terça-feira, 18 de agosto de 2015

Catherine Taylor: "Sinto que posso ainda fazer melhor"



Todos lhe “pediam” o ouro, mas Catherine Taylor mostra-se mais do que satisfeita com o 5º lugar na Distância Média e o 6º lugar na Distância Longa dos Campeonatos do Mundo 2015. Com ela regressamos à Escócia para o balanço duma semana de emoções fortes.


Que ansiedade acrescida acarretou o correr “em casa” estes Campeonatos? Uma motivação especial?

Catherine Taylor (C. T.) – Na verdade, senti uma enorme ansiedade nos meses que antecederam o WOC. Gastei imensas energias na forma como tive de lidar com as expectativas de toda a gente e que apontavam, invariavelmente, no sentido do ouro (!!!) Foi duro dedicar-me por inteiro aos meus próprios planos e objectivos sem ter de me preocupar com pressões externas. Por outro lado, estar num sítio onde não há segredos quanto ao estilo de cartografia, ao tipo de vegetação na floresta, à língua, ao tipo de comida, etc., deu-me uma grande confiança e foi motivador ter um super-entusiasmad grupo de seleção da Grã-Bretanha com quem treinar.

Sentia-se bem preparada? Que objetivos tinha traçado?

C. T. – Penso que todos os elementos da nossa selecção se sentiam bem preparados para os Campeonatos do Mundo. Foi bom poder preparar os Campeonatos de forma descontraída e durante muito mais tempo do que o habitual. O meu objectivo consistia em ir ao pódio numa das provas individuais e fazer um bom trabalho para a equipa em ambas as Estafetas.

Ficou satisfeita com os resultados alcançados nas provas individuais? Entre o 5º lugar na prova de Distância Média e o 6º lugar na prova de Distancia Longa, qual deles tem maior significado para si?

C. T. - Houve muita gente que lamentou o facto de eu não ter conseguido uma medalha, mas julgo que mais do que atingi os meus objectivos e estou muito feliz por isso. Ainda hoje estou surpreendida com o facto de ter conseguido o meu melhor resultado na prova de Distância Média, mas o 6º lugar na Longa tem maior significado para mim – corri sem pressões e gostei muito da prova.

E quanto às Estafetas? Em ambos os casos partiu numa posição muito difícil mas soube lidar bem com a pressão e conseguir excelentes prestações. Como é que foi gerir as suas provas, sobretudo do ponto de vista psicológico?

C.T. – Penso que ajudou muito o facto de concentrarmos as nossas expectativas na forma como queríamos correr, mais do que no resultado. Em ambos os primeiros percursos, os atletas de cada uma das minhas equipas foram tremendamente infelizes, mas isso não mudou em nada o desafio que eu tinha à minha espera. Normalmente, é mais fácil partir duma posição atrasada na Estafeta, até porque isso pode significar o ganhar de posições, e não podemos nunca baixar os braços. Foi com isso em mente que acabei por ter uma boa atitude competitiva.

Que motivação é que estes resultados acarretam em termos de futuro?

C. T. – As performances e ambas as provas individuais foram boas, mas não me deixaram inteiramente satisfeita. Sinto que posso ainda fazer melhor. E, evidentemente, gostaríamos de correr bem uma grande Estafeta. Trabalharmos em equipa com isso em mente vai ser divertido.

E quanto à equipa da Grã-Bretanha e à subida à primeira divisão, tanto em masculinos como em femininos? Globalmente, que resultados destacaria?

C. T. – Desenvolvemos um enorme esforço em equipa e estamos muito satisfeitos com os resultados desse trabalho! Foi excelente conseguirmos, ao longo de toda a semana, um vasto conjunto de resultados no top 10 e no top 20, alcançados por diferentes atletas e em todas as provas. Tivemos seis atletas que correram o seu primeiro WOC e todos eles estiveram muito bem. Foi, portanto, um belo trabalho de equipa!

Como avalia o WOC 2015, tanto do ponto de vista técnico como organizativo?

C. T. – Julgo que as provas em que participei foram desafiantes e divertidas, e a floresta ofereceu terrenos de excelência. A parte mais difícil ao longo da semana consistiu em procurar libertar-nos dos pequenos problemas, nomeadamente logísticos nalguns dias, porque queríamos que todos saíssem daqui com a melhor das impressões. As coisas nunca saem exactamente na perfeição, mas penso que, dum modo geral, correram bem. Termos sido capazes de por de pé uma competição com uma dimensão nunca antes vista no Reino Unido representou um esforço enorme e sinto orgulho por todos aqueles que deram tanto do seu tempo para tornar isto possível.

Se lhe pedisse para eleger um momento – o grande acontecimento destes Campeonatos –, sobre
quem recairia a sua escolha?

C. T. – Duma forma um bocadinho tendenciosa, diria que a minha inclinação vai para o título de Distância Média conseguido pela Annika Billstam. É preciso muita força interior e controlo para conseguir o melhor desempenho do ano precisamente na altura certa. Conseguir isso pelo segundo ano consecutivo e após uma Primavera em que as coisas não correram realmente bem… é preciso ter nervos de aço!

Numa altura em que a temporada caminha para o final, que objectivos tem ainda traçados?

C. T. – Chegada ao fim dos Campeonatos, sinto-me mais exausta que nunca. Também me senti muito cansada e angustiada nalguns momentos anteriores ao WOC e preciso agora duma pausa. Portanto, nada de planos para o Outono, até que eu me sinta com mais energia e recomece a treinar novamente, apesar de ter começado já a pensar em ambos os Campeonatos [Europeus e Mundiais] do próximo ano, em que distâncias irei apostar e como poderei treinar de forma efectiva tendo em mente esses objectivos.

[Foto: Ethan Childs / facebook.com]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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