terça-feira, 4 de agosto de 2015

WOC 2015: O dia de Daniel Hubmann e Annika Billstam



Daniel Hubmann é o novo Campeão do Mundo de Distância Média. Na grande final disputada hoje em Darnaway, o suíço foi o mais forte, batendo por escassa margem Lucas Basset e Olle Bostrom. No sector feminino, poucos se atreveriam a vaticinar a revalidação do título mundial por parte de Annika Billstam, devidamente secundada por Merja Rantanen e Emma Johansson.


A cidade escocesa de Darnaway foi palco do terceiro grande momento dos Campeonatos do Mundo de Orientação WOC 2015. Face a um conjunto de valores extraordinariamente equilibrado, os títulos de Distância Média em disputa prometiam acesa luta e a verdade é que as expectativas não foram minimamente goradas. No sector masculino, o francês Thierry Guergiou queria fazer valer o seu título de “Rei da Distância Média”, depois de ter conquistado por sete vezes a medalha de ouro, entre os anos de 2003 e 2011. Mas a concorrência era poderosíssima, a começar pelo suíço Daniel Hubmann e pela sua legítima ambição de alcançar a única medalha individual que lhe faltava no currículo. Mas havia também o sueco Gustav Bergman, os suiços Fabian Hertner e Matthias Kyburz, o ucraniano Oleksandr Kratov e, naturalmente, o norueguês Olav Lundanes, defendendo aqui o título mundial alcançado em Itália.

Nas senhoras, o panorama não era diferente. Ansiosas por “recuperar o tempo perdido”, a finlandesa Minna Kauppi e a sueca Helena Jansson perfilavam-se na linha da frente no que à conquista do ouro diz respeito. A dinamarquesa Ida Bobach e a ucraniana Nadyia Volynska eram igualmente valores a ter em conta. E havia ainda a britânica Catherine Taylor, ansiosa por dar uma alegria à imensa mole de conterrâneos seus que preenchiam a vasta e bela arena. Isto sem esquecer a sueca Annika Billstam, Campeã do Mundo em título.


O “bis” de Annika Billstam

O programa abriu precisamente com a final feminina, na qual alinharam à partida um conjunto de 72 atletas. E porque “o primeiro milho é dos pardais”, foi só com a chegada de Emma Johansson – a primeira das últimas vinte atletas a partir -, que as contas começaram a ser feitas. Johansson registaria 37:04 para 5,3 km de prova, assumindo então a liderança da classificação, numa altura em que a portuguesa Mariana Moreira havia terminado já a sua prova, gastando 49:30 e garantindo, logo ali, o melhor resultado de sempre duma portuguesa nesta distância em Campeonatos do Mundo. Também por essa altura se percebera já que Catherine Taylor, então no segundo lugar, tinha pela frente mais de meia hora de tempo de espera (leia-se “sofrimento”) até perceber se estaria ou não garantido um lugar top 6. Em plena prova, Annika Billstam e Nadya Volynska mostravam-se muito regulares e a rolar em tempos que lhes permitiam sonhar com as medalhas. Por seu lado, Ida Bobach e Helena Jansson procuravam recuperar o tempo perdido na parte inicial do mapa e Minna Kauppi dava um “tropeção” comprometedor que a viria a atirar para o 16º lugar final.

Entretanto a finlandesa Merja Rantanen termina a sua prova, sendo a primeira atleta a baixar dos 37 minutos. Tendo como melhor resultado de sempre na distância o 5º lugar alcançado nos Mundiais de 2009 (Miskolc, Hungria), a finlandesa quase garante com este tempo uma medalha tornando-se, com ela, na grande sensação da prova. Os segundos continuam a passar e a suiça Sara Luescher faz o 5º melhor tempo e deixa Jansson na 6ª posição. Mas Billstam está absolutamente imparável, levando a sua prova até ao fim e concluindo com o tempo de 35:46. Jansson cai para fora do pódio, enquanto Billstam alcança, de forma brilhante, o seu segundo título mundial consecutivo nesta distância (o terceiro da sua carreira, considerando o título mundial de Sprint alcançado em 2011). Rantanen conquistou a medalha de prata e Emma Johansson chegou, também ela surpreendentemente, à medalha de bronze. A dinamarquesa Ida Bobach terminou alguns segundos após Annika Billstam, ocupando a quarta posição. Catherine Taylor e Nadiya Volynska fecharam o pódio, por esta ordem.


