segunda-feira, 2 de março de 2015

Tove Alexandersson, Atleta do Mês da IOF: A melhor no Verão, a melhor no Inverno



Tove Alexandersson tinha apenas um ano de idade quando fez a sua estreia nas Orientação. Desde esse “miniknat” às três vitórias na ronda inaugural da Taça do Mundo de Orientação Pedestre, no início deste ano, ou às duas medalhas de ouro – Sprint e Estafeta – dos recentes Mundiais de Orientação em Esqui, há duas semanas atrás, é toda uma caminhada de sucesso a percorrida pela atleta sueca e que a coloca, atualmente, na liderança dos rankings mundiais de ambas as disciplinas.


Nome: Tove Alexandersson
País: Suécia
Data de nascimento: 07 de Setembro de 1992
Disciplinas: Orientação Pedestre e Orientação em Esqui
Momentos altos na carreira: Campeonato do Mundo de Orientação Pedestre: Seis medalhas de prata (2014, Sprint e Distância Longa; 2013, Distância Média e Distância Longa; 2012, Distância Média e Estafeta), três medalhas de bronze (2014, Distância Média e Estafeta; 2011, Estafeta). Campeonato da Europa de Orientação Pedestre: Duas medalhas de bronze (2014, Distância Média; 2012, Estafeta). Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre: Cinco medalhas de ouro (2012, Sprint e Distância Média; 2011, Estafeta; 2010, Distância Média; 2009, Distância Média). Taça do Mundo de Orientação Pedestre: Uma vitória e um segundo lugar na Geral Final (onze vitórias em etapas individuais).
Campeonato do Mundo de Orientação em Esqui: Cinco medalhas de ouro ( 2015, Sprint e Estafeta; 2013, Sprint e Estafeta Mista de Sprint; 2011, Sprint), uma medalha de prata (2013, Estafeta), uma medalha de bronze (2013, Distância Longa). Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação em Esqui: Oito medalhas de ouro (2012, Sprint, Distância Média, Distância Longa e Estafeta; 2011, Sprint e Distância Média; 2010, Estafeta; 2009, Estafeta). Taça do Mundo de Orientação em Esqui: Dois segundos lugares na Geral Final (treze vitórias em etapas individuais).
Posição atual no Ranking Mundial de Orientação Pedestre: 1º
Posição atual no Ranking Mundial de Orientação em Esqui: 1º


“Para mim, a Orientação Pedestre é a disciplina mais importante, mas até hoje tenho sentido que a Orientação em Esqui também me ajuda a ser melhor orientista. Durante a temporada, não me foco em particular na Orientação em Esqui, mas sim na orientação e faço aquilo que julgo ser melhor para mim.” Foi desta forma que, há um ano atrás, Tove Alexandersson respondeu a uma questão colocada pelo Orientovar, acerca da “dualidade” de ser-se orientista pedestre e orientista em esqui. Nessa altura, Tove estava muito próximo da liderança dos Rankings Mundiais em ambas as disciplinas. Hoje ela está mesmo lá em cima, mas o discurso mantém-se. Apenas uma pequena atualização, por assim dizer: “Nas últimas semanas tenho estado focada exclusivamente na Orientação em Esqui, mas vou provavelmente 'mudar de canal' muito em breve”, diz.

Foram estas as primeiras palavras duma conversa que nos irá permitir revisitar alguns dos momentos mais importantes da carreira de Tove. Mas é importante deixar, desde já, um 'aviso à navegação': Esta rapariga que poupa toda a energia que tem, aplicando-a apenas naquilo que é essencial (e para ela o essencial é, naturalmente, a competição), é a mesma que está aqui a responder às minhas questões. Portanto, não se esperem grandes revelações ou conselhos extraordinários. Apenas ideias soltas, pequenas peças deste complexo puzzle que está prestes a abrir-se aos seus olhos. Apenas... o essencial!


Adoro a Orientação”

Vir a liderar o ranking mundial, tanto na Pedestre como no Esqui, foi algo com o qual Tove nunca sonhou. “Na verdade, nunca me preocupei muito com essa questão dos Rankings. É algo ao qual raramente dou atenção e, por esse motivo, nem me apercebi que liderava os dois rankings até que alguém me chamou a atenção para isso.” De qualquer forma, ser o nº 1 do Mundo é algo que a atleta desvaloriza: “Vejo isso mais como um número, as competições são muito mais importantes”, acrescenta.

