domingo, 10 de maio de 2015

Tiomila 2015: "Bis" da Suécia, dez anos depois



IFK Göteborg e do Domnarvets GoIF foram os grandes vencedores da 70ª edição da Tiomila, oferecendo à Suécia uma saborosa “dobradinha” que já não se via desde 2005. Em Skepptuna, não longe do local onde se correu a edição inaugural nos idos de 1945, as provas revestiram-se de imprevisibilidade e emoção, com os vencedores a serem encontrados já mesmo à beirinha do fim.


Clássica da Orientação por excelência, a Tiomila voltou a reunir na Suécia a fina flor da Orientação mundial e a constituir um espetáculo grandioso para 5.297 participantes distribuídos pelas Estafetas masculina, feminina e jovens. E foram precisamente os jovens que abriram as hostilidades, com 257 equipas classificadas no final e com a vitória a pertencer à turma norueguesa do Nydalens SK. Ragne Wiklund, Ingvil Ahlsand, Lukas Liland e Elias Jonsson necessitaram de 1:57:52 para completar o percurso, impondo-se aos também noruegueses de Konnerud IL pela larga vantagem de 6:25. Foi a terceira vez que uma equipa norueguesa venceu a Estafeta jovem e a estreia do Nydalens SK no lugar mais alto do pódio.

Quem já havia passado pelo lugar mais alto do pódio e repetiu a experiência pela quarta vez nas dezasseis últimas edições foi a turma sueca do Domnarvets GoIF na prova feminina. Composta por Elin Dahlin, Karolina Højsgaard, Dana Safka Brozkova, Lena Eliasson e Emma Johansson, as suecas cobriram o percurso em 3:57:09, contra 3:57:48 das suecas do Järla Orientering. Muito técnicos e todos eles com loops, os primeiros três percursos foram importantes no tocante à definição dos grandes candidatos à vitória. No final do terceiro percurso havia ainda oito equipas na luta pela vitória. Na frente, Karolin Ohlsson retinha uma vantagem de 40 segundos para a turma do Järla Orienteering sobre o Leksands OK – com Helena Jansson a fazer um terceiro percurso absolutamente fantástico e a recuperar 51 posições na tabela, depois de mais de três minutos (!) ganhos a todas as suas mais diretas adversárias.

O quarto percurso, com 10,5 km de distância, reduziu a seis o número de pretendentes à vitória, com o Järla Orientering ainda na frente, mas com o Alfta-Ösa e o Domnarvets GoIF colados, com diferenças inferiores a 10 segundos. No decisivo percurso, Sara Eskilsson cedo se mostrou incapaz de segurar para o Alfta-Ösa um dos três primeiros lugares, pelo que a luta pela vitória foi travada entre Elin Hemmyr Skantze e Emma Johansson. Skantze ainda liderou na primeira metade deste derradeiro percurso, mas a vitória acabaria por sorrir ao Domnarvets GoIF, que assim recuperam o título conquistado em 2013. Quem esteve desde muito cedo fora da corrida foi a turma dinamarquesa do OK Pan Århus, a grande vencedora no ano passado e que aqui não foi além do 24º lugar.


A prova mais esperada

Com a noite a instalar-se pesadamente, foi dada a partida para a prova masculina. Jesper Lysell viria a ser o mais rápido no primeiro percurso, dando ao Rehns BK a primeira vantagem. Mas todos sabiam que o primeiro grande momento estava guardado para o terceiro percurso, uns longos 16,5 km sem loops, onde manter a ligação com a linha da frente era essencial. As equipas com maiores aspirações lançaram para este percurso alguns dos seus mais valiosos trunfos e na frente surgiu o Södertälje-Nykvarn, com Andreu Blanes Reig, seguido do Kalevan Rasti, com Kiril Nikolov. Mas a lição estava bem estudada e apenas 1:16 separava as 50 (!) primeiras equipas nesta fase da prova. Fora da corrida estavam, entretanto, as turmas do Vehkalahden Veikot (de Janne Weckman e Tero Föhr), do OK Ravinen (de Gustav Bergman), do Järla Orientering (de Olle Böstrom) e do... Nightfoxes International, verdadeiro Dream Team feminino que ousou enfrentar a Longa Noite e acabou por soçobrar quando Tove Alexandersson desqualificou a equipa, precisamente neste terceiro percurso.

