quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Clube de Aventura da Bairrada

Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente?

Carlos Ferreira (C. F.) - Gratidão. Após os 22 anos vividos com a Orientação como forma de vida, o meu maior pensamento vai para a gratidão a todos os que, de um modo ou outro, contribuem para as satisfações familiares, sociais ou desportivas de todos os praticantes de Orientação. O voluntariado de tantos e tantos amantes deste desporto tem que ser lembrado e reforçado para que outros sigam as mesmas pisadas e continuem apostados em desenvolver esta prática desportiva, que, para além da competição ao mais alto nível, tem uma imensidão de praticantes cujo lema é o seu desenvolvimento físico e mental. Bendito o momento em que levei a família a passar um fim de semana fora de casa e ver o que era a Orientação. O Campeonato Ibérico realizado em Entre os Rios foi o ponto de partida para toda esta aventura. O meu filho Fausto acompanhou-me neste pontapé de saída pelo meio da natureza. Foi um momento de reflexão que me levou a deixar os fins de semana de trabalho pelos momentos de ócio com toda a família. À Orientação devo a educação dos meus filhos e a coesão familiar. Foram milhares de horas juntos as que passámos ligados à Orientação. Como eu, muitos outros e muitas outras famílias se devem sentir agradecidos por se terem cruzado com a Orientação. A “Gratidão” está naturalmente ligada a todos os que diretamente fizeram parte das realizações em que estive envolvido e que nunca regatearam os seus esforços.

Qual a “dívida” que o CA Bairrada tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

C. F. - O CAB-Clube de Aventura da Bairrada aparece, com naturalidade, após a cisão de alguns atletas com o clube anterior e que durante esses longos anos desenvolveu a modalidade na região. O CAB mereceu de imediato a aprovação da FPO para realizar eventos de grande relevo, tanto mais que os atletas do Clube sempre demonstraram estarem à altura desses mesmos desafios. Após um ano de intensa atividade é aposta do clube desenvolver a formação de jovens e reforçar a divulgação da modalidade na região da Bairrada.

Como definiria o CA Bairrada neste momento?

C. F. - O CAB está a traçar uma estratégia de crescimento moderado, dando os passos de forma sustentada. A nível desportivo a sua presença é constante na maioria das provas pedestres e de BTT com alguns troféus alcançados. Como organizador de eventos, de realçar, para além das restantes provas organizadas, o Campeonato Nacional de Distância Média, na vertente Pedestre, no Buçaco, que decerto ficará na memória de todos os presentes como um dos eventos de referência de 2015. De salientar que, quer nas provas de Orientação em BTT, quer nas provas pedestres, o número de participantes é dos mais elevados das provas nacionais, com relevância para os atletas não federados no caso do Orientação em BTT. A nível de provas nacionais, locais, formação de jovens e adultos e Orientação Adaptada conseguiu envolver mais de um milhar de participantes. O CAB inicia 2016 com um evento de Orientação em BTT a contar para o ranking mundial da modalidade, seguido de um campo de treinos aglutinando a FPO, o NADA e o ADM Ori-Mondego. A realização dos Mundiais de Orientação em BTT em Águeda, Cantanhede e Mealhada vai exigir muitas das energias dos seus atletas, não permitindo desse modo desenvolver outras iniciativas. Para 2017 existe em perspetiva a realização de vários eventos de grande dimensão para as duas disciplinas, assim elas sejam aprovadas pela FPO.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

C. F. - A Orientação está viva e recomenda-se. Existe uma grande percentagem de participantes em eventos de Orientação que, ao não serem federados, não se encontram nas estatísticas da FPO. Cada Clube desenvolve, no seu raio de ação, muitos eventos cuja contabilização não é tida em conta. Existe alguma dificuldade na continuidade desses praticantes pois as dificuldades económicas afasta-os de participações a maiores distâncias. Temos que continuar a esforçarmo-nos para demonstrar as potencialidades desta modalidade e procurar estratégias de satisfazer não só os atuais participantes mas também aqueles que olham para a modalidade com algum interesse. Não se perspetiva uma explosão de praticantes a curto prazo, mas acredito que essa explosão irá acontecer quando se conseguir introduzir esta modalidade, como prioritária, nos planos da formação escolar dos jovens. Os clubes, só por si, não têm meios para multiplicar os praticantes. Cabe à Federação e às estruturas superiores da Educação e do Desporto a definição de planos de desenvolvimento com vista à massificação da Orientação. A educação dum povo perspetiva-se em planos de longo prazo. As “modas” desportivas estão a modificar-se. As pessoas têm necessidade de se desenvolverem e de serem mais competentes, estando a descobrir a floresta e a montanha para esse efeito. A Orientação responde certamente a esses desígnios.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

C. F. - Comunicação - A comunicação das nossas potencialidades terá que passar por várias estratégias, a saber: apostas nas redes sociais, programas televisivos, telenovelas, professores, escolas, municípios e por um compromisso individual de que, cada atleta, só por si, consiga trazer no próximo ano três atletas para a modalidade.

Desporto Escolar - Quanto ao desporto escolar, para além do referido no ponto anterior, tem que se vencer o distanciamento dos professores para esta modalidade desportiva, apostando num plano de formação, a nível nacional, destes profissionais.

Provas Locais - Relativamente às provas locais, penso que devem ser implementadas e reforçadas com Campeonatos Regionais de forma a minimizar o custo do transporte, que em muitos casos representa verbas avultadas. Também a organização de eventos nas mesmas zonas de forma constante desenvolve a ligação de atletas locais com a modalidade e o seu futuro ingresso como federado. A massificação da Orientação não se faz pensando só num grupo de atletas de elevado nível. Eles têm que existir e têm de ter provas para o seu desenvolvimento, mas não podemos descurar o crescimento da modalidade, que de certo, passará por realizações mais próximas dos utentes.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

C. F. - Que continue grato por todos aqueles que apostam no engrandecimento da Orientação como desporto e como forma de desenvolvimento social e comunitário. Que a FPO consiga crescer de forma a alargar a sua grande “família de orientistas” e que ao fim dos próximos 25 anos, metade dos portugueses conheça a Orientação como modalidade desportiva.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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