quinta-feira, 9 de abril de 2015

Svetlana Mironova: "O WOC vai ser empolgante!"



Svetlana Mironova foi, indiscutivelmente, uma das grandes revelações da temporada passada, ao conquistar, contra todas as previsões, o título de Distância Longa dos Mundiais de Itália. Agora que “uma nova temporada está a começar e é tempo de esquecer o passado e regressar de novo ao trabalho”, como ela própria faz questão de frisar, o Orientovar foi ao seu encontro e procurou perceber as aspirações da campeã para 2015.


Fez história no último Campeonato do Mundo ao conquistar a primeira medalha de ouro da Rússia numa competição individual feminina deste nível. Que memórias guarda desse momento?

Svetlana Mironova (S. M.) - Trabalhei muito no último ano e fiquei muito contente pela minha família, pelo meu treinador e pela minha escola desportiva, pela minha cidade e pelo meu país, por termos alcançado, em conjunto, tão grande sucesso. Na verdade, não posso dizer que senti uma satisfação particular nesse dia, tal como não a sinto hoje. Posso dizer apenas que me sinto satisfeita com o meu trabalho e com a qualidade da minha orientação nos Campeonatos do Mundo. Mas uma nova temporada está a começar e é tempo de esquecer o passado e regressar de novo ao trabalho.

Que importância teve este título na sua carreira?

S. M. - Sobretudo, trouxe-me a necessária confiança em mim própria. É fantástico perceber que posso ser uma das melhores orientistas do Mundo. No Outono fui eleita Atleta do Mês da Federação Internacional de Orientação e conquistei o título de “Atleta do Ano 2014” na minha terra natal, Nizhni Novgorod. Estes são, naturalmente, motivos de satisfação e que me dão uma enorme motivação para continuar a treinar e a melhorar. Em particular o título de Atleta do Ano trouxe a oportunidade adicional de poder ver a Orientação crescer na minha região e o meu sucesso fez com que a modalidade se tornasse mais conhecida e popular não só aqui como em toda a Rússia. Estou muito contente por isso.

Qual o “peso” da sua medalha?

S. M. - Ainda não pensei muito nisso, mas sinto agora uma maior atenção sobre a minha pessoa, algo ao qual não estava habituada. Imediatamente após os Campeonatos do Mundo os meus amigos fartavam-se de rir com a minha reacção e surpresa sempre que alguém me congratulava. Na verdade, não percebia ainda muito bem donde é que me conheciam (risos). Mas gosto muito de contactar com as pessoas, de comunicar... Sobretudo, faço aquilo que gosto, faço Orientação!

Começou a sua temporada na Austrália, no início de Janeiro. Como é que foi começar a época tão cedo e do outro lado do planeta? Que avaliação faz desta experiência?

S. M. - A Austrália foi fantástico! Senti-me tão feliz apenas pela visita, por ver os cangurus e outros animais, as aves e o resto, que isso valeu tanto como a Taça do Mundo em si. Mas nunca tinha corrido uma competição tão importante em Janeiro. Fui muito duro, já que a temporada passada tinha terminado bastante tarde, em Novembro, com os Campeonatos da Rússia. A minha treinadora e eu decidimos fazer as coisas com a devida cautela e não valorizar em demasia os resultados. É evidente que a forma física não era a melhor, mas valeu pela experiência adquirida em terrenos desafiantes e percursos exigentes tecnicamente. Também não foi fácil mudar 8 horas em termos de fuso horário e sentir que não é hora de dormir à noite e, pela manhã, não conseguir levantar-me… mas foi apenas uma questão de tempo até conseguir adaptar-me.

Como é que se sente actualmente em termos de forma? O que é que está já bastante bem e onde é necessário trabalhar para melhorar?

S. M. - Bom, o melhor é fazer essa pergunta à minha treinadora (risos). Confio nela plenamente, mas acho que é ainda muito cedo para fazer uma avaliação dessas.

Quais os passos mais importantes na sua caminhada para os Mundiais da Escócia?

S. M. - Devo correr as provas de selecção se não quiser limitar a minha participação no WOC a uma única prova. Planeio participar também nas etapas da Taça do Mundo agendadas para junho. E, claro, a Tiomila e a Jukola são igualmente duas provas importantes, não apenas em termos pessoais mas também para o meu clube.

Qual a chave que poderá abrir-lhe as portas do sucesso, novamente, desta vez na Escócia?

S. M. - Não sei. Nunca corri na Escócia e não sei que tipo de terreno irei encontrar. Espero fazer aí um Campo de Treino e tentar encontrar a chave nessa altura (risos). Mas creio que o WOC irá ser empolgante!

No início de mais uma temporada, pedia-lhe um voto para todos os orientistas do mundo inteiro.

S. M. - Desejo que todos os orientistas apreciem a beleza e inteligência do nosso desporto e possam praticá-lo da melhor forma.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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