quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Anton Foliforov, Atleta do Mês da Federação Internacional de Orientação



O atleta do mês de Setembro dispensa apresentações. Dois títulos de Campeão da Europa, dois títulos de Campeão do Mundo, a revalidação do triunfo na Taça da Europa e a manutenção da sólida liderança no Ranking Mundial da IOF fazem de Anton Foliforov o maior nome da Orientação em BTT da atualidade. Das primeiras pedaladas, sob o olhar atento e sabedor do pai, aos mais extraordinários momentos da sua carreira até ao momento, venha ouvir aquilo que Anton tem para nos dizer.


Nome: Anton Foliforov
País: Rússia
Data de Nascimento: 3 de Janeiro de 1987
Disciplina: Orientação em BTT
Melhores resultados: Campeão do Mundo de Orientação em BTT na Distância Longa (2010, 2014 e 2015), Distância Média (2015), Sprint (2011 and 2014) e Estafeta (2009 and 2010); Campeão da Europa de Orientação em BTT na Distância Longa (2015) e Distância Média (2015). Vencedor da Taça do Mundo em 2014 e 2015.
Classificação no Ranking Mundial da IOF: 1º lugar.


Texto e foto de Joaquim Margarido

Nascido em Kovrov, 250 km a leste da capital russa, Moscovo, Anton Foliforov parecia ter o destino traçado à partida. Desde cedo se habituou a acompanhar o pai, treinador de sucesso na área do Ciclismo de Estrada, e foi com naturalidade que recebeu a sua primeira bicicleta aos seis anos de idade. Pedalar “com os mais crescidos” está entre as suas gratas recordações de infância, bem como o grupo de jovens criado pelo clube e do qual Anton, com dez anos de idade, passou a fazer parte. “Eu era tão pequeno que tinha de me sentar no próprio quadro da bicicleta”, recorda a esse propósito.

Os anos foram passando até que, no início de 2003, um acontecimento veio marcar em definitivo a vida de Anton. A inesperada visita ao clube do treinador de Orientação em BTT trouxe com ela uma proposta. Fontainebleau recebera, no ano anterior, a primeira edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT e novas oportunidades pareciam surgir. Quem ousa experimentar? Sem nada a perder, Anton lançou-se à descoberta. “Gostar de mapas” poderá ter sido decisivo nesta sua aposta. Desde essa altura, a Orientação em BTT passou a ser o seu desporto e o misterioso visitante é, ainda hoje, o seu treinador.


As primeiras pedaladas

Em 2003, Kovrov recebeu os Campeonatos da Rússia de Orientação em BTT e Anton Foliforov teve a oportunidade de participar naquela que foi a sua primeira competição. Inscrito no escalão de Elite, a correr ao lado de nomes como Maxim Zhurkin, Viktor Korchagin ou Ruslan Gritsan, o jovem Anton alcançou a medalha de prata e, com ela, a motivação necessária para se dedicar ainda mais intensamente à Orientação em BTT. Ainda nesse ano, nos meses de Setembro e Outubro, teve a oportunidade de participar nas três últimas rondas da Taça do Mundo. A 32ª posição numa das etapas individuais foi o melhor resultado alcançado, mas a experiência de competir na Polónia, República Checa e Itália valeram pela aprendizagem de novos mapas e terrenos, pelos contactos com as figuras emergentes da Orientação em BTT mundial e pelas doses reforçadas de motivação.

Em 2005, Anton ruma a Banska Bystrica, na Eslováquia, onde integra pela primeira vez a seleção nacional da Rússia presente num Campeonato do Mundo de Orientação em BTT. O primeiro resultado de vulto surge no ano seguinte, em Joensuu, na Finlândia, com o 5º lugar na prova de Distância Média.Teremos de aguardar até 2009 para vermos Anton Foliforov conseguir a sua primeira subida ao lugar mais alto do pódio, naquele que o atleta recorda como o melhor momento da sua carreira até à data: “Foi em Ben Shemen, Israel, com a medalha de ouro na Estafeta. Corri o último percurso e recebi o testemunho com seis minutos de atraso em relação à liderança, mas no final fui capaz de chegar em primeiro. Foi algo de verdadeiramente inesperado”. Mas os episódios menos bons também existiram, o pior dos quais foi o seu afastamento da final de Distância Longa nos Campeonatos do Mundo em Itália, em 2011: “Tive um problema mecânico na fase de qualificação e não consegui terminar a prova. Fiquei afastado da Final A e, consequentemente, da possibilidade de defender o meu título mundial. Foi um episódio muito triste e não inteiramente correto, na minha opinião”, lembra.


