sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

POM 2015: O balanço de Bruno Nazário



O Portugal O’ Meeting 2015 chega ao fim. À medida que a Arena se vai esvaziando, o Orientovar faz com Bruno Nazário, o Diretor do Evento, o balanço possível deste que foi o POM mais participado de sempre.


Parece-me perceber, em qualquer Diretor duma prova desta ordem de grandeza, um conflito interior que é recorrente quando se chega ao fim. Por um lado, o natural respirar de alívio, após dias intensos e desgastantes; por outro, já uma certa nostalgia dos momentos vividos e alguma tristeza por ver partir toda esta gente. É realmente assim, Bruno?

Bruno Nazário (B. N.) – Na verdade, julgo que o principal sentimento, neste momento, é o do dever cumprido, o de saber que uma vasta equipa de pessoas passou um ano a trabalhar para que o Portugal O’ Meeting conseguisse atingir este nível. Estou certo que todas as pessoas que por aqui passaram ficaram agradadas com o nível técnico, com a disponibilidade, com estas arenas… Houve um atleta finlandês que já vem ao POM há muitos anos e que fez questão de nos felicitar dizendo que realmente demos um passo em frente, que se sente agora o ambiente das grandes provas. Penso que realmente atingimos esse objectivo mas, como digo, isto não é trabalho meu, é trabalho duma vasta equipa da qual eu sou apenas uma parte e à qual estou agradecido, porque sem eles este Portugal O’ Meeting não seria aquilo que realmente foi. Mas há também um sentimento de alguma mágoa por não podermos desfrutar devidamente desta festa, não podermos estar mais tempo com todos aqueles que nos visitaram, de tão absorvidos que estamos com as mais variadas tarefas.

Pegando um pouco nestas suas últimas palavras, o que é que realmente tem pena de ter perdido?

B. N. – Bem, pela própria posição que ocupei ao longo destes dias, no papel de ‘speaker’, acabei por estar nos momentos mais importantes. Daí que as minhas palavras se dirijam menos a mim próprio e mais a outras pessoas, nomeadamente o António Aguiar, que é o responsável por toda a logística do evento e que, com a prova a decorrer em Mira, por exemplo, já estava em Vagos a montar toda a estrutura da Arena para os dias seguintes. Uma palavra muito especial para ele, para todas as pessoas que estiveram no no bar, as pessoas que estiveram na cozinha, nas partidas, nos estacionamentos, e que não tiveram a oportunidade nem o privilégio que eu tive de poder estar na Arena e acompanhar estes momentos altos das provas. Aproveito, portanto, para dar os parabéns a toda a equipa, que soube ser solidária, cumprindo de forma exímia as suas funções.

Qual foi para si o momento mais emocionante deste Portugal O’ Meeting?

B. N. – Acho que o mais emocionante é perceber a alegria e o contentamento espelhado no rosto de todos os atletas, ver que vão daqui contentes com esta organização, com todo o trabalho que o Ori-Estarreja preparou para eles ao longo deste último ano.

Pensei que me ia falar da vitória estrondosa da Minna Kauppi na etapa WRE… Mas como é que viu este POM dum ponto de vista da competição “pura e dura”?

B. N. – Este foi talvez o ano onde, no sector feminino, tivemos o grupo mais homogéneo de toda a história do Portugal O’ Meeting. Tivemos realmente atletas muito boas, a Mari Fasting, a Minna Kauppi – a Minna Kauppi tem mais de dez títulos mundiais, a seguir à Simone Niggli é a grande ‘superstar’ da Orientação mundial (!) -, a Riina Kuuselo, a Saila Kinni, a Sofia Haajanen… Atendendo a este leque valiosíssimo de atletas, a vitória da Minna Kauppi é realmente espectacular e um bom prenúncio para a Orientação, mostrando que ela está de volta. No sector masculino, temos obviamente muita pena de o Thierry Gueorgiou não ter estado connosco, mas a sua ausência abriu um pouco o leque e permitiu antever algumas estrelas para o futuro, como o Aaro Asikainen ou o Gernot Kerschbaumer. Foi igualmente uma pena o Gustav Bergman ter ficado doente, bem como a Annika Billstam, o Philippe Adamski, a Amélie Chataing e outros, mas mesmo assim o nível competitivo foi muito elevado.

O Portugal O’ Meeting desloca-se no próximo ano para a Beira Interior, para Penamacor, levando consigo uma responsabilidade maior ainda, depois do que pudemos assistir em Mira e em Vagos.

B. N. – Ao organizar um evento desta natureza, o Ori-Estarreja procura que as organizações a seguir tenham uma boa passagem de testemunho. O nosso desejo é que os atletas que saem daqui estejam já com os olhos postos em Penamacor, reconhecendo no POM um evento de grande nível e ficando desde logo com vontade de voltar no próximo ano. Estou certo que o Clube de Orientação do Centro irá fazer um trabalho fantástico. Os terrenos escolhidos para o POM 2016 são muito bons e estão reunidos todos os ingredientes para continuarmos com estes números elevados de participantes.

Vai perder aquele que foi o seu “entretimento” ao longo dum longo ano e também já não tem tarefas que o prendam às selecções nacionais. Como é que vai ser 2015, pessoalmente?

B. N. – Pessoalmente vai ser muito mais dedicado à família, com uma palavra muito especial à Cristina, que me soube apoiar durante este tempo todo.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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