quinta-feira, 19 de março de 2015

António Martínez: "O Halden é um clube muito profissional"



Apesar dos excelentes resultados alcançados nas temporadas mais recentes, António Martínez decidiu levar ainda mais longe a sua aposta na Orientação e rumou à Noruega, onde foi recebido de braços abertos no Halden SK. Sobre essa experiência deu conta ao Orientovar, numa Entrevista onde são igualmente abordadas as suas expectativas e ambições.


Foi possível vê-lo em Portugal no passado mês de Fevereiro, a competir no Portugal O' Meeting. Quer falar um pouco da competição e dos dias passados entre nós?

António Martínez (A. M.) - O Portugal O’ Meeting é uma competição excelente no arranque da temporada e nunca saímos dececionados: Terrenos de qualidade, traçados interessantes, bom nível de participação, clima… Este ano assim foi uma vez mais e passei cinco dias muito produtivos nas Dunas de Mira e de Vagos, pese embora o programa ser um pouco duro para alguém que não é propriamente um corredor que distâncias longas (risos).

Como é que estás a sentir-te neste início de temporada?

A. M. - Este está a ser, para mim, um dos melhores começos de temporada de sempre desde que me vi com um mapa nas mãos. Fisicamente, sinto-me melhor do que em anos anteriores nesta altura da temporada, mas a grande evolução que noto é no capítulo técnico; sinto-me com muita fluidez e confiança na leitura do mapa. Além disso, as duas vitórias em provas pontuáveis para o Ranking Mundial (Distância Média e Sprint) que corri em Espanha, em Fevereiro e em Março, são um indicativo de que estou no bom caminho. A temporada é muito longa e isto pode não querer dizer nada, mas acredito que estou a fazer as coisas de forma adequada e que os progressos irão persistir ao longo do ano.

Quer partilhar connosco as impressões acerca dessa aventura norueguesa e da forma como está a decorrer a sua adaptação a Halden?

A. M. - Em dado momento, senti que para poder continuar a progredir na Orientação era necessário deixar a Espanha e devo dizer que tomei a decisão mais acertada. Mas não é fácil para um Espanhol adaptar-se a tantas situações novas ao mesmo tempo: o frio, a obscuridade, o elevado custo de vida, a língua e não conhecer ninguém. Mas acho que as coisas estão a correr muitíssimo bem e tal facto deve-se ao caloroso acolhimento que tive da parte do meu novo clube.

Que tipo de clube é o Halden Skiklubb? Em relação àquilo a que estava habituado em Espanha, quais as diferenças mais significativas?

A. M. - Na minha ainda curta experiência de apenas três meses, posso afirmar que o Halden é um clube muito profissional, que sabe perfeitamente quais são os seus objetivos e qual a melhor forma de os alcançar. Há um grande ambiente desportivo no clube, com muitas pessoas empenhadas e ativas, algumas delas ex-campeões do mundo e atuais campeões do mundo de Orientação, que nos transmitem as suas experiências e fazem com que o nível do treino aumente. As diferenças mais significativas verificam-se ao nível da qualidade do treino, ou seja, a possibilidade de treinar Orientação praticamente todos os dias (por vezes mais do que uma vez por dia), numa grande variedade de mapas e em terrenos lindíssimos e de grande qualidade, com atletas de grande nível, treinadores experientes, GPS para análise posterior, etc. É um verdadeiro luxo e que está ao alcance de muito poucos. Outra grande diferença está na forma como se valorizam aqueles que apostam e se dedicam à Orientação de elite. É dado todo o apoio possível, nomeadamente do ponto de vista económico, realizando campos de treino, suportando os custos das viagens, buscando trabalho para eles, casa, etc. .

Quais os próximos passos em termos de preparação da época?

A. M. - Para já terei os Campeonatos de Espanha. Penso que vai ser uma excelente competição, mas com um programa muito duro, com cinco provas em três dias. Vamos ter alguns atletas que participarão apenas naquelas provas que mais se adequam às suas capacidades, tal como nos Campeonatos do Mundo, pelo que não será fácil estar em todas com os resultados ao mais alto nível. Mas sinto-me muito bem e, em principio, lutarei pelos títulos em todas as provas. Após os Campeonatos de Espanha, regressarei a Halden por tempo indeterminado. Tenciono participar nalgumas etapas da Taça da Noruega e preparar da melhor forma a Tiomila e a Jukola, procurando dar a minha humilde contribuição a este clube que tem grandes ambições. Isto sem deixar de pensar nos Mundiais, claro.

Os Campeonatos do Mundo são, naturalmente, um assunto que começa a ocupar já o seu espírito. O que é que sabe sobre os percursos e o programa? Já iniciou algum tipo de treino específico?

A. M. - Na verdade não conheço os terrenos mas farei com a seleção espanhola um Campo de Treino em Junho ou Julho onde procuraremos tomar contacto com o tipo de terrenos. Mesmo assim, tenho visto os mapas e acredito que estar na Noruega me será muito útil em termos de preparação, visto não termos terrenos em Espanha parecidos com aqueles onde se irão realizar os Campeonatos do Mundo.

Já decidiu em que provas irá participar?

A. M. - Gostava de correr a prova de Sprint e a Estafeta. Há muita gente que acredita nas minhas possibilidades na Distância Longa, mas ainda tenho muitas dúvidas se estou preparado para ser um corredor de longa distância ou se devo continuar a apostar na Distância Média, embora ambas me motivem. Não descarto correr as duas provas se me sentir bem, mas para isso tenho de me classificar na equipa, visto termos apenas um lugar na Média e um lugar na Longa.

Quais os grandes objetivos? Melhorar o 14º lugar da estafeta em 2013? Melhorar o 22º lugar do Roger Casal na Longa alcançado em 2004?

A. M. - Este ano o objetivo principal é guindar a Espanha de novo à segunda divisão (na temporada passada baixámos de divisão por um ponto apenas). Quanto a resultados, creio que o nível da Orientação em Espanha está a crescer a passos de gigante e confio muito no nosso potencial. Gostava muito de chegar ao top 10 nas Estafetas e no Sprint e estar nos primeiros 20 na Distância Média e na Distância Longa. É difícil, mas não é impossível.

Pedia-lhe, a finalizar, um desejo para a Orientação e para todos os orientistas neste início de temporada.

A. M. - Não sonhes a tua vida, vive os teus sonhos!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Sem comentários: