sexta-feira, 17 de abril de 2015

John Kewley: "O meu objetivo é vir a ser selecionado"



Na véspera da realização dos British TrailO Championships 2015, John Kewley é hoje o convidado de honra do Orientovar. Com ele abordamos a recente vitória nos Nacionais 2014 do seu país, vivemos o momento actual e projetamos o futuro.


Quer partilhar conosco o segredo do seu sucesso nos recentes Campeonatos Nacionais da Grã-Bretanha 2014?

John Kewley (J. K.) – Com a experiência que tenho em orientar-me na montanha, estou habituado a ler as curvas de nível e a maioria dos pontos nestes Campeonatos tinha a ver precisamente com isso. Também fui, muito recentemente, o Supervisor da etapa de PreO do “JK”, numa região de dunas, e isso deve ter ajudado, já que o Peter Owens, o Traçador da prova, ficou em segundo lugar. Isto demonstra, creio eu, que o trabalho de planificação duma prova de TrailO é uma excelente forma de treino.

Qual a importância desta vitória dum ponto de vista pessoal?

J. K. – Foi a minha primeira vitória de forma clara. Anteriormente tinha vencido o Ian Ditchfield, mas numa prova de tal maneira cerrada que, após 20 pontos de controlo e 4 pontos cronometrados, terminámos com uma diferença de meio segundo um do outro. Pessoalmente, a grande importância desta vitória prende-se com a etapa de PreO, visto ser aquela que gera as pontuações de ranking a partir das quais é feita a selecção para os Mundiais. Uma vez que, nos dois próximos eventos, eu serei o Supervisor num deles, era muito importante conseguir aqui um bom resultado. Neste momento lidero o ranking, mas preciso de ter uma boa prestação nos Nacionais de 2015 de forma a garantir um dos dois primeiros lugares do ranking e, com isso, ser seleccionado. É claro que ter tido uma boa prestação na etapa de TempO é igualmente importante, visto ser esse o fator de desempate no caso de eu não conseguir um dos dois primeiros lugares do ranking. Também aqui eu fui o traçador dos dois eventos anteriores na Grã-Bretanha - os únicos realizados até então (!) - e penso que isso me deu igualmente alguma vantagem sobre os restantes competidores.

Como é que está a decorrer a sua preparação neste início de temporada?

J. K. – Esta foi a minha primeira competição de TrailO depois dos Campeonatos do Mundo WTOC 2014, em Itália. Entretanto, neste intervalo de tempo, as lesões impediram-me de fazer qualquer outro tipo de Orientação ou competir noutros desportos, pelo que a única preparação que eu fiz foi a planificação da etapa de TempO incluída no Race the Castles, no ano passado, bem como a planificação e supervisão do JK 2015. Resumindo, não tenho feito uma grande preparação mas terei ainda tempo para isso antes dos Campeonatos do Mundo, no caso de vir a ser seleccionado. Entretanto, conto participar nos Nordic Championships e nos Campeonatos da Irlanda, bem como nos 2015 British Championships.

Falou no Race the Castles. Quer dizer algo sobre a experiência em Edimburgo?

J. K. – Correu muito bem. Inicialmente pensei que o Parque seria muito pequeno e que tudo era demasiado aberto, mas trabalhei com aquilo que tinha e consegui desenhar pontos em que, à partida, os elementos não estavam visíveis. Penso que consegui um bom traçado e tive os voluntários necessários – sem voluntários em número suficiente, o TempO simplesmente não funciona.

E tecnicamente?

J. K. – Talvez pudesse ter dificultado as coisas, mas sem um Supervisor isso teria sido um risco muito grande, sobretudo na área mais técnica, podendo vir a resultar numa lotaria. Assim, optei por pontos mais próximos do observador e que me pareceram óbvios, embora acabasse por ter pontos mais simples.

As coisas correram de acordo com o esperado?

J. K. – Sim, sim. Foi excelente ter um bom leque de atletas de Elite da Orientação Pedestre a fazerem a sua primeira prova de TempO, mesmo que tivesse passado metade do tempo a explicar aos irmãos Hubmann que a sinalética está orientada no sentido da sua leitura direta, ainda que a orientação dos mapas esteja de acordo com a visualização para o terreno.

Voltando de novo a 2015 e aos Campeonatos do Mundo, na Croácia. Quais os seus grandes objectivos?

J. K. – O meu objectivo é vir a ser seleccionado, um desiderato cada vez mais difícil de alcançar na Grã-Bretanha. Definitivamente, a popularidade da Orientação de Precisão está a aumentar entre nós.

Que tipo de competição vamos ter? Podemos esperar surpresas no tocante aos vencedores?

J. K. – Felizmente não teremos pontos cronometrados a meio dos percursos convencionais e as inerentes neutralizações do tempo de prova. Este é um fator acrescido de ansiedade para os competidores e torna mais complicada a gestão do tempo. Quanto a surpresas, veremos… Eu achei a prova do 2º dia do WTOC 2014 muito difícil, mas a prestação do Guntars Mankus foi excelente e ele mereceu claramente a medalha de ouro.

TempO, o novo formato de Estafeta… Para onde caminha a Orientação de Precisão?

J. K. – Pessoalmente, considero o TempO uma disciplina fantástica e com um bom potencial em termos de “ponto de espectadores” nas competições mais importantes. A forma como anula os benefícios que as pessoas sem limitações físicas têm de resolver alguns problemas é outra das suas enormes vantagens. Mas é também uma boa maneira de chamar atletas da Pedestre para a Orientação de Precisão. No meu clube, fiz algumas sessões de treino socorrendo-me do TempO e é excelente como forma de chamar a atenção para a importância da sinalética. As grandes desvantagens prendem-se com o facto de os mapas não terem, necessariamente, de ser lidos correctamente de vários ângulos como no PreO, de levar imenso tempo a produzir cada mapa (um agradecimento especial, nesta matéria, ao meu colega Peter Owens) e de serem necessários muitos voluntários se quisermos fazer as coisas de forma adequada.

A Competição por Equipas (com as regras atuais) tem a desvantagem de estar resumida ao segundo dia de competição, pelo que uma má prestação acaba por influenciar negativamente quer o resultado individual, quer da equipa. Uma performance fraca pode levar a que duas medalhas se percam. Para mim, é evidente que estas duas competições deveriam ser disputadas em separado. Gosto da proposta da Estafeta, com o formato de TempO incluído, embora suspeite que será precisamente no TempO que as coisas se irão decidir e aí muitas selecções (incluindo a Grã-Bretanha) terão um grande caminho pela frente até estarem capazes de chegar às medalhas.

A grande festa da Orientação Mundial, o WOC 2015, no seu país, surge de novo “desligado” da Orientação de Precisão. Acha bem este modelo das duas competições em separado ou seria preferível integrá-las? Porquê?

J. K. – A organização dos Campeonatos do Mundo WOC 2015 percebeu que disputar em simultâneo o WOC, o WTOC e a competição de espectadores (Scottish 6 Days) requereria um número enorme de voluntários e, assim, o WTOC teve de saltar fora. É claro que me sinto muito desapontado porque competir “em casa”, em frente dos adeptos, é o sonho de cada atleta.

Quer comentar o convite para ser o Supervisor-Assistente dos Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão ETOC 2016, que terão lugar na República Checa?

J. K. – Sinto-me muito honrado com o convite e estou ansioso por dar início aos trabalhos com o Lars-Jakob Waaler e com o grupo de trabalho checo, apesar de não saber ainda qual irá ser o meu grau de envolvimento e como se irá processar a distribuição de tarefas – mas mesmo que soubesse, provavelmente não o diria (risos).


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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