terça-feira, 15 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Luis Leite (L. L.) - Responsabilidade. Desde a sua criação, a Federação tem fomentado o desenvolvimento da modalidade ao regulamentar, apoiar e supervisionar a actividade dos seus agentes.

Qual a “dívida” que o GD4C tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

L. L. - Não acompanhei essa fase, a minha entrada para este clube foi posterior. Para responder tive de me socorrer da colaboração do Fernando Costa que foi fundador e fez parte dos Corpos Sociais da altura. Segundo ele, “a FPO sempre acreditou nas iniciativas e projetos idealizados pelo GD4C, sendo desta forma e principalmente no inicio do clube um suporte e uma motivação para a criação de um clube forte quer a nível de competição quer na organização de eventos de Orientação.”

Como definiria o GD4C neste momento?

L. L. - O GD4C é um clube com dinâmica, reputado e respeitado. Temos conseguido manter estável a estrutura do clube, com uma renovação natural de pessoas que vão passando e deixando o seu contributo. A nossa maior riqueza é o potencial humano de toda a equipa, dos pequenos de 10-12 anos ao nosso decano de 77 anos, uma família de entusiastas desta bela modalidade que a vêem como o seu desporto favorito e que sabem que no clube é preciso trabalhar para poder desfrutar.
É assim que conseguimos participar durante 2015 em 19 eventos (37 etapas, incluindo TODOS os eventos da Taça de Portugal) e ainda suportar inscrições, transportes, alimentação, equipamento, estágios, formação, etc. Nesta época obtivemos o 3º lugar no ranking de clubes e vários títulos individuais e colectivos nos Campeonatos Nacionais. Estivemos envolvidos na organização de vários eventos (Norte Alentejano O' Meeting, Desporto Escolar, Campeonato Nacional de TempO, Vila do Conde City Race, Taça de Portugal de Orientação Adaptada com 6 etapas, Troféu Sálvio Nora, Trail 4 Caminhos, Porto City Race). É "muita fruta", só possível com este grupo fantástico que arregaça mangas quando é preciso. Fazemos o possível para que esses momentos de trabalho sejam acompanhados de momentos de convívio, tornando tudo mais fácil. Também é importante realçar o lançamento do Portugal City Race, um circuito de provas abertas urbanas que foi um sucesso, com níveis de participação interessantes e a 1ª Taça de Orientação Adaptada. Para 2016 a receita será ligeiramente menor, e para 2017 a grande tarefa (digna de Hércules) é o POM.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

L. L. - Não sendo excelente, pois há muito espaço para evoluir, nos 19 anos que levo neste desporto acho que, no geral, a modalidade nunca esteve melhor do que agora. Realço alguns pontos:
  • Uma Federação a funcionar, com parcos meios é certo, mas a desenvolver trabalho positivo em prol da modalidade e dos seus agentes (clubes, técnicos, atletas);
  • Clubes dedicados à modalidade e que colaboram entre si, saliento mesmo o ambiente salutar inter-clubes e Federação;
  • Quadros competitivos regulares que abrangem uma grande parte do território nacional (Continente e Madeira, falta os Açores);
  • Oferta nas várias vertentes da Orientação (Pedestre, O-BTT, Trail-O);
  • Atletas de selecção dedicados e que treinam afincadamente para os seus objectivos;
  • Oferta regular de formação técnica (supervisão, cartografia, treino, traçadores);
  • Grande diversidade de mapas relativamente recentes em terrenos técnicos cartografados com altíssima qualidade;
  • Cartógrafos nacionais com um nível técnico muito elevado, muito requisitados para trabalhar no estrangeiro;
  • Traçadores de percursos de excelente qualidade, elogiados aqui e além fronteiras;
  • Eventos nacionais com um nível de organização geralmente alto;
  • Eventos internacionais organizados com muita qualidade (WRE, EOC, WMOC...);
  • Boa implantação da modalidade no Desporto Escolar, mas com margem para melhorar;
  • Magazine O-TV, veículo de informação que é um luxo (mas nem sempre bem aproveitado).
No entanto... o número global de praticantes regulares não tem crescido.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

L. L. - Comunicação: tem melhorado aos poucos. É uma prioridade a levar com critério de forma a que o custo seja um investimento em vez de um prejuízo.

Desporto Escolar: Melhor formação dos professores e, por consequência, melhor qualidade técnica dos alunos. Criar uma Fase Distrital (alunos em quantidade, deslocações curtas, envolvimento dos clubes locais) de apuramento para a Fase Regional (melhor qualidade das equipas, menos confusão).

Provas locais: Denominação atribuída às provas que não pontuam para o ranking nacional (ou regional), têm infelizmente o estigma (errado) de serem provas de baixa qualidade técnica e/ou organizativa quando nem sempre é assim. A liberdade que uma “prova local” oferece a quem organiza é a de poder testar novas fórmulas que numa prova da Taça de Portugal não podem ser aplicadas devido às especificidades técnicas inerentes. O termo mais correcto será talvez “prova aberta” pois toda ela está aberta à participação em qualquer escalão, por oposição às provas em que a competição está reservada aos federados (e depois há 3 ou 4 percursos abertos). Acho mesmo que a divulgação de uma boa oferta de provas abertas apelativas é uma excelente oportunidade para atrair novos praticantes (que eventualmente podem converter-se em federados ou não).

Um desejo neste soprar das 25 velas.

L. L. - Que o sopro seja forte para embalar a modalidade nos próximos 25 anos, à conquista de novos praticantes e do reconhecimento como um dos melhores desportos aventura de ar livre que há.


Saudações orientistas.


Joaquim Margarido

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