segunda-feira, 20 de julho de 2015

Carta Aberta: Dividir o WOC?

A poucos dias da realização de mais um Campeonato do Mundo de Orientação, um conjunto de proeminentes individualidades ligadas à modalidade vem denunciar a intenção da Federação Internacional de Orientação em levar por diante a divisão dos Campeonatos do Mundo em “sprint” e “floresta”, a realizar em anos alternados. Uma carta aberta dirigida ao Conselho daquele organismo internacional e às Federações nacionais e que vale a pena esmiuçar.


“Estarão os países preparados para organizar um WOC de “floresta” sem a prova-espectáculo que é o Sprint? Estarão eles preparados para organizar e financiar um WOC de “floresta” com uma boa produção televisiva nas distâncias de floresta? Será possível encontrar patrocinadores para um WOC de floresta?” Estas são apenas algumas das questões levantadas por um conjunto de personalidades essencialmente ligadas à área do treino e alta competição de Orientação, patentes numa carta aberta enviada à Federação Internacional de Orientação. Per Forsberg, Simone Niggli, Brigitte Grüniger Huber, Radek Novotny, Daniel Hubmann, Bruno Nazário, Tom Quayle, Matthias Niggli e Janne Salmi são os signatários duma missiva que alerta, sobretudo, para o cuidado a ter quando se pretende alterar, de forma radical, “o mais importante evento internacional de Orientação”.

“Sendo o WOC o evento internacional de Orientação mais importante, qualquer alteração deve ser considerada de forma extremamente cuidadosa. Na nossa opinião, é preferível manter o actual estado de coisas do que promover alterações sem ter a absoluta certeza das suas consequências. As últimas alterações relativamente ao esquema de qualificação não abalaram o sistema do WOC no seu todo, mas dividir o WOC [em Sprint e floresta] trará importantes consequências para atletas, equipas, federações, organizadores, comunicação social e para a própria IOF, impossíveis de prever neste momento”, pode ler-se na Carta Aberta. Os signatários fazem ainda questão de lembrar o exemplo do WOC 2014, em Veneza e Lavarone: “Afinal é possível organizar um WOC completo em dois lugares diferentes”.


Conclusões e propostas

Após elencarem um conjunto de possíveis dificuldades e riscos ao assumir-se o novo modelo, Per Forsberg e seus pares colocam o dedo na ferida: “Se pretendemos aumentar o número de atletas e de países, necessitamos de transmitir conhecimento e experiência a esses países, seja em ambiente urbano ou na floresta. Seria necessário construir um grupo alargado que garantisse qualidade e justiça em todos os eventos internacionais, uma operação que iria custar muito dinheiro à IOF. Organizar um evento internacional de Orientação não é tarefa simples e requer muita experiência. De momento, porém, a necessária qualidade profissional dos eventos não está assegurada e a experiência e conhecimento não transitam para o futuro, visto haver sempre um novo país e um novo comité organizador”, notam.

Conclusões e algumas propostas encerram a missiva. “Não precisamos de encurtar ou separar o WOC para melhorarmos a atenção, visibilidade e espetacularidade da Orientação. Precisamos de fazer exactamente o contrário, estender o WOC ao longo de 8 ou 9 dias, incluindo dois fins de semana, para mostrar o fascínio deste desporto de forma alargada, adequada e com uma periodicidade anual. […] Em vez de dividirmos o WOC, devíamos antes (no caso de haver dificuldades em encontrar anualmente candidatos que acolham o evento) ver o WOC organizado de dois em dois anos e, simultaneamente, colocar um maior esforço na elevação do estatuto do Campeonato da Europa e da Taça do Mundo”, pode ler-se. “O risco de se vir a perder o fascínio dos nossos melhores eventos é demasiado elevado!”, concluem.



Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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