quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Nadiya Volynska: "Devemos sempre escutar aquilo que o Thierry tem para nos dizer"



Nadiya Volynska voltou a eleger Portugal como um dos seus locais de treino nesta altura da época. A sua atitude competitiva permitiu-lhe levar de vencida o III Meeting Internacional de Idanha-a-Nova, após ter vencido o Norte Alentejano O' Meeting 2015. E foi precisamente no final da segunda etapa do evento de Castelo de Vide que o Orientovar foi ao seu encontro.


Começaria por lhe perguntar como é que se sente após os dois dias de competição.

Nadiya Volynska (N. V.) - Gostei muito deste segundo dia [do NAOM], desde logo por se tratar dum mapa completamente novo e por não saber muito bem o que esperar. Olhando para o extrato do mapa, era possível perceber que se tratava dum terreno bastante mais detalhado, mais verde do que no dia anterior e, portanto, adivinhava uma progressão não tão rápida. Tentei definir uma estratégia, ser mais cuidadosa, não progredir demasiado a direito, procurar contornar os elementos fazendo a melhor opção e parece que as coisas acabaram por bater certo. Gostei muito da forma como os pontos estavam colocados no terreno e da infinidade de opções que se ofereciam em termos da progressão.

E quanto à sua vitória no NAOM 2015?

N. V. - Foi muito motivadora, sobretudo porque estava muito aborrecida com a minha prestação da véspera. Já era altura de testar as minhas capacidades mais a sério, puxar forte durante a maior parte do percurso e penso que foi na altura certa e que fui bem sucedida.

Como é que se sente nesta fase?

N. V. - Falta ainda muito tempo para as grandes competições mas é bom ter alguns momentos para perceber o meu estado de forma. E penso que estou bastante bem, embora por agora seja mais uma questão de treino psicológico. Tenho ainda muito tempo para apurar a forma, quer do ponto de vista físico, quer técnico.

Que importância tem o treino de Inverno? Recordo sempre as palavras do Thierry Gueorgiou, segundo as quais é no Inverno que se ganham as medalhas do Verão (!) …

N. V. - Essa frase escapou-me mas penso que devemos sempre escutar aquilo que o Thierry tem para nos dizer. Sim, de facto é importante perceber o nosso nível, sobretudo num tempo e num lugar onde conseguimos correr sem neve. Estamos todos em tempo de preparação mas existe já algum nível que permite perceber em que momento nos encontramos. E se não estamos tão bem quanto pensávamos ou desejávamos, há ainda tempo suficiente para remediar as coisas.

Qual o próximo passo no seu programa de preparação?

N. V. - Continuar a treinar no duro. Ou talvez não tão no duro, mas de forma mais inteligente. Focar-me mentalmente nos meus objetivos.

Que são...

N. V. - Os Campeonatos do Mundo. O meu objetivo é, no final, uma medalha.

Ser a 12ª classificada do ranking mundial da Federação Internacional de Orientação é apenas um número ou representa algo mais?

N. V. - Não, é só um número. Tenho este sonho, conquistar uma medalha nos Campeonatos do Mundo, mas não sonho com ganhar todas as provas. Para mim, o mais importante é desfrutar. Se nos batemos sempre até ao limite, procurando a vitória, não vamos poder retirar prazer da Orientação.

Como vê o atual momento da Orientação na Ucrânia?

N. V. - As coisas agora estão pior. Tal como nas mais variadas questões do dia a dia, todos os desportos são afetados e a Orientação não é exceção. A maior parte dos atletas ucranianos vive no estrangeiro, mas a geração mais jovem está nitidamente prejudicada, não possui termos de comparação, não se consegue perceber o quão bons são os atletas. Gostava muito de poder ajudar esses jovens a tornarem-se melhores orientistas, mesmo estando a viver na Escandinávia. As pessoas acham que as coisas mudaram, que já não é tão fácil ingressar num clube escandinavo, por exemplo, ao contrário do que acontecia há uns anos atrás. Mas ainda é possível. Se realmente há esse sonho de ser um bom orientista, afinal o sonho de muitos, as portas estão abertas e serão bem recebidos. É apenas uma questão de tentar.

Gostava de lhe pedir, a terminar, um desejo para todos os orientistas do mundo inteiro.

N. V. - Tenham saúde, sintam prazer na Orientação e sejam positivos!


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

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