quinta-feira, 19 de novembro de 2015

IX Congresso de Orientação: "City Race"



Baseado na experiência de sucesso do Londres City Race, quatro cidades uniram esforços e lançaram, em 2014, o City Race Euro Tour. Este ano o certame conheceu a sua segunda edição em seis cidades europeias e, internamente, foi decidido aplicar o modelo a seis cidades do Norte e Centro do País, dando origem à primeira edição do Portugal City Race. Foi precisamente sobre o conceito “City Race” que Hugo Borda d'Água se debruçou no IX Congresso de Orientação, respondendo agora a algumas questões colocadas pelo Orientovar.


Falar de City Race é falar de quê? Este é um produto iminentemente turístico ou é muito mais do que isso?

Hugo Borda d'Água (H. B. d'A.) - City Race é conseguir trazer para as grandes cidades provas de Orientação que permitam ao participantes praticar Desporto e usufruir de uma compente Turistica das cidades. O objectivo é conseguir ter, no mesmo espaço, atletas a competir, pessoas a efetuar a sua caminhada habitual mas com o mapa da prova, participantes que vão para conhecer melhor os recantos da cidade e pessoas que vão percorrer os vários pontos turisticos através do Percurso Turistico. Todos estes fatores, agregados ao facto de os eventos ocorrerem nos locais onde estão as grandes áreas populacionais, tornam o conceito também importante para atrair novos praticantes não federados na Orientação.

Já que fala nisso, a essência do chamado Percurso Turístico parece-me ser uma das grandes ideias do City Race. Há já autarquias a tirar partido desta ideia e a valorizá-la?

H. B. d'A. - Não tenho conhecimento que já existam autarquias a desenvolver esse trabalho. Será algo que se vai continuar a promover no futuro, de modo a que o percurso Turistico não acabe no evento organizado e possa continuar activo para todos os que visitem o local. Promover esse tipo de oferta a partir dos Postos de Turismo, por exemplo, independentemente de haver ou não prova, haver ou não monitores, pode ser uma excelente medida.

De que estratégias lançaria mão para “vender” o conceito City Race a um purista da Orientação?

H. B. d'A. - A estatégia mais clara de todas é que um evento “City Race” é uma prova de Orientação que nas suas bases em nada se desvia dos eventos que todos os praticantes já conhecem. Além disso, toda a estrutura organizativa destas provas é assegurada por clubes já com muita experiência na organização de eventos de Orientação, garantindo a validação de todos as regras inerentes a um evento de Orientação. No entanto, além desses fatores comuns, tem outros que acabam por ser mais valias para quem é praticante de Orientação. As provas são médias/longas, realizadas no interior das cidades, permitindo conhecer muitos recantos desconhecidos do local da prova; além dos percursos abertos, também existem percursos turisticos para quem vai acompanhar os participantes; os percursos são definidos de forma a garantir a máxima segurança de todos os atletas, visto que muitas vezes percorrem áreas de considerável dimensão em zonas urbanas onde existe trânsito.

Com base nos números que apresentou no Congresso de Orientação, não se consegue perceber, do leque de participantes, quantos são, efectivamente, novos participantes. E digo isto porque me parece ser esta um parâmetro perfeitamente legítimo para aferir o sucesso destas iniciativas. Consegue adiantar algo nesta matéria?

H. B. d'A. - Foram apresentados números da relação entre escalões abertos e de competição. Sobre os novos praticantes, ainda estamos a analisar esses dados. No entanto, essa análise deve ser efectuada não só em relação ao numero de novos praticantes mas também na frequência com a qual marcaram presença nos eventos. Este é um aspecto importante para avaliar se o circuito contribui para a fidelização das pessoas à pratica da modalidade, depois das primeiras experiências. Este tema dos novos praticantes é um dos pontos importantes para medir o sucesso destes eventos mas não nos podemos esquecer de todos os outros, como a qualidade das organizações. Em 2015 tivemos organizações de qualidade muito elevada, efetuadas com grande dinamismo por todos os clubes.

De que forma se torna importante para os clubes o seu envolvimento no Portugal City Race?

H. B. d'A. - Os clubes envolvidos no Portugal City Race, acabam por ter uma excelente oportunidade para captar novos praticantes devido ao facto de o evento que organizam se realizar, na maioria dos casos, na cidade em que o clube desenvolve a sua actividade. Este acaba por ser um um fator importante para permitir às pessoas, que vão tendo contacto com o clube ao longo do tempo, experimentar a modalidade sem necessidade de grandes deslocações. Existe também a possibilidade de os clubes captarem novos praticantes também nas suas participações em outros eventos do circuito, devido à proximidade e ao modelo dos eventos. A divulgação conjunta de todos os eventos também acaba por ser importante para o trabalho realizado pelos clubes e contribui para que não seja “cada um por si”. Existirão muitos outros aspectos, dependendo de cada clube e das suas circunstâncias.

Este modelo City Race é um produto acabado ou pensa que há ainda aspectos que merecem ser trabalhados no sentido da sua melhoria?

H. B. d'A. - Penso que está longe de ser um produto acabado. Em Portugal efetuámos a primeira experiência em 2015, a qual serve de base para se definirem alterações e melhorias para 2016. Continuará a ser grande objectivo, em 2016, conseguir atrair mais pessoas fora do circulo habitual da Orientação, implicando isso reunir todas as ideias que possam melhorar os dados desta primeira edição. Outro dos aspectos que ainda irá ter algumas alterações será a dispersão geográfica dos eventos, de acordo com as cidades interessadas em integrar o circuito em 2016.

Mas existe já algo de concreto em relação ao próximo ano?

H. B. d'A. - Estamos a definir o calendário para 2016 e é certo que irão entrar novas cidades. O modelo de provas vai ser idêntico, existindo o desafio de aumentar o número de cidades e a dispersão geográfica, sem perder de vista os objectivos base do circuito.

Em que aspetos diferem o Circuito Nacional Urbano e o Portugal City Race? Não há o risco de um enfraquecer o outro ou de se enfraquecerem mutuamente?

H. B. d'A. - Esta época quase todos os eventos do Portugal City Race estiveram integrados no Ranking do Circuito Nacional Urbano, de forma a também contribuir para manter esse circuito activo. No entanto, esse risco penso que vai ser uma realidade, caso o objectivo e o modelo de provas de ambos os circuitos forem os mesmos. Por exemplo, o CiNu acabou por se tornar um misto de provas integradas em eventos da Taça de Portugal ou isoladas. O Portugal City Race tem como objectivo estar sempre isolado dos eventos da Taça de Portugal, de modo a existir um foco completo neste evento. Se não existir uma diferenciação clara neste aspecto, as pessoas vão acabar por se dispersar mais. É um tema que vamos avaliar com a FPO, de modo a que os dois circuitos possam sair a ganhar em 2016.

Numa altura em que nos preparamos para celebrar os 25 Anos da FPO, pedia-lhe um voto para a Federação Portuguesa de Orientação e para todos os orientistas e, em particular, para este novo conceito que é o City Race .

H. B. d'A. - Para a FPO, felicitar pelos 25 anos e fazendo votos que nos próximos anos se conseguia manter o que já está bem e dar a volta a alguns dos aspectos que nos preocupam a todos, nomeadamente o número de praticantes. Quanto ao City Race, espero que se desenvolva e se afirme como um conceito que os participantes disfrutem e que contribua para trazer novos praticantes para a modalidade.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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