terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

POM 2015: Nos bastidores



Não é fácil ter uma noção do trabalho que é exigido a essa vasta equipa que, no Portugal O' Meeting, se encarrega de alimentar tanta gente. Cozinheira de profissão, habituada às grandes cozinhas e a fornecer refeições a estudantes e professores na Universidade de Aveiro, Maria Silva é quem comanda esta grande nau. E que nos conta o peso dos dias, desde as seis da manhã até sabe-se lá que horas.


Passa das três da tarde, as fotos da praxe foram tiradas, a Arena começa a ser desmontada e o POM chega ao fim. Sempre solicita, Maria Silva não se furta a uma conversa, agora que o momento é já de descompressão. “Estamos aqui desde as seis da manhã e lá para as quatro da tarde é que conseguimos abrandar um pouco.” Abrandar, só para alguns, que Maria está, por essa hora, de roda com as contas e de abalada para o Supermercado. E que compras são essas? Uma questão à qual atira com “70 quilos de carne picada, 400 feveras, 100 hamburgueres, 100 cachorros, 35 kg de esparguete, 4 sacos de batata, 4 sacos de cenoura,...”. Tudo isto para um dia apenas, num rol de alimentos e condimentos que parece não ter fim, tal como a fila da refeição que se estende ao longo duma centena de metros em “hora de ponta”.

Maria Silva confessa ter ficado “dentro do esquema” no primeiro Portugal O' Meeting que fez, em S. Pedro do Sul, e agora já não há nada que a assuste: “Vamo-nos precavendo, vamos adiantando as coisas e quando chega o momento de pressão está tudo controlado. É só fazer aqueles truques de cozinha e está a andar”. Mas há uma coisa que não deixa de constituir um “doi”, algo que é irremediável para esta equipa de 13 elementos: “Não vemos nada do que se passa lá fora, mas temos orgulho naquilo que fazemos. A nossa recompensa é perceber que satisfazemos os atletas, de vermos que vão contentes, que fazem questão de nos dizer que a comida estava boa. E eu agradeço muito isso porque, depois do primeiro dia, já não consigo provar a comida, não consigo saber como é que está de sabor, de temperos.”

O tempo é de descanso agora e Maria Silva não quer ouvir falar em tachos por uns tempos. “A minha filha já ontem me perguntou a que horas chegava a casa e eu disse-lhe que nem pensasse que ía cozinhar para ela. Por acaso meti férias e vou estar até domingo sem tocar nos tachos!”


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

Sem comentários: