronika Kubinova arrebataram a medalha de ouro.


O programa do segundo dia de competição dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2015 foi todo ele dedicado às finais de Sprint. As imediações do Estádio Ludvík Daněk, em Turnov, foram palco de intensos duelos, com a indefinição quanto aos vencedores a permancer até ao derradeiro segundo. No escalão de Elite masculina, o italiano Luca Dallavalle foi o mais rápido, conquistando para o seu país uma medalha de ouro histórica, a primeira de sempre da Orientação em BTT italiana. Dallavalle já ontem tinha ameaçado o primeiro lugar, concluindo a prova de Distância Média de prata ao peito, a escassos cinco segundos do vencedor, o russo Anton Foliforov. Inconformado e combativo, o atleta italiano encarou a prova de hoje com determinação, evidenciando a "garra" que faz dele um grande campeão e levando de vencida o seu percurso com o tempo de 20:58.

Numa prova acesamente disputada - os dez primeiros classificados terminaram separados entre si por margens inferiores a um minuto -, o checo Vojtech Stránsky alcançou o segundo lugar, tendo gasto mais 4 segundos que o vencedor. A terceira posição coube ao Campeão Europeu em título, o estoniano Lauri Malsroos, com o tempo de 21:18. Com um total de quatro atletas nos dez primeiros lugares, a República Checa esteve em grande destaque no dia de hoje. Campeão do Mundo de Sprint em 2014 e grande estrela do primeiro dia dos Campeonatos, Anton Foliforov concluiu na 12ª posição com um tempo de 22:17. Quanto aos portugueses, Davide Machado voltou a ser o nosso melhor representante, terminando a sua prova no 35º lugar, a 2:35 de Dallavalle.


Tichovska também faz história

Conforme já referido, a história da prova feminina escreve-se exatamente com as mesmas palavras da prova masculina. Um registo de 21:52 foi quanto bastou para que Martina Tichovska conquistasse uma medalha de ouro também ela histórica, a primeira em Campeonatos do Mundo para a República Checa no setor feminino. Os 55 segundos de vantagem sobre a finlandesa Susanna Laurila, segunda classificada, são bem demonstrativos da supremacia da atleta checa, alias já evidenciada em Idanha-a-Nova, no passado mês de Junho, onde alcançou o título europeu de Sprint, impondo-se à tual líder do ranking mundia, a britânica Emily Benham. A terceira posição coube à sueca Cecilia Thomasson, com o tempo de 22:49, enquanto a finlandesa Marika Hara, Campeã do Mundo de Sprint em 2014, concluiu na 6ª posição. Com o tempo de 30:11, a que correspondeu o 43º lugar, Ana Filipa Silva foi a melhor representante portuguesa nesta prova.

Nos Mundiais de Juniores, o australiano Angus Robinson sagrou-se campeão do Mundo ao concluir a sua prova em 21:27, contra 21:48 do suíço Silvan Stettler. Com mais 36 segundos que Robinson, o sueco Oskar Sandberg - grande vencedor da prova de Distância Média disputada ontem e Campeão do Mundo de Sprint em 2014 - concluiu no terceiro lugar. Afonso Barreiros foi o melhor português, tendo terminado no 38º lugar com o tempo de 26:24. A prova feminina confirmou a checa Veronika Kubinova como a grande favorita, ela que defendia ante o seu público o título mundial conquistado no ano transato em Bialystok, Polónia. Recuperando do fracasso da prova de ontem, onde foi desqualificada, Kubinova vingou o segundo lugar dos Campeonatos da Europa ante Lou Denaix, vencendo com o tempo de 22:15. Denaix repetiu o segundo lugar da prova de Distância Média, tendo gasto mais 4 segundos que a vencedora. Também a russa Daria Mikryukova voltou a repetir a subida ao degrau mais baixo do pódio nestes Mundiais, quedando-se a 15 segundos de Kubinova. A terminar, como nota de curiosidade, referência especial para a medalha de ouro conquistada pelo australiano Angus Robinson, a primeira de sempre em termos absolutos dum atleta junior australiano em Campeonatos do Mundo. Também Silvan Stettler ofereceu à Orientação em BTT junior masculina da Suiça a sua primeira medalha de sempre da mais importante competição do calendário internacional de Orientação em BTT neste escalão.


Resultados

M21

1. Luca Dallavalle (Itália) 20:58 (+ 00:00)

2. Vojtech Stransky (República Checa) 21:02 (+ 00:04)

3. Lauri Malsroos (Estónia) 21:18 (+ 00:20)

4. Hans Jorgen Kvale (Noruega) 21:23 (+ 00:25)

5. Jussi Laurila (Finlândia) 21:26 (+ 00:28)

6. Frantisek Bogar (República Checa) 21:33 (+ 00:35)

(...)

