quinta-feira, 23 de julho de 2015

Inês Domingues: "Sei que consigo chegar lá"



Faz Orientação de Precisão há pouco mais de um ano e, na sua primeira participação em Campeonatos do Mundo da disciplina, alcançou um “impensável” 7º lugar na Final de TempO. Ponto de partida para uma Entrevista com Inês Domingues, a “menina-prodígio” da Orientação de Precisão nacional.


O resultado alcançado em Zagreb, na Final de TempO dos Campeonatos do Mundo, obriga-me a colocar-lhe esta pergunta: quanto disto é inato e quanto disto é trabalho?

Inês Domingues (I. D.) - Eu não treino propriamente Orientação de Precisão. O meu treino resume-se às provas da Taça de Portugal onde tenho participado pelo que devo presumir que muito disto já é de mim, tem a ver com os fundamentos teóricos e com a prática que eu tenho de Orientação Pedestre. Treinar mais a sério, só mesmo nessa semana, na Croácia. Foi muito intensivo.

Qual a importância de ter vindo para a Croácia uns dias antes e poder participar nas duas etapas do Taça da Europa que antecederam os Campeonatos do Mundo?

I. D. - Isso ajudou imenso, principalmente porque não entramos logo numa situação de pressão inerente à competição num Campeonato do Mundo e conseguimos alguma ambientação ao tipo de provas e às pessoas ao nosso redor. Acho que foi mesmo muito importante.

À partida para o Campeonato do Mundo o seu objetivo era o top 10?

I. D. - Não. Eu não tinha a noção da equivalência numa competição como o Campeonato do Mundo em relação àquilo que eu fazia, se dava para ficar em primeiro, em último, no meio da tabela… O meu objectivo era ir à final, mas a partir daí, sem essa noção, não tinha estipulado um número.

Agora que já tem essa noção, que pressão, que responsabilidade acrescida é que este sétimo lugar lhe cria?

I. D. - A pressão tem a ver com a responsabilidade de manter ou melhorar o 7º lugar. Sei que consigo chegar lá e agora é trabalhar para algo mais, sem esquecer que os pequenos detalhes fazem toda a diferença. Um ponto falhado faz com que venhamos por aí abaixo ou vice-versa. Mas sim, agora que alcançámos este patamar, temos de apostar em mantê-lo ou em subir mais ainda.

Ao falar em subir está já a pensar nos Mundiais do próximo ano, na Suécia.

I. D. - Sim, o meu objectivo passa por estar na Suécia na próximo ano. É ir aproveitando aquilo que vamos fazendo, treinar, melhorar.

Como avalia, em termos globais, a prestação da selecção portuguesa nestes Mundiais da Croácia?

I. D. - Acho que a prestação foi muito boa e conseguimos melhorar os nossos resultados tanto no PreO como no TempO. Mesmo o quarto lugar alcançado na Estafeta foi excelente. Além disso, esta participação representou para todos um ganho de experiência, uma nova perspectiva de diferentes tipos de desafios.

E quanto à Organização?

I. D. - A Organização foi excelente e não consigo apontar-lhe um pormenor que seja menos positivo. Tecnicamente foi um Campeonato espectacular, com desafios muito bem desenhados, apelando a uma boa leitura do terreno. E as pessoas foram fantásticas, sempre atentas e disponíveis. Foi tudo espectacular.

Que reflexos é que estes resultados poderão vir ter no futuro em relação à Orientação de Precisão portuguesa?

I. D. - Estes resultados deram-nos visibilidade e começam a virar as atenções sobre nós. Espero que isso possa trazer vantagens em termos dos apoios à Orientação de Precisão, mas igualmente possa chamar mais pessoas a experimentar esta disciplina da Orientação.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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