sábado, 28 de fevereiro de 2015

AOM 2015: Hubmann e Mironova vencem na Média, Michiels e Mironova triunfam no Sprint



Daniel Hubmann e Svetlana Mironova foram os grandes vencedores da etapa de Distância Média WRE, a mais importante desta edição do Andalucia O' Meeting, disputada na manhã de hoje. Da parte da tarde, num Sprint igualmente pontuável para o ranking mundial, Mironova repetiu o triunfo na Elite feminina, enquanto a vitória no escalão de Elite masculina coube a Yannick Michiels.


Após um prólogo particularmente animado e concorrido e que teve na norueguesa Siri Ulvestad (Nydalens SK) e no britânico Murray Strain (Interlopers) os vencedores nos escalões de Elite, chegou o momento mais esperado, na manhã de hoje, com a disputa da prova de Distância Média WRE do Andalucia O' Meeting 2015. Com 6,8 km e 25 pontos de controlo para a Elite masculina e 5,4 km e 21 pontos de controlo para a Elite feminina, a prova decorreu no mapa de floresta de Cartaya, nas imediações de Punta Umbría e contou com a participação de 779 atletas nos escalões de competição, aos quais se devem somar perto de uma centena nos escalões abertos.

Dados como grandes favoritos à partida, o suiço Daniel Hubmann (Kristiansand OK) e a russa Svetlana Mironova (KooVee) foram os grandes vencedores. Hubmann cumpriu o seu percurso em 32:44, tendo dominado a prova por completo a partir do 8º ponto. O letão Edgars Bertuks (TuMe) ainda chegou a comandar a prova, mas um erro de mais de um minuto para o 8º ponto acabou por se revelar fatal às aspirações do atleta. O letão viria a concluir na terceira posição a 2:02 de Hubmann, enquanto a segunda posição viria a pertencer ao britânico Alasdair McLeod (Clydeside Orienteers), com o tempo de 34:23. Destaque ainda para o excelente resultado do português Tiago Gingão Leal (GD4C), 8º classificado com o tempo de 36:59. No escalão de Elite feminina, Svetlana Mironova fez uma prova não isenta de erros – perdeu dois minutos nas duas pernadas longas -, acabando por vencer com o tempo de 34:53, batendo a finlandesa Heini Saarimäki (Angelniemen Ankkuri), segunda classificada, pela margem de 13 segundos apenas. Marttiina Joensuu (SK Pohjantähti), com o tempo de 35:29, concluiu na terceira posição, enquanto a melhor atleta portuguesa neste escalão, Raquel Costa (GafanhOri), alcançou um muito honroso 9º lugar, com o tempo de 38:18. Uma palavra ainda para o português Manuel Dias (Lisboa OK) vencedor do escalão H60 e para o terceiro lugar de Roy Dawson (GafanhOri) em H65.

Disputada no centro urbano de Punta Umbría, a etapa de Sprint tomou conta do programa competitivo da parte da tarde e teve no belga Yannick Michiels (TuMe) o grande vencedor em 14:00 para 3,5 km de prova e 20 pontos de controlo. Os britânicos Scott Fraser (TuMe) e Alasdair McLeod terminaram por esta ordem nas posições imediatas, com mais 8 e 20 segundos, respetivamente que o vencedor. Tiago Gingão Leal repetiu o 8º lugar da etapa da manhã, tendo gasto mais 1:10 que o vencedor e cotando-se novamente como o melhor português. Na Elite feminina, Svetlana Mironova voltou a não dar hipótese à concorrência, cumprindo o seu percurso de 2,9 km e 15 pontos de controlo em 13:51, contra os 13:55 de britânica Ruth Holmes (Southern Navigators), segunda classificada. A terceira posição foi ocupada pela norueguesa Marte Narum, com mais 20 segundos que a vencedora. Raquel Costa voltou a ser a melhor portuguesa, concluindo no 11º lugar com o tempo de 15:15. Participaram na prova 527 atletas, dos quais 500 nos escalões de competição e os restantes no escalão Open.

Resultados completos e demais informação em http://andaluciaomeeting.com/.

[Foto: Andalucia O Meeting / facebook.com/AndaluciaOMeeting]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Orientação de Precisão: Fechado calendário de 2015


Na sequência do Ofício da FPO, datado de 5 de Janeiro de 2015 e referente aos Critérios de Apuramento para os Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão 2015, há uma nova e significativa alteração: a etapa prevista para o dia 21 de Março, em Santiago do Cacém, foi cancelada, sendo substituída por outra, a ter lugar em Gouveia, no dia 25 de Abril.


Disputadas que estão duas das nove etapas referentes à Taça de Portugal de Orientação de Precisão Invacare 2015, aproximam-se agora dois momentos particularmente relevantes e que irão servir de base à Convocatória para a representação da Seleção Nacional que marcará presença nos Campeonatos do Mundo, a terem lugar em Zagreb, de 20 a 29 de Junho.

O primeiro desses momentos deveria ter lugar em Santiago do Cacém, já no próximo dia 21 de Março, com a disputa duma etapa de PreO que serviria de critério para o apuramento dos nossos representantes nessa vertente. É que, recorde-se, ao contrário dos anos anteriores, foram definidos pela Comissão Técnica de Orientação de Precisão critérios independentes para a convocatória de atletas a competir no PreO e no TempO. Contudo a visita de Luís Gonçalves, o Supervisor FPO da terceira etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão Invacare 2015, ao terreno de prova, em Santiago do Cacém, foi determinante, entendendo-se não haver condições para a realização desta etapa.

A alternativa encontrada foi transferir esta etapa para Gouveia, no dia 25 de Abril, numa organização do CPOC e englobada nos Campeonatos Nacionais de Sprint e de Distância Longa 2015. No tocante ao TempO, não se verificam alterações, mantendo-se os Campeonatos Nacionais, a disputar no dia 11 de Abril, no Parque da Cidade do Porto, como a prova que servirá de critério à Convocatória dos nossos dois representantes nos Mundiais, nessa vertente.

Assim, o Calendário completo e devidamente atualizado da Taça de Portugal de Orientação de Precisão Invacare 2015 é o seguinte:

TAÇA DE PORTUGAL DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO INVACARE 2015
Data Local Nome Organização
10/01 Coruche II Troféu Capital da Cortiça COAC/CPOC
15/02 Vagos Invacare PreO / POM 2015 Ori-Estarreja
11/04 Porto II Campeonato Nacional de TempO GD4C
25/04 Gouveia Gouveia PreO CPOC
14/06 Viseu III Campeonato Nacional de PreO COV - Natura
19/09 Cercedilla XXVI Trofeo Martin Kronlund / III Campeonato Ibérico Imperdible
11/10 A definir O-Precisão do COC PreO COC
11/10 A definir O-Precisão do COC TempO COC
07/11 Figueira da Foz A definir ADM Ori-Mondego


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Venha conhecer... João Dias



Chamo-me… JOÃO André Veríssimo Morais DIAS
Nasci no dia… 13 de maio de 1981
Vivo em… Lisboa
A minha profissão é… Professor
O meu clube é o… CPOC - Clube Português de Orientação e Corrida
Pratico orientação desde… 2007

Na Orientação…

A Orientação é… um estado de vida!
Para praticá-la basta… ter vontade em divertir-se!
A dificuldade maior é… levantar da cama muito cedo!
A minha estreia foi em… Coruche!
A maior alegria… chegar a meio do dia e saber que levantar cedo compensou!
A tremenda desilusão… uma lesão!
Um grande receio… uma lesão!
O meu clube… ainda estou a tentar descobrir (mas é algo muito bom)!
Competir é… um aliado da diversão!
A minha maior ambição… fazer Orientação por muitos anos!

