quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Orientação de Precisão: Portugal recebe Mundiais de TrailO em 2019



Com 24 votos a favor, nove contra e três abstenções, a Assembleia Geral Extraordinária da Federação Internacional de Orientação, realizada esta manhã na Escócia, decidiu-se pela alteração radical ao esquema de organização dos Campeonatos do Mundo de Orientação, dividindo-os em “urbano” e “floresta”. Mas da reunião magna saiu outra importante decisão que nos diz particularmente respeito: Portugal será o organizador do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2019!


É oficial: Portugal irá organizar o Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2019! Lançada com determinação e enorme sentido de responsabilidade, a candidatura apresentada pela Federação Portuguesa de Orientação, que acaba de ser eleita pelo organismo internacional, elege a região de Viseu como o local do evento. De inegável valor em termos da qualidade e complexidade dos terrenos, esta vasta zona do Centro do país oferece condições únicas para a prática desta disciplina, tudo apontando para um evento de altíssimo nível. À espera de todos estão quatro anos de enorme trabalho, na certeza de que a Orientação portuguesa sairá, uma vez mais, altamente prestigiada.

Mas o tema central da reunião magna da Federação Internacional de Orientação, convocada a título extraordinário, teve a ver com a proposta do Presidente e do Conselho da IOF no sentido da reorganização do programa dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre, dividindo-o em “urbano” e de “floresta”. Concretizando: a discussão, na generalidade, centrou-se na possibilidade de, a partir de 2019 (inclusive), os Campeonatos do Mundo se realizarem com alinhamentos diferentes em anos alternados. Nos anos ímpares, o Campeonato do Mundo de Floresta (designado por “WOC”), permitiria atribuir os títulos mundiais nas distâncias ditas de floresta, ou seja, de Distância Média, Distância Longa e Estafeta clássica. Nos anos pares, teria lugar o Campeonato do Mundo Urbano (designado por “Sprint WOC”), com os títulos de Sprint e Estafeta Mista de Sprint em disputa.


Discussão continua “na especialidade”

O reconhecimento da falta de capacidade generalizada para organizar um evento da dimensão dum Campeonato do Mundo dentro dos parâmetros de qualidade e visibilidade que a modalidade exige e merece – “apenas dez nações apresentam capacidade organizativa e todas elas são europeias”, assegurou Brian Porteous, o Presidente da IOF, durante a sua intervenção – esteve, certamente, na base duma decisão tomada no curto espaço de uma hora pela larga maioria de delegados presentes na reunião magna. As palavras do delegado dinamarquês, no período dedicado à discussão da proposta, são claras: “Não vale a pena adiar a decisão, precisamos de agir imediatamente.” Os 24 votos a favor, 9 contra e três abstenções parecem indicar, inequivocamente, um sentido claro de mudança, ainda que muitas dúvidas possam pairar no ar.

Do conjunto de intervenções na reunião desta manhã, destaque para a convicção de Brian Porteous, subjacente à proposta, de que o novo modelo irá aumentar largamente o número de potenciais organizadores, de que a redução do número de dias de prova reduzirá, concomitantemente, os custos associados de organização e de participação e de que será imperioso criar, no seio da IOF, um corpo técnico e uma equipa responsável pela Arena, no sentido de garantir um alto nível dos padrões de qualidade organizativa. Brian Porteous enumerou ainda um conjunto de cidades que, no novo formato, estarão em condições de receber um Sprint WOC, quase todas elas fora da Europa (Edmonton, Melbourne, Sochi, Singapura e Kuala Lumpur). Entre os delegados, destaque para o comentário da França (votou contra a proposta , admitindo que “a especialização conduzirá, necessariamente, à existência de duas diferentes selecções dentro de cada país”. Por seu lado, Hong Kong (votou a favor da proposta) exprimiu, pela voz do seu delegado, a ideia de que “se queremos que a Orientação se desenvolva como um desporto global, devemos dar a possibilidade aos países que não têm o privilégio de poder correr em floresta a possibilidade de competirem em terrenos iguais”. A proposta baixa agora à especialidade. Basicamente, foi tomada a decisão de reorganizar o programa dos Campeonatos do Mundo, mas não é sabido de que forma é que isso irá ser feito. Os pormenores só serão conhecidos na Assembleia Geral do próximo ano.

[Fonte da notícia: World of O, em http://news.worldofo.com/2015/08/06/liveblog-iof-ex-general-assembly/. O Orientovar agradece a Jan Kocbach o seu enorme esforço e empenho no sentido de trazer ao conhecimento de todos, em tempo real, os importantes desenvolvimentos produzidos pela Assembleia Geral Extraordinária da IOF]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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