segunda-feira, 10 de agosto de 2015

WOC 2015: O dia seguinte



1. Num Clinic para Supervisores Internacionais, aprendi que não vale a pena complicar. “Por mais fácil que uma prova possa ser, ela será sempre difícil para alguns”, dizia-se. Terá sido esta a filosofia dos organizadores dos Campeonatos do Mundo de Orientação WOC 2015. O terreno era suficientemente desafiante do ponto de vista técnico para que mesmo os melhores cometessem erros. Porquê armadilhar ainda mais as coisas? Dito isto, cinco estrelas para a organização destes Mundiais.


2. Foram apenas oito os países que repartiram entre si as 27 medalhas em disputa. Com quatro medalhas de ouro, a Dinamarca liderou o medalheiro dos Campeonatos, com Suiça e Suécia a ocuparem as posições seguintes, com duas medalhas de ouro cada. Mais valioso o medalheiro da Suiça, com o acrescento de duas medalhas de prata, mais robusto o medalheiro da Suécia, com o extra de quatro medalhas de bronze. A restante medalha de ouro coube à França, juntando-lhe uma de prata e uma de bronze. Com quatro medalhas de prata e uma de bronze, a Noruega ocupou a quinta posição, seguida pela Ucrânia e Finlândia, com uma medalha de prata cada. Finalmente, com três medalhas de bronze, a Rússia fechou o quadro de medalhas deste WOC 2015.


3. Se quisermos estender aos seis primeiros classificados a lista de atletas distinguidos com diplomas nestes Campeonatos do Mundo, começaremos por dizer que foram em número de 64 os atletas nestas condições, representando 14 nações diferentes. Com 4 distinções, o suiço Daniel Hubmann foi o mais “diplomado”, seguido dos seus colegas de equipa Fabian Hertner e Matthias Kyburz, das dinamarquesas Maja Alm e Ida Bobach e da finlandesa Merja Rantanen, com três diplomas cada. Signficativos os dois diplomas da dinamarquesa Emma Klingenberg, correpondentes a duas medalhas de ouro. Significativos também os diplomas da australiana Hanny Alston, a única atleta não europeia a ser dintinguida, e do belga Yannick Michiels, conquistando o primeiro diploma de sempre da história do seu país. A sete segundos de igual desiderato quedou-se o espanhol Andreu Blanes, apesar do seu sétimo lugar na Final de Sprint ser igualmente o melhor resultado de sempre dum atleta espanhol em Campeonatos do Mundo.


4. Individualmente, é forçoso reconhecer na pessoa da dinamarquesa Maja Alm a “rainha” dos Campeonatos. As suas três medalhas de ouro (Sprint, Estafeta Mista de Sprint e Estafeta) falam demasiado alto, se comparadas com as duas medalhas de ouro (Estafeta e Distância Longa) da sua companheira de equipa Ida Bobach, às quais se junta o 4º lugar na Distância Média. Imperioso, ainda, reconhecer o valor da medalha de ouro da sueca Annika Billstam – repetindo o feito de 2014 -, o que faz dela outro dos nomes incontornáveis do evento.


5. Por seu lado, Daniel Hubmann é o “rei” dos Campeonatos. Duas medalhas de ouro (Distância Média e Estafeta), uma de prata (Distância Longa) e ainda um 6º lugar na Final de Sprint dão mostra inequívoca da supremacia do suiço sobre a concorrência. Ao conseguir o seu quarto título de Distância Longa nos últimos cinco anos, o francês Thierry Gueorgiou é outra das figuras incontornáveis dos Mundiais, a par do sueco Jonas Leandersson, Campeão do Mundo de Sprint.


6. Na segunda linha das personalidades que marcaram estes Campeonatos, referência especial para o francês Lucas Basset. Foi dos pouquíssimos atletas que marcaram presença em todas as cinco finais dos Campeonatos do Mundo e à medalha de prata na Distância Média, somou o bronze na Estafeta e ainda um sétimo lugar na estafeta Mista de Sprint e um 9º lugar na Distância Longa. Outro atleta em destaque foi o norueguês Magne Daehli, medalha de prata na Estafeta e 4º classificado na Distância Média. Uma palavra ainda para o suiço Martin Hubmann, medalha de prata no Sprint e 4º classificado na Estafeta Mista de Sprint. Do lado das senhoras, a ucraniana Nadiya Volynska esteve em grande plano, chegando à medalha de prata no Sprint e concluindo em 6º lugar a prova de Distância Média e em 9º lugar a prova de Distância Longa, o que corresponde aos melhores resultados de sempre da Ucrânia nas três distâncias. As prestações da norueguesa Anne Margrethe Hausken Nordberg na Estafeta Mista de Sprint e na Estafeta valeram duas celebradas medalhas de prata para o seu país e tornam a atleta digna de nota. Dignas de nota também a russa Galina Vinogradova, a sueca Emma Johansson e a britânica Catherine Taylor.


7. Do lado das desilusões destes Campeonatos - não tanto pelo que fizeram mas sobretudo por aquilo que não fizeram, face ao muito que deles se esperava – estão o finlandês Marten Bostrom, o sueco Gustav Bergman, o letão Edgars Bertuks, o britânico Scott Fraser e o ucraniano Oleksandr Kratov, do lado dos homens. Quanto às senhoras, as grandes perdedoras foram a finlandesa Minna Kauppi, as suecas Helena Jansson e Tove Alexandersson e a suiça Judith Wyder.


8. Finalmente falamos da participação portuguesa nestes Campeonatos, a qual deve ser considerada como muito positiva. Num país assolado por uma grave crise económica como é o nosso, marcar presença nos Campeonatos do Mundo é, por si só, um feito notável. Se a isso juntarmos o apuramento de Mariana Moreira para a Final de Sprint (antes apenas Raquel Costa tinha alcançado esse feito notável) e ainda o melhor resultado de sempre na Distância Média, também ele obra de Mariana Moreira, o mínimo que podemos dizer é que estão todos de parabéns!

[Foto: Robert Lines / picasaweb.google.com]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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