Três perguntas, três respostas

- Tem preferência por algum tipo particular de terreno ou de distância?

“De momento, prefiro os terrenos desnivelados, independentemente da distância, qualquer que ela seja. Mas confesso que acho mais interessante e divertida a Estafeta Mista de Sprint. Em qualquer caso, procuro dar sempre o meu melhor em cada prova.”

- Do seu ponto de vista, que particulares características possui e que fazem de si o melhor orientista em BTT da atualidade?

“As características são únicas em cada atleta e variam de atleta para atleta. Honestamente, não consigo particularizar essas características no meu caso pessoal. Trabalho duramente a minha parte física e procuro manter a cabeça fria em cada momento ao longo da prova.”

- Tem alguns apoios ou patrocinadores que o possam colocar na situação de profissional da Orientação em BTT?

“Um dos grandes apoios está no próprio grupo de seleção. Sente-se uma enorme energia e vontade de trabalhar e procuramos treinos de qualidade a pensar nas grandes competições. Para além disso, há o apoio da Federação Russa de Orientação, mas também da Federação Regional e do Departamento Regional do Desporto, aos quais devo uma sincera palavra de agradecimento. Vistas bem as coisas, penso que sim, que posso considerar-me um profissional da Orientação em BTT.”


Sorte na Distância Média

Liberec, na República Checa, tornou-se um marco importante na carreira de Anton Foliforov. Aí, no passado mês de Agosto, o atleta conquistou dois dos seis títulos mundiais que ostenta no currículo, revalidando a medalha de ouro na prova de Distância Longa e alcançando, pela primeira vez, o ouro na Distância Média. Estas conquistas projetam-no para o lugar do atleta com maior número de títulos mundiais de sempre da Orientação em BTT masculina, a par do seu compatriota Ruslan Gritsan. Por isso, os momentos que marcam os recentes Campeonatos do Mundo são as subidas ao lugar mais alto do pódio e o cantar, juntamente com os seus colegas de equipa, o hino nacional russo.

Sobre as mais recentes conquistas, Anton realça um momento: “Penso que conquistar um título mundial é tudo menos fácil, mas devo reconhecer que tive muita sorte com a medalha de ouro ganha na prova de Distância Média. O Luca Dallavalle esteve no comando durante toda a prova, mas teve um problema com um pneu já no último ponto o que o impediu de vencer. Mas este é um desporto onde o binómio homem-máquina está sempre presente e ninguém está livre de ter um problema com a bicicleta.”


Se queremos integrar o programa olímpico, então teremos de fazer com que a modalidade seja mais espetacular”

Mas Liberec ofereceu também a oportunidade de refletir sobre o atual momento da Orientação em BTT. Ter Brian Porteous, o Presidente da Federação Internacional de Orientação, inscrito nos Mundiais de Veteranos que se realizaram em paralelo com a competição maior “foi muito positivo, mostra que ele está interessado nesta disciplina e que nos apoiará no futuro”, refere Anton. O atleta olha de forma muito positiva para as novas diretrizes de cartografia, as regras relativas à circulação fora dos caminhos e mesmo o sistema touch-free, entre outros, não tendo dúvidas em afirmar que “a Orientação em BTT está no bom caminho”. Mas adverte: “Se os organizadores permitem que se pedale fora dos trilhos, então os competidores devem mesmo pedalar e não carregar a bicicleta à mão; doutra forma, a circulação fora dos trilhos deve ser proibida.”. E ainda uma palavra acerca dos Jogos Olímpicos: “Se queremos integrar o programa olímpico, então teremos de fazer com que a modalidade seja mais espetacular.”

A temporada caminha para o final e Anton recorda os longos períodos passados longe da família e dos amigos, “que me apoiam a tempo inteiro”. Agora é tempo para “uma ou duas semanas longe da bicicleta, a repousar na praia”. Mas o seu pensamento dirige-se já para os desafios que se avizinham: “Vou começar a preparar-me convenientemente para todas as competições de Orientação em BTT do próximo ano e quero fazer ainda melhor. O ano de 2005 foi o melhor até hoje na minha carreira, mas tentarei melhorar os resultados no futuro, embora saiba que isso não vai ser fácil.” E são sobre o futuro as suas últimas palavras: “Continuarei a fazer Orientação em BTT enquanto for capaz de competir com os melhores”.


[Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação. O artigo pode ser lido no original em http://orienteering.org/iof-athlete-of-the-month-anton-foliforov-russia/]

Sem comentários: