terça-feira, 11 de agosto de 2015

Nadiya Volynska: "Sim, esperava uma medalha"


Com o segundo lugar alcançado na prova de Sprint, Nadiya Volynska ofereceu à Ucrânia a sua primeira medalha na categoria feminina em Campeonatos do Mundo. Um momento histórico que revisitamos hoje com a ajuda da atleta e que convoca o que de mais importante se passou em Inverness.


Como é decorreu o período de treino que antecedeu os Campeonatos do Mundo? Sentiu que estava bem preparada?

Nadiya Volynska (N. V.) - Começando pelo princípio, no Outono de 2014, durante os Campeonatos da Suécia, lesionei-me e durante muito tempo andei sem saber bem o que é que havia de errado comigo. Mas tínhamos já agendado um Campo de Treino na Escócia e eu não tinha condições para o ignorar e voltar noutra altura (perder o dinheiro dos bilhetes de avião, conseguir novo visto, etc.). Foi durante o Campo de Treino que soube pelos médicos que tinha uma fratura no peróneo e que teria de usar canadianas durante um mês. Bem ou mal, decidi enfrentar as minhas emoções e a situação no concreto. E agir: Fiz as nossas provas do Campo de Treino a caminhar, o que representou cerca de duas horas por treino. Para a nossa selecção este foi o único Campo de Treino na Escócia, mas pessoalmente considero que foi melhor que nada. Portanto, como se pode perceber, não tive propriamente o melhor começo com vista aos Campeonatos do Mundo, mas havia ainda muito tempo para recuperar e não entrei em pânico

Quer falar-me do fantástico segundo lugar no Sprint? Estava à espera deste resultado?

N. V. - Os meus objetivos iam no sentido das provas de Sprint e de Distância Média. Sabia, desde o início, que uma medalha era possível. Depois do 4º lugar no Sprint nos últimos Mundiais, em Itália, não consegui esconder a minha deceção face a uma medalha tão próxima mas, ao mesmo tempo, tão distante. Mas esta foi a grande motivação para conseguir mais e melhor e, por isso, este ano estava muito mais confiante e acreditando que iria fazer melhor que em 2014. E sim, esperava uma medalha, a qual penso que foi muito importante para a Ucrânia em vários aspectos. Até porque foi a primeira medalha individual duma atleta ucraniana e, sem dúvida, um momento histórico.

E quanto às provas de Distância Média e de Distância Longa? Sente-se satisfeita com os resultados alcançados?

N. V. - À partida para a prova de Distância Média sentia-me muito mal, sem forças no corpo. Mas sabia que se controlasse a minha técnica podia alcançar um lugar no top 6. Portanto, quando isso aconteceu, fiquei realmente muito satisfeita com o resultado. Só quando verifiquei o GPS é que percebi que o erro para o ponto 4 foi fatal. Mas se, se… Não vale a pena continuar a agitar os punhos depois de terminado o combate… A Orientação é isto mesmo. Quanto à Distância Longa, a última prova dos Campeonatos, queria apenas poder lembrá-la mais tarde como um bom momento e perceber isso mesmo logo na altura em que cruzasse a linha de chegada – queria sentir-me satisfeita com a minha prova, acima de tudo com a minha técnica. E porque não era possível pedir milagres ao corpo – o que, aliás, aconteceu durante praticamente todas as provas do programa dos Campeonatos do Mundo -, foquei-me apenas naquilo que era possível fazer na altura. Portanto, estou muito contente com o meu resultado, mesmo que ele encerre um novo desafio e eu sinta uma vez mais que consigo fazer melhor.

Que motivação é que estes resultados representam em termos de futuro?

N. V. - A Ucrânia tornou-se num fortíssimo rival das outras nações que compõem o mundo da Orientação e não apenas na categoria masculina, o que é bom. Espero que estes resultados sirvam de motivação para as jovens gerações da Ucrânia, levando a que se desenvolvam e possam, no futuro, vir a ser os melhores do Mundo. A seleção ucraniana é – A SELEÇÃO! Com muito limitados – mas muito efectivos – recursos, lutando contra as lesões e a burocracia, tendo um treinador-atleta [Oleksandr Kratov] que não recebe salário e sem gente “ancorada nos anos 80”e que pensa à moda antiga, apoiando-nos e incentivando-nos uns aos outros para que consigamos ser ainda mais fortes, todos nós olhámos isto de frente e fomos à luta, independentemente do que algumas (não muito inteligentes) pessoas possam dizer. Por isso, sinto orgulho na MINHA SELEÇÃO DA UCRÂNIA!

Como avalia os Campeonatos do Mundo de Orientação WOC 2015 dum ponto de vista técnico e organizativo?

N. V. - Tivemos alguns problemas com a organização mas tudo acabou por se resolver bastante bem. Desde o início que o relacionamento com a equipa organizativa do WOC foi bom, o que foi uma excelente ajuda no antes e durante os Campeonatos. Gostei do sistema “free touch” e também da forma como a televisão cobriu o evento. O tempo esteve quase perfeito, creio eu, o banquete foi muito divertido (desde 2009 que não participava) e o ambiente nas arenas foi sempre fantástico. Quero apenas agradecer à organização pelo excelente trabalho!

Se lhe pedisse que elegesse um momento – o grande feito dos Campeonatos – sobre quem recairia a sua escolha?

N. V. - Se se refere a um feito pessoal, teria de ser a minha medalha, sem sombra de dúvida. Em termos gerais, a minha escolha vai para as atletas da Dinamarca!

A época caminha agora para o fim. Que objectivos tem para o que resta da temporada?

N. V. - Bem, tenciono correr a última etapa da Taça do Mundo, na Suiça (mesmo não fazendo a menor ideia quanto ao meu lugar nos rankings). Mas ainda temos os Campeonatos da Suécia e algumas Estafetas de outros clubes. Vai ser divertido até ao fim!

[Foto gentilmente cedida por Nadiya Volynska]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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