35. Davide Machado (Portugal) 23:33 (+ 02:35)

43. Daniel Marques (Portugal) 24:21 (+ 03:23)

55. Carlos Simões (Portugal) 24:45 (+ 03:47)

58. João Ferreira (Portugal) 25:02 (+ 04:04)

66. Luis Barreiro (Portugal) 25:46 (+ 04:48)

77. Mario Guterres (Portugal) 27:08 (+ 06:10)


W21
1. Martina Tichovska (República Checa) 21:52 (+ 00:00)

2. Susanna Laurila (Finlândia) 22:47 (+ 00:55)

3. Cecilia Thomasson (Suécia) 22:49 (+ 00:57)

4. Emily Benham (Grã-Bretanha) 23:06 (+ 01:14)

5. Gaelle Barlet (França) 23:07 (+ 01:15)

6. Marika Hara (Finlândia) 23:12 (+ 01:20)

(...)

43. Ana Filipa Silva (Portugal) 30:11 (+ 08:19)

45. Susana Pontes (Portugal) 30:46 (+ 08:54) 

51. Tânia Covas Costa (Portugal) 33:41 (+ 11:49)


M20

1. Angus Robinson (Austrália) 21:27 (+ 00:00)
2. Silvan Stettler (Suiça) 21:48 (+ 00:21)

3. Oskar Sandberg (Suécia) 22:00 (+ 00:33)

4. Vyacheslav Chernykh (Rússia) 22:07 (+ 00:40)
5. Matej Muller (Eslováquia) 22:12 (+ 01:45)

6. Vaclav Snuparek (República Checa) 22:37 (+ 01:10)
(...)

38. Afonso Barreiros (Portugal) 26:24 (+ 04:57)
43. Paul Roothans (Portugal) 27.04 (+ 05:37)
48. Duarte Lourenço (Portugal) 28:00 (+ 06:33)
57. Diogo Barradas (Portugal) 31:52 (+ 10:25)

André Ramalho (Portugal) mp

W20

1. Veronika Kubinova (República Checa) 22:15 (+ 00:00)

2. Lou Denaix (França) 22:19 (+ 00:04)

3. Darya Mikryukova (Rússia) 22:30 (+ 00:15)

4. Constance Devillers (França) 22:59 (+ 00:44)

5. Doris Kudre (Estónia) 23:29 (+ 01:14)

5. Viktorija Michnovic (Lituânia) 23:29 (+ 01:14)


Resultados completos e demais informações em http://www.wmtboc2015.cz/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 18 de agosto de 2015

WMTBOC 2015: Ouro na Distância Média para Anton Foliforov e Gaelle Barlet



Anton Foliforov e Gaelle Barlet são os novos Campeões do Mundo de Distância Média. Disputadas em Jablonec nad Nisou, em terrenos de grande qualidade, ambas as provas foram muito disputadas e com poucos segundos a separarem o ouro da prata. Nos escalões Juniores, Oskar Sandberg e Alena Fedoseeva estiveram em grande evidência.


Depois dos títulos mundiais de Distância Longa (2010 e 2014) e de Sprint (2011 e 2014), Anton Foliforov alcançou esta manhã o título individual que faltava no seu currículo, o de Distância Média. Líder do ranking mundial e medalha de ouro na prova de Distância Média dos recentes Campeonatos da Europa, o atleta russo necessitou de 58:16 para completar o seu percurso, deixando o italiano Luca Dallavalle a cinco escassos segundos de diferença. A terceira posição coube ao checo Marek Pospisek, a 1:04 do vencedor. Campeão do Mundo de Distância Média em 2014, o russo Ruslan Gritsan concluiu no 6º lugar, a 2:24 do seu compatriota. Portugal alinhou nesta prova com seis atletas, cotando-se Davide Machado como o melhor representante nacional com o tempo de 1:08:08, a que correspondeu o 38º lugar.

A prova feminina teve na francesa Gaelle Barlet a grande vencedora. Campeã do Mundo de Sprint em 2011, a atleta surgira este ano nos Europeus de Idanha-a-Nova com uma disposição competitiva altamente ganhadora, tendo alcançado o título de Distância Média e chegado à medalha de prata na Distância Longa. Agora reforça o seu estatuto de estrela maior da Orientação em BTT mundial em 2015, levando de vencida esta prova no tempo de 53:32 e deixando a checa Martina Tichovska a 24 segundos de distância. Atual líder do ranking mundial, a britânica Emily Benham foi terceira classificada, enquanto a Campeã do Mundo em 2014, a sueca Cecilia Thomasson, concluiu na 8ª posição. Susana Pontes foi, das três portuguesas presentes a melhor classificada, terminando no 46º lugar no conjunto das 60 atletas que alinharam à partida.