Hubmann sucede a Lundanes

Tal como nas senhoras, a primeira nota de sensação surgiu já na parte final da prova, numa altura em que já todos os atletas haviam partido e, desses, 53 davam por concluídas as respectivas prestações. Por essa altura, o norueguês Magne Daehli apresentava um registo de 34:49 (era o primeiro atleta a baixar dos 35 minutos), mas a sua liderança durou apenas dois minutos e meio, visto o francês Lucas Basset ter batido esse tempo pela margem de 23 segundos. Os tempos intermédios registados entretanto permitiam perceber que tanto Daehli como Basset poderiam aspirar a um lugar no pódio, mas a concorrência vinha aí e dava pelos nomes de Fabian Hertner, Daniel Hubmann, Matthias Kyburz, Olav Lundanes, Thierry Gueorgiou e… Olle Bostrom! Com efeito, este último registou 34:36 e fixou-se na segunda posição atrás de Basset, mas Daniel Hubmann está também a terminar e o seu tempo de 34:23 lança-o para o primeiro lugar. Thierry Gueorgiou tem precisamente três minutos a partir deste momento para terminar a sua prova se quer ainda chegar ao ouro.

Os últimos parciais mostram Gueorgiou a perder segundos atrás de segundos, concluindo com um tempo de 35:09, o que lhe valia na altura a 5ª posição. Kyburz? Kratov? Lundanes? Hertner? Algum deles será capaz de bater Daniel Hubmann, roubando-lhe a medalha de ouro? Hertner foi, deste quarteto, o primeiro a chegar; mas o tempo final de 34:58 apenas lhe garante a 5ª posição. Pior ainda está Kratov, com um registo de 35:08, apesar de tudo suficiente para um lugar no pódio, apeando Thierry Guergiou por um escasso segundo. Quanto a Lundanes e Kyburz, acabaram por perder imenso tempo na parte final do percurso, ficando igualmente de fora do pódio. Num terreno extraordinariamente exigente do ponto de vista técnico, ter cabeça fria era fundamental e foi isso que Daniel Hubmann soube ter – tal como Annika Billstam, na prova feminina -, aí residindo a chave do sucesso. Quanto ao português Tiago Romão, teve uma prestação que deve considerar-se excelente, registando no final o tempo de 42:21 e que lhe viria a valer o o seu melhor resultado de sempre, o 47º lugar final.


Resultados

Masculinos
1. Daniel Hubmann (Suiça) 34:23 (+ 00:00)
2. Lucas Basset (França) 34:26 (+ 00:03)
3. Olle Bostrom (Suécia) 34:36 (+ 00:13)
4. Magne Daehli (Noruega) 34:49 (+ 00:26)
5. Fabian Hertner (Suiça) 34:58 (+ 00:35)
6. Oleksandr Kratov 35:08 (+ 00:45)
7. Thierry Gueorgiou (França) 35:09 (+00:46)
8. Olav Lundanes (Noruega) 35:53 (+ 01:30)
9. Jan Sedivy (República Checa) 36:01 (+ 01:38)
10. Jan Prochazka (República Checa) 36:08 (+ 01:45)
10. Hector Haines (Grã-Bretanha) 36:08 (+ 01:45)
(…)
47. Tiago Romão (Portugal) 42:21 (+ 07:58)

Femininos
1. Annika Billstam (Suécia) 35:46 (+ 00:00)
2. Merja Rantanen (Finlândia) 36:36 (+ 00:50)
3. Emma Johansson (Suécia) 37:04 (+ 01:18)
4. Ida Bobach (Dinamarca) 37:32 (+ 01:46)
5. Catherine Taylor (Grã-Bretanha) 37:45 (+ 01:59)
6. Nadiya Volynska (Ucrânia) 37:54 (+ 02:08)
7. Sara Luescher (Suiça) 38:13 (+ 02:27)
8. Helena Jansson (Suécia) 38:25 (+ 02:39)
9. Jana Knapova (República Checa) 38:45 (+ 02:59)
10. Mari Fasting (Noruega) 39:09 (+ 03:23)
(…)
49. Mariana Moreira (Portugal ) 49:30 (+ 13:44)

Resultados completos e demais informações em www.woc2015.org.

[Foto: WorldofO / facebook.com/WorldofO]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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