sábado, 14 de março de 2015

Rasa Ptašekaite: "O meu objetivo resume-se a conseguir treinar de forma contínua"



Castigada por lesões, Rasa Ptašekaite não tem tido a oportunidade de mostrar todo o seu potencial nos últimos tempos e nem o fará nos próximos. Daí que os objetivos mais ambiciosos apenas surjam traçados no médio e no longo prazo. Mas nem só de competição vive um orientista!


A sua ida para a Suécia tem a ver com a Orientação?

Rasa Ptašekaite (R. P.) - Podemos dizer que sim. Sempre quis ir viver para a Suécia e tentar melhorar a minha Orientação e quando surgiu uma oportunidade nem olhei para trás e vivo em Uppsala há cinco anos.

O OK Linné, creio bem, acabou por ser uma escolha natural. Que clube é o seu?

R. P. - É um clube com uma grande dimensão, com cerca de 150 membros e um grupo de Elite formado por 60 atletas. Temos também um bom grupo de atletas veteranos que competem nos Mundiais dos respetivos escalões e ainda um grande grupo de jovens, a próxima geração. Procuramos, nas nossas atividades, que todos estes grupos possam estar envolvidos.

Como é que se sente tendo no mesmo grupo atletas da valia duma Annika Billstam ou duma Catherine Taylor?

R. P. - É muito bom, sobretudo porque podemos perceber mais facilmente aquilo que há a fazer para atingir os níveis mais elevados. Aprendo imenso com elas e também vejo que são apenas pessoas normais. Para mim, elas não são grandes estrelas ou grandes nomes, são apenas amigas e colegas de equipa. Passamos fins de semana juntas, bebemos café, passamos férias juntas. Vejo-as talvez duma forma diferente daquela que as outras pessoas as vêem, são pessoas espetaculares com quem é bom estar.

Como é que vê a sua evolução nestes cinco anos?

R. P. - Penso que a minha técnica evoluiu extraordinariamente nestes últimos cinco anos. A parte da orientação sempre foi o meu lado forte, mas ao fim de cinco anos sinto-me muito mais confiante em qualquer tipo de terreno, o que é afinal o cerne da Orientação. Estou muito contente com a forma como progredi.

Porquê Portugal nesta altura da época?

R. P. - Porque se trata duma boa oportunidade de fazer Orientação no Inverno, numa altura em há neve por todo o lado. O ambiente em Portugal é fantástico e o Portugal O' Meeting é um evento reconhecido, uma competição de grande nível. Sabemos sempre com o que podemos contar quando vimos a Portugal e penso que é essa a principal razão para voltarmos ano após ano. Sabemos que iremos encontrar bons maps, bons percursos, uma boa organização e bom tempo, aquilo que conta quando vimos para fora com um determinado objetivo, penso eu. Mesmo pensando que já estive nesta região em anos anteriores, isso não é importante. Acima de tudo, são sempre boas experiências.

Como avalia o POM 2015?

R. P. - Estou muito contente com os terrenos. Na realidade, eu sabia que tipo de terreno iria encontrar e, para a minha lesão, isto é perfeito. Gosto muito de correr em terrenos macios, onde posso poupar um pouco as minhas pernas, ao contrário do que sucederia em terreno pedregoso e irregular. Foi essa a grande razão de ter escolhido o POM. E também penso que o tipo de Orientação nestes terrenos é desafiante q.b., mesmo que tudo pareça demasiado simples no mapa. Quando nos embrenhamos na floresta, tudo se complica; é afinal uma questão de velocidade.

Quando é que vamos voltar a vê-la ao seu nível?

R. P. - É difícil de dizer. Estive lesionada nas últimas temporadas e, de momento, o meu objetivo resume-se a conseguir treinar de forma contínua. Visto a minha lesão condicionar a minha forma física, com muitos altos e baixos, procurarei treinar de forma consistente nos próximos dois ou três anos e, só então, definir de forma efetiva, alguns objetivos ao nível de Elite, do género dos Campeonatos do Mundo. Mas de momento só penso em treinar regularmente e não me magoar.

Os Campeonatos do Mundo da Escócia estão fora de questão?

R. P. - Este ano não coloco a fasquia nesse patamar por causa das minhas lesões. Não quero colocar qualquer tipo de pressão sobre mim, decidir que devo estar numa determinada forma num determinado momento, porque sei que isso só viria anular a minha recuperação e as lesões voltariam a aparecer. Este ano, portanto, buscarei apenas as competições que melhor se adaptam à minha condição e às minhas necessidades, como este terreno do POM, por exemplo, e talvez alguns terrenos mais técnicos ao longo da temporada. A única coisa que eu pretendo é divertir-me nos treinos e as competições.

Vamos ter então de esperar pelos Mundiais de 2018, na Letónia?

R. P. - Sim, provavelmente iremos esperar até 2018. Se tudo correr de acordo com o previsto, se os treinos correrem bem em 2016, talvez eu venha a participar nos Mundiais. Por que são na Suécia e porque é o País onde vivo já há algum tempo e penso que tenho alguma vantagem pelo facto de conhecer bem o tipo de Orientação que se faz em terrenos desafiantes e muito técnicos como são os da Suécia. Não traço a minha participação nos Mundiais de 2016 como um objetivo, mas é possível que tal possa vir a acontece. Mas depois, em 2017 e em 2018, penso que será possível contarem comigo.

Neste início de temporada, quer deixar umas palavras a todos os orientistas do mundo inteiro?

R. P. - Desejo que não coloquem demasiado o foco na competição mas que desfrutem da Orientação. Quando acabarem uma prova, mesmo que não tenha corrido particularmente bem, espero que todos possam perceber que foi divertido, que sejam positivos, porque por vezes, especialmente ao nível da Elite, colocamos o acento tónico de tal maneira nos resultados que perdemos a perspetiva da diversão e do prazer que se retira do correr na floresta. Desejo que, ao menos uma vez, cada orientista se ofereça a si mesmo a hipótese de parar para pensar e apreciar aquilo que faz.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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