segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Edgars Bertuks: "Estar em Portugal é quase como começar tudo de novo"



Uma nova época começa e é tempo de prepará-la convenientemente. Edgars Bertuks é um dos atletas de renome internacional que volta a preferir Portugal para as primeiras corridas com mapa do ano. Fomos encontrá-lo em Coruche e conversámos com ele, sob o olhar atento do pequeno Jurģis, já com praticamente treze meses de idade. Do balanço da última temporada aos grandes objetivos para esta que agora se inicia, um conjunto de ideias que vale a pena reter.


Gostaria de começar por ouvi-lo a propósito da temporada passada. O balanço é positivo?

Edgars Bertuks (E. B.) - Bem, o início da temporada foi bom. Os Campeonatos da Europa disputados aqui em Portugal correram bem, mesmo que não tenha conseguido chegar às medalhas. Mas acabei na 5ª posição na Distância Média, fui o 10º classificado na Distância Longa e tivemos ainda hipótese de lutar pelas medalhas na Estafeta, mesmo sem a melhor equipa. Um pouco mais tarde, por altura das grandes Estafetas e dos Campeonatos Naciuonais da Letónia, ainda consegui boas prestações, mas depois adoeci no preciso momento dos Campeonatos do Mundo e... e foi isso (risos). Ainda tentei – não deveria tê-lo feito -, mas queria tanto correr o Mundial. Penso que poderia ter feito uma boa prova de Distância Média se tivesse prescindido da Longa, mas o grande objetivo era mesmo a Distância Longa e decidi arriscar. Foi um desastre completo. A verdade é que a prova exigia demasiada energia, energia essa que eu não tinha. Daí...

Recuperou bem desse problema de saúde?

E. B. - Não se tratou propriamente duma situação muito grave. Foi apenas uma gripe, mas que me consumiu com febres altas durante dez dias; e não se recupera duma gripe assim tão rapidamente quanto queremos. Depois disso voltei a sentir-me bem e pude fazer de novo algumas boas provas no Outono. Atualmente sinto-me bem e muito confiante.

Como é que estão a correr os seus treinos?

E. B. - Em Novembro e início de Dezembro estive no Quénia e foi realmente uma experiência fantástica. Tratou-se apenas de correr, claro – não há mapas de orientação por lá -, mas foi muito bom e aprendi uma série de coisas novas. Para mim foi uma novidade treinar em altitude e gostaria de voltar a repetir a experiência no futuro. A ver vamos. A verdade é que a temporada está tão recheada de provas que não é fácil encontrar um período de um mês para poder voltar a fazê-lo.

E quanto a Portugal? Porquê Portugal e não a Tasmânia neste início do ano?

E. B. - [Risos] É uma boa pergunta. Inicialmente, os meus planos apontavam para a Tasmânia mas mudei de ideias sobretudo por causa da viagem à volta do globo que uma deslocação destas implica. Claro que havia um motivo de interesse, a Taça do Mundo, mas para mim estar ali apenas pela Taça do Mundo não era suficiente. Teria sido uma belíssima prenda de aniversário [Edgars Bertuks festejou o seu 30º aniversário no passado dia 1 de janeiro], mas uma vez que não podia levar comigo a minha mulher e o meu filho acabei por desistir da ideia. Trata-se duma viagem muito dispendiosa e se a Letónia pretendesse enviar cinco ou seis atletas seus teria gasto todo o orçamento previsto para esta temporada.

Não concorda, portanto, com o facto de termos uma ronda da Taça do Mundo tão longe e tão cedo na época.

E. B. - Não, não concordo. Aliás, podemos ver que apenas as grandes seleções marcaram presença na Tasmânia, juntamente com um ou outro atleta doutros países, portanto... E não se trata do caso de ser tão cedo na ápoca. Podíamos ter nesta altura do ano uma ronda da Taça do Mundo em Portugal, em Espanha, na Turquia ou mesmo em Itália. Mas aquilo que está em causa é o facto de ser tão longe e com o dinheiro que uma participação destas implica. Até poderia ter usado os meus patrocinadores e ter ido à Tasmânia, mas acho que consigo gastar o dinheiro de forma mais inteligente, recorrendo a outras alternativas, seguramente.

E é por isso que o vemos em Portugal.

E. B. - Eu gosto de Portugal. Em Janeiro venho sempre a Portugal, sobretudo para correr, embora consiga encontrar geralmente um local onde pegar num mapa. Estive aqui pela primeira vez há seis anos, em Albufeira, numa altura em que fazia Atletismo. Adorei Albufeira. Desde então, tenho vindo a Portugal praticamente todos os anos e penso que voltarei de novo no próximo ano.

Como é que correu o seu primeiro contacto com um mapa aqui, em Coruche?

E. B. - Fiquei surpreendido por ter corrido tão bem. A última vez que tinha feito uma prova de Orientação tinha sido a Smålandskavlen, há mais de dois meses. Foi uma pausa daquelas. Quer-se dizer, corri ontem com mapa, é verdade (risos). Antes da prova parecia sentir-me um pouco cansado, o mau tempo na Letónia por alturas do Natal não me deixou treinar convenientemente e não sabia exatamente com o que contar. Mas aqui em Coruche encontrei um terreno tecnicamente não muito complicado e muito rápido, bem ao meu gosto. Portanto, estar em Portugal é quase como começar tudo de novo.

Quais os próximos passos?

E. B. - Planeio regressar a Portugal em Fevereiro para o Portugal O' Meeting. Vou passar uns dias à Letónia, depois voo diretamente para a primeira etapa do Portugal O' Meeting e depois sigo com a minha equipa, o TuMe, para Huelva, para um campo de treino com uma duração de dez dias.

Ainda sente muito pesada a sua medalha de ouro conquistada há dois anos e meio?

E. B. - Muito pesada? (risos) Creio que não. Na verdade, estou muito feliz por tê-la conquistado, mas não é nada de especial. Foi bonito, apenas isso. Talvez o momento do Hino nacional... Parece-me que ainda consigo vivê-lo, o speaker a dizer “por favor, levantem-se...” (risos). Os meus planos, obviamente, passam por ganhar mais medalhas no futuro. É esse, aliás, o grande objetivo desta temporada, chegar ao pódio do Campeonato do Mundo na Distância Longa. Sinto uma enorme confiança e penso que, pelo menos, terei hipóteses de lutar pelo pódio.

O que é que podemos esperar do resto da temporada?

E. B. - A minha atenção concentra-se já nas grandes Estafetas. Temos uma grande equipa, o Scott Fraser está de regresso, o Yannick Michiels e o Miguel Silva estão agora connosco e somos uma jovem e ambiciosa equipa focada, de momento, nas grandes Estafetas. Ao nível da seleção nacional estão a acontecer grandes mudanças, tendo em vista já o Campeonato do Mundo de 2018 [que terá lugar na Letónia]. Temos planos muito concretos, temos um novo mentor, um treinador nacional, Jari Ikaheimonen, que vem fazendo um grande trabalho de há três anos a esta parte e que conhece bem os desafios que enfrentamos.

No início duma nova temporada, quer deixar uma mensagem a todos os orientistas?

E. B. - Continuem a praticar Orientação. É um grande desporto, nunca nos deixa aborrecidos e, portanto, continuem. E desejo saúde a todos. Será esta, provavelmente, a coisa mais importante e não apenas na Orientação.

Para saber mais acerca de Edgars Bertuks, por favor visite a sua página em http://bertuks.com/.


Saudações orientistas.

Joaquim Margarido
  

Sem comentários: