quinta-feira, 12 de novembro de 2015

IX Congresso de Orientação: "Provas Locais: Fator de Crescimento"



Provas Locais: Fator de Crescimento” foi o tema que Tiago Romão desenvolveu no decorrer do IX Congresso de Orientação. Pela sua importância e impacto, nomeadamente em termos da promoção e divulgação da modalidade junto do grande público, este é um assunto que merece atenção e reflexão.


Escolheu falar no IX Congresso de Orientação sobre Provas Locais. O que são, afinal, Provas Locais?

Tiago Romão (T. R.) - Provas locais são provas com uma estrutura simples e cujo principal objectivo é serem acessíveis à população da região onde se efectuam, proporcionando uma oportunidade da prática da modalidade de baixo custo e deslocações de curta distância.

Acha que a sua importância tem sido devidamente valorizada pelos agentes da Orientação, FPO incluída?

T. R. - Considero que, na realidade, a sua importância tem sido sub-valorizada, tentando que estas dêem resposta a todos os problemas relacionados com a diminuição de participantes na modalidade.

Um inquérito realizado em 2006/2007 a 499 orientistas revelou que 67% considerava as provas locais “boas para treinar”. Esta realidade pode ser transporta para o momento atual sem grande margem de erro?

T. R. - Independentemente de poder ou não ser transportado para o momento atual, é importante percebermos que já há cerca de 9 anos a maior parte dos orientistas considerava ser esta a verdadeira função das provas locais. Assim, ao longo dos anos, o que se assistiu foi, em muitos casos, a intenção de que estas provas locais trouxessem novos participantes, o que não se tem vindo a objectivar nas proporções esperadas.

E para os menos familizarizados com a Orientação, de que forma é que as Provas Locais podem ser importantes?

T. R. - Quando falamos do termo Provas Locais, falamos de um termo demasiado vasto, que acarreta dois extremos que na minha opinião deverão ser bem diferenciados. Por um lado as provas locais com o objetivo de treino, com percursos desafiantes em terrenos de grande qualidade técnica e por outro lado provas com o objetivo de divulgar a modalidade e atrair novos participantes, que deverão ser realizadas em centros urbanos, com percursos de pouco exigência técnica, idealmente com alguma componente turística e em locais com os quais as pessoas estejam familiarizadas. No entanto considero que as provas locais não conseguem, nem é essa a sua função, substituir a formação de base que deve existir por parte dos clubes. As provas locais devem, sim, existir como uma complementaridade, como o passo seguinte à formação e treinos próprios de cada clube.

Uma boa parte da sua apresentação utiliza como exemplo o seu próprio clube, o GafanhOri. De que forma é que as Provas Locais podem promover ou reforçar a sustentabilidade dum clube?

T. R. - As provas locais foram bastante importantes para o desenvolvimento e afirmação do GafanhOri, dando, por um lado, experiência em organização de eventos aos elementos do clube e, por outro, mais oportunidades de treino e novos mapas.

Baseado exclusivamente em Provas Locais, o Circuito Ori-Alentejo constitui um caso de sucesso? Porquê?

T. R. - O Circuito Ori-Alentejo é um caso de sucesso pois tem a sua missão bem definida, ou seja, proporcionar uma boa oportunidade de treino a quem escolhe participar, procurando sempre oferecer mapas de qualidade e percursos de exigência técnica. Uma aposta clara na qualidade, ajudando aos praticantes da modalidade a evoluírem e usufruírem do desporto.

Alargando um pouco o âmbito das Provas Locais e pegando no exemplo do Circuito Ori-Alentejo, pergunto-lhe se acha que deveríamos equacionar a possibilidade de estimular a criação de novos circuitos e de regressar aos rankings regionais? Porquê?

T. R. - Considero que a única forma da modalidade evoluir passa pela sua massificação e isso só será possível com uma base alargada em termos regionais. Desta forma considero que clubes e outras entidades têm o dever de desenvolver o desporto no meio onde se inserem, ainda para mais quando muitos clubes recebem grande parte dos apoios por parte das autarquias onde se localizam. A minha sugestão pessoal passa pela existência de Rankings Regionais com divisão semelhante ao Desporto Escolar (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores), procurando desta forma, além de proporcionar a todos oportunidades de praticar orientação a poucos quilómetros de casa, proporcionar ao Desporto Escolar a hipótese de usarem estas provas como parte integrante dos seus calendários regionais. Esta solução facilitaria o trabalho dos professores e aproximaria Desporto Escolar e Clubes de forma a que mais jovens possam fazer a transição do Desporto Escolar para o Desporto Federado.

Numa altura em que nos preparamos para celebrar os 25 Anos da FPO, pedia-lhe um voto para a Federação Portuguesa de Orientação e para todos os orientistas e, em particular, para as Provas Locais.

T. R. - Para termos uma modalidade com crescimento e prestígio, precisamos que ela chegue a muitos mais pontos do nosso país, sendo para tal necessário a criação de muitos mais clubes, no verdadeiro sentido da palavra, o que implica formação, treinos e um verdadeiro impacto na região onde se inserem. Basta ver alguns exemplos de sucesso para entender que este é o único caminho para um crescimento sustentado. Espero sinceramente que mais pessoas tenham a coragem de abraçar projetos neste sentido. Para as provas locais, em particular, espero que se compreenda bem qual a sua função, sem que existam ilusões de que poderão solucionar todos os problemas.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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