sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Jonas Leandersson: "Quero apenas saborear o momento"


Depois dos títulos europeus de Sprint conquistados em 2012 e 2014, Jonas Leandersson chega finalmente ao ouro mundial. Apogeu duma carreira de sucesso, aqui contada detalhadamente pelo grande campeão sueco.


Como é que decorreu a sua preparação com vista aos Campeonatos do Mundo? Quais os objetivos à partida para a Escócia?

Jonas Leandersson (J. L.) - A minha temporada de Inverno correu realmente muito bem, sem adoecer ou ter ficado lesionado. À medida que a temporada ia avançando, sentia que a minha forma ia ficando cada vez melhor. Mas também sei por experiência própria que não é apenas a forma física que importa estar no máximo por altura dos Campeonatos do Mundo. Este ano direcionei as minhas atenções para a prova de Sprint, em Forres. Após a final do ano passado, em Veneza, saí com a sensação de que poderia ter tido um desempenho ainda melhor nesse dia. O meu objetivo, pois, era chegar à Escócia e lutar por uma medalha, querendo com isto dizer que a grande ambição estava em correr a prova perfeita.

Quer falar-nos dessa prova e da extraordinária vitória alcançada? Que significado tem esta medalha de ouro?

J. L. - Eu sabia que estava em boa forma e que tinha aqui uma oportunidade excelente para conseguir um grande resultado. Mas sabia igualmente que havia um conjunto de atletas de enorme valor nesta final e que tinham a mesma ambição, portanto tudo podia acontecer. Fiz uma prova quase perfeita e preocupei-me inicialmente em garantir um começo seguro. Depois puxei imenso na fase intermédia da corrida para acabar a dar o tudo por tudo. Esta medalha de ouro tem um enorme significado para mim. É o concretizar do grande objetivo da temporada e é a medalha que me fugiu nas anteriores edições dos Campeonatos do Mundo. Parece inacreditável – mas é mesmo muito bom – que a minha prova tenha sido suficientemente conseguida para chegar ao ouro.

E quanto à Estafeta e à Estafeta Mista de Sprint? Está satisfeito com os seus desempenhos?

J. L. - A Estafeta Mista de Sprint correu bastante bem, tanto em relação à equipa como pessoalmente. Tinhamos como objetivo as medalhas e lutámos por isso durante toda a prova. As outras equipas revelaram-se mais fortes no final e acabámos no 5º lugar, a apenas alguns segundos das medalhas. Penso que devemos dar-nos por satisfeitos com os nossos desempenhos, apesar do objetivo ser bem mais ambicioso à partida.

Quanto à Estafeta de floresta, cometi um erro muito grande no ponto 6. Saí numa direção errada e decidi, mesmo assim, seguir por um caminho em volta do ponto. Voltei então a tomar de novo uma má opção, dirigindo-me àquilo que pensava ser outro caminho. Alguns segundos mais tarde percebi que se tratava apenas dum trilho deixado por atletas que ali tinham passado anteriormente e decidi prosseguir em direção ao ponto através duma área de floresta. Acabei, infelizmente, por perder ainda mais tempo ao não perceber que a clareira onde estava era a mais próxima do ponto. Um grande erro que fez com que me sentisse praticamente sozinho na floresta. A partir desse momento procurei dar o máximo, mas o terreno também não ajudava. Senti-me no final muito desapontado comigo mesmo e pelo facto de não ter podido dar ao Olle [Boström] e ao Gustav [Bergman] uma classificação melhor.

Que motivação é que estes resultados acarretam em termos de futuro?

J. L. - Não consigo ter ainda a certeza. No presente, quero apenas saborear o momento e depois retomarei os treinos com vista aos Campeonatos do Mundo do próximo ano, na Suécia. Espero que isso me traga energia em termos de futuro e que me permita alcançar novos feitos.

E quanto ao selecionado da Suécia? Globalmente, que resultados gostaria de destacar?

J. L. - Penso que tivemos um conjunto de excelentes prestações na Escócia. O objetivo era alcançar seis medalhas, das quais duas de ouro, e foi precisamente isso que conseguimos arrecadar. Todas as medalhas foram, à sua medida, excelentes. Annika [Billstam] defendeu o ouro do ano passado. Jerker [Lysell], apesar dos inúmeros problemas que teve este ano, chegou lá e mostrou o grande 'sprinter' que é. Olle, com tantos anos a lutar com as lesões, regressou ao topo, o lugar onde pertence. Soube muito bem tê-lo de volta à equipa e ele merece, realmente, esta medalha. Emma [Johansson], com uma grande época, mostrou-se neste WOC na melhor forma, fez duas grandes provas e conquistou duas medalhas.

Como classifica o WOC 2015, quer do ponto de vista técnico, quer em termos organizativos?

J. L. - O terreno e os percursos foram este ano excelentes, com diferentes tipologias e, consequentemente, diferentes desafios. O Sprint em Forres poderia ter sido mais desafiante, se tivessem sido usadas mais cercas artificiais. Mas mesmo durante o Sprint em Forres, o desempenho técnico foi a chave para chegar às medalhas.

Se lhe pedisse para eleger um momento – o grande feito do WOC 2015 – sobre quem recairia a sua escolha?

J. L. - Annika Billstam atacando o percurso, tendo sido a última atleta a partir para a prova de Distância Média, e defendendo denodadamente a sua medalha de ouro. Foi enorme! Também as equipas da Dinamarca em ambas as Estafetas tiveram um desempenho impressionante. Velocidade no limite do início ao fim das provas, algo que nenhuma seleção conseguiu acompanhar.

Com a temporada a chegar ao fim, quais os objetivos que tem ainda traçados?

J. L. - O objetivo é terminar a época da melhor maneira, primeiro na Suécia e depois na Taça do Mundo.

[Foto: Svensk Orientering / facebook.com/svenskorientering]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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