terça-feira, 5 de maio de 2015

Baptiste Fuchs: "Prefiro terminar uma prova no 20º lugar mas contente comigo mesmo, em vez de chegar ao pódio sem a satisfação de ter feito uma boa prova”



Da BTT, através da Orientação, para a Orientação em BTT – desta forma Baptiste Fuchs, o nosso atleta de Maio de 2015, descobriu o seu desporto. “Apreciei desde logo o lado lúdico, divertido, da Orientação em BTT e sentia que podia passar horas e horas na floresta à procura dos pontos sem dar pelo tempo passar”, afirma. No passado domingo, foi ele o vencedor, juntamente com a equipa da França, da Estafeta Mista que encerrou a ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação em BTT 2015. E muito mais há a esperar dele no futuro próximo...


Nome: Baptiste Fuchs
País: França
Data de Nascimento: 31 de Janeiro de 1987
Disciplina: Orientação em BTT
Melhores resultados: Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT – Distância Longa 2º (2014), Distância Média 10º (2014), Sprint 14º (2014), Estafeta 3º (2014). Campeonatos da Europa de Orientação em BTT - Distância Longa 11º (2013), Distância Média 34º (2014), Sprint 19º (2014), Estafeta 4º (2014). Taça do Mundo – 8º (2014).
Classificação no Ranking Mundial: 5º lugar


Texto e foto de Joaquim Margarido

Baptiste Fuchs nasceu no último dia de Janeiro de 1987, em Ambilly e aí viveu os primeiros 20 anos da sua vida em plena natureza, ante o olhar majestático dos Alpes do Norte. Juntamente com as três irmãs, foi desde muito cedo estimulado pelos pais a praticar desportos de natureza e, das caminhadas e passeios de bicicleta, aos mais “radicais” alpinismo, escalada e parapente, de tudo fez - e continua a fazer! - a família Fuchs.

No percurso de vida de Baptiste, todavia, há um acontecimento que terá sido determinante nas opções pessoais e desportivas tomadas a partir de então. Mas deixemos que seja ele a contar: “Quando tinha 10 anos, fui de bicicleta até ao Mediterrâneo com o meu pai. Fazíamos uma média de 100 km diariamente, comprávamos a comida à beira da estrada e dormíamos em abrigos ou na tenda que levávamos. Para mim era como fazer a Volta à França e passei a alimentar o sonho de poder vir a ser ciclista!” Baptiste Fuchs começou a fazer Ciclismo aos 12 anos e, com 19 anos de idade, chegava à Elite nacional de França. Dividido entre o Ciclismo e a necessidade de prosseguir os seus estudos, porém, acabou por se dedicar ao Curso de Educação Física, sendo hoje professor. Colocado na região de Paris, foi aí que descobriu a Orientação: Nos bosques de Fontainbleau.


Uma bela noite…

Tudo começou com um convite: Fazer parte duma equipa numa prova noturna de Orientação Pedestre era o desafio. Os mais familiarizados com a Orientação conseguem compreender quais os ingredientes reunidos: a camaradagem, o jogo de equipa, a competição, o desafio de encontrar os pontos, tudo isto num cenário de sombras e penumbra. E quando o líder da equipa passou o mapa para as mãos de Baptiste, fez-se luz: “Tinha deixado o Ciclismo de competição há algum tempo e sentia a necessidade de encontrar um desporto que encaixasse nos meus gostos e na minha disponibilidade.” A Orientação assumia-se agora como “o tal desporto”.

Para Baptiste, foi uma surpresa tomar conhecimento que a Orientação também se praticava sobre rodas. Todo o terreno. “Como vinha do Ciclismo de estrada, a Orientação em BTT era uma evidência do ponto de vista pessoal”, refere, a propósito desta inesperada descoberta. Desde que deixara as “suas” montanhas e se mudara para Paris, o contacto com a natureza tinha-se reduzido praticamente a zero e surgia agora a oportunidade de ser recuperado. Mas havia mais: “Apreciei desde logo o lado lúdico, divertido, da Orientação em BTT e sentia que podia passar horas e horas na floresta à procura dos pontos sem dar pelo tempo passar.” Possuidor das qualidades físicas e domínio da bicicleta necessários a um bom desempenho, faltava a Baptiste a técnica de orientação. Mas isso aprende-se e aperfeiçoa-se com o treino e as provas. Motivado, passa a ser presença habitual em todas as competições. Adora o ambiente saudável entre os corredores. Sobretudo, aprecia esse facto indesmentível: “O mais forte fisicamente não é, necessariamente, aquele que vence!”


Começar… aos 24 anos

As primeiras pedaladas a sério, com mapa e bússola, datam de 2011. Baptiste tem nessa altura 24 anos (!) e a questão não pode deixar de se colocar: Não é demasiado tarde para começar? O atleta desfaz as dúvidas: “Na verdade, comecei a fazer Orientação em BTT aos 24 anos e não esperava progredir de forma tão rápida! Mas comecei com um bom nível físico, embora isso constituisse inicialmente uma desvantagem porque a tendência para andar demasiado rápido era enorme e acabava por me perder. Procurava recuperar o tempo perdido andando mais depressa ainda e… perdia-me de novo. Realmente, as minhas primeiras provas não foram muito bem conseguidas”, confessa.

À medida que foi aperfeiçoando a técnica de orientação, porém, Baptiste acabou por retirar o maior partido das suas qualidades físicas, tornando-se naquilo que é hoje. E ambição para chegar cada vez mais longe não lhe falta: “Alguns defendem que são necessários 10 anos para formar um campeão. Quando vejo o que o Ruslan Gritsan é ainda capaz de fazer aos 37 anos, digo a mim mesmo que tenho ainda muito tempo à minha frente para progredir”, assegura.


Uma medalha inesperada

Do 11º lugar alcançado em 22 de Outubro de 2011, na Distância Longa dos Campeonatos de França – naquela que foi a sua primeira prova pontuável para o Ranking Mundial -, até ao 2º lugar nos Campeonatos do Mundo, na Polónia, em 29 de Agosto de 2014, vai todo um caminho ascensional de enorme sucesso. Com Baptiste Fuchs mergulhamos nessa “jornada de prata”, afinal o momento alto da sua carreira até ao momento.

- Que memórias guarda desse dia?

“Foi um dia bastante especial. Contrariamente ao sucedido nos dias anteriores, com as provas de Sprint e de Distância Média, acordei com uma sensação de enorme confiança, de que este era o meu dia. Já na véspera ficara admirado com o 10º lugar conseguido na prova de Distância Média, sobretudo porque tinha cometido demasiados erros. Sabia que se fizesse uma prova limpa, não havia razão nenhuma para falhar o meu objectivo inicial e que era um lugar no top 10. Apresentei-me na partida com essa vontade de fazer as coisas bem, de realizar uma prova sem erros, de acordo com o meu plano de corrida e sem pensar no resultado, apenas pelo prazer de sentir o momento. E foi uma aposta ganha: agarrar a prova com esse desejo de dar o melhor de mim, de fazer uma prova plenamente conseguida e sem objectivos de ganhar a quem quer que fosse. A medalha de prata não é mais do que um bónus. Prefiro terminar uma prova no 20º lugar mas contente comigo mesmo, em vez de chegar ao pódio sem a satisfação de ter feito uma boa prova.”

- Esperava conseguir a medalha de prata?

“Não, de maneira nenhuma. O meu melhor resultado até essa altura tinha sido o 7º lugar numa etapa da Taça do Mundo! Penso que a dificuldade desta prova, em particular, não esteve na escolha de itinerários, mas sim no número de pontos de controlo (37): Era necessário manter a lucidez e a concentração do princípio ao fim. E isso percebe-se perfeitamente quando analisamos a prova do Jiri Hradil, o melhor à passagem pelo ponto de espectadores mas que deita tudo a perder no ponto 31. Talvez eu tenha conseguido fazer menos erros que os meus adversários, mantendo-me concentrado até ao fim e levando à letra o meu plano de corrida: optar sempre pelo caminho mais curto, antecipar, alimentar-me e hidratar-me.”

- Uma dos reflexos dessa medalha tem a ver com a sua posição no ranking. Qual o significado de ser o nº 5 do Mundo, atualmente?

“Isso é também uma surpresa. Mas é sobretudo demonstrativo da minha regularidade ao longo da temporada e vem provar que a minha medalha de prata não aconteceu por acaso. Quando entrei nas primeiras competições internacionais, via os atletas do Red Group de tal maneira fortes que estava longe de imaginar que um dia viria a integrá-lo. Isso vai permitir-me, sobretudo, estar em contacto este ano com os melhores do Mundo e beneficiar dessa motivação suplementar.


Treino-tipo

Baptiste Fuchs não tem treinador pessoal e é ele mesmo quem traça os seus próprios planos de treino. Mas não deixa de admitir que ter alguém que o questionasse, o aconselhasse e, sobretudo, que o obrigasse a treinar quando a vontade escasseia, pudesse ser importante. Confessa-se um apaixonado por tudo o que concerne a preparação física, nutrição, recuperação, preparação mental. Os seus estudos na Universidade de Desporto de Lyon permitiram-lhe adquirir um determinado número de conhecimentos que procura agora aprofundar e complementar com o tempo e a experiência. “É apaixonante percebermos como funciona o nosso corpo e medir nele os efeitos do treino”, refere, ao mesmo tempo que elege o Power Meter como “essencial” no seu processo de preparação física.

O esquema de treino de Baptiste leva em conta o treino de outra grande atleta francesa, Gaëlle Barlet, e reparte-se por ciclos de quatro semanas cada, com três semanas de preparação física progressiva e uma semana de recuperação. Em geral, uma semana-tipo não se afasta muito do seguinte esquema: Segunda feira – Recuperação, reforço muscular e análise de provas. Terça feira de manhã – Treino individual; terça feira à noite – Treino com Gaëlle. Quarta feira de manhã – Reforço muscular; quarta feira à tarde – Treino com Gaëlle. Quinta feira de manhã – Treino individual; quinta feira à noite – Treino com Gaëlle. Sexta feira – Recuperação, reforço muscular e simulação de prova. Sábado e Domingo – Competição.


O maior inimigo do atleta é ele próprio, a sua mente”

No processo de treino, a parte mental desempenha um papel fundamental e Baptiste consegue identificar perfeitamente os seus vectores mais importantes: “Nem sempre é fácil ter a necessária motivação para seguir à risca o plano de treino, sobretudo quando chove, neva ou as condições são difíceis. É nessa altura que vemos o quão importante é a parte mental”, diz. Todavia, o seu passado no Ciclismo ensinou-o a “gostar de sofrer” em cima duma bicicleta e isso revela-se nestas alturas particularmente útil. Dirigir as atenções sobre momentos agradáveis, provas bem conseguidas, imagens da competição, são estratégias que ajudam o contornar os momentos difíceis, às quais acrescenta o facto de saber que os seus adversários se treinam igualmente no duro. Resultado: “A motivação aparece num instante”, vinca.

Mas não é apenas por questões motivacionais que Baptiste faz incidir uma atenção muito especial sobre a preparação mental do desportista. Na sua opinião, ela condiciona extraordinariamente a performance durante a competição: “Todos nós temos, dum modo geral, o mesmo nível físico e técnico à partida para um Campeonato do Mundo. Aquilo que marca a diferença tem a ver com a capacidade de permanecer concentrado durante toda a competição, não se deixar perturbar por um erro cometido, um adversário com quem se cruza, uma falha mecânica. O maior inimigo do atleta é ele próprio, a sua mente”, diz. É aqui que Baptiste encontra as causas da sua progressão, sobretudo na temporada passada: “A confiança adquirida permitiu-me avançar sempre com a certeza da melhor opção e não voltar a perder 15 segundos a analisar o mapa sempre que percebia que aquele não seria o caminho a tomar”, conclui.