… como na Vida!

Dizem que sou… divertido!
O meu grande defeito… ser preguiçoso!
A minha maior virtude… dar-me bem com toda a gente!
Como vejo o mundo… algo para explorar ao máximo!
O grande problema social… a corrupção!
Um sonho… acabar com a corrupção!
Um pesadelo… não tenho!
Um livro... “História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar”, de Luis Sepúlveda!
Um filme… “Magnólia”, de Paul Thomas Anderson!
Na ilha deserta não dispensava… comida e bebida!

No próximo episódio venha conhecer Luisa Gaboleiro.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

AOM 2015: Tudo a postos!



Quando forem 15h40 em Espanha (menos uma hora em Portugal), terá amanhã início o Andalucia O' Meeting 2015, uma das mais prestigiadas e concorridas provas do Calendário de Inverno em Espanha. No seio dum cartel de luxo – que inclui, entre outros, Daniel Hubmann, o nº 2 do Ranking Mundial -, Portugal faz-se representar por 23 atletas, entre os quais alguns dos grandes valores da Orientação nacional.


Pela segunda vez consecutiva, a localidade costeira de Punta Umbría acolhe o Andalucia O' Meeting 2015, evento que é já uma referência da Orientação espanhola e mundial em cada início de temporada. Segunda prova pontuável para o calendário da Liga Espanhola de Orientação Pedestre 2015, o AOM 2015 é uma organização do Sun-O e do Ayuntamiento de Punta Umbría, contando com os apoios do Patronato Provincial de Turismo, do próprio Consistorio e da Junta de Andalucia.

Com um total de 890 inscritos, procedentes de 24 países (números aos quais se devem acrescentar os participantes nos escalões abertos) o AOM 2015 dá o pontapé de saída na tarde de amanhã com o Prólogo, num formato seguramente divertido – partida “em massa”, dois percursos formais e dois percursos de 'score', alternadamente – e que servirá de ponto de partida para três etapas “a sério”, nos dias seguintes. No sábado terão lugar as etapas de Distância Média (da parte da manhã) e de Sprint (a partir das 16h30, hora de Espanha), ambas pontuáveis para os respetivos Rankings Mundiais. O AOIM 2015 encerra no domingo com a realização duma etapa de Distância Longa. De referir que o traçado de percursos da etapa de Distância Média WRE tem a assinatura de Cristian Bellotto, o mesmo que, com o traçado da final de Distância Média do Campeonato do Mundo de Itália, alcançou o prémio “Course of the Year 2014”, promovido pelo World of O.


Portugueses marcam presença

Entre os favoritos, destaque para o nº 2 do ranking mundial, o suiço Daniel Hubmann, que chega a Punta Umbría com as suas 16 medalhas conquistadas em Campeonatos do Mundo (três medalhas de prata em 2014) e 10 em Campeonatos da Europa (dois ouros nos Europeus de Palmela). Os grandes adversários do suiço serão o letão Edgars Bertuks, o belga Yannick Michiels, o britânico Scott Fraser e o jovem russo Gleb Tikhonov. Verdadeiro timoneiro da “armada espanhola”, Andreu Blanés será a grande baixa neste “casting” de luxo. Campeã Mundial de Distância Longa e Vice-Campeão Europeia de Distância Longa, Svetlana Mironova é o nome maior no setor feminino, tendo nas norueguesas Marianne Andersen e Siri Ulvestad as maiores adversárias.

Em Punta Úmbria irão estar, igualmente, um pouco mais de duas dezenas de atletas portugueses, destacando-se os nomes de Tiago Aires e Raquel Costa, ambos do GafanhOri, e Tiago Gingão Leal e Carolina Delgado, do GD4C. Miguel Reis e Silva será outro dos portugueses presentes no AOM 2015, aqui a representar o seu clube finlandês do Turun Metsänkävijät.

Para informações mais detalhadas, consulte por favor a página do evento em http://andaluciaomeeting.com/.

[Foto: Ayuntamiento de Punta Umbría / puntaumbria.es]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Duas ou Três Coisas Que Eu Sei Dela...



1. A primeira prova de Orientação na República Checa (então designada Checoslováquia) teve lugar em Zlín, no ano de 1950. Desde então, a Zlín Cup nunca deixou de se realizar, sendo, alíás, uma das competições de caráter regular mais antigas do mundo. Para celebrar o seu 65º aniversário, está patente em Zlín uma exposição comissariada por Jan Žemlík, o homem que está por trás do primeiro Museu da Orientação do mundo, o Centro para a História da Orientação. A mostra apresenta alguns documentos e instrumentos preciosos, traçando a história da Orientação, quer na República Checa quer a nível mundial, desde os seus primórdios até aos dias de hoje. Crónicas de clubes e eventos, dos anos 50 em diante, medalhas, troféus, bússolas, selos – tudo aquilo que possa ver a ter com a Orientação. E o que seria uma exposição destas sem mapas? Uma cópia do mapa da primeira competição internacional, levada a cabo na Noruega em 1897, bem como o mapa original dessa primeira competição na República Checa, em 1950, são apenas alguns dos documentos que integram a exposição. O artigo – do qual esta é apenas uma parte – é da autoria de Anna Jacobsson e é apenas um dos muitos que integram o último número da Inside Orienteering, a newsletter da Federação Internacional de Orientação. Se ainda não o folheou, por favor não deixe de o fazer. Está lá tudinho em http://orienteering.org/edocker/inside-orienteering/2015-1/InsideOrient%201_15.pdf.


2. “Imagine-se fazendo parte duma gigantesca partida em massa, juntamente com os seus colegas de equipa, amigos e orientistas dos quatro cantos do mundo. O medo da escuridão vai-se desvanecendo à medida que o grupo compacto se embrenha na floresta. Milhares de pequenas luzinhas parecem criar um rasto de fogo, com os heróis da Orientação à conquista dum espetacular bosque norueguês. É escuro e é mágico”. É desta forma que “Night Hawk” se apresenta, naquilo que procura ser uma resposta às ultra-populares Tiomila (Suécia) e Jukola (Finlândia), ao encontro duma grande estafeta internacional noturna na Noruega. “Queremos que os atletas, os clubes, as regiões e a Federação avancem com uma Estatefa internacional, que seja uma grande aventura em solo norueguês. Esta será uma experiência que procurará estar na base duma nova geração de orientistas”, diz Andres Tiltnes, o homem por detrás da “Night Hawk”. Conhecida anteriormente como “Krokskogstafetten”, a “Night Hawk” foi uma importante competição nos anos 70, na região de Oslo. Todos os orientistas noruegueses participavem e apenas os suecos mais duros conseguiam terminá-la. Quanto aos finlandeses, só lhes chegavam rumores do evento. Agregando os mais jovens, homens, mulheres e veteranos, numa prestigiosa experiência em terrenos desafiantes e divertidos, a terceira edição da “Night Hawk” terá lugar em Asker, nos próximos dias 14 e 15 de Agosto. “O sonho desta equipa é prosseguir com a obra criada pelos nossos predecessores e deixar algo para as gerações futuras. Não sejas medíocre. Sê um Night Hawk”. Para saber mais, visite por favor a página http://nighthawk.no/.


3. No “regresso à calma”, após o ciclo de eventos internacionais de Orientação que marcaram as quatro últimas semanas no nosso País, o protagonismo vai para o Desporto Escolar com mais de um milhar de alunos de Escolas ou Agrupamentos das regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo em ação para mais duas etapas dos respectivos Circuitos Regionais de Desporto Escolar 2014/2015. A Norte, a prova terá lugar no Monte da Senhora da Assunção, em Santo Tirso, numa actividade organizada pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos e que conta com os apoios da Coordenação Local de Desporto Escolar – Porto, Federação Portuguesa de Orientação, NAST e Câmara Municipal de Santo Tirso. A segunda actividade decorrerá no Jardim do Cerco e Tapada de Mafra, cabendo a sua organização à estrutura da CLDE do Oeste, com os apoios da Federação Portuguesa de Orientação, Escola de Armas e Câmara Municipal de Mafra. A competição é destinada a todos os escalões – masculinos e femininos, matriculados em estabelecimentos de educação e ensino oficial e particular, aderentes ao Programa do Desporto Escolar 2014/2015 nos Grupos-Equipa de Orientação e Multiatividades de Ar Livre -, havendo igualmente percursos abertos a todos os amantes da modalidade e público em geral, com graus de dificuldade diversos. Em ambos os casos, as etapas da manhã terão o seu início às 10h30, decorrendo a segunda etapa a partir do início da tarde (13h30 em Santo Tirso e 14h30 em Mafra). Para mais informações, consulte as páginas dos eventos em http://gd4caminhos.com/events/eventos-outros/ori-desp-escolar-2015 e https://sites.google.com/site/oestedesportoescolar/modalidades/orientacao/2014-15.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Martin Hubmann: "O meu sonho é conquistar uma medalha numa prova individual"



Juntou ao sétimo lugar na prova mais importante do Portugal O' Meeting – a Distância Longa WRE do terceiro dia – um sétimo lugar final na competição. No seu regresso a Portugal, Martin Hubmann fala-nos da sua experiência e partilha connosco o seu grande sonho.


Como é que viu o Portugal O' Meeting 2015?

Martin Hubmann (M. H.) - Gostei muito. Como habitualmente, pudemos ver aqui uma excelente competição, bem organizada, bons terrenos e bons maps. Já tinha estado por duas vezes nesta zona de Portugal junto à costa, em terrenos de dunas e em mapas semelhantes, portanto já sabia o que esperar. Mas confesso que gosto mais dos terrenos de montanha, com todas aquelas pedras e o desafio das melhores opções, em vez de correr a direito, como aqui. De qualquer forma, foi bom como treino de base.

Está satisfeito com os resultados alcançados?

M. H. - O meu objetivo não era ganhar o Portugal O' Meeting. Tentei focar-me em duas etapas em particular – bem, não ganhei nenhuma delas, é verdade (risos) -, mas tudo bem. Não faço muita orientação durante o Inverno, portanto não é uma questão de forma. Estou a regressar aos mapas e penso que as coisas funcionaram muito bem. A temporada irá começar em Maio com algumas provas importantes, portanto há ainda muito tempo de treino pela frente. A seguir teremos outro Campo de Treino em Espanha, e por agora vai sendo isto, procurando afinar pormenores.

Qual é o seu grande objetivo esta temporada?

M. H. - O meu grande objetivo são os Campeonatos do Mundo, na Escócia. Mas para isso tenho de conseguir posicionar-me à altura de integrar o Grupo de Seleção e tenho de estar muito bem preparado quando tiver lugar a Taça do Mundo, em Junho, na Noruega e na Suécia, porque serão aí as nossas provas de seleção.

Faz parte dos seus planos a vitória na prova de Estafeta Mista de Sprint dos Mundiais?

M. H. - Iria defender o título e seria muito bom regressar de novo ao pódio. Todavia, o meu grande sonho é conquistar uma medalha numa prova individual. Não sei se isso poderá acontecer já este ano, mas é claramente o meu objetivo.

Vai com certeza perdoar-me a pergunta, mas... Sente-se como se estivesse na sombra do seu irmão?

M. H. - Colocada a questão dessa forma, sinto (risos). Mas também é uma vantagem ter um irmão como o Daniel, porque aprendo imenso com ele. Ele foi o meu treinador quando eu era Junior, temos ainda imensas coisas em comum, falamos imenso e penso que ambos acabamos por beneficiar com a situação. Há muitas pessoas que me colocam essa questão, mas eu não tenho problemas nenhuns nisso. Tenho orgulho em ter um irmão assim.

Também sonha com vir a ser o nº 1?

M. H. - Na família? (risos)

Número 1 do Mundo, quero dizer. Afinal o que é que o seu irmão tem que o Martin não tem?

M. H. - Penso que há ainda uma grande diferença entre nós do ponto de vista físico, eu ainda não sou tão rápido. Mas é tudo uma questão de tempo e de treino. Ele tem muito mais segurança no mapa do que eu, claro. É sobretudo uma questão de experiência.

No início de mais uma temporada, pedia-lhe que formulasse um desejo dirigido a todos os orientistas.

M. H. - Para o pessoal que faz Orientação, que treina e que se diverte, procurem melhorar a vossa forma e não se magoem, porque isso é o mais importante. Doutra forma, é uma chatice. É bom estarmos bem, irmos até à floresta e fazer orientação.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Os Verdes Anos: Inês Correia



Olá,

Chamo-me Inês Ferreira Correia, tenho 17 anos, frequento a Escola Secundária de Santa Maior em Viana do Castelo, mas pratico Orientação pela equipa de Desporto Escolar da Escola Básica do Baixo Neiva, em Forjães, Esposende.

Comecei a praticar Orientação com dez anos, na Escola Básica do Baixo Neiva, em Forjães, Esposende, no Desporto Escolar, com a professora Anabela Freitas. Na altura era apenas uma rapariga pequena e curiosa que nunca tinha ouvido falar deste desporto. Foi só o tempo de conseguir autorização e na semana seguinte já estava a treinar “duro”, mas também com muita diversão à mistura. Não era uma desportista por natureza, mas a orientação apaixonou-me por completo.

Sempre tive o apoio da minha família de maneira incondicional, transportando-me para a escola sempre que tinha provas de Orientação, indo-me buscar a Viana do Castelo para treinar, ligando-me durante o dia para tomar conhecimento de como eu estava e para me desejar boa sorte antes das provas e procurando que eu tivesse equipamento adequado para o desporto. Sempre me incentivaram a treinar, a não desistir sempre que os resultados não eram os desejados, dizendo-me “nunca desistas do que te faz feliz”. De igual forma, os meus colegas sempre apoiaram bem a minha decisão de me tornar orientista, até porque alguns deles já o eram quando eu comecei a praticar. Serviram-me de modelos e acompanharam-me ao longo deste percurso, nos bons e maus momentos.

Um marco importante e inesperado bateu-me à porta no final da época passada. Foi-me atribuído o Prémio De Empenho. Este prémio deu-me ainda mais confiança no meu trabalho nesta modalidade e uma alegria imensa ao ver os meus pares a reconhecer os sacrifícios por mim efetuados.

Na Escola Básica do Baixo Neiva sempre procuramos incentivar os outros para a prática de Orientação. Todos os anos organizamos uma prova de Orientação aberta aos alunos, professores e pessoal auxiliar da escola. Essas provas davam imenso trabalho mas, de igual forma, davam a conhecer a modalidade aos não-praticantes e imensa alegria ao verificar o empenho e espírito competitividade das equipas participantes. Com esta atividade conseguíamos motivar mais alunos a participar no desporto escolar.

A minha equipa é muito unida, constituída por atletas desde o escalão infantil até ao escalão júnior, ou seja dos 10 aos 17 anos. Tal como uma família crescemos juntos e apoiamo-nos uns aos outros. Os mais velhos transmitem conhecimentos e acompanham os mais novos, dando-lhes conselhos e palavras de incentivo quando os momentos nem sempre são os melhores. Vibramos com os resultados que vão surgindo, como por exemplo, vermos os nossos colegas consagrarem-se Campeões Regionais de Juvenis Masculinos e Femininos e premiados pela Câmara Municipal de Esposende com o Prémio de Mérito Desportivo.

Eu penso que a Orientação é um bom desporto para quem é tímido porque nesta modalidade os atletas tendem a interagir com os outros, pedindo e partilhando informações, sejam conhecidos ou desconhecidos. A participação nas provas abre caminho a novas amizades que se vão consolidando ao longo dos tempos. Esta modalidade irá inspirar nos outros o que trouxe à minha vida, a importância dada à camaradagem, a conquista da autoconfiança, da independência e um amor incondicional pela Natureza.

Adorei a experiência de participar no POM 2015, onde a presença de inúmeros atletas nacionais e internacionais de alto gabarito, me inspiraram e fascinaram. Foi inesquecível ver os atletas de elite em competição. Para uma atleta amadora como eu sou, chegar àquele nível de perfeição é um sonho.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Troféu de Orientação do Minho 2015 - WRE: Tiago Martins Aires e Saila Kinni triunfam no Gerês



Tiago Martins Aires e Saila Kinni foram os grandes vencedores do Troféu de Orientação do Minho 2015 WRE, prova que durante o fim de semana tomou conta das magníficas paisagens do Gerês.


Fechando um ciclo de eventos de carácter internacional e que integraram etapas pontuáveis para o Ranking Mundial da Federação Internacional de Orientação, teve lugar no passado fim de semana, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Troféu de Orientação do Minho 2015 -WRE. Organizado pelo Clube de Orientação do Minho, numa parceria com as Câmaras Municipais de Terras do Bouro e de Vieira do Minho, Federação Portuguesa de Orientação e Federação Internacional de Orientação, a prova contou com a participação de quase seis centenas de atletas de 16 nações, 484 dos quais distribuídos pelos escalões de competição e os restantes nos escalões de Formação e Abertos.

No escalão de Homens Elite, Luís Silva (ADFA) foi o grande vencedor da etapa de Distância Média no primeiro dia de provas, enquanto a vitória na derradeira etapa, uma longa Distância Longa, pertenceu a Sergej Fedatsenka (SAIK). Apesar de não ter saboreado a vitória em qualquer uma das etapas pontuáveis para o Troféu, Tiago Martins Aires acabou por ser o grande vencedor graças ao 3º lugar na etapa inaugural e a um segundo lugar a encerrar a sua participação no evento. Fedatsenka viria a ser o segundo classificado, enquanto a terceira posição caberia ao brasileiro Fábio Kuczkoski (ADAAN). Grande nome da Orientação em BTT nacional, João Ferreira (CAB) viria a ser o segundo melhor português, concluindo no 5º lugar da Classificação geral. Nas senhoras, a finlandesa Saila Kinni esteve imparável, vencendo ambas as etapas por margens esmagadoras. A sua compatriota Yvonne Gunell concluiu no segundo lugar da Geral, seguida da bielorussa Anastasia Denisova. Raquel Costa, na 5ª posição, foi a melhor portuguesa.

Individualmente, destaque ainda para as vitórias dos portugueses Beatriz Esteves, COC (D16), Ricardo Esteves, ADFA (H18), Daniel Catarino, Ori-Estarreja (H20), Beatriz Moreira, CPOC (D20), Daniel Ferreira, ADCabroelo (H21A), Ricardo Oliveira , GD Luz Verde (H21B), Arnaldo Mendes, ADM Ori-Mondego (H35) e Mário Duarte, ADFA (M50). Na classificação colectiva, o COC continua a vincar uma enorme superioridade sobre as restantes equipas, tendo sido o grande vencedor com um total de 3216,06 pontos. ADFA e GD4C, com 2904,94 pontos e 2585,16 pontos, respectivamente, classificaram-se nas posições imediatas.


Resultados

Homens Elite
1. Tiago Martins Aires (GafanhOri) 1929.40 pontos
2. Sergej Fedatsenka (SAIK) 1904.27 pontos
3. Fábio Kuczkoski (ADAAN) 1736.28 pontos
4. Jussi Suna (Individual FIN) 1690.42 pontos
5. João Ferreira (CAB) 1493.08 pontos
6. Maxim Simakov (Individual RUS) 1451.10 pontos
7. Paulo Franco (COC) 1401.25 pontos
8. Kari Kokkinen (Perttelin Peikot) 1308.04 pontos
9. Nelson Baroca (CA Madeira) 1282.91 pontos
10. Luis Leite (GD4C) 1275.01 pontos

Damas Elite
1. Saila Kinni (Individual FIN) 2000.00 pontos
2. Yvonne Gunell (OP Pargas) 1622.34 pontos
3. Anastasia Denisova (SAIK) 1521.00 pontos
4. Sanna Andelin (Lahden Taimi) 1517.98 pontos
5. Raquel Costa (GafanhOri) 1425.90 pontos
6. Mattila Milla (HS) 1408.60 pontos
7. Patricia Casalinho (COC) 1386.01 pontos
8. Radka Sklenarova (Ulricehams OK) 1372.97 pontos
9. Carolina Delgado (GD4C) 1325.16 pontos
10. Rita Rodrigues (GafanhOri) 1263.78 pontos



Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

MCO 2015: Espanha vence pelo quarto ano consecutivo



Pelo quarto ano consecutivo, a Espanha conquistou os Campeonatos do Mediterrâneo de Orientação, secundada pelo país anfitrião, Israel, e com a Turquia a quedar-se na terceira posição. Individualmente, a distribuição das vitórias pautou-se pelo equilíbrio, com a espanhola Anna Serralonga a ser a figura em maior evidência.


O Vale de Jezreel, junto à histórica cidade israelita de Nazaré, foi palco da 4ª edição dos Campeonatos do Mediterrâneo de Orientação. Disputado em simultâneo com os Campeonatos Abertos de Israel, o evento foi constituído por uma etapa de Sprint, uma etapa de Distância Longa e uma de Distância Média, as duas últimas pontuáveis para o Ranking Mundial. Referência especial para o facto de os Campeonatos terem contado com a participação de cerca de quatrocentos atletas em representação de 21 nações, o que constituiu um máximo histórico naquele país do Médio Oriente.

Após um começo demolidor da equipa espanhola na etapa de Sprint, com quatro vitórias e três segundos lugares nos quatro escalões de competição (H/D21 e H/D20), a Distância Longa viria a ser marcada pelo mau tempo, com muitos atletas a verem as suas aspirações num bom resultado a irem literalmente por água abaixo, nomeadamente os espanhóis Andreu Blanes e Raul Ferrá, desclassificados por “mp”. Todavia, as vitórias de Marta Guijo (W20), Álvaro Prieto (H20) e Ona Rafols (W21) garantiam uma margem de certo conforto à partida para a derradeira etapa.

Na etapa de Distância Longa, os atletas Israelitas estiveram em grande plano, ao passo que a Espanha voltou a não poder contar com Blanes e Ferrá à sua verdadeira altura. O triunfo de Anna Serralonga neste derradeiro ato acabou por ser determinante, garantindo à Espanha o título pela quarta vez em quatro edições dos Campeonatos. Israel, Turquia, Sérvia e Itália concluiram por esta ordem nas posições imediatas. A Sérvia acolherá a competição no próximo ano, a disputar entre os dias 23 e 26 de Junho.

Para mais informações, consulte a página oficial do evento em http://israelorienteering.org/2015-mco/.

[Foto: D. Ravid / flickr.com]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Alasdair McLeod: "Este é um grande ano para a Escócia"



E ao quarto dia descansou...” Foi assim que Alasdair MacLeod geriu a sua participação no Portugal O' Meeting 2015. Dominador absoluto das três primeiras etapas no escalão Homens Elite, o escocês teve no último dia o merecido repouso. Uma vitória de sabor agridoce, apesar de tudo, ao arrepio do grande desejo do atleta, o de ir a jogo na Super Elite.


Até que ponto se sente dececionado por não lhe ter sido possível correr na Super Elite?

Alasdair McLeod (A. McL.) - Não, estou bem. Sinto apenas que tive muito azar no ano passado, por não ter podido correr nenhuma prova pontuável para o Ranking Mundial devido a lesão e por ter terminado a temporada com uma pontuação muito baixa. Mas regras são regras. Ainda assim, gostei da comparação entre a Elite e a Super Elite mas, obviamente, teria tido muito mais prazer se tivesse sido possível correr na Super Elite.

Estava à espera de vencer desta forma categórica?

A. McL. - O meu plano original passava por correr aqui no escalão de Super Elite e queria, realmente, conseguir arrecadar alguns pontos de Ranking em Portugal. Tinha planeado descansar a maior parte dos dias e não correr todas as etapas, mas quando vim parar ao escalão de Homens Elite decidi que queria tentar ganhar todas as etapas possíveis.

Planificou estar entre nós nesta altura da época? Porquê Portugal?

A. McL. - Estas são as primeiras corridas no inverno. Treinei imenso durante os últimos três meses e estava realmente à procura duma oportunidade. Estamos em Portugal há uma semana com a seleção da Escócia e este foi o nosso segundo fim de semana de provas, fizemos um Vampo de Treino pelo meio e esta é a primeira grande oportunidade num evento de qualidade para fazer um ponto da situação e também porque há muitos atletas estrangeiros que vêm para Portugal nesta altura do inverno. São excelentes competições para percebermos onde estamos, qual o nosso momento depois do treino de inverno, como estamos dum ponto de vista técnico. É um ótimo estágio antes de começar a temporada e antes de algumas das provas maiores na Primavera e no Verão.

Está satisfeito com esta sua decisão? Que notas leva daqui?

A. McL. - Foi uma grande decisão e estou muito feliz. São as melhores corridas de há muito tempo a esta parte e, por isso, sinto que consegui alcançar todos os objetivos com esta vinda a Portugal.

Motivado?

A. McL. - Muito motivado. Este é um grande ano para a Escócia, o Campeonato do Mundo será na Escócia e eu vou tentar estar lá. Há um grande número de atletas britânicos que estão a treinar muito forte, que querem bons resultados, porque é um Campeonato jogado em casa. Eu vivo muito perto do local onde se realizará a competição e assim, em termos pessoas, consigo sentir ainda mais esse “fator casa” e quero estar lá.

O que é necessário para lá chegar?

A. McL. - Julgo que preciso, nos próximos meses, muitos e bons treinos de orientação; e manter-me saudável e sem lesões nos próximos seis meses seria igualmente excelente. Isto é o mais importante, sim, é realmente necessário estar numa forma superior, não perder o ritmo de treino e manter a consistência.

Como vê a equipa da Grã-Bretanha?

A. McL. - O pessoal está todo muito animado com as perspetivas para este ano. A atitude no seio da equipa é muito boa, todas as pessoas conhecem-se há muito tempo. Não importa muito aquilo que possa vir a acontecer, porque estão todos a treinar muito bem e estou certo que alguma coisa há de sair bem. Há um grande espírito de equipa e todos se apoiam mutuamente. Não é tanto uma questão desta ou daquela individualidade, é sobre o grupo como um todo, o que o torna tudo muito mais divertido.

Quais serão os seus passos intermédios até ao Campeonato do Mundo?

A. McL. - Depois de Portugal há uma prova muito importante chamada JK Orienteering Festival, em Abril. Será, na verdade, um grande evento internacional, porque algumas seleções vão aproveitar o evento como uma primeira abordagem antes dos Campeonatos do Mundo. Além disso, será também o primeiro grande teste dentro do nosso próprio Grupo de Seleção. Temos vários estágios e competições de avaliação e este será o primeiro. E depois temos as Taças do Mundo, na Noruega e na Suécia, que serão os principais eventos antes dos Campeonatos do Mundo.

Vamos vê-lo em Portugal nos próximos anos?

A. McL. - Julgo que esta é a minha terceira ou quarta vez em Portugal, nos últimos cinco anos e realmente gosto muito de cá vir. Há um grande número de terrenos que podem ser muito complicados tecnicamente, mas que são ao mesmo tempo terrenos muito rápidos. Isso é ótimo em termos do treino e julgo que irei voltar no próximo ano. Seguramente!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Norte Alentejano O' Meeting: Os cinco elementos!



Que mistério é este que leva a que, ano após ano, centenas de pessoas abandonem a sua “zona de conforto” e se dirijam a Portugal para participar no Norte Alentejano O’ Meeting? A resposta vem nos cinco dedos da mão: Água, Terra, Sol, Pedra e... Orientação!

Texto e foto: Joaquim Margarido


Foi em 2007 que o Norte Alentejano O' Meeting apresentou as suas credenciais pela primeira vez. Partindo duma aposta do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, logo nesse ano se percebeu que o potencial desta região do interior sul de Portugal para a prática da Orientação encontrava a correspondência perfeita na ambição do clube nortenho em avançar com a proposta dum projeto intermunicipal de grande envergadura e que colocasse o Norte Alentejano no mapa da Orientação mundial. Ao município de Nisa juntaram-se, sucessivamente, os de Castelo de Vide, Alter do Chão, Crato, Portalegre e Marvão, transformando o sonho inicial nessa realidade indesmentível: o Norte Alentejano O' Meeting é, nos dias de hoje, um evento reconhecido a nível mundial, tanto pela sua qualidade técnica como pela capacidade organizativa.

Ao longo de nove edições, o NAOM cresceu e consolidou-se. Recebeu os Campeonatos Nacionais de Sprint e de Distância Média em 2008 e em 2012, incluiu seis etapas pontuáveis para os Rankings Mundiais, integrou em 2011 o Portugal O' Meeting - prestigiada prova mundial do Calendário regular de Inverno -, foi palco assíduo da presença de todos os melhores atletas mundiais sem exceção e, por último mas não menos importante, tem contribuído de forma consistente para a promoção e afirmação do nosso País, e em particular da região Norte Alentejana, como destino turístico e desportivo por excelência no período de Inverno.


Campos de Treino completam oferta

Percorrer esta região de Portugal é ir ao encontro de tempos imemoriais, quando os primeiros homens aqui se estabeleceram, fazendo destas paragens o seu “porto de abrigo”. Da pré-história à civilização romana, do período árabe e medieval aos nossos dias, arte e cultura passeiam lado a lado com uma paisagem preservada de enorme beleza, num apelo aos sentidos e ao bom gosto de cada um. Motivos que levam Maria Gabriela Tsukamoto, ex-Presidente da Câmara Municipal de Nisa, a afirmar que “muito mais do que os itinerários traçados nos mapas, mais do que desporto, do que convívio saudável entre os grupos das provas e com as gentes das terras... os participantes no NAOM encontram aqui belezas infindáveis, distribuídas por um vastíssimo património natural e arquitetónico”.

Mas se os encantos do ponto de vista cultural e paisagístico, aliados a uma gastronomia única - onde o vinho, o azeite e as ervas aromáticas se impõe como complementos de excelência -, são os maiores atributos desta região, para o orientista “puro e duro” há, a par da grande competição, Campos de Treino de excelência. Fundada no final de 2011 por Fernando Costa, um homem com uma vasta experiência no associativismo desportivo e na organização de eventos, a Orievents [www.orievents.com] surgiu com o objetivo de organizar eventos, promover atividades de Orientação para escolas e empresas, trabalhar em articulação com entidades ligadas à problemática da deficiência, promover a formação de agentes desportivos e a comunicação e sponsorização de eventos e realizar mapas de Orientação. Mas é nos Campos de Treino que reside uma das suas maiores apostas, com uma oferta atual de 21 treinos em mapas de floresta e 7 em mapas de sprint, com muitos desses treinos desenhados por figuras conceituadas da Orientação mundial, casos de Eva Jurenikova, Philippe Adamski ou Oleksandr Kratov.


De 2007 a 2015

O romeno Ionut Zinca e a finlandesa Riina Kuuselo foram os primeiros atletas a inscrever os seus nomes no Quadro de Honra do evento, inaugurando em 2007 uma lista que vai crescendo a cada ano que passa e que inclui já, entre muitos outros, nomes como os da suiça Simone Niggli, do francês Thierry Gueorgiou, da checa Eva Jurenikova, do atual líder do ranking mundial, o norueguês Olav Lundanes, da sueca Helena Jansson e do português Tiago Romão. Em 2015, foi a vez dos ucranianos Oleksandr Kratov e Nadiya Volynska serem aclamados como os grandes vencedores do NAOM, após duas jornadas de grande nível que atraíram a Castelo de Vide e Marvão mais de 700 participantes de 15 diferentes nações.

Para Oleksandr Kratov, a edição deste ano do NAOM “foi, como sempre tem acontecido cada vez que me desloco a Portugal, uma bela experiência. Gostei muito, tanto das provas como dos terrenos, mas também destes mapas. É um prazer incrível poder correr e ler estes mapas”. Deixando elogios igualmente à organização do NAOM - “esta é uma organização à qual é difícil apontar um reparo” - o atleta terminou referindo ter sido este “um dos bons momentos no período de treino de Inverno”. Nadiya Volynska fez igualmente um resumo muito positivo desta sua participação na edição 2015 do NAOM e, em particular, da segunda etapa: “Gostei muito. Já adivinhava um terreno muito detalhado e também muito rico em termos de vegetação e procurei adequar a minha estratégia às condições. A colocação dos pontos foi algo que me agradou imenso, pela imensidão de opções que ofereceu em termos de progressão.” Em relação à vitória, propriamente dita, Volynska não esconde que “foi muito motivadora”, acrescentando que “era altura de fazer uma prova mais a sério, de puxar pela parte física; penso que este foi o momento certo e que fui bem sucedida.” E ainda uma palavra para a organização, “do melhor que há, ao nível das grandes organizações nos países escandinavos”, conclui.

Saiba tudo sobre o NAOM 2015 em http://www.gd4caminhos.com/naom2015.


Este artigo pode ser lido no original em http://orienteering.org/wp-content/uploads/2012/02/InsideOrient-1_15-3.pdf. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

POM 2015: O balanço de Bruno Nazário



O Portugal O’ Meeting 2015 chega ao fim. À medida que a Arena se vai esvaziando, o Orientovar faz com Bruno Nazário, o Diretor do Evento, o balanço possível deste que foi o POM mais participado de sempre.


Parece-me perceber, em qualquer Diretor duma prova desta ordem de grandeza, um conflito interior que é recorrente quando se chega ao fim. Por um lado, o natural respirar de alívio, após dias intensos e desgastantes; por outro, já uma certa nostalgia dos momentos vividos e alguma tristeza por ver partir toda esta gente. É realmente assim, Bruno?

Bruno Nazário (B. N.) – Na verdade, julgo que o principal sentimento, neste momento, é o do dever cumprido, o de saber que uma vasta equipa de pessoas passou um ano a trabalhar para que o Portugal O’ Meeting conseguisse atingir este nível. Estou certo que todas as pessoas que por aqui passaram ficaram agradadas com o nível técnico, com a disponibilidade, com estas arenas… Houve um atleta finlandês que já vem ao POM há muitos anos e que fez questão de nos felicitar dizendo que realmente demos um passo em frente, que se sente agora o ambiente das grandes provas. Penso que realmente atingimos esse objectivo mas, como digo, isto não é trabalho meu, é trabalho duma vasta equipa da qual eu sou apenas uma parte e à qual estou agradecido, porque sem eles este Portugal O’ Meeting não seria aquilo que realmente foi. Mas há também um sentimento de alguma mágoa por não podermos desfrutar devidamente desta festa, não podermos estar mais tempo com todos aqueles que nos visitaram, de tão absorvidos que estamos com as mais variadas tarefas.

Pegando um pouco nestas suas últimas palavras, o que é que realmente tem pena de ter perdido?

B. N. – Bem, pela própria posição que ocupei ao longo destes dias, no papel de ‘speaker’, acabei por estar nos momentos mais importantes. Daí que as minhas palavras se dirijam menos a mim próprio e mais a outras pessoas, nomeadamente o António Aguiar, que é o responsável por toda a logística do evento e que, com a prova a decorrer em Mira, por exemplo, já estava em Vagos a montar toda a estrutura da Arena para os dias seguintes. Uma palavra muito especial para ele, para todas as pessoas que estiveram no no bar, as pessoas que estiveram na cozinha, nas partidas, nos estacionamentos, e que não tiveram a oportunidade nem o privilégio que eu tive de poder estar na Arena e acompanhar estes momentos altos das provas. Aproveito, portanto, para dar os parabéns a toda a equipa, que soube ser solidária, cumprindo de forma exímia as suas funções.

Qual foi para si o momento mais emocionante deste Portugal O’ Meeting?

B. N. – Acho que o mais emocionante é perceber a alegria e o contentamento espelhado no rosto de todos os atletas, ver que vão daqui contentes com esta organização, com todo o trabalho que o Ori-Estarreja preparou para eles ao longo deste último ano.

Pensei que me ia falar da vitória estrondosa da Minna Kauppi na etapa WRE… Mas como é que viu este POM dum ponto de vista da competição “pura e dura”?

B. N. – Este foi talvez o ano onde, no sector feminino, tivemos o grupo mais homogéneo de toda a história do Portugal O’ Meeting. Tivemos realmente atletas muito boas, a Mari Fasting, a Minna Kauppi – a Minna Kauppi tem mais de dez títulos mundiais, a seguir à Simone Niggli é a grande ‘superstar’ da Orientação mundial (!) -, a Riina Kuuselo, a Saila Kinni, a Sofia Haajanen… Atendendo a este leque valiosíssimo de atletas, a vitória da Minna Kauppi é realmente espectacular e um bom prenúncio para a Orientação, mostrando que ela está de volta. No sector masculino, temos obviamente muita pena de o Thierry Gueorgiou não ter estado connosco, mas a sua ausência abriu um pouco o leque e permitiu antever algumas estrelas para o futuro, como o Aaro Asikainen ou o Gernot Kerschbaumer. Foi igualmente uma pena o Gustav Bergman ter ficado doente, bem como a Annika Billstam, o Philippe Adamski, a Amélie Chataing e outros, mas mesmo assim o nível competitivo foi muito elevado.

O Portugal O’ Meeting desloca-se no próximo ano para a Beira Interior, para Penamacor, levando consigo uma responsabilidade maior ainda, depois do que pudemos assistir em Mira e em Vagos.

B. N. – Ao organizar um evento desta natureza, o Ori-Estarreja procura que as organizações a seguir tenham uma boa passagem de testemunho. O nosso desejo é que os atletas que saem daqui estejam já com os olhos postos em Penamacor, reconhecendo no POM um evento de grande nível e ficando desde logo com vontade de voltar no próximo ano. Estou certo que o Clube de Orientação do Centro irá fazer um trabalho fantástico. Os terrenos escolhidos para o POM 2016 são muito bons e estão reunidos todos os ingredientes para continuarmos com estes números elevados de participantes.

Vai perder aquele que foi o seu “entretimento” ao longo dum longo ano e também já não tem tarefas que o prendam às selecções nacionais. Como é que vai ser 2015, pessoalmente?

B. N. – Pessoalmente vai ser muito mais dedicado à família, com uma palavra muito especial à Cristina, que me soube apoiar durante este tempo todo.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

POM 2015: Nos bastidores



Um pouco à medida daquilo que acontece no dia a dia de cada um de nós, também a história da Orientação está pejada de grandes conquistas, algumas das quais, relativas às novas tecnologias, assumem um papel absolutamente primordial na dinâmica dos nossos eventos. Poderia a Orientação viver, hoje em dia, sem o fantástico suporte duma máquina informática cada vez mais afinada? Poderia, certamente, mas não seria a mesma coisa!


“É do senso comum que os informáticos são uns complicados, mas aqui a rapaziada no Portugal O' Meeting por vezes também complica um bocado”. Foi desta forma descontraída, no final de mais uma etapa – a terceira! - do POM 2015, que a conversa com Nuno Rebelo começou. Não se furtando ao desafio, Rebelo confessa: “Apesar das inscrições estarem fechadas, de todos os atletas terem supostamente a sua situação regularizada e previamente definida, a verdade é que cada novo dia é como começar uma nova prova. São as alterações de SI, novas inscrições, alterar tempos de partida, verificar se não falta ninguém...”, desabafa.

A verdade, verdadinha é uma e uma só: Um informático no POM é uma espécia duma mulher à beira dum ataque de nervos. É pelo menos isso que se retira das palavras de Nuno Rebelo: “Um dos principais motivos que podem arruinar uma prova é a falha do sistema informático. A confusão instala-se, as filas alongam-se interminavelmente, a paciência dos atletas esgota-se à medida que o tempo passa e, de repente, está o caos instalado.” Mas estará o pessoal da informática sempre no fio da navalha? “No fio da navalha, é o termo. As coisas podem falhar a qualquer momento por pequenas coisinhas e até percebermos o que se passa é muito complicado.”

Esta é uma equipa composta por seis elementos, todos eles perfeitamente conhecedores do seu papel, todas eles com uma enorme responsabilidade sobre si: “Pode parecer que não, que estamos por vezes em stress, mas está sempre tudo controlado. Há planos B para tudo e, por vezes, até temos planos C”. De resto, desde o fornecimento de informações vitais ao speaker, à receção, tratamento e divulgação de resultados, ao fornecimento de elementos para os rankings da Federação Internacional, garantir o bom funcionamento dos canais de mídia e alimentar as redes sociais, tudo isto (e muito mais) tem neste pequeno núcleo a sua origem. “São cinco dias intensos, de constante movimento, de noites mal dormidas”, confessa, e daí que o seu grande desejo, com o POM a caminhar para o fim, se resuma a uma palavra: Descanso. “Vai ser muito necessário”, conclui.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

POM 2015: Momentos



© Joaquim Margarido

POM 2015: Mapa, folha de soluções e resultados da Invacare PreO





Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

POM 2015: João Pedro Valente e Ricardo Pinto vencem Invacare PreO



João Pedro Valente e Ricardo Pinto foram os grandes vencedores da Invacare PreO, etapa de Orientação de Precisão integrada no programa competitivo do Portugal O’ Meeting 2015. Oferecendo desafios técnicos de elevada craveira e evidenciando uma enorme qualidade competitiva, a prova contou com a participação de 92 atletas, o mais elevado número registado até hoje em provas desta disciplina no nosso País.


Nas breves palavras proferidas durante a Cerimónia de Entrega de Prémios do Invacare PreO, Silvério Rodrigues Regalado, Presidente da Câmara Municipal de Vagos, fez questão de vincar a sua satisfação por receber no seu Concelho uma etapa de Orientação de Precisão, naquele que designou como “o dia da inclusão do Portugal O’ Meeting 2015”. E na verdade assim foi!

Competindo em rigorosa igualdade de circunstâncias, 83 atletas na Classe Aberta e 9 atletas na Classe Paralímpica, abraçaram com determinação os vinte desafios oferecidos ao longo de 1200 metros de magnífica floresta, com o “bónus” de uma estação cronometrada com três problemas a anteceder o percurso formal. Números que, no total, representam a maior participação de sempre em provas de Orientação de Precisão no nosso País e que premeiam a qualidade técnica e a capacidade organizativa do Clube de Orientação de Estarreja nesta que foi a segunda etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão Invacare 2015.


Vitória arrancada a ferros

Na Classe Aberta, a luta pela vitória esteve ao rubro, com João Pedro Valente (CPOC) e Jorge Baltazar (GDU Azoia) a chegarem ao final empatados em pontos, após um pleno de respostas certas. Valeu a João Pedro Valente a maior rapidez e acerto nos pontos cronometrados para levar de vencida o seu adversário direto. A terceira posição viria a pertencer a Mark Heikoop (Aligots), com 19 pontos, os mesmos que Luís Gonçalves (CPOC), mas com uma melhor performance nos pontos cronometrados. Portugal viria ainda a colocar três atletas nas cinco posições imediatas, com o italiano Remo Madella, vencedor da edição 2014 do Portugal O’ Meeting, a quedar-se no 10º lugar.

Para João Pedro Valente, “houve um momento em que senti que a vitória não estava segura, mas a motivação estava cá. Como quase todas, foi uma vitória arrancada a ferros. Aliás, se não for assim, não são boas vitórias.” Referindo-se à prova em si e ao desafio técnico que encerrou, Valente fez questão de afirmar que “tirando um ou dois pontos, tive imenso prazer em fazer a prova, o que não é normal porque sempre ficamos com dúvidas aqui e ali. Desta vez, senti-me confiante durante toda a prova e tive a noção de que estava a tomar as decisões corretas e gostei muito.” As últimas palavras são dirigidas à organização do Invacare PreO: “Já pude dar pessoalmente os parabéns ao traçador porque acho que foi das melhores provas em que tenho participado no sentido em que todos os pontos eram desafiantes, todos obrigavam a pensar”, concluiu.


Regresso vitorioso de Ricardo Pinto

Na Classe Paralímpica, Ricardo Pinto (DAHP) saldou a sua estreia na Taça de Portugal da presente temporada com uma vitória, completando o percurso com 12 respostas corretas, contra 11 pontos de Carlos Riu Noguerol (Individual), o campeão de Espanha de Orientação de Precisão em título na Classe Paralímpica. Vencedor da anterior edição do Portugal O’ Meeting, Júlio Guerra (DAHP) terminou o seu percurso na terceira posição com 9 pontos.

No final, o mais internacional de todos os atletas portugueses de Orientação de Precisão, Ricardo Pinto, referiu-se vitória desta forma: “Sinto esta vitória com particular satisfação, desde logo por ser a primeira vez que venço a etapa de Orientação de Precisão do Portugal O’ Meeting mas, sobretudo, porque foi a minha primeira participação esta época, após superar uma série de dificuldades e de não ter sido fácil reencontrar-me com os mapas depois duma ausência tão prolongada.” Quanto ao seu desempenho particular, o atleta admite: “Devo confessar que estou um bocado desiludido com o meu desempenho porque houve pontos que não poderia ter falhado. Enfim, acaba por ser melhor o resultado do que o desempenho, mas não deixa de ser uma motivação para continuar a abraçar este desporto que tanto gosto”, disse.


Resultados

Classe Aberta
1. João Pedro Valente (CPOC) 20 pontos (16 segundos)
2. Jorge Baltazar (GDU Azoia) 20 pontos (34 segundos)
3. Mark Heikoop (Aligots) 19 pontos (29 pontos)
4. Luís Gonçalves (CPOC) 19 pontos (37 segundos)
5. Cláudio Tereso (ATV) 18 pontos (25 segundos)
6. Héctor Lorenzo (El Imperdible) 18 pontos (33 segundos)
7. Tiago Martins Aires (GafanhOri) 18 pontos (91 segundos)
8. Antonio Hernández (Alcon Orientación) 18 pontos (101 segundos)
9. Inês Domingues (COC) 17 pontos (20 segundos)
10. Remo Madella (WIOMASI) 17 pontos (22 segundos)

Classe Paralímpica
1. Ricardo Pinto (DAHP) 12 pontos (177 segundos)
2. Carlos Riu Noguerol (Individual ESP) 11 pontos (208 segundos)
3. Júlio Guerra (DAHP) 9 pontos (147 segundos)
4. José Laiginha Leal (DAHP) 8 pontos (165 segundos)
5. Cristiana Caldeira (CMRRC – Rovisco Pais) 8 pontos (243 segundos)
6. António Amorim (DAHP) 8 pontos (250 segundos)
7. Arsénio Reis (CMRRC – Rovisco Pais) 7 pontos (330 segundos)
8. Ana Paula Marques (DAHP) 5 pontos (105 segundos)
9. Cláudio Poiares (DAHP) 5 pontos (183 segundos)

Resultados completos e demais informações em www.pom.pt/pt/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido