quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Annika Billstam: "Eu nunca esperei chegar ao ouro nos Campeonatos do Mundo"



Ao revalidar o título mundial de Distância Média, Annika Billstam assinou uma das mais belas páginas dos recentes Campeonatos do Mundo de Orientação. Ao Orientovar, a grande atleta sueca recorda esse momento e traça o resumo duma semana recheada de emoções.


Como é que decorreu o período de preparação para os Campeonatos? Sentia-se confiante à partida para a Escócia?

Annika Bilstam (A. B.) – A minha preparação com vista aos Campeonatos do Mundo foi interrompida por uma longa infecção vírica durante a maior parte do mês de Maio, obrigando-me a falhar algumas competições importantes, nomeadamente a Tiomila e algumas provas nacionais de selecção. O timing para esta situação de doença foi péssimo, mas disse para mim mesma que o excelente treino de Inverno e de início de Primavera (tinha prescindido da Taça do Mundo em Janeiro para me focar a 100% nos Campeonatos do Mundo), seria seguramente uma base sólida, se conjugado com um bom plano nos últimos aprontos. Decidi que o tempo para me sentir totalmente preparada era o necessário e suficiente.

Quer falar-nos da fantástica medalha de ouro na Distância Média, “bisando” esse feito notável alcançado em Itália, no ano passado? Estava à espera que isto acontecesse?

A. B. – Eu nunca esperei chegar ao ouro nos Campeonatos do Mundo. Mesmo sentindo-nos perfeitamente aptos e dando o máximo em prova, sabemos que os nossos adversários podem ter sempre um dia melhor – é algo que não controlamos. Mas acreditei que poderia ter essa possibilidade. Senti-me realmente obrigada a cumprir o meu objectivo de fazer uma prova limpa e estou grata por ter sido capaz de transmitir inspiração e boas sensações àqueles que me acompanharam na conquista deste resultado.

E quanto à medalha de bronze na Estafeta? Que recordações guarda da prova?

A. B. – É uma mistura de emoções. Alcançámos a medalha de bronze após um sprint final muito apertado no último percurso e isso faz com que estejamos muito satisfeitas com o resultado. Fiz uma boa prova e sei que ter feito melhor não alteraria em muito o resultado final da equipa. Nesse dia, as Dinamarquesas foram simplesmente melhores!

Ainda está muito zangada com o seu 15º lugar na prova de Distância Longa?

A. B. – A Distância Longa foi uma prova diferente de qualquer outra que já tenha corrido até hoje em Campeonatos do Mundo. Geralmente, eu sinto quando perco tempo, mas isso não aconteceu durante esta prova. Cometi um erro maior mesmo antes da Arena, que foi o erro que eu senti. A progressão ao longo da prova foi boa, pelo menos dentro daquilo que eu esperava. Ao analisar os parciais, percebi que perdi muito tempo nas pernadas longas devido a más opções. Nunca pensei que isso pudesse vir a ser tão decisivo. Não, não estou zangada mas na altura senti-me vazia sabendo que o WOC tinha chegado ao fim.

Que motivação é que estes resultados acarretam em termos de futuro?

A. B. – Estou ainda num estado em que retiro prazer da Orientação e procuro repetir. No futuro verei em que direcção apontarão as minhas motivações.

Em termos de prestação global, como avalia os resultados da Suécia nestes Mundiais?

A. B. – É evidente que, depois duma série de grandes resultados a nível nacional, a medalha de ouro do Jonas [Leandersson] na final de Sprint foi um grande feito e altamente merecido. Essa medalha de ouro também galvanizou a selecção, no seu conjunto, para o resto da semana. Gostaria também de realçar a medalha de bronze do Olle Boström na prova de Distância Média, a sua primeira medalha em Campeonatos do Mundo, e estou certa que ele voltará a dar que falar no futuro.

Do ponto de vista organizativo, como classifica o WOC 2015?

A. B. – Organizar uns Campeonatos do Mundo é uma grande tarefa. Em termos gerais, este foi um WOC bem organizado. Como atleta, gostei da opção tomada pela organização de não fazer uma passagem pela Arena nas provas de Distância Média e de Distância Longa, o que valorizou a competição.

Se lhe pedisse que elegesse um momento – o grande feito dos Campeonatos -, qual seria?

A. B. – O espetáculo dado pelas Dinamarquesas na Estafeta – impressionante!

Numa altura em que a temporada se encaminha para o fim, quais os objectivos que tem ainda traçados neste ano de 2015?

A. B. – Decidi encerrar a minha temporada com a participação na ronda final da Taça do Mundo.

[Foto: Ethan Childs / facebook.com]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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