segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ida Bobach: "Não me sinto minimamente farta de medalhas"



Se a semana passada encerrou com a Entrevista ao Campeão do Mundo de Distância Longa, Thierry Gueorgiou, a semana que se abre agora começa com a Entrevista à Campeã do Mundo na mesma distância, Ida Bobach. Passagem em revista do percurso da atleta dinamarquesa nos Mundiais da Escócia, traçado na primeira pessoa.


Como é que decorreu a sua preparação? Chegou aos Campeonatos do Mundo com que objetivos?

Ida Bobach (I. B.) – Senti que estava muito bem preparada para os Campeonatos do Mundo. Consegui cumprir integralmente o plano de treino físico, sem quaisquer constrangimentos relacionados com lesões, algo que infelizmente me tinha acontecido nas duas anteriores edições do WOC. Tecnicamente também senti que estava bem preparada. No último ano passei, juntamente com a selecção nacional dinamarquesa, quase dois meses na Escócia e a minha auto-confiança estava em alta, o que me levou a traçar como objectivo a conquista de duas medalhas.

Na verdade, foram mesmo duas as medalhas conquistadas e posso compreender a sua satisfação por isso. Começaria por lhe pedir que me falasse desse extraordinário título de Distância Longa?

I. B. - Foi realmente fantástico conquistar a medalha de ouro na prova de Distância Longa. Depois de correr sozinha durante 75 minutos, foi uma sensação incrível ouvir o ‘speaker’ dizer que a minha liderança era superior a dois minutos. Não estava à espera de ganhar, mas devo confessar que tinha sonhado com esta vitória ao longo do ano. Foi um período em que procurei concentrar as minhas atenções precisamente na Distância Longa, onde consegui fazer treinos longos muito bons e ter boas prestações em competições desta distância e daí acreditar que as coisas poderiam sair bem. Estou muito orgulhosa por esta vitória, num terreno muito exigente fisicamente e bastante desafiante do ponto de vista técnico, muito diferente daquele que temos na Dinamarca. Esta vitória tem um grande significado para mim.

E quanto à outra medalha de ouro, desta vez na Estafeta? Que sensações guarda dessa prova?

I. B. - Foi excelente ter sido bem sucedida também coletivamente. Penso que a Estafeta encerrará sempre algo de muito especial e consigo realmente sentir que não estou a correr para mim própria mas para a equipa. Estar consciente disso manteve-me motivada mesmo até ao último metro, fez com que levasse o meu esforço ao máximo e conseguisse entregar o testemunho à Emma [Klingenberg] com o maior tempo de vantagem possível. Aliás, eu nem tinha a noção da vantagem que tinha, na ordem dos minutos. Foi um grande momento, quando eu e a Maja podemos dar à Emma um grande abraço no último ponto e corrermos juntas os metros que faltavam até à linha de chegada.

Qual a ordem de grandeza da sua deceção com o 4º lugar na prova de Distância Média?

I. B. – Fiquei bastante desapontada, não tanto por não ter conseguido uma medalha, mas sobretudo devido ao meu desempenho. Cometi um grande erro e acabei por ser apanhada pela Annika Billstam. Na verdade, até tive períodos muito bons ao longo da prova e consegui manter uma velocidade elevada. Depois de ter sido apanhada, tentei não baixar os braços e continuar a lutar e acho que até consegui ser bem sucedida nos meus intentos, mas infelizmente tive uma distracção num ponto e acabei por me dirigir para outro ponto. Descobri isso antes de ter perdido demasiado tempo, mas foi o suficiente para a Annika se ir embora. Quase consegui apanhá-la já muito perto do fim.

Que motivação é que estes resultados acarretam em termos de futuro?

I. B. – Agora que ganhei estas duas medalhas de ouro, o meu desejo é ganhar mais. Não me sinto minimamente farta de medalhas. Vejo cada Campeonato do Mundo como um novo desafio, com novos e excitantes terrenos e percursos. Creio que continuarei a fazer incidir sobre as provas de floresta (Média, Longa e Estafeta) as minhas atenções e espero trazer para casa mais algumas medalhas nos anos mais próximos.

E quanto à seleção da Dinamarca? Globalmente, que resultados destacaria?

I. B. - A nossa seleção fez realmente uns Campeonatos incríveis. Foram muitos os atletas a terem desempenhos ao mais alto nível. E a minha satisfação não tem apenas a ver com as medalhas de ouro conquistadas, mas também com as nossas jovens estrelas. Estou encantada com os nossos três estreantes: Cecilie Klysner, Jakob Edsen and Thor Nørskov. A Cecilie e o Jakob correram a prova de Sprint e conseguiram, na Final, o 14º e o 22º lugares, respetivamente, enquanto o Thor foi 28º na prova de Distância Longa. Isto é realmente impressionante. Um dos momentos altos da semana foi igualmente a Estafeta Mista de Sprint. As expectativas deles eram muito elevadas e conseguiram, verdadeiramente, concentrar-se nas suas próprias prestações e alcançar uma grande vitória por margem bastante dilatada.

Que avaliação faz dos Campeonatos do Mundo, tanto organizativamente como dum ponto de vista técnico?

I. B. - Julgo que o WOC foi realmente um bom campeonato. Foi muito bem organizado e pareceu na verdade muito profissional. É claro que há sempre pequenos aspetos que poderiam ter corrido melhor, mas os terrenos e os percursos foram de grande qualidade. As Arenas eram muito boas e foi impecável ver tanta gente a aplaudir os atletas. Os britânicos são fantásticos, não regateiam aplausos e a atmosfera nas Arenas foi o máximo. Isso fez com que se sentisse um ambiente de competição ainda mais entusiasmante e importante.

Se lhe pedisse que elegesse o momento dos Campeonatos, qual seria a sua escolha?

I. B. - Há um momento realmente fantástico para mim e que foi no último ponto da prova de Distância Longa, quando vi o meu irmão Søren Bobach. Ele deu-me a bandeira da Dinamarca e disse-me que tinha uma grande vantagem. Foi o máximo!

Numa altura em que a temporada caminha para o final, pedia-lhe que me falasse dos objetivos que ainda tem em mente.

I. B. - Procurarei que o meu pico de forma no Outono coincida com a Taça do Mundo na Suiça. Ocupo atualmente o segundo lugar da Taça do Mundo e os meus objetivos passam por segurar essa posição ou, eventualmente, tomar a liderança. Mas também sei que estar no máximo da minha forma precisamente nessa altura não irá ser fácil porque entretanto há muitas provas nacionais e os Campeonatos da Dinamarca onde também gostaria de competir ao meu nível.

[Foto: WOC 2015 / woc2015.org]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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