terça-feira, 9 de junho de 2015

Campeonatos da Europa de Orientação em BTT 2015: O que eles disseram!...



No rescaldo de mais um dia de competições, o Orientovar sondou alguns atletas, “remexeu” as páginas pessoais de outros e traz-lhe aqui e agora algumas confissões deveras interessantes.


Líder do ranking mundial e medalha de prata na prova de Sprint do dia de hoje, a britânica Emily Benham partilhou com o Orientovar o seguinte: “Esperava um Sprint essencialmente técnico e a estratégia adotada para abordar a prova enfatizou isso mesmo. Infelizmente enganei-me e, tecnicamente, tivemos uma prova simples, convidando ao aumento da velocidade e aos consequentes erros que acabaram por afetar muitos dos atletas.” Quanto à sua prestação, Emily evidencia o cuidado “nas ruas mais estreitas, para não tomar uma opção errada”, mas admite que “devia ter sido mais agressiva e acreditar mais em mim mesma, em vez de parar para conferir a minha posição nos pontos 3 e 4. Perdi aqui, respetivamente, 8 e 15 segundos, aos quais devo acrescentar outros 6 a 10 segundos perdidos ao longo da restante prova, nos cruzamentos junto às casas.” E conclui: “A minha velocidade foi boa, mas o meu plano falhou e isso acarretou tempo perdido de forma desnecessária.” Uma última palavra para a vencedora, Martina Tichovska: “Fiquei verdadeiramente impressionada com a prova da Martina. Ela subiu muito o seu nível de corrida do ano passado para este ano e será a atleta a ter em conta nos Campeonatos do Mundo.”

Também o finlandês Jussi Laurila teve a gentileza de conceder algumas palavras ao Orientovar, coincidindo com Emily Benham na apreciação ao nível técnico da prova: “O percurso foi, realmente, muito mais simples do que eu esperava, sobretudo no que diz respeito às opções a tomar. Não podemos dizer que fossem particularmente difíceis ou mesmo decisivas. Mas adpatei-me bastante bem às 'exigências' da prova e penso que fiz as opções certas, quando as havia. Aquilo que realmente falhou foi a agressividade, ter demasiado cuidado nalgumas pernadas e não correr riscos.” Mais uma nota: “Não gosto de quarentenas por demasiado tempo, soam-me sempre a um castigo por pertencer ao último grupo, mas felizmente hoje o tempo não esteve excessivamente quente e o tempo de espera acabou por ser suportável.” E a concluir: “Foi uma prova muito apertada e estou satisfeito por ter chegado ao pódio. Foram muitos os atletas que ficaram atrás de mim por diferenças de pouquíssimos segundos.”


Fui duas vezes ao ponto 17”

De novo em entrevista à página da Federação Finlandesa de Orientação - http://www.suunnistusliitto.fi/ - Marika Hara explica em parte os motivos que a levaram a cair para a terceira posição, numa altura em que tinha a prova controlada e parecia ser capaz de revalidar o seu título europeu de Sprint: “Fui duas vezes ao ponto 17. Eram caminhos paralelos e acabei por me confundir, percebendo imediatamente que acabava de perder ali uma medalha e já não havia tempo para recuperar”, refere, a propósito dum erro que lhe custou mais de meio minuto. Marika refere ainda ter sido esta “uma prova bastante diferente do habitual, fazendo quase lembrar a prova de Sprint dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre, em Veneza, no ano passado”. Talvez por isso, a atleta finlandesa achou a prova “surpreendentemente divertida, num terreno diferente, com muita segurança e onde se exigia do atleta máxima concentração durante toda a prova.”


O que disseram os portugueses

Quanto aos portugueses, vejamos o que diz Davide Machado na sua página pessoal no Facebook [AQUI]: “Realmente esta 'categoria' nunca me foi preferencial, mas olhando para a lista de resultados vejo que normalmente consigo fazer melhor! Foi uma prova curta mas extremamente competitiva, na qual os 13 primeiros classificados ficaram separados por 49 segundos. A nível tecnico (contrariamente ao nível fisico) não era muito exigente, mas mesmo assim não fiz uma prova limpa. Quanto às sensações fisicas... bem... definitivamente ainda não estou nas melhores condições tanto para os arranques explosivos, como para provas curtas a fundo e o 48° lugar mostra isso mesmo. Amanhã será dia de Distância Média e vou tentar com que o resultado final seja um pouco melhor. Pode ser que as sensações venham melhorando de dia para dia... O nível está sem dúvida altissímo!”

Finalmente, João Ferreira também partilhou as suas opiniões no Facebook [AQUI], começando por enfatizar o seu 32º lugar na prova de Sprint (“melhor português, 4 pontos World Cup”), para adiantar o seguinte: “Penha Garcia caracteriza-se por uma aldeia histórica de Portugal com ruas estreias e a aldeia estar situada numa sinuosa montanha. O mapa tornou-se por isso muito físico e algo técnico em algumas partes. Fiz uma prova regular mas sem acelerar muito nas zonas mais técnicas para não errar. Acabei por perder cerca de 20 segundos em dois pontos e mais 25 segundos noutro. No total e numa prova de sprint, todos os segundos contam”, refere o atleta, que ficou a 51 segundos do Top20. E a finalizar, uma dedicatória muito especial: “Apesar de não ter sido o resultado que desejava, tudo fiz para que fosse e por isso dedico esta prova ao meu pai, pessoa muito especial na vida pessoal, profissional e competitiva e que hoje está de Parabéns.”


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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