domingo, 13 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Clube de Orientação de Estarreja



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Diogo Miguel (D. M.) - Voluntariado. Durante estes 25 anos, o desenvolvimento da Orientação fundamentou-se sobretudo na boa vontade e voluntariedade de um grupo de pessoas. Se por um lado este amadorismo acaba por preservar muito do que a Orientação tem de melhor, por outro lado acaba por, em algumas situações, ser um entrave ao desenvolvimento da modalidade.

Qual a “dívida” que o Ori-Estarreja tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

D. M. - O Ori-Estarreja tem já 23 anos de existência, tendo sido o primeiro clube dedicado exclusivamente à prática de Orientação a aparecer em Portugal. Antes disso já a modalidade tinha sido implementada em Estarreja, no seio do Clube Desportivo de Estarreja. Portanto, o Ori-Estarreja acaba por ter partilhado com a FPO uma boa parte destes 25 anos, e se a FPO foi importante para o crescimento do Ori-Estarreja, também o clube foi importante para o desenvolvimento da modalidade em Portugal. Assim sendo, não falaria em dívida, mas em simbiose. Só com uma colaboração entre a FPO e os clubes é que a modalidade poderá crescer.

Como definiria o Ori-Estarreja neste momento?

D. M. - A grande mais valia que o Ori-Estarreja tem neste momento são os seus recursos humanos. Não falo no número (na verdade já fomos mais), mas sim na sua qualidade técnica, pois neste momento temos pessoas que conseguem assegurar com um elevado nível as mais diversas tarefas. E é por isso que o Ori-Estarreja tem conseguido, ao longo dos anos, organizar eventos com um nível elevadíssimo, sendo o exemplo mais recente disso o Portugal O’ Meeting 2015. Na calha para 2016 está o Campeonato Ibérico, que levará de novo a caravana da Orientação a Aguiar da Beira, município que vê a Orientação como estratégica para o desenvolvimento da economia local. Outra área em que o clube tem também apostado de forma séria nos últimos dois anos é o Desporto Escolar. O Ori-Estarreja tem neste momento um protocolo de parceria com o Agrupamento de Escolas de Estarreja, organizando treinos semanais em que participam um número considerável de alunos. Além disso, o clube procura também apoiar em tudo a participação destes jovens atletas nas provas da Taça de Portugal. Como resultado disso, temos conseguido, de uma forma assídua, ter entre 15 a 20 jovens a participar em provas e treinos de floresta organizados por nós.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

D. M. - Infelizmente, não o vejo com muito optimismo. Nos últimos dois a três anos tem-se observado um declínio no número de participantes nas provas. Mas pior do que isso, parece-me que a desmotivação atingiu a globalidade dos agentes da modalidade em Portugal. E se há coisa que os quase 20 anos que já levo de Orientação me mostraram, é que sem motivação não é possível superarmo-nos e dar passos satisfatórios no sentido do desenvolvimento. Isto é sobretudo importante quando nos referimos a uma modalidade amadora e que vive da boa vontade dos seus agentes - sem motivação, não há boa vontade que resista!

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

D. M. - Comunicação - há que ser profissional nesta área. Acho que este é um exemplo paradigmático do amadorismo da nossa modalidade.
Desporto Escolar - acho sinceramente que o futuro da modalidade passa por aqui. E como tal, deve ser elaborada uma estratégia séria e bem estruturada que vise o desenvolvimento do Desporto Escolar e a sua articulação com os clubes - os clubes têm de ter condições para absorver os jovens que vêm do Desporto Escolar. E se não as têm, estas devem ser criadas, porque senão a modalidade acaba por perder estes jovens!
Provas Locais - numa altura em que os portugueses têm os bolsos vazios, só a proximidade permitirá que muitos continuem a praticar a modalidade.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

D. M. - Que quando cá estivermos para soprar as 50, o cenário da modalidade seja mais risonho. Muito mais!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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