Apesar da sua curta carreira, o número de vezes que Tove subiu ao pódio em competições maiores dos calendários internacionais é impressionante e hoje ela não tem dúvidas: “Adoro a Orientação e tenho a certeza que continuarei a praticá-la mesmo depois de terminada a minha carreira como atleta de Elite.” Se não a víssemos na Orientação, haveríamos de vê-la, de qualquer forma, ligada a um desporto de natureza: “Corta-Mato em Esqui ou Corridas de Montanha”, confessa. E aí seria também, certamente, a melhor do Mundo!


Os últimos sete dias

Tove não consegue definir, para si própria, uma semana-tipo de treino: “Por vezes estou por casa toda a semana, mas geralmente estou fora, em Campos de Treino ou em competições. Na última semana, o meu treino foi o seguinte: Sexta-feira: Descanso; Sábado: Campeonato do Mundo de Orientação em Esqui – Distância Média; Domingo: Campeonato do Mundo de Orientação em Esqui – Estafeta; Segunda-feira: Uma hora de corrida contínua; Terça-feira: 10 km/0:30 min de Corrida em Esqui + 0:45 min de Aquecimento/regresso à calma; Quarta-feira (manhã): Duas horas de corrida contínua, metade do tempo em floresta, na neve; Quarta-Feira (tarde): Duas horas de Esqui; Quinta-feira (manhã): Intervalos em passadeira 6-5-4-3-2-2 minutos, com um minuto de repouso entre cada intervalo; Quinta-feira (tarde): Duas horas de corrida na floresta.” E ainda uma curiosidade: “Eu não tenho um treinador para a parte técnica ou física, os planos de treino sou eu que os desenho”, conclui.

Tendo corrido já em variadíssimos terrenos - “muitos deles bastante maus, mas nada que não se fizesse”, diz -, o terreno favorito de Tove chama-se Norrlandskusten, “uma floresta muito bonita, com bastante desnível e muito detalhada”. O seu diário de treino mostra que, no ano passado, ela correu 1999 km e esquiou 1633 km - “nem sempre levo comigo o gps, portanto, podem ter sido mais”, acrescenta -, mas a forma física permanece em níveis próximos da excelência e o grande desafio poderia residir na forma como a atleta lida com a pressão nas grandes competições. Mas esse parece não ser um problema: “Sei que a competição é comigo mesma e com mais ninguém”, diz.


Australia

Terminou a época passada na liderança do ranking mundial e pudemos vê-la confirmar essa liderança na Austrália, durante a primeira ronda da Taça do Mundo de Orientação Pedestre 2015. Fazia parte dos seus planos estar tão forte nesta altura da temporada e ganhar de forma tão tranquila?

“Os meus objetivos passam, naturalmente, por conseguir boas prestações. Tive um período de treino realmente excecional nos meses anteriores à competição, embora atualmente não corra muito, esteja mais focada no esqui.”

Quais os melhores (e os piores) momentos que guarda desses dias na Australia?

“Tenho apenas uma má recordação dos dias passados na Austrália e que foi quando a Karolin fez uma entorse no tornozelo. À parte a competição, os melhores momentos guardo-os das corridas em Cradle Mountain nos dias seguintes. Gosto de viajar, de conhecer novos sítios e penso, por isso, que as grandes competições possam ter lugar, igualmente, do outro lado do mundo. Mas preferiria que não fossem nesta altura do ano.”


Correr e esquiar e verão e inverno

Após a Taça do Mundo na Austrália, Tove apanhou o avião em Sidney e fez praticamente uma direta à Suiça e aos Europeus de Orientação em Esqui. Foi um “choque”, esta mudança brusca? Tove assevera que não e explica porquê: “Estou bastante acostumada a alternar a Orientação Pedestre e a Orientação em Esqui, o Verão e o Inverno. Antes de chegar à Suiça, ainda tie alguns dias em casa com uma boa dose de treino na neve e, portanto, a transição foi bastante normal.” Esta espécie de alternância entre “modo pedestre” e “modo esqui” é vista como natural: “Bastou concentrar-me exclusivamente na Orientação em Esqui e isso bastou-me para fazer os necessários ajustes ao modo correto”, acrescenta.

Vendo os Campeonatos da Europa de Orientação em Esqui como “uma boa preparação para os Campeonatos do Mundo”, foi na Noruega que Tove concentrou todas as suas atenções, para onde apontou todos os grandes objetivos da temporada de Esqui. E partilha as suas ideias acerca das prestações e conquistas: “Sim, foram competições muito boas. Talvez demasiados altos e baixos nas minhas classificações para poder sentir-me totalmente satisfeita, mas foi muito bom.” Quanto aos grandes momentos dos Campeonatos, Tove elege “a prova de Sprint, sem dúvida. Foi uma prova excelente, em estava na melhor forma e tive uma das melhores prestações de sempre na minha carreira. A pior parte, foi a morte duma pessoa muito próxima durante a semana dos Campeonatos e isso foi muito difícil.”


WOC é o grande objetivo

Mudando de novo para a Orientação Pedestre, a conversa está agora cetrada nos Campeonatos do Mundo. Entretanto, Tove explica como é que está estruturado o seu plano de treinos até aos Mundiais: “A próxima competição verdadeiramente importante é a Taça do Mundo na Noruega e na Suécia. Antes disso teremos também algumas provas do Campeonato da Suécia e a Tiomila. Não é muito frequente ter um programa de treino tão longo mas acaba por ser bom e estou muito focada nisso. O plano passa por treinar o mais intensamente que eu puder, continuar a fazer Esqui enquanto as condições se proporcionarem e treinar em terrenos relevantes a pensar na Escócia.”

Notando que, do ponto de vista pessoal, o momento mais importante da última temporada foi, “claro, a vitória na etapa final de Sprint da Taça do Mundo e a consequente conquista da Taça do Mundo”, Tove aponta os grandes objetivos para o WOC: “Estou a preparar-me para todas as disciplinas e vou dar o meu melhor.”


O mais importante é estar motivado”

Quando questionada acerca da conquista do prémio “The Orienteering Achievement of 2014” pelo seu compatriota, Runa Haraldsson, um jovem com 96 anos de idade, Tove confessa: “Foi espetacular que o Rune tenha ganho o prémio, a vida dele é realmente impressionante.” E não tem dúvidas: “Também quero estar capaz de fazer Orientação quando tiver 96 anos.”

As últimas palavras tomam a forma de um conselho especialmente dirigido aos mais novos, à queles que sonham, um dia, poderem vir a ser como Tove Alexandersson: “O mais importante é estar motivado, aceitar os desafios e fazer incidir o treino naquilo que há para melhorar.”


Perguntas e respostas

A questão colocada por Michael Johansson, o Atleta do Mês de Fevereiro, foi a seguinte: “Já alguma vez experimentou a Orientação em BTT ou a Orientação de Precisão? Ou, pensa fazê-lo?”

E a resposta de Tove: "Sim, já participei nalgumas competições em ambas as disciplinas. Gosto muito de Orientação em BTT, gostaria de ter mais tempo para poder participar nalgumas competições mais.”

Finalmente, a questão de Tove Alexandersson a Hana Dolezalova, Atleta do Mês de Abril: “Qual é o seu sítio preferido na República Checa e porquê?”



Mundanidades
  • Dormiria até que horas, se pudesse? R: Não gosto de dormir de manhã e normalmente não necessito dum despertador para acordar. Levanto-me normalmente entre as 6:30 e as 7:30.
  • Qual é o seu carro de sonho? Prefere conduzir ou ser conduzida? R: Não tenho nenhum carro de sonho, mas sonho com ter um carro que tenha uma boa condução no Inverno. Prefiro ser conduzida mas, por vezes, também é bom conduzir.
  • Se tivesse uma banda de música, como é que se chamaria e que tipo de música tocariam? R: A única coisa que sei é que necessitaria de alguém que fosse mais musical do que eu.
  • Por favor, escolha a tripulação para o seu veleiro e a trace a rota dos seus sonhos. R: Gosto de viajar e de ver novas paragens, mas não num veleiro. Penso, portanto, que ficaria por terra e traria alguns amigos que gostam de aventura e de correr comigo.
  • Escolha um destes objetos e explique porquê: uma árvore, uma pedra, uma praia, um animal doméstico, um pôr do sol. R: Uma enorme pedra. Dessa forma poderia escalá-la.
  • Convida Barack Obama para jantar. O que cozinharia para ele? R: Não faço ideia, não tenho nenhuma especialidade. Faria aquilo que me viesse à ideia nesse dia.
  • Depois dum susto enorme a esquiar montanha abaixo, que bebida escolheria para relaxar? R: Chocolate quente.
  • Qual o seu filme preferido? Que papel desempenharia nele? R: Acho desinteressante ver filmes e por isso raramente o faço, sobretudo ver um filme inteiro.
  • É-lhe dada a hipótese única de ir a Marte mas, para isso, vai ter de deixar a Orientação durante 1000 dias. Embarca nessa viagem? R: Não, nem pensar. Eu não quero ir a Marte. É uma viagem longa e aborrecida e, afinal, o que é que eu faria lá?
  • O que é que não dispensava na ilha deserta? R: Alguns amigos.


[Texto: Joaquim Margarido; Foto: Swedish Orienteering Federation / orienteering.org. Traduzido do original em http://orienteering.org/best-in-summer-best-in-winter-iof-athlete-of-march-2015/. Publicação devidamente autorizada pela Federação Internacional de Orientação]

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