segunda-feira, 24 de agosto de 2015

WMTBOC 2015: O dia seguinte

1. Chegaram ao fim os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT e é tempo de balanço. Nove países repartiram entre si as 24 medalhas em disputa na Elite. Com duas medalhas de ouro e três de prata, a Rússia liderou o medalheiro dos Campeonatos. A República Checa ocupou a segunda posição, alcançando duas medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze e garantindo, assim, a parcela mais robusta dos Campeonatos. Finlândia, Itália, França e Áustria alcançaram uma medalha de ouro cada, com o medalheiro finlandês a tirar partido do extra de duas medalhas de prata e uma de bronze para se cotar na terceira posição. Com uma medalha de prata e uma de bronze mais, a Itália ocupou a quarta posição, cabendo a quinta posição, ex-aequo, a franceses e austríacos. Segiu-se a Suécia, na sétima posição, com duas medalhas de bronze. Estónia e Grã-Bretanha completam esta lista, com uma medalha de bronze cada.


2. Se quisermos estender aos seis primeiros classificados a lista de atletas distinguidos com diplomas nestes Campeonatos do Mundo, começaremos por dizer que foram em número de 41 os atletas nestas condições, representando 11 nações diferentes. Com 4 medalhas alcançadas, a checa Martina Tichovska foi a “diplomada” mais valiosa dos Campeonatos. O finlandês Jussi Laurila e a francesa Gaëlle Barlet regressaram a casa igualmente com quatro diplomas, mas no caso de Laurila dois deles corresponderam a dois quintos lugares, enquanto Barlet teve um diploma devido a um quinto lugar e dois diplomas correspondentes à quarta posição. O russo Anton Foliforov, o italiano Luca Dallavalle, o checo Marek Pospisek, a britânica Emily Benham, as finlandesas Susanna Laurila e Marika Hara e a dinamarquesa Camilla Soegaard alcançaram três diplomas cada, importando dizer que os diplomas de Foliforov e Dallavalle corresponderam a outras tantas medalhas.


3. Individualmente, é forçoso reconhecer na pessoa da checa Martina Tichovska a “rainha” dos Campeonatos. As suas duas medalhas de ouro (Sprint e Distância Longa), uma de prata (Distância Média) e uma de bronze (Estafeta) falam demasiado alto se comparadas com as medalhas alcançadas pela concorrência. A vitória de Gaëlle Barlet na prova de Distância Média e das finlandesas Ingrid Stengard, Susanna Laurila e Marika Hara na estafeta, merecem igualmente nota de destaque. Ao ouro na Estafeta, junta Laurila a prata no Sprint, o que a transforma na segunda figura feminina dos Campeonatos.


4. Por seu lado, se Tichovska é a “rainha”, Anton Foliforov é o “rei” dos Campeonatos. Duas medalhas de ouro (Distância Média e Distância Longa) e uma de prata (Estefeta) são argumentos de peso a creditar na conta do russo. Ao conseguir o histórico título de Sprint para a Itália, aos quais acrescenta uma medalha de prata (Distância Média) e uma medalha de Bronze (Distância Longa), Luca Dallavalle é outra das figuras incontornáveis dos Mundiais, a par dos austríacos Kevin Haselsberger, Bernard Schachinger e Andreas Waldmann, surpreendentes vencedores da prova de Estafeta. Também as finlandesas Susanna Laurila, Ingrid Stengard e Marika Hara merecem figurar na lista de notáveis destes Campeonatos, pela recuperação do título mundial de Estafeta.


5. Na segunda linha das personalidades que marcaram estes Campeonatos, referência especial para as duas subidas ao pódio da sueca Cecilia Thomasson, medalha de bronze nas provas de Sprint e de Distância Longa. As medalhas de prata do checo Vojtech Stransky (Sprint), do finlandês Jussi Laurila (Distância Longa) e da russa Svetlana Poverina (Distância Longa e Estafeta) tornam obrigatória a sua inclusão nesta “segunda linha” das figuras dos Campeonatos.


6. Do lado das desilusões - não tanto pelo que fizeram mas sobretudo por aquilo que não fizeram, face ao muito que deles se esperava – estão o norueguês Hans Jorgen Kvale, “apenas” quarto na prova de Sprint e ausente dos restantes pódios, e sobretudo os franceses Baptiste Fuchs, Yoann Garde e Cédric Beill. Do russo Valeriy Glohov, do lituano Jonas Maiselis, do finlandês Pekka Niemi, do estoniano Tõnis Erm e do austríaco Tobias Breitschadel seria de esperar algo mais. Quanto às senhoras, a britânica Emily Benham é, apesar dum terceiro e dois quartos lugares, uma das perdedoras destes Campeonatos, a par da finlandesa Marika Hara, cuja medalha de ouro na Estafeta não consegue apagar as suas prestações descoloridas nas provas individuais. Da francesa Hana Garde, da finlandesa Antonia Haga e da dinamarquesa Caecilie Christoffersen esperava-se um pouco mais.


7. Nos Mundiais de Juniores, a França liderou o medalheiro, arrecadando seis das 24 medalhas distribuídas, sendo duas de ouro, três de prata e uma de bronze. Também com seis medalhas (duas de ouro, duas de prata e duas de bronze), a Rússia ocupou o segundo lugar da tabela, enquanto a Suécia, com duas medalhas de ouro e três de bronze, ocupou a terceira posição. Seguiram-se a República Checa (uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze) e a Austrália (uma medalha de ouro). As restantes medalhas couberam à Eslováquia e à Suiça, com uma medalha de prata cada, e à Finlândia, com uma medalha de bronze.


8. Individualmente, o sueco Oskar Sandberg foi a grande figura masculina, com duas medalhas de ouro (Distância Média e Distância Longa) e uma de bronze (Sprint). Angus Robinson, ao conquistar para a Austrália a sua primeira medalha de sempre em Mundiais de Juniores – e logo de ouro (Sprint)! -, é igualmente digno duma menção muito especial. Por sua vez, a francesa Lou Denaix merece o título de figura feminina, com uma medalha de ouro (Estafeta) e três medalhas de prata conquistadas. Uma referência especial para Darya Mikryukova, não apenas pela sua extraordinária juventude, mas sobretudo pelas conquistas de ouro (Distância Longa), prata (Estafeta) e bronze (Distância Média e Sprint) com que regressa à Rússia.


9. Finalmente falamos da participação portuguesa nestes Campeonatos, a qual teve como nota muito positiva o sétimo lugar na Estafeta masculina, naquele que é o melhor resultado de sempre da nossa seleção em Campeonatos do Mundo. O 16º lugar de Davide Machado na Distância Longa é igualmente digno de nota. Os resultados dos “veteranos” Daniel Marques e Carlos Simões merecem igualmente uma referência elogiosa. Ao lado dos Campeonatos passaram as seleções de Elite feminina e de Juniores masculinos, cujos resultados nunca conseguiram afastar-se significativamente da cauda das respetivas tabelas.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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