terça-feira, 3 de março de 2015

Baptiste Rollier: "Sonho com uma medalha na Distância Longa"



Ocupando atualmente o 8º lugar no Ranking Mundial de Orientação Pedestre, Baptiste Rollier foi uma das grandes figuras do Portugal O' Meeting 2015. Da recente experiência em Portugal às altas terras da Escócia onde, no início de Agosto, terão lugar os Campeonatos do Mundo, são vários os assuntos passados em revista nesta conversa que o Orientovar com ele manteve.


Portugal nesta altura da temporada, porquê?

Baptiste Rollier (B. R.) - Porque está bom tempo e porque há bons mapas.

Mas era este género de terrenos que procurava?

B. R. - No início de cada temporada, aquilo que eu procuro fazer é regressar aos mapas e esta é a primeira oportunidade para fazer algo um pouco mais técnico. Há ainda muito tempo até às primeiras provas que realmente contam e Portugal surge de forma natural no programa de treino. Em seguida estarei duas semanas em Espanha e depois no Reino Unido.

E como é que se sentiu ao longo dos quatro dias do POM?

B. R. - Bem, é necessário voltar a adquirir os automatismos com o mapa, mas também a parte física tem ainda algo para ser afinada. Foram três provas de Distância Longa, mas o terreno é muito macio e dalguma forma deixa-nos a salvo de eventuais lesões. É evidente que, dum ponto de vista técnico, há terrenos que são muito mais complicados, mas estes quatro dias do Portugal O' Meeting foram muito bons para início de temporada.

Partiu com alguma vantagem para a derradeira etapa do POM, mas não foi capaz de segurá-la. O que é que se passou?

B. R. - Perdi cerca de três minutos num ponto e isso acabou por ser determinante. Foi aí que o finlandês [Aaro Asikainen] me apanhou e mais tarde, no último 'loop', o Frédéric [Tranchand] também me ultrapassou, ele é bastante mais rápido do que eu. Senti-me muito cansado – aliás, na prova WRE do terceiro dia já me senti assim -, o cansaço vai-se acumulando, mas fiquei contente, apesar de tudo, porque sinto que a forma física é boa para esta altura do ano.

Estava nos seus planos ganhar o Portugal O' Meeting?

B. R. - Não, esse nunca foi o meu objetivo. Vir aqui, aproveitar para treinar a parte técnica, conseguir manter níveis de concentração na orientação, esse foi o objetivo. Nunca foi uma questão de resultado.

Os grandes objetivos para esta temporada estão centrados nos Campeonatos do Mundo. Qual é o seu sonho?

B. R. - Sonho com uma medalha na Distância Longa, claramente. Vai ser uma prova muito dura, muito longa, num terreno muito difícil e que irá provocar um enorme desgaste de energia. Mas vai ser um momento especial e é para essa prova que estou a preparar-me. É o grande objetivo do ano.

Que significado especial tem ser atualmente o nº 8 do Mundo?

B. R. - Pessoalmente, não tem grande significado. Afinal, aquilo que realmente conta são os Campeonatos do Mundo e as etapas da Taça do Mundo. Mas não ando à procura desta ou daquela prova para subir no ranking.

Como é que a Suiça está a preparar a sua participação nos Campeonatos do Mundo?

B. R. - Já temos no seio da equipa um nível de base bastante bom e todos têm de se esforçar ao máximo para conseguirem um lugar na seleção. Isso faz com que o nível aumente ainda mais. Em Setembro do ano passado estivemos na Escócia e ficámos já com uma boa imagem daquilo que podemos esperar em termos de terrenos. Alguns atletas voltaram lá em Outubro e vamos estar lá, de novo, no início de Abril, em Lake District, no Jan Kjellström International Festival of Orienteering. Pensamos que os terrenos serão bastante parecidos com os dos Campeonatos do Mundo e que a cartografia poderá ser um pouco dentro do mesmo estilo.

Vamos poder contar com uma seleção da Suiça no máximo da sua força.

B. R. - Como habitualmente as nossas possibilidades em termos de resultados são boas e os terrenos, muito rápidos, são algo que pode jogar igualmente a nosso favor. Mas temos muito pela frente em termos de treino até chegarmos a Agosto.

Vamos vê-lo fazer Orientação até que idade?

B. R. - Não é facil dizer, sobretudo quando vemos pessoas com 95 anos a fazer ainda Orientação. Mas quero continuar a fazer Orientação por muitos anos. Mesmo que a capacidade física nos impeça de correr mais, é sempre uma coisa fantástica embrenharmo-nos na floresta. E depois já não há aquela ansiedade, o ficarmos todos nervosos se não conseguimos encontrar os pontos.

Uma última palavra, um desejo para todos aqueles que fazem Orientação.

B. R. - Que todos possam retirar prazer daquilo que fazem e que o ambiente entre os mais novos e os mais idosos seja sempre um ponto forte do nosso desporto. Que as famílias possam continuar unidas a fazer Orientação, a usufruir deste fantástico ambiente, destas florestas e deste sol.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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