Nem só de Orientação em BTT vive o homem

A actividade física e a prática desportiva levam Baptiste Fuchs a não limitar à Orientação em BTT as suas atenções. Esqui de fundo e Orientação em Esqui são duas disciplinas que fazem parte das preferências do atleta no Inverno, fazendo questão de salientar que “a técnica de orientação, tanto no Esqui como na BTT, é a mesma e o exemplo está no Hans Jorgen Kvale, um atleta brilhante em ambas as disciplinas.” Provas pedestres, passeios em esqui e alguns raids – “para desenvolver a endurance e a resistência mental” -, no Inverno e bicicleta na Primavera são actividades complementares, tais como o parapente e a escalada, estas duas condicionadas pelo tempo que não é elástico e não dá para tudo. Sobretudo, ressalta o facto de Baptiste Fuchs não suportar estar fechado: “Gosto de qualquer desporto, a partir do momento em que saia de casa e mergulhe na natureza, de preferência sem ter de pegar no carro”, remata.

- O que pensa da BTT “pura e dura”? Considera-a essencial como parte do treino do orientista em BTT com ambições?

“Eu não faço BTT. Treino-me exclusivamente em bicicleta de estrada e penso que está aqui a prova de que se pode ser bem sucedido na Orientação em BTT sem praticar BTT!!! Tenho consciência dos meus pontos fracos em termos de domínio da máquina: não tenho a mesma agilidade do Kristof Bogar nas descidas, por exemplo. Mas não creio que isso seja determinante na Orientação em BTT. São tantos os aspectos que devo trabalhar para conseguir ganhar alguns segundos que não tenho qualquer problema em colocar de parte este assunto.”


BTT e Orientação em BTT: Duas realidades bem distintas

Para além da necessidade de prosseguir os estudos, na decisão de Baptiste em deixar o Ciclismo pesou o mau ambiente reinante, por vezes, entre os corredores. “Talvez uma certa mentalidade seja consequência do dinheiro e dos prémios em jogo nas provas”, alvitra. Isto leva-o a reflectir sobre o ambiente no seio da Orientação em BTT: “É fantástico que se mantenha preservado um bom ambiente na nossa modalidade. Ganhar uma caneca e um frontal quando se é o 2º classificado do Campeonato do Mundo pode parecer inacreditável para qualquer ciclista habituado a receber os prémios em dinheiro, mas eu penso que é precisamente aqui que reside um dos encantos da Orientação em BTT. Não se pode viver dela, gasta-se imenso dinheiro em deslocações para os quatro cantos do mundo onde as provas têm lugar, mas quem está disposto a fazer sacrifícios financeiros desta envergadura, fá-lo forçosamento por prazer, por paixão.” E conclui: “Enquanto as coisas continuarem assim e o doping e outros derivados se mantiverem afastados do nosso desporto, tanto melhor.”

O tema de conversa continua a ser a BTT e não podemos deixar de abordar o fenómeno de massas que ela constitui, enquanto a Orientação em BTT continua a atrair um número de praticantes deveras reduzido. Baptiste encontra a explicação no facto de a BTT ser “uma disciplina largamente mediatizada, que soube adaptar-se de forma a tornar as provas mais dinâmicas, mais sensacionais. Os circuitos são mais curtos, o que permite a transmissão televisiva em direto das provas.” E acrescenta: “Os jovens podem facilmente identificar-se com os seus campeões, inscrevendo-se nos clubes e procurando imitá-los.” Em contrapartida, “a Orientação em BTT não é facilmente retransmitida, visto nunca sabermos as opções de cada concorrente. Temos de admitir que colocar uma câmera junto a um ponto de controlo para ver um plano fixo durante dois minutos não é propriamente apaixonante. Penso que é este o grande travão ao desenvolvimento da sua prática”, conclui.


