sexta-feira, 8 de maio de 2015

Tiomila 2015: A festa vai começar!



Vem aí a Tiomila 2015. Sete décadas após a edição inaugural, a popular estafeta sueca está de regresso a Uppsala para a edição do jubileu já este fim de semana. Pretexto, pois, para lançarmos um olhar sobre uma das clássicas da Orientação mundial.


A história conta-nos que a primeira edição da Tiomila decorreu na noite de 28 para 29 de Abril de 1945, com partida em Uppsala e chegada a Enebyberg. O Governador Hilding Kjellman deu início à prova e 15 horas, 51 minutos e 59 segundos depois, a turma sueca do SOIK Hellas, com Erik “Kruska-Jim” Sjölander no último percurso, cortava a meta em primeiro lugar, à frente de 65 outras equipas. Desde então, muita coisa se modificou, mas não a constituição de dez elementos por equipa e a distância que dá o nome à prova e que significa “10 milhas (suecas)”, ou seja, 100 km, a distância que cada equipa deve percorrer (embora este número varie de edição para edição, sendo em 2015 ligeiramente superior a 116 quilómetros).

Do já longínquo ano de 1945 até aos nossos dias, a Tiomila não parou de crescer e de nos surpreender. A competição não se realizou em 1962 devido a um surto de Hepatite, mas este é apenas um facto menos positivo no historial do evento. O modelo manteve-se inalterado até 1977, ano em que foi criada a Estafeta feminina com as equipas a serem constituídas por cinco elementos. Até essa altura, o domínio sueco foi esmagador, com equipas da Suécia a vencerem 30 das 31 edições disputadas. Coube aos finlandeses do Helsingin Suunistajat a honra de se intrometerem nesta sequência ganhadora, levando de vencida a edição de 1954. Curiosamente, das equipas vencedoras nestas 31 edições, apenas o IK Hakarspojkarna logrou alcançar o triunfo por três vezes, enquanto Hagaby GoIF, Järfälla OK e SOIK Hellas venceram a prova em duas ocasiões.


Suecos não vencem desde 2005

Nos 20 anos seguintes, a tendência não se alterou e foram os finlandeses, ainda e sempre, a quebrarem a série de vitórias suecas, o que sucedeu por quatro vezes. O IFK Södertälje surge como a grande referência deste período, levando de vencida a prova por quatro vezes, contra três do OK Ravinen. Mas em 1997, com a vitória dos noruegueses do Bækkelagets SK, dá-se a grande viragem. As equipas norueguesas levam de vencida oito edições consecutivas, com destaque para o Halden SK que conquista seis triunfos (1998-2000 e 2002-2004). A Suécia regressa às vitórias em 2005, pela mão do Södertälje-Nykvarn OF, mas a história para os suecos acaba aqui. Halden SK (2006, 2007 e 2012), Kristiansand OK (2008 e 2009) e os finlandeses do Kalevan Rasti (2010-2011 e 2013-2014) ganharam tudo o que havia para ganhar desde então. E em 2015, como será?

Nas senhoras a situação é diferente e as vitórias estão muito melhor distribuídas. As suecas do Gävle OK foram as primeiras vencedoras, abrindo uma série de seis vitórias consecutivas para a Suécia. As norueguesas do Romerikslaget foram as primeiras a quebrar a invencibilidade sueca, em 1983. Desde então, a Noruega já viu equipas suas no lugar mais alto do pódio por onze vezes, contra 19 vitórias da Suécia e sete da Finlândia. Em 2014, assistiu-se ao triunfo histórico da turma do OK Pan Århus, colocando pela primeira vez no primeiro lugar uma turma da Dinamarca. Referência ainda para o facto de se disputar desde 1992 a Estafeta Jovem, com equipas de quatro elementos. Também aqui a Suécia lidera a lista de vencedores, com 13 triunfos em 23 edições, contra 8 triunfos da Finlândia e dois da Noruega. Curiosamente, foram finlandesas as equipas vencedoras das três últimas edições da Estafeta Jovem.


Portugueses presentes

A edição deste ano conta com um total de 980 equipas inscritas, sendo 303 na Estafeta Jovem, 344 na Estafeta Feminina e 333 na Estafeta masculina. Todos os grandes nomes da Orientação mundial têm na Suécia e nesta prova o seu foco de atenção no próximo fim de semana e a sua importância não passa igualmente despercebida entre os portugueses. São pelo menos sete os nossos compatriotas que abdicaram de participar nas duas etapas da Taça de Portugal previstas para Pontevedra (Espanha) e rumaram à Suécia para disputar a Tiomila. Tiago Aires e Tiago Romão, ambos do GafanhOri, correm pela equipa sueca do IFK Umea e Miguel Reis e Silva (CMo Funchal) fará o seu percurso integrado na equipa finlandesa do Turun Metsänkävijät. Os atletas do Ori-Estarreja, Diogo Miguel e Bruno Nazário, correm pelos suecos da Köping Kolsva OK, enquanto Tiago Leal (GD4C) junta-se aos dinamarqueses da CopenhagenO. Na estafeta feminina toma parte Carolina Delgado (GD4C), que corre igualmente pelo CopenhagenO.

A terminar, uma curiosidade: Está a despertar vivo interesse a constituição duma equipa de Damas, que se prepara para desafiar os Cavalheiros na Longa Noite. Mas não se trata duma equipa qualquer. A Suécia oferece Tove Alexandersson (Stora Tuna OK), Annika Billstam (OK Linné), Sara Hagström (Falköpings AIK OK) e Lena Eliasson (Domnarvets GoIF), a quem competirá fazer o último percurso. Da Dinamarca vêm Emma Klingenberg (Järla IF OK) e Ida Bobach (OK Pan Åhus). A Ucrânia “fornece” Nadiya Volynska (OK Orion) e a Grã-Bretanha tem em Catherine Taylor (OK Linné) a sua representante. Finalmente, integram a equipa as suiças Sara Lüscher (Kalevan Rasti) e... Simone Niggli (OK Tisaren). Treinador deste verdadeiro Dream Team, Mattias Karlsson espera que “as atletas tenham um bom desempenho, que sejam cautelosas, façam uma boa orientação e que seja uma Estafeta bem conseguida”. Karlsson lembra que as atletas irão competir poucas horas após terem corrido a sua própria Estafeta, integrando as respetivas equipas, mas não descarta uma hipótese: “Em condições absolutamente perfeitas, o top-100 poderá ser um marco a alcançar”.


[Foto: Radiosporten / sverigesradio.se]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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