domingo, 15 de março de 2015

Santa Casa da Misericórdia do Porto aposta no Desporto Adaptado



Depois de se ter notabilizado na Orientação de Precisão, a partir do projeto desenvolvido no Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada, a Santa Casa da Misericórdia do Porto prepara-se para estender o Desporto Adaptado às restantes estruturas clínicas da Instituição. Mais modalidades, mais praticantes e um objetivo primeiro: Reabilitar e integrar pela via do desporto!


Com o título “SCMP quer formar paralímpicos pela reabilitação e integração”, o Porto24 e a Agência Lusa, publicaram um artigo onde se dá a conhecer o projeto de Desporto Adaptado da multi-secular Instituição da Cidade do Porto. Propondo-se a juntar à integração e à reabilitação a vertente competitiva, a Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) está apostada em formar atletas que se distingam em modalidades paralímpicas.

A futura equipa de Desporto Adaptado integrará utentes das três estruturas clínicas da Instituição - Hospital da Prelada, Centro Hospitalar Conde de Ferreira e Centro de Reabilitação do Norte - e também utentes do Centro Integrado de Apoio à Deficiência. Boccia, Orientação de Precisão, Vela Adaptada, iniciação ao Basquetebol e ao Andebol em cadeira de rodas, Voleibol sentado, Ténis de Mesa e Tiro com Arco são algumas das modalidades desportivas que fazem parte desta aposta da SCMP. “Ter deficiência não é uma fatalidade. O Desporto Adaptado pode ser o caminho para a integração plena e assumimos isso como o estado normal na Sociedade e não como uma exceção”, disse à agência Lusa o provedor da SCMP, António Tavares.


Não é só a reabilitação física que interessa”

“Está mais que provada a influência do desporto não só na recuperação, mas na integração na Sociedade”, aponta o Diretor Clínico do CRN, Rúben de Almeida. A essa convicção de que o desporto facilita a recuperação da autoestima, a melhoria física, a capacidade de resistência e o desenvolvimento muscular, o responsável somou a importância da integração social através da competição. “É importante que o doente se sinta capaz de integrar um grupo e também de competir com os seus pares”, diz.

A opinião é partilhada pelo responsável do Núcleo de Desporto Adaptado que já existe no Hospital da Prelada, Gonçalo Borges, segundo o qual “o lazer pode existir”, mas a reabilitação e a integração fomentam-se “ainda melhor” quando “as capacidades estão em competição”. De acordo com aquele responsável, “não é só a reabilitação física que interessa. É também a reabilitação psíquica, cognitiva e emocional. Com a competição estamos a permitir que uma pessoa que tem uma incapacidade se coloque em posição de igualdade com os restantes”, defendendo a importância de este projeto colher apoio junto de Federações Desportivas.


É hora de formalizar esta aposta”

A experiência da SCMP no desporto adaptado remonta a 2009, quando um enfermeiro, Joaquim Margarido, e um fisioterapeuta, Pedro Cunha, desafiaram os responsáveis do Hospital da Prelada a apostar em modalidades como a Orientação de Precisão e a Vela Adaptada. Entretanto, os atletas já passaram por mais de meia centena de competições nacionais e internacionais, com destaque para as quatro participações em Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo do paralímpico Ricardo Pinto, o que faz dele o atleta mais internacional na disciplina de Orientação de Precisão em Portugal.

Formado o grupo de trabalho, sob a direção do vice-provedor Canto Moniz e que integra vários profissionais de saúde e um professor de Desporto Adaptado, a expectativa é que no segundo semestre deste ano o projeto esteja a dar frutos. No CRN, localizado em Gaia, já existem cadeiras de rodas que permitem a prática de Basquetebol ou Ténis, entre outros desportos, bem como equipamento profissional para o Boccia, indica Rúben Almeida. Já o responsável da Prelada acrescenta a esperança de que, com a formalização deste projeto, tanto a Orientação de Precisão como a Vela Adaptada, que já alcançaram “alguma sustentabilidade”, possam “ganhar força” para integrarem candidaturas a apoios comunitários. “É hora de formalizar esta aposta. Participar em atividades federativas e paralímpicas está no nosso objetivo”, assegura António Tavares.

[Extraído do artigo publicado no Porto24 e que pode ser lido em http://www.porto24.pt/cidade/scmp-quer-formar-paralimpicos-pela-reabilitacao-e-integracao/]


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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