A partir do sexto percurso, manter contacto com a cabeça da corrida passou a ser tarefa complicada para muitos, numa altura em que na frente seguia um grupo bastante compacto de dez elementos, separados entre si por 1:12. Mattias Karlsson ia dando a vantagem ao Halden SK, mas os suspeitos do costume - Kalevan Rasti, IFK Lidingö SOK, Vaajakosken Terä, Södertälje-Nykvarn – mantinham-se na corrida, muito próximos da liderança. Com Fabian Hertner, o Kalevan Rasti assume a liderança no final do oitavo percurso e tem uma vantagem de 2:09 sobre o segundo classificado, o IFK Lidingö SOK, mas perde terreno para os seus adversários no percurso seguinte. Vai tudo decidir-se no derradeiro percurso e são cinco os galos para um poleiro. Fredrik Johansson (IFK Lidingö SOK), Magne Dæhli (Halden SK), Thierry Gueorgiou (Kalevan Rasti), Wojciech Kowalski (IL Tyrving) e Eskil Kinneberg (IFK Göteborg) estão separados entre si por escassos 14 segundos. Há muito que o dia nasceu e, no final dessa longa linha com 17,5 km distância, os louros aguardam somente um deles. Thierry Gueorgiou é o grande favorito e não quer deixar fugir a oportunidade de repetir os êxitos de 2013 e 2014. Mas...


Prognósticos só no final

Fredrik Johansson parte muito rápido, afasta-se do grupo. Mas depois comete um erro, outro erro ainda e depressa se percebe que está fora da corrida. O próximo a cair será Kowalski: Defronta sozinho o pequeno loop, enquanto Dæhli, Gueorgiou e Kinneberg possuem a mesma combinatória e seguem juntos. O resto da prova será um jogo do gato e do rato, com os noruegueses a abrandarem até ao limite e a obrigarem Thierry Gueorgiou a pagar as despesas da corrida. Tudo acaba por se decidir ao Sprint, com o Rei a acusar a longa paragem – e a sua veterania – e a perder para os dois adversários diretos. Eskil Kinneberg leva a sua aposta até ao fim e bate inapelavelmente Magne Dæhli por três segundos. O IFK Göteborg inscreve, pela primeira vez, o seu nome no livro de honra da prova.

Quanto aos portugueses, foram seis (que tenhamos conhecimento) os nossos atletas em prova, com sortes diferentes e resultados para todos os gostos. Tiago Romão e Tiago Aires correram pela turma sueca do IFK Umeå e concluiram no 59º lugar. Ambos asseguraram percursos-chave da sua equipa, com Romão a melhorar 21 lugares no terceiro percurso e Aires a pegar na equipa no 62º lugar e a levá-la ao seu 59º lugar final, a 1:59:46 dos vencedores. Tiago Gingão Leal correu o primeiro percurso da equipa do CopenhagenO, deixando-a no 143º lugar a 8:23 da liderança. Os dinamarqueses viriam a terminar no 118º lugar com um tempo final de 13:27:05. Diogo Miguel também correu o terceiro percurso, deixando a equipa do Köping-Kolsva OK no 132º lugar, precisamente o mesmo com que começara. A alinhar na mesma equipa, Bruno Nazário concluiu o 5º percurso no 160º lugar, contribuindo para o 133º lugar final do Köping-Kolsva OK. Finalmente, Carolina Delgado correu o primeiro percurso da turma dinamarquesa do CopenhagenO, passando testemunho no 159º lugar. Anita Sørensen fez com que a equipa caísse sessenta posições no segundo percurso e Camilla Larsen fez “mp” no terceiro percurso, desclassificando a sua equipa.


Resultados

Masculinos
1. IFK Göteborg 10:13:50
2. Halden SK 10:13:53 (+ 00:03)
3. Kalevan Rasti 10:14:02 (+ 00:12)
4. IFK Lidingö SOK 10:15:54 (+ 02:04)
5. Södertälje-Nykvarn 10:16:25 (+ 02:35)

Femininos
1. Domnarvets GoIF 3:57:09
2. Järla Orientering 3:57:48 (+ 00:39)
3. Stora Tuna OK 3:59:42 (+ 02:33)
4. Paimion Rasti 3:59:48 (+ 02:39)
5. Kalevan Rasti 4:00:19 (+ 03:10)

Jovens
1. Nydalens SK 1:57:52
2. Konnerud IL 2:04:17 (+ 06:25)
3. Turun Suunnistajat 2:04:33 (+ 06:41)
4. Fossum IF 2:04:38 (+ 06:46)
5. Södertälje-Nykvarn 2:04:49 (+ 06:57)

Tudo para conferir em http://www.10mila.se/index.php/en/.

[Foto: Jan Kocbach / worldofo.com]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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