quarta-feira, 25 de março de 2015

Os Verdes Anos: Camila Coelho



Olá,

O meu nome é Camila, tenho 14 anos e estou a frequentar o 9º ano no Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, em Monte Redondo, Leiria.

Não sei o dia, ou o ano exato em que comecei a praticar Orientação; desde que era pequena que me lembro de andar atrás do meu pai ou da minha mãe. Quando me federei e entrei para os escalões de competição, foi quando comecei a fazer as provas sozinha. Nessa altura não me recordo do que achava da Orientação, mas sei que agora não me importo de acordar cedo para ir correr, cansar-me e não ter tempo para fazer outras coisas, porque posso visitar o país de uma ponta à outra, conhecer todo o tipo de pessoas e praticar o desporto que eu mais gosto! Para além da Orientação pratico uma vez por semana Natação, como forma de treino, e Dança, por divertimento.

A Orientação é, para mim, um desporto que exige das pessoas não só a corrida como inteligência e concentração. O que mais gosto do desporto é todos os fins-de-semana viajar para uma aldeia de Portugal; poder correr no mato com uma liberdade e adrenalina imensa; a satisfação de, finalmente, picar o ponto e partir para outro; e o sorriso de quando os meus amigos vêm falar comigo para saber como correram e compararmos as asneiras que todos fizemos durante o percurso. Tenho a sorte de ter esta oportunidade, de chegar à sexta a casa e perguntar aos meus pais: “Temos alguma coisa este fim-de-semana?”, quando sei que no outro dia de madrugada, já iria estar acordada (meio a dormir) e pronta para outra! Se não tivesse a Orientação, não seria nem metade feliz do que sou agora!

Vou aos Orijovens desde o 10º (só faltei a um) em Ovar, 2008, que foi quando fiz os meus primeiros amigos e começou tudo a ser mais fácil e divertido na Orientação. Os Orijovens para mim fizeram grande parte da minha vida enquanto “orientista”. Nunca tive nenhum treinador e foi graças aos tutores e aos mais velhos destes estágios que aprendi a maioria do que sei hoje sobre o desporto.

O pior momento que tive até agora na Orientação foi talvez há dois anos, numa prova onde entre o 200 e o finish havia uma poça de lama enorme, onde não se percebia onde era o fundo. Já tinha visto os outros atletas a saltarem, arregaçar as calças para não as molhar (o que era impossível) e outros com “pezinhos-de-lã” a passar a poça muito devagarinho. Eu, para parecer que era melhor que toda a gente e que aquilo era canja para mim, saltei, também para não perder muito tempo naquilo. Piquei o último ponto, preparei-me para o salto, estiquei a minha perna ao máximo. Pisei uma pedra, escorreguei e caí. Só vi os flashes, ouvi os risos e não senti nenhuma mão a ajudar-me. As minhas calças largas, cinzentas e as melhores que eu tinha acabaram por ficar ensopadas, rasgadas e castanhas. Magoei a perna e torci o tornozelo. Lágrimas escorregavam na minha face enquanto percorria o sprint final a ouvir o meu pai a perguntar se estava bem e se me tinha magoado. E ainda por cima, o sprint final tinha no máximo, 700 metros - a coxear, chorar e envergonhar.

O meu melhor momento foi quando recebi a minha primeira medalha. Foi numa prova em que fiz com o meu pai e o meu percurso era o OPT 1. Quando fui a chegar às partidas, entregaram-me o OPT 2. O meu pai tinha-se enganado na inscrição e deu por nós a fazer 3 quilómetros. Quando fui ao pódio, em primeiro lugar, foi o Diogo Miguel a entregar-me a medalha. Ele pergunta-me: “Como é que uma menina como tu acaba em primeiro num OPT 2?” Eu simplesmente encolhi os ombros, sem saber o que dizer. Tive a viagem inteira até a casa a admirar a medalha - pesada, escura e segura por um fio azul e branco.

Até agora tenho levado o desporto numa de brincadeira. Era o que eu fazia para passar tempo com amigos, sair de casa e correr um bocadinho. Este ano vai ser o primeiro ano em que vou esforçar-me para as provas e tentar ter bons resultados, agora que entrei para D16. Vou treinar a minha forma física e ir aos treinos que o COC faz nalguns fins-de-semana para decifrar o dilema das curvas de nível, que após tantas provas, ainda continuam a ser uma incógnita quando estou a fazer o percurso. O Clube de Orientação do Centro tem sido, e sempre será, o clube que frequento e é com muito orgulho que visto o seu equipamento em todas as provas. Espero vir a representá-lo um dia, quando estiver nos Campeonatos N acionais (quem sabe mundiais) e ser uma "orientista" importante.

Tento sempre conciliar os estudos com as provas. Nunca faltei a nenhuma prova para estudar, mas também nunca tirei má nota por estar nas provas. Acredito que há tempo para tudo, e organização acima de tudo!

No futuro, espero ainda continuar na Orientação, já ter ido a todas as cidades, corrido em todos os mapas de Portugal e ter crescido como pessoa e “orientista”!


Camila Coelho
Clube de Orientação do Centro
Fed 4907

[Foto gentilmente cedida por João Vítor Alves]

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