Uma estrela chamada Alena Fedoseeva

Passando ao Campeonato do Mundo de Juniores, foram em número de 64 os atletas que alinharam à partida no escalão masculino, para uma prova muito disputada e com os primeiros quatro classificados separados por menos de um minuto. Grande revelação dos Mundiais de 2014, onde se sagrou Campeão do Mundo de Sprint, Oskar Sandberg voltou a subir ao lugar mais alto do pódio, desta feita para receber a medalha de ouro na Distância Média. O atleta sueco gastou 52:39, contra 52:56 do eslovaco Andrej Cully, segundo classificado. A medalha de bronze ficou “em casa”, com o checo Vaclav Snuparek a gastar mais 53 segundos que o vencedor. O finlandês Sauli Pietikainen, Campeão Europeu em título, não foi além da 10ª posição a 04:20 do vencedor. Portugal apresentou cinco atletas juniores em competição, cabendo a André Ramalho o nosso melhor resultado, no 43º lugar.

Finalmente, no tocante ao escalão Junior feminino, a nota de destaque vai para a vitória da russa Alena Fedoseeva, que junta assim o título mundial ao título europeu conquistado em Idanha-a-Nova (Portugal), mas no escalão Juvenil. Uma vitória surpreendente, conseguida no tempo de 49:28, ante uma das grandes favoritas, a francesa Lou Denaix, que gastou mais 48 segundos. A terceira posição coube a outra atleta juvenil russa, Daria Mikryukova, enquanto no quarto lugar quedou-se a helvética Sandrine Muller, medalha de bronze na Distância Média e Distância Longa dos recentes Mundiais de Juniores… de Orientação Pedestre! Campeã Europeia Junior e Campeã do Mundo de Sprint em título, a checa Veronika Kubinova foi desclassificada, enquanto a Campeã do Mundo de Distância Média em 2014, a sueca Kajsa Engstrom, terminou na 8ª posição. Participaram nesta prova 36 atletas.


Resultados

M21
1. Anton Foliforov (Rússia) 58:16 (+ 00:00)
2. Luca Dallavalle (Itália) 58:21 (+ 00:05)
3. Marek Pospisek (República Checa) 59:20 (+ 01:04)
4. Valerii Glukhov (Rússia) 59:34 (+ 01:18)
5. Jussi Laurila (Finlândia) 59:59 (+ 01:43)
6. Ruslan Gritsan (Rússia) 1:00:40 (+ 02:24)
(…)
38. Davide Machado (Portugal) 1:08:08 (+ 09:52)
48. Daniel Marques (Portugal) 1:11:55 (+ 13:39)
50. Carlos Simões (Portugal) 1:11:58 (+ 13:42)
56. João Ferreira (Portugal) 1:13:02 (+ 14:46)
73. Luís Barreiro (Portugal) 1:18:44 (+ 20:28)
73. Mário Guterres (Portugal) 1:18:44 (+ 20:28)

W21
1. Gaelle Barlet (França) 53:32 (+ 00:00)
2. Martina Tichovska (República Checa) 53:56 (+ 00:24)
3. Emily Benham (Grã-Bretanha) 54:06 (+ 00:34)
4. Susanna Laurila (Finlândia) 54:27 (+ 00:55)
5. Camilla Soegaard (Dinamarca) 54:50 (+ 01:18)
6. Marika Hara (Finlândia) 55:18 (+ 01:46)
(…)
46. Susana Pontes (Portugal) 1:16:28 (+ 22:56)
53. Ana Filipa Silva (Portugal) 1:26:19 (+ 32:47)
58. Tânia Covas Costa (Portugal) 1:44:47 (+ 51:15)

M20
1. Oskar Sandberg (Suécia) 52:39 (+ 00:00)
2. Andrej Cully (Eslováquia) 52:56 (+ 00:17)
3. Vaclav Snuparek (República Checa) 53:32 (+ 00:53)
4. Vyacheslav Chernykh (Rússia) 53:35 (+ 00:56)
5. Florian Pinsard (França) 53:51 (+ 01:12)
6. Edwyn Oliver Evans (Grã-Bretanha) 54:03 (+ 01:24)
(…)
43º André Ramalho (Portugal) 1:11:23 (+ 18:44)
47º Duarte Lourenço (Portugal) 1:12:09 (+ 19:30)
56º Diogo Barradas (Portugal) 1:28:35 (+ 35:56)
Afonso Barreiros (Portugal) mp
Paul Roothans (Portugal) mp

W20
1. Alena Fedoseeva (Rússia) 49:28 (+ 00:00)
2. Lou Denaix (França) 50:16 (+ 00:48)
3. Darya Mikryukova (Rússia) 50:27 (+ 00:59)
4. Sandrine Mueller (Suiça) 53:11 (+ 03:43)
5. Doris Kudre (Estónia) 53:12 (+ 03:44)
6. Viktorija Michnovic (Lituânia) 54:23 (+ 04:55)

Resultados completos e demais informação em http://www.wmtboc2015.cz/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido