domingo, 12 de julho de 2015

Taça dos Países Latinos: 20 anos de História



A Espanha foi a grande vencedora da Taça dos Países Latinos 2015, evento integrado nos “3 Dias da Bélgica” e que teve lugar em Vlessart, no início de Maio. Pretexto para revisitarmos uma competição que fará 20 anos no próximo mês de Outubro, que conta até ao momento com 17 países membros e que se afirma como uma ponte, cada vez mais sólida, entre a Europa e a América.


Por Joaquim Margarido

Varna, Bulgária, 1994. O período de almoço marcava uma pausa nos trabalhos do Congresso da Federação Internacional de Orientação e o acaso juntava à mesma mesa, dum lado, Alexandrescu Constantin e Coman Ciprian, respetivamente Presidente e Secretário Geral da Federação Romena de Orientação e, do outro, Livio Guidolin, o então Secretário Geral da Federação Italiana de Orientação e a sua esposa. Do cruzamento de conversas à descoberta daquilo que ambas as Federações tinham em comum foi apenas um pequeno passo. A conversa anima-se e aquilo que tinha começado como uma simples troca de palavras de cortesia, agigantava-se entretanto com a proposta de Alexandrescu de se organizar uma competição de Orientação para os Países Latinos.

Recebida com entusiasmo por Guidolin e, de imediato, pelos representantes das Federações de Espanha, França e Portugal, igualmente presentes em Varna, a ideia teve no dia seguinte um efeito prático, com a realização duma reunião extraordinária tendente à formalização da fundação da Taça dos Países Latinos. Nome da competição, objetivos, periodicidade, composição das equipas, classes de competição, fórmula de cálculo de classificações, troféus, organização e participação nos gastos, tais foram os assuntos em cima da mesa. Redigido o projeto de estatutos, passou-se à fase de ratificação pelas cinco Federações fundadoras e à eleição, como primeiro Secretário Geral da Taça dos Países Latinos, do italiano Livio Guidolin. Em Buzau, na Roménia, entre os dias 12 e 15 de Outubro de 1995, tinha lugar a primeira edição da Taça do Países Latinos – Latinum Certamen, com a representação romena a levar de vencida o troféu.


Os anos da consolidação

Entre 1996 e 1999, Itália, França, Portugal e Espanha receberam, por esta ordem, as edições seguintes da Taça dos Países Latinos. Entretanto, Livio Guidolin cede o seu lugar de Secretário Geral ao belga Erick Hully, que se manterá no cargo entre 1997 e 2005. Serão estes os anos da consolidação. Cada vez mais a Taça dos Países Latinos se afirma como o ponto de encontro amigável entre orientistas latinos, proporcionando o intercâmbio de conhecimentos sobre o treino, a pedagogia e os métodos de aprendizagem, enfim, contribuindo para o desenvolvimento da Orientação nos países de origem latina.

A Bélgica é admitida no seio da Taça dos países Latinos no ano de 1997 e na edição de 1998, realizada em Portugal, assiste-se à participação do Brasil, o qual é aceite como sétimo membro efetivo, sendo o primeiro país latino-americano a aderir à Taça dos Países Latinos. No capítulo competitivo, Itália e França sucedem-se à Roménia no tocante a vitórias, mas os franceses são igualmente os grandes triunfadores em 1998 e 1999, alcançando três vitórias consecutivas e conquistando, assim, o direito a ficar em definitivo na posse do troféu.

Entre o ano 2000 e 2008, a Taça dos Países Latinos revisitará, rotativamente, a Bélgica e os cinco países fundadores. Em 2004, de novo em Portugal, Moçambique é o país convidado e aceite como membro efetivo da Taça dos Países Latinos no ano seguinte, juntamente com a Argentina, Colombia e Venezuela, numa edição realizada em Espanha. Também em 2004, a Espanha conquista o direito a guardar para si em definitivo o Troféu, depois da vitória na edição portuguesa, a terceira duma série que se havia iniciado em Itália e prosseguira em França. Na reunião anual de 2005, celebrada em Sevilha, o espanhol José Angel Nieto Poblete é eleito Secretário Geral da Taça do Países Latinos, lugar que ainda ocupa e que acaba de renovar até 2017. Em 2008, a Suiça é admitida como membro de pleno direito da Taça dos Países Latinos.


Uma ponte sobre o Atlântico

O ano de 2009 representou um passo em frente na história do certame, com a realização da 15ª edição pela primeira vez fora da Europa. Num processo iniciado dois anos antes por Itamar Torrezán e concluído por Otavio Dornelles, o Brasil organiza um evento ao qual aderem, igualmente, o Uruguai e o Chile, membros nº 13 e 14 dum “clube” que não pára de crescer. O Brasil viria a ser o grande vencedor dessa edição, antecedendo Portugal que obteve em 2010 o seu primeiro e único triunfo na história da competição. Em 2011, no regresso da competição a Espanha, Costa Rica, Perú e Paraguai são admitidos como membros de pleno direito, fixando em dezassete o número de membros efetivos da Taça dos Países Latinos.

Em 2014, a Taça dos Países Latinos atravessou o Atlântico pela segunda vez no seu historial, com a competição a ter lugar no Uruguai. A vitória nesta edição sorri à Espanha, repetindo-a já em 2015, na Bélgica, ante a forte oposição de Belgas e Italianos. Em 2016 teremos nova viagem transatlântica, desta feita até ao Chile, dando-se assim continuidade a um projecto que visa intercalar a Europa e a América Latina como anfitriões das sucessivas edições do certame. Os anos de 2017 e de 2019 têm já a Itália e Portugal como candidatos à organização do evento. E em 2018, quem será o país latino-americano a receber o evento?


Este artigo pode ser lido no original em http://orienteering.org/wp-content/uploads/2012/02/InsideOrient-2_15.pdf. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação.

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