quinta-feira, 5 de novembro de 2015

IX Congresso de Orientação: Corridas de Aventura



A partir de hoje, e ao longo dos próximos quinze dias, o Orientovar abre um importante capítulo que se debruçará sobre o IX Congresso de Orientação. O objetivo não passa, apenas, por conservar um conjunto de registos “para memória futura”. Mais importante do que isso, trata-se de auscultar as opiniões de alguns dos melhores especialistas da atualidade, tomando o pulso ao momento presente da Orientação no nosso país e projetando-a no futuro. O pontapé de saída é dado por Crispim Júnior, que nos traz a sua visão sobre as Corridas de Aventura.


Desde 2010 que vimos assistindo a uma luta pela sobrevivência das Corridas de Aventura em Portugal e isso mesmo foi evidenciado na sua intervenção no âmbito do IX Congresso de Orientação. Quais as razões que estão na origem desta situação?

Crispim Junior (C. J.) - Tal como tive oportunidade de referir no Congresso, as razões podem ser várias e passo a enumerá-las: O aparecimento das provas de Trail e das Maratonas de BTT; o estado financeiro das famílias e o respetivo custo das provas; a pouca divulgação, com a agravante de que a que é feita, por exemplo no Facebook, não ser comentada nem partilhada quer pelos os clubes quer pelos atletas; e, por último, a não captação de novos atletas, nomeadamente no seio da Orientação Pedestre ou da Orientação em BTT.

Admito que talvez possa não estar da posse da verdade toda mas, em Espanha, o problema parece não se colocar. Qual a fórmula que resulta com os “nuestros hermanos” e que está a falhar entre nós? É só uma questão de atitude ou há coisas que estão, realmente, a faltar?

C. J. - Em conversa com as equipas que vão aparecendo nas nossas provas e que têm sido uma salvação para nós, os espanhóis são mais participativos nas divulgações.

A IOF nomeou em 2011 um Grupo de Trabalho para estudar a possibilidade de integração das Corridas de Aventura no seu seio. Portugal fez parte desse grupo de trabalho e chegou a ser designado para acolher uma prova de observação, na altura considerada peça fundamental no processo de candidatura. Que impacto poderia ter tido, a nível interno, a integração das Corridas de Aventura na IOF, caso a candidatura tivesse vingado?

C. J. - Não posso comentar, pois não estive envolvido no processo. Mas posso garantir que as coisas não falharam pelo clube nem pela FPO. Mas a vontade permanece e as Federações Portuguesa e a Espanhola estão envolvidas e empenhadas em “voltar à carga”. Seria uma mais-valia muito grande para as Corridas de Aventura.

Algumas vozes têm advogado a criação dum organismo que tutele as Corridas de Aventura, autónomo da Federação Portuguesa de Orientação. Que sinal vê nisto?

C. J. - A minha posição é muito pessoal e digo que o caminho não passa por aí. Essas vozes, se gostassem tanto das Corridas de Aventura, envolviam-se mais e não fugiam da realidade. A FPO tem ajudado financeiramente os clubes que organizam as provas e tem convidado clubes a organizarem para que a Taça de Portugal não desapareça.

Regressando ao IX Congresso de Orientação e às suas propostas, percebe-se que, para além duma redução na taxa de inscrição, uma das soluções para o problema passaria pelo recurso aos jogos populares, como alternativa aos tradicionais segmentos de canoagem e cordas. Sendo a canoagem e as cordas dois dos grandes atractivos das Corridas de Aventura, não teme que esta medida possa afastar ainda mais os já de si poucos praticantes?

C. J. - Penso que a redução da taxa tem de ser feita. Quanto ao outro aspeto que refere, eu fiz provas e não havia Canoagem e eram em média cinquenta equipas. Hoje a realidade é outra e a Canoagem, como eu disse, já é considerada como um meio de progressão. As cordas, derivado à janela de tempo das etapas, tornam-se muito caras. Não defendo que se acabe com as cordas, mas talvez utilizar menos meios, como só escalada ou o slide. Por outro lado, existem muitos jogos populares que podem ser adaptados e que em 2000 e 2001 eram utilizados, como as Corrida de Sacos, os Patins em Linha e outros.

Fala-se em alterar o nome “Corridas de Aventura”. Porquê?

C. J. - Foi uma proposta feita pela Marisa [Barroso], com base num estudo feito e que será apresentado numa reunião entre os responsáveis pelas Corridas de Aventura e a Direção da Federação Portuguesa de Orientação.

Sem lhe pedir que faça futurologia, como vai ser a próxima temporada. O que temos de concreto e o que está ainda a faltar?

C. J. - Não tenho dúvida que a próxima temporada será uma fotocópia deste ano. A FPO a mendigar junto dos clubes para que organizem provas e os clubes a mendigarem junto de outros clubes e atletas para que se inscrevam e participem.

Numa altura em que nos preparamos para celebrar os 25 Anos da FPO, pedia-lhe um voto para a Federação Portuguesa de Orientação e para todos os orientistas e, em particular, para as Corridas de Aventura.

C. J. - O meu voto é que as Corridas de Aventura se tornem uma modalidade com sucesso. Com as redes sociais, não aproveitamos, não fazemos um gosto ou partilhamos com convites; e nisso, a FPO e os clubes têm de ser mais agrestes. A FPO tem de apostar nos jornais desportivos e numa pessoa de marketing. Se gastarmos alguns euros hoje, poderemos vir a ter um retorno muito maior no futuro.

[Foto: Paulo Calisto / arwc2009.com]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido
  

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