quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mari Fasting: [na estafeta] "A medalha de prata soube a ouro"



Depois de Nadiya Volynska e Lucas Basset, o Orientovar chama à sua tribuna mais uma Vice-Campeão do Mundo. Ou, para ser mais preciso, uma “bi” Vice-Campeã do Mundo. À medalha de prata conquistada na prova de Estafeta, a norueguesa Mari Fasting juntou um segundo lugar na prova de Distância Longa, naquilo que constitui a sua primeira medalha individual de sempre. Mas ouçamos o que ela tem para nos contar a este propósito.


Como é que decorreu a sua preparação? Quais os objetivos para os Campeonatos do Mundo?

Mari Fasting (M. F.) - A preparação técnica para estes Campeonatos do Mundo correu muito bem. Ao todo, estive na Escócia em quatro ocasiões distintas antes do WOC, onde fiz cerca de 45 treinos técnicos de floresta. A preparação física foi um pouco mais complicada, com algumas lesões durante a Primavera. Os meus objectivos passavam por alcançar uma medalha individual e uma medalha na Estafeta e estou, portanto, muito satisfeita por ter conseguido aquilo a que me tinha proposto.

Quer recordar essa fantástica medalha de prata na prova de Distância Longa? Era disso que estava à espera?

M. F. - Eu sabia que o terreno de Glen Affric era à minha medida. Depois de ter estado muito perto do pódio nos Mundiais de 2014, tinha uma grande confiança numa medalha caso fizesse uma boa prova. Após um começo de prova bastante estável, numa altura em que procurava antecipar a pernada longa para o ponto 5, quase me ia esquecendo de controlar o ponto 4 mas consegui emendar a tempo. Tive alguma dificuldade, a meio da pernada longa, em encontrar a melhor opção de progressão mas depois, entre os pontos 5 e 8, a minha navegação foi boa, tal como o ritmo de corrida. Tudo se complicou no ponto 9 onde, com um pouco de cansaço à mistura, acabei por cometer um erro de navegação e tive depois de lutar com um pedaço de floresta cheio de árvores caídas, perdendo aí bastante tempo. Percebi então que só com uma boa prestação nesta última parte da prova conseguiria ter alguma hipótese duma boa classificação, acabando por me encontrar e fazer uma boa parte final, sem erros do ponto 10 em diante.

E quanto à medalha de prata na Estafeta?

M. F. - Para a equipa da Noruega, a medalha de prata soube a ouro. Nenhuma outra nação estava à altura de bater a Dinamarca. Estou muito satisfeita com a minha prestação e com o facto de todas nós termos demonstrado que somos boas orientistas.

Como é que se sentiu o seu 10º lugar na prova de Distância Média?

M. F. - Estou bastante dececionada com o meu resultado na prova de Distância Média. Sabia que fazer uma boa prova e ter um bom resultado estava ao meu alcance, mas fui apanhada de surpresa pela floresta densa na parte inicial da prova e não consegui ajustar adequadamente a minha velocidade à exigência técnica do terreno. Apesar duma boa parte final, perdi imenso tempo nos pontos 1, 2 e 4.

Que motivação é que estes resultados acarretam em termos de futuro?

M. F. - É sempre um desafio fazer uma boa prova individual num Campeonato do Mundo. Era algo que eu nunca tinha conseguido. Este será o meu objectivo para o próximo ano e espero chegar ao lugar mais alto do pódio.

E quanto ao selecionado da Noruega? Que resultados destacaria?

M. F. - Para a Noruega, as provas de Estafeta constituem sempre um dos momentos de maior destaque.

Dum ponto de vista técnico e organizativo, como classifica o WOC 2015?

M. F. - Apenas fiz provas de floresta e, portanto, não me pronunciarei sobre as provas de Sprint. Mas as provas de floresta tiveram um nível técnico muito elevado, foram desafiantes e muito divertidas. Foi bom para nós, atletas, ter havido tantas combinações na prova de Estafeta, embora isso se tornasse uma complicação para o público que seguia a prova. O único aspeto onde penso que os organizadores poderiam ter estado melhor foi no que respeito ao público e às audiências, não lhes ter sido dada a possibilidade de acompanhar a prova ao vivo. Deveria ter havido cobertura Wifi na Arena todos os dias! (ou então encontrarem uma outra forma de apresentarem os resultados).

Se lhe pedisse para eleger o momento destes Campeonatos, qual seria a sua escolha?

M. F. - O meu melhor momento nestes Campeonatos aconteceu na manhã anterior à prova de Distância Longa. Um dos rapazes da equipa chegou à minha beira e disse-me que sempre acreditara em mim e que eu teria de me lembrar que era uma das mais fortes atletas em prova. Isto ajudou-me imenso, sobretudo na pernada longa para o ponto 5, depois daquele lapso no ponto 4.

Numa altura em que a temporada se encaminha para o final, quais os objectivos que tem ainda traçados?

M. F. - Uma vez que não fiz nenhuma prova da Taça do Mundo durante a Primavera, já não tenho quaisquer possibilidades em termos de resultado geral. Portanto, o meu objectivo prende-se com os Campeonatos da Noruega para depois começar a concentrar-me nos Mundiais do próximo ano.

[Foto: World of O / twitter.com/worldofo]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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