O risco faz parte do jogo

Quando vemos um atleta a progredir por um single track, filmado pela sua própria GoPro, sente-se uma espécia de vertigem, tal a velocidade a que as coisas se desenrolam. Velocidade é sinónimo de risco e o risco faz parte do jogo, todos o sabemos, mas que risco é necessário correr para se ser Campeão do Mundo? Baptiste elege a anterior Atleta do Mês da Federação Internacional de Orientação, Hanka Doležalová, “vítima dum acidente dramático em Portugal”, como exemplo do risco sempre presente. Para ele, “conduzir uma BTT não é tarefa fácil, mas conduzir e ler um mapa ao mesmo tempo torna tudo ainda mais difícil. Perguntem a Julien Absalon se é capaz de ler um jornal e resumi-lo no final durante um Campeonato do Mundo. Não tenho a certeza que ele chegue inteiro ao fim e ganhe a prova!”

A sua experiência leva, naturalmente, o fator risco em conta: “Quando parto para uma prova, é sempre com alguma apreensão que o faço. A partir do momento em que olho o mapa, porém, acabo por esquecer alguns preceitos de segurança e por correr riscos escusados. Uma das coisas que procuro fazer é memorizar o máximo de informação possível para não ser obrigado a olhar para o mapa durante as descidas, por exemplo. Mas infelizmente isto nem sempre basta”, conclui.


França, uma equipa forte

O trabalho de endurance no Inverno repartiu-se entre o Esqui de Fundo, a corrida e a bicicleta. O atleta procurou participar no máximo de provas de Orientação Pedestre possível, sobretudo provas de Sprint urbano, aquelas que mais se assemelham à Orientação em BTT no que à tomada de opções e rapidez de decisão diz respeito. Com a chegada da Primavera, arrumam-se os esquis e Baptiste concentra-se exclusivamente na bicicleta.

Os últimos tempos reparte-os entre Espanha e Portugal, juntamente com todos os seus colegas de seleção. É dessa equipa francesa que fala: “É uma equipa forte, recheada de jovens que estão a progredir muito depressa e que fazem frente aos mais antigos. Teremos este ano, seguramente, uma equipa de Estafetas muito homogénea.” Percebe-se, contudo, que o que torna esta equipa tão particular é a sua capacidade de entreajuda. Baptiste confirma: “O ambiente é excelente e não hesitamos em organizarmo-nos e avançarmos para estágio em grupo, independentemente dos encontros organizados pela nossa Federação. Temos também esse hábito de nos reunirmos fora das competições. A criação da equipa Elite MTBO é um sonho tornado realidade e só espero que esta dinâmica positiva seja para durar”, observa.


Tenho pressa de fazer a minha primeira prova WRE”

- Como avalia a sua forma física atual?

“Sinto-me bastante bem. Tenho a felicidade de nunca adoecer e de muito raramente me magoar, pelo que consegui seguir à risca o meu plano de treino até ao momento. Estou com alguns quilos a menos em relação à época passada, por esta altura e atrevo-me a acreditar que a minha preparação está também mais adiantada comparativamente à última temporada. Tenho pressa de fazer a minha primeira prova WRE para poder comparar-me à concorrência internacional.”

- A julgar pelos resultados, parece-me que será nas provas de Distância Longa que se sente mais confortável. É verdade?

“Sim, é um facto que, no plano dos resultados, sou melhor nas provas de Distância Longa. Penso que quando começamos na Orientação é importante simplificarmos as coisas ao máximo e as provas de Distância Longa são aquelas onde mais facilmente podemos exprimir o nosso potencial físico, em detrimento da parte técnica. Mas à medida que vou progredindo, retiro cada vez maior prazer duma prova de Sprint urbano que duma prova de Distância Longa, por exemplo, pelo seu lado lúdico. Importa dizer que as opções de itinerário não tiveram uma importância decisiva nos últimos anos em relação às provas de Distãncia Longa. Na Polónia, o número de pontos de controlo e o fraco desnível faziam com que as opções nas pernadas longas não tivessem um caráter decisivo. Neste contexto, é mais fácil para um “não-orientista” ser bem sucedido. Mas as coisas irão ser diferentes em Portugal. Olho para exemplos de mapas de Distância Longa e, tranquilamente sentado no meu escritório com o mapa à minha frente, não consigo desenhar uma opção para o primeiro ponto que seja claramente a melhor. Por outro lado, penso que Portugal é um país que se adapta bem às minhas características. Quando fazia Ciclismo, era sobretudo um bom trepador. Gosto quando estamos perante subidas a sério, quando há bastante desnível. Vivo nos Alpes e os colos à minha volta são o meu terreno de treino.”


