quinta-feira, 5 de março de 2015

Isia Basset: "Quando somos invadidos pela Orientação já não conseguimos parar"



Começou por ser “uma questão familiar” e é hoje “uma questão muito séria”. A Orientação entrou na vida de Isia Basset aos oito anos e veio revolucioná-la por completo. Hoje, ela é uma das estrelas em ascensão da Orientação francesa e mundial e a sua ambição encontra um paralelismo perfeito no seu enorme talento. Venha conhecê-la um pouco melhor.


Como é que conheceu a Orientação?

Isia Basset (I. B.) - Comecei a fazer Orientação muito nova, com 8 anos, numa altura em que os meus pais e o meu irmão mais velho se começaram a interessar pela modalidade. Fui gostando, participei num grande número de provas de nível nacional, mas foi só na idade de junior que comecei a treinar mais a sério, com o meu irmão mais velho [Lucas Basset], em busca dum lugar na Seleção Nacional de França.

E porquê a Orientação? Porque não o Atletismo ou a Natação?

I. B. - Bem, de início foi porque a Orientação era o desporto da família, era algo particular, que nos unia, que nos levava até à floresta para fazer algo que gostávamos. Só aprendi a correr mais tarde, mas concentrada na Orientação. Nunca fiz Atletismo. E porque não? Não sei. Sei que este é um desporto que me agrada imenso e que quando somos invadidos pela Orientação já não conseguimos parar.

Que responsabilidade tem o seu irmão em todo este processo?

I. B. - Tem uma responsabilidade muito grande. Sobretudo, porque foi ele que nos arrastou para as provas todos os fins de semana. Depois disso, também os meus dois irmãos mais novos começaram a fazer Orientação. Enfim, somos quatro irmãos e estamos todos metidos nisto duma forma muito séria.

Apesar de ser ainda muito nova, tenho a certeza que haverá já um momento especial que a marca na Orientação. Quer partilhá-lo?

I. B. - O primeiro momento especial foi o meu primeiro Campeonato do Mundo de Juniores, em 2011. Consegui ultrapassar as minhas próprias expectativas e apercebi-me que, com treino, poderia conseguir resultados realmente muito interessantes. Atualmente, a minha referência é o Campeonato do Mundo de Juniores, em 2013, na República Checa, onde consegui o 4º lugar na Distância Longa e o 5º lugar na Média. São bons resultados e espero poder repeti-los nos próximos anos.

Esta não é a primeira vez que participa no Portugal O' Meeting. Porquê o Portugal O' Meeting?

I. B. - Esta é a minha terceira participação, depois de ter estado cá em 2010 [Figueira da Foz] e em 2013 [Idanha-a-Nova]. O Portugal O' Meeting é uma competição muito interessante, que atrai sempre um leque enorme de participantes. Em França, por exemplo, não conseguimos ter um evento com estas características e com uma concorrência tão forte, sobretudo ao nível da Elite Feminina. E mesmo que eu habite numa região de França onde a neve não é, normalmente, um problema, é sempre um enorme prazer correr nestas condições. Portugal é perfeito!

Como avalia esta organização do Portugal O' Meeting 2015?

I. B. - Gostei muito. Não vi qualquer falha na organização e as competições foram muito interessantes, mesmo que os terrenos sejam tecnicamente acessíveis. Mas é uma floresta muito bonita, muito limpa, onde é fácil correr. Para mim é sobretudo importante porque sinto que há muito a fazer em termos do trabalho físico. A forma ainda não é a melhor e competições deste género permitem perceber aquilo que há para fazer.

Está contente com os seus resultados?

I. B. - Sim, muito contente. Começo a explorar o meu potencial ao máximo e a conseguir resultados que me deixam muito satisfeita.

Quais os grandes objetivos para esta temporada?

I. B. - No ano passado estive nos Campeonatos do Mundo, em Itália, e gostava muito de poder repetir uma participação nos Mundiais deste ano, na Escócia. Não consigo dizer, neste momento, qual ou quais as distâncias em que poderei participar, uma vez que será necessário, forçosamente, passar pelas provas de seleção que serão na Taça do Mundo. Portanto, serão dois os eventos realmente importantes para mim esta temporada e que encerram, cada qual, um objetivo preciso.

Motivada?

I. B. - Muito motivada. Comparativamente ao ano passado, consegui perceber uma enorme progressão ao longo desta última semana. Ainda irei ficar mais alguns dias em Portugal, iremos fazer alguns treinos um pouco mais técnicos, mas foi um bom começo de temporada e que abre excelentes perspetivas.

Thierry Gueorgiou é uma das figuras marcantes do Portugal O' Meeting e foi, este ano, uma das ausências mais notas. Quer endereçar-lhe uma palavra?

I. B. - Thierry é o mentor da equipa de França. Ele fez com que o nosso nível pudesse subir enormemente e todos estamos muito gratos por isso. Neste momento, só espero que ele se possa restabelecer rapidamente da sua lesão e que possa estar ao mais alto nível nos Campeonatos do Mundo.

E ainda uma palavra a todos os orientistas do mundo inteiro.

I. B. - Uma boa temporada para todos e que continuem a amar este desporto.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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