quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

25 Anos FPO: Associação dos Deficientes das Forças Armadas



Numa altura em que festejamos os 25 anos da FPO, qual a palavra que de imediato lhe vem à mente? Porquê?

Jacinto Eleutério (J. E.) - Não darei uma, mas duas palavras: Estabilidade e credibilidade. Apesar da conjuntura económica difícil vivida pela grande maioria dos Portugueses, a FPO, nas comemorações do seu 25º aniversário, deveria ser um exemplo a seguir por muitas outras federações desportivas. Nota-se na FPO uma muito boa estabilidade a todos os níveis, que não será alheia à rigorosa gestão levada a cabo pelo presidente Augusto Almeida, que deu à modalidade e à FPO uma credibilidade exemplar e invejável.

Qual a “dívida” que a ADFA tem para com a Federação em matéria do seu aparecimento e desenvolvimento?

J. E. - A Secção de Orientação da ADFA iniciou a sua atividade em setembro de 2001 após a extinção da Secção de Orientação do Lusitano Ginásio Clube. No início foi, e ainda é, muito importante o apoio recebido da FPO para o desenvolvimento da nossa atividade. Poderemos mesmo dizer que sem o apoio federativo, nós e muitos outros clubes não conseguíamos manter uma atividade regular. Apoio nas inscrições, nos seguros, nos transportes, na cedência de material, na disponibilidade dos serviços, etc., foram e são imprescindíveis para manter o nosso desenvolvimento. Ao longo da sua ainda curta existência, a Secção de Orientação da ADFA já alcançou mais de 200 títulos de campeão nacional nas várias distâncias em que se disputam ou disputaram Campeonatos (Sprint, Média, Longa, Ultra-Longa e Estafetas, tanto nas disciplinas de Orientação Pedestre como de Orientação em BTT. Na época prestes a findar tivemos 64 atletas inscritos na FPO, dos quais 45% são jovens.

Como definiria a ADFA neste momento?

J. E. - Ao longo dos últimos anos soubemos manter um bom rigor orçamental e organizativo (copiamos o exemplo da federação), que nos permite na atualidade viver sem grandes sobressaltos. Temos neste momento um excepcional grupo de colaboradores que se encarrega - melhor do que eu faria - da maior parte das tarefas organizativas e me deixa liberto para outras situações mais burocráticas. Temos conseguido manter ao longo dos últimos anos uma boa capacidade competitiva que nos levou a conseguir em 2015 dezassete títulos de campeão nacional na vertente Pedestre: 4 no sprint, 3 na Longa, 5 na Média, 4 nas Estafetas e recentemente renovamos o titulo coletivo de campeões nacionais absolutos masculinos. Para 2016 temos a responsabilidade da organização dos Campeonatos Nacionais de Distância Longa e Sprint, em Palmela, na Orientação Pedestre e do Campeonato Nacional Absoluto em BTT, em local ainda a definir.

Como vê o atual estado da Orientação em Portugal?

J. E. - Com algum otimismo, mas moderado. Penso que o pico da crise que nos assolou já passou, dado que já se nota alguma melhoria nas participações nas provas. Temos também um bom lote de jovens a despontar que nos dão garantia de continuidade para o futuro (espero que não se percam), tanto em Pedestre como em BTT. Temos a nova disciplina do Rogaine a dar os primeiros passos que me parecem animadores, sendo que a destoar temos as Corridas de Aventura que me parecem com um futuro muito complicado.

Três ideias breves para três tópicos muito concretos: Comunicação, Desporto Escolar e Provas Locais.

J. E. - Comunicação - A comunicação não está a funcionar como seria desejável. Talvez fruto da reduzida participação nas provas, os clubes não querem/podem fazer investimento nesta área, salvo raras e honrosa exceções. Esta situação acaba por ser compreensível, pois uma organização com 100 inscritos ou menos não se pode dar ao luxo de investir no OTV. Depois nota-se pouca colaboração entre os clubes, não compartilhando nem ajudando na organização ou divulgação das provas dos outros, situação que na minha opinião é essencial. Temos a newsletter da FPO e um esforço notável e empenhado do amigo Fernando Costa, que sozinho não consegue fazer mais. Era bom que todos (clubes, atletas e dirigentes) se empenhassem na tarefa de fazer passar a imagem deste desporto que se quer para todos.

Desporto Escolar - O Desporto Escolar está muito bem e é suficiente para guarnecer a estrutura federativa. Poderá ser controversa esta afirmação, mas parece-me que o que faz falta é o aparecimento de mais clubes e dirigentes que possam acolher todos os jovens saídos do Desporto Escolar. Na ADFA, com muita pena minha, não conseguimos absorver todos os jovens que as Escolas do Pinhal Novo e Palmela tvão “fabricando” ano após ano. De vez em quando leio que houve um Ori-Escolas com cerca de 600 alunos e pergunto-me: Onde estão esses alunos? Quantos vieram para a estrutura federada? Daí que fazem falta clubes para dar seguimento ao que o Desporto Escolar muito bem faz. Salvo algumas honrosas exceções, a maioria desses alunos perde-se para a modalidade.

Provas Locais - As provas locais, como outras áreas da nossa modalidade, passaram por tempos conturbados, com reduzidas participações, o que levou as organizações a desistirem da sua organização (falo por mim). Esperamos que com o aliviar da crise voltemos a ter maiores índices participativos, dando um maior incentivo aos organizadores. Não tenho duvidas nenhumas que as provas locais são essenciais para a massificação da modalidade.

Um desejo neste soprar das 25 velas.

J. E. - Estamos a chegar ao fim do mandato da atual direção da FPO. Já conheci tempos conturbados na Federação, que gostaria não se repetissem e para isso é preciso que apareçam pessoas com capacidade (e temos muitas) de continuar com a estabilidade que atualmente se vive, de maneira a podermos seguir em frente com rigor e honestidade para que possamos soprar outras 25 velas e, como dizia o saudoso Raul Solnado, FAÇAM O FAVOR DE SER FELIZES.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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