Triângulo de emoções

Num ano em que Portugal forma, com a Hungria e a República Checa, um triângulo de competições de alto nível que dominam a temporada 2015, tempo agora para abordar os grandes objetivos. Já se percebeu que Baptiste nutre alguma preferência por Portugal e que haja uma aposta forte nos Campeonatos da Europa que aí terão lugar no mês de Junho. Para o atleta, “estão reunidas todas as condições para que eu possa apreciar estes Campeonatos da Europa, mas tenhi igualmente boas recordações da Hungra, onde disputei o meu primeiro campeonato do Mundo, em 2012. Fiz o primeiro percurso da prova de Estafeta e garanti a liderança, sendo o primeiro a entregar o testemunho e depois fui o segundo classificado nas qualificatórias de Distância Longa, ante a surpresa geral”, recorda. Mas por muitas e boas expectativas que Baptiste possa ter relativamente às competições portuguesa e húngara, é na República Checa que se centram as suas maiores atenções: “A República Checa é o país da Orientação em BTT. Estão habituados a organizar eventos de grande categoria (nomeadamente os 5 Dias de Plzeň) e não irei ficar desiludido com a forma como os Campeonatos do Mundo se desenrolarão”, assegura.

“Divertir-me, sobretudo, já que os resultados serão a consequência lógica de provas bem conseguidas”, a tanto se resumem os objetivos de Baptiste Fuchs para a temporada em curso. O mais difícil, reserva-se para si próprio: “Confirmar que o meu pódio nos últimos Campeonatos do Mundo não foi fruto do acaso!” Para que tal aconteça, Baptiste sabe que não pode descurar a forte concorrência, admitindo que “os 20 primeiros classificados do ranking mundial são todos eles capazes de subir ao pódio dos Campeonatos”. Uma vez mais, “o meu principal adversário serei eu próprio”. Mas se Baptiste apresentar o mesmo estado de espírito de 2014, então ele sabe – todos sabemos! - que uma medalha é bem possível. E ficamos com a expressão do seu maior desejo: “Realizar a prova perfeita! Mas será que isso existe?”


Perguntas & Respostas

Hanka Doležalová, Atleta do Mês de Abril, colocou as seguintes questões a Baptiste Fuchs: “Está a pensar em participar nos 5 Dias de Plzeň em 2015? O que é que aprecia mais neste evento?” O atleta responde: “Com efeito, tenho prevista a minha participação nos 5 dias de Plzeň como forma de preparação para os Campeonatos do Mundo que irão decorrer na República Checa, em Agosto. A primeira vez que participei nesta competição foi em 2013 e achei o ambiente excelente. Os atletas são todos alojados no mesmo sítio e tomam as refeições em conjunto, as crianças a partir dos 4 anos participam em pequenas bicicletas sem pedais, no meio dos outros concorrentes. Percebe-se que a Orientação em BTT é bastante mais popular na República Checa que em França. Gostei igualmente das “originalidades” propostas pelos organizadores, nomeadamente a classificação do melhor tempo no corredor de chegada, o chasing start do último dia, a Estafeta de triatlo ou o formato de ordem semi livre, que me colocou enormes problemas.”

Finalmente, as questões de Baptiste Fuchs a Emily Kemp, a atleta do Mês de Junho: “Sei que viveu em França e que, de momento, habita na Finlândia. O sonho dos orientistas franceses é precisamente poderem rumar à Finlândia ou à Suécia para continuarem a progredir. Há diferenças na forma como os atletas franceses e os atletas finlandeses se treinam? As condições de treino para desportistas de alto nível são as mesmas nos dois países? Quais são os pontos positivos (ou negativos) da Finlândia em relação à França em termos de progressão na Orientação?


[Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação. O artigo pode ser lido no original em http://orienteering.org/sundays-mixed-relay-winner-iof-athlete